A ignorância é uma benção

Não chega a ser impressionante, mas é interessante: as pessoas têm vergonha, medo e preconceito de tudo que é considerado ordinário. Comum, normal, careta, popular, pop ou povão. Average and regular, diriam os mais desanimados e afrescalhados. A ideia de pertencer e compartilhar de gostos e preferências da maioria – e, principalmente, assumir essa condição –, aparentemente causa a impressão de estar abandonando um grupo seleto de indivíduos especiais, para se unir à multidão e se tornar, apenas, mais um.

É legal ser ordinário. Essa padronização do cidadão médio é esteriotipado como uma das principais ferramentas do “sistema”para tornar a todos cada vez mais ignorantes. Mas, como já diria Joey Ramone: “a ignorância é uma benção”. Afinal, é ela que puxa a tomada da loucura do dia a dia. Por que deveríamos sentir vergonha de dizer, ou assumir, que ao se jogar no sofá após um cansativo dia de trabalho, é gostoso, sim, ligar a TV e assistir o programa mais superficial possível? Abstrair pelo entretenimento, leitura, culturalmente, é uma válvula de escape que funciona muito bem.

Qual o objetivo de passar horas sob um sol escaldante, em um ambiente extremamente insalubre, alterando por meio de radicais choques térmicos a própria garganta? Pegar uma praia é relaxante, socialmente bem visto, mas não acrescenta nada em sua vida, a não ser um momento de pura abstração e diversão. Enquanto faz isso, pessoas morrem de fome em todo o mundo, políticos continuam a enriquecer de forma ilícita, entre outras mazelas naturais e – acreditem – inevitáveis e naturais. Você iria embora por saber ou se lembrar de tudo isso? Talvez se preocupasse com um futuro problema de pele, em função da exposição excessiva ao sol, mas pelas crianças famintas na Etiópia?

Reparem em como criticamos as pessoas que, aparentemente, não se interessam por qualidade. Por informação. Por política, arte, literatura. O problema seria mesmo com essas pessoas ou conosco? Pobre Michel Teló, Neymar, Paulo Coelho. São catalisadores de um ranço incompreensível por uma parte da sociedade. Nem entrarei em detalhes de qual parte é essa, formada majoritariamente por jovens, pois não conseguiria exprimir em um só texto o quão replicantes são. Mas o que resta, ao final, é a certeza de que somos todos hipócritas.

“Como pode alguém gostar/não gostar disso?”.
Get a life, get a life.

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3 Respostas to “A ignorância é uma benção”

  1. Luiz Says:

    Eu sempre achei que gostar de uma unanimidade não me faria perder minha personalidade nem minha opinião, e adotar uma postura contrária da maioria só para não ser “cool” era uma coisa besta pra caralho…

    Se bem que, das unanimidades citadas no texto, eu só gosto do Neymar. Por motivos óbvios, hahahahahaha!

  2. cassiolito Says:

    o problema maior não é nem curtir ou não curtir o “comum”… o problema é quando você se AUTO-ROTULA de alguma coisa… lembro ainda um vez quando o Jão do Ratos de Porão respondeu a um jornalista quando indagado sobre o lnace de serem “traidores do movimento” e o Jão falou: “nunca dissemos que somos PUNKS..” estamos traindo que movimento????, ou seja, se ele quisesse amanhã fazer um pagode, ele podia… por isso que nunca fui de tribos, religiões extremistas (pode colocar evangélicos no meio disso…) e outros grupos hipócritas… se eu quiser ir num pagode com meu brother hoje e ir no Garotos Podres amanhã, ninguém vai me encher o saco… e outra coisa, vc pode ter certeza que 90% dos pessoal que fala mal de um baile funk tem vontade de estar lá… em resumo: CURTA A SUA e DEIXE OS OUTROS CURTIR A DELES

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