Archive for março \28\UTC 2012

Como deve(ria) jogar o Corinthians, hoje, contra o XV de Piracicaba

28 de março de 2012

Ralf e o zagueiro Castán. Eles formaram equipe ao lado de Cássio; Alessandro, Marquinhos e Ramón; Ramírez e Douglas; Emerson, Gilsinho e Elton.

Com uma equipe formada por 7 jogadores reservas, o Corinthians entra em campo, hoje, contra o XV de Piracicaba, apenas para cumprir tabela. É claro, porém, que a vitória daria um ânimo especial aos atletas que têm poucas chances no time considerado “titular” por Tite. Se vencer, o Timão ultrapassa o São Paulo na tabela, já que o tricolor deve tropeçar contra o Catanduvense, amanhã, no Morumbi – acreditem em mim.

Os destaques da noite de hoje devem ser Alessandro (totalmente recuperado de lesão, e que volta entre os reservas para ganhar ritmo – rezando para jogar bem), Marquinhos (tenho a chance de se recuperar de dois erros bizonhos que cometeu, diante o Comercial, o goleiro Cássio (vindo do PSV Eindhoven – Holanda) e meio campista Douglas. Esse último deve ser o foco das atenções. Dizem na cozinha corinthiana que o meia anda com dificuldades em perder peso, dormir cedo e beber pouco. Tanto que é a terceira opção do técnico para o setor. Entenderam, não?

Emerson também entra em campo, mais por falta de opções de atacantes com sua característica do que por preferência de Tite. Esse seria o jogo ideal para o chinês Zizao, que ainda se recupera de contusão no ombro. SIM, O CHINÊS JOGA MAIS DO QUE BILL, antes que me perguntem. Por incrível que possa parecer, o Corinthians, hoje, deve ser mais ofensivo, com as chegadas de Ramírez e Gilsinho, dando suporte a Douglas, Sheik e Élton. Aposto em um inédito e ousado 4-2-1-3:

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Vídeo Troll: Torcidas x Autoridades

27 de março de 2012

Em 2011, na Turquia, autoridades proibiram a entrada de torcedores nos estádios portando sinalizadores, por entender que a fumaça liberada pelo artifício atrapalhava o andamento das partidas, além do risco de causar queimaduras em quem estivesse próximo – algo que nunca aconteceu, até agora.

Foi então que, em um protesto bem humorado e que não prejudicou a ninguém, a torcida do Eskisehirspor resolveu trollar (tirar um sarro, sacanear) a proibição, por meio do conhecido meme Troll Face. Foi estendida uma enorme bandeira, com a estampa do personagem, repleta de pequenos buracos por onde os torcedores acionaram os sinalizadores, e a pergunta: problema?

Ficando encobertos pela bandeira, os torcedores não puderam ser identificados pelas câmeras de vigilância do estádio.
O tecido, encomendado especialmente para a ocasião, era anti chamas.
Hoje, a proibição não existe mais.

Sugestões para dar fim à violência das Torcidas Organizadas

26 de março de 2012

Após mais um dantesco confronto entre torcidas organizadas rivais de Palmeiras e Corinthians, resultando – até agora – na morte de um torcedor, baleado na cabeça, vem à tona o debate: por que fazem isso? O que a polícia deve fazer? As torcidas organizadas devem ser extintas do futebol? Para ajudar a responder tantos questionamentos, o Acnoide formulou uma lista de sugestões executáveis e de baixo custo operacional, a curto prazo, para sanar o pr0blema:

1. Promover, semanalmente, encontros de torcidas organizadas em estádios de futebol – exceto em dias de jogos: os participantes receberiam, logo na entrada, camisas de suas facções e bastões de baseball. O último a ficar de pé, ganha serviço de enfermeiro home care 24h, 7 dias por semanas, para o resto da “vida”;

2. Criar um programa de incentivo à participação familiar nas Torcidas Organizadas: o torcedor seria obrigado a levar a mãe, pai, avós ou filhos aos jogos de futebol. Estes, para enfatizar o “elo”, seriam acorrentados pelas pernas junto ao torcedor, durante 90 minutos;

3. Gincanas da Polícia Militar: os policiais seriam encarregados de criar brincadeiras para as torcidas organizadas, antes e depois dos jogos, para aumentar o nível de relacionamento entre as mesmas. Pega-Pega com Pitbull faminto, Esconde-Esconde bala de prata, Pêra-Uva-Maçã-Salada Mista com dependentes químicos da região da Cracolândia, Pula-Pula de gás lacrimogênio, entre outros;

4. Sessões de terapia ocupacional: o Ministério Público, em parceria com o Governo do Estado, criaria atividades que visassem eliminar problemas graves em nossa sociedade. Os membros de torcidas organizadas flagrados em conflitos ofereceriam, gratuitamente, serviços de terapia para maníacos sexuais em Centros de Detenção;

5. Temporada de férias e viagens ao exterior gratuitas: os torcedores das organizadas que criassem as melhores alternativas para brigas entre si – que não depredassem o patrimônio público -, ganhariam viagens de 15 dias para um spa, localizado em uma luxuosa cobertura na Faixa de Gaza, ou tours pelos melhores restaurantes da Etiópia.

Como deve(ria) jogar o Corinthians, domingo, contra o Palmeiras

23 de março de 2012

Como a correria pré-casamento anda tomando muito do meu “tempo livre”, vou tentar antecipar a análise tática (desde que nenhum desses jogadores se machuque) para o Derby Paulista, Corinthians x Palmeiras. Antes de tudo, independente do resultado, finalmente o jogo volta para a capital, mais precisamente, o estádio do Pacaembu. Nada contra jogos no interior do estado, mas perde-se muito do charme tradicional do duelo. Nessa partida, o Palmeiras seria o favorito, se não fosse o fator campo. Jogando no Pacaembu, o Corinthians é quase imbatível em clássicos. Santos, São Paulo e o próprio Palmeiras já foram derrotados mais de uma vez, nos últimos 2 anos, dentro do estádio municipal.

Líder invicto e com a ótima fase de Barcos, Juninho e Marcos Assunção, o alviverde leva vantagem em quase todos os setores do campo. Rápido e habilidoso, Maikon Leite pode ser o pesadelo de Alessandro, que voltará ao time titular depois de quase 40 dias parado. Porém, o Palmeiras tem na bola aérea um de seus pontos fracos – ironia do destino, já que durante 6 meses foi a principal jogada de ataque da equipe de Luis Felipe Scolari. Nesse quesito, Danilo, Leandro Castán e, provavelmente, Elton (segundo tempo), podem aproveitar oportunidades dentro da área palmeirense.

Alex poderia – e deveria! – ser poupado. Não vem desempenhando com a mesma eficiência o papel de homem de ligação do Corinthians. Insito: se não entrar em campo, Douglas não entra em forma, nem recupera ritmo de jogo. O camisa 15 seria o principal municiador do ataque com… Liédson? De novo? Sim. Tite tem uma extrema – e até mesmo, irritante – confiança no levezinho. Se desencantar contra o maior rival, nem a torcida vai cobrar a contratação de um novo camisa 9 – isso está por acontecer, acreditem.

“E Emerson? Você não pede, a toda partida, o Sheik como titular?”. É verdade, mas acho que Tite irá optar por um 4-2-2-2 nesse jogo e, assim, Willian viria bem a calhar. Rápido e bom também nas jogadas de linha de fundo, reforçaria ainda mais as bolas altas na área do Palmeiras. Vale a tentativa, já que o primeiro tempo desse jogo deve servir para impor o ritmo de velocidade e chutes a gol.

Frio, insosso e pouco eficiente Corinthians

22 de março de 2012

Foi-se o tempo em que o torcedor corinthiano ficava rouco por gritar gol. Ontem, o magro e “sem graça” 1×0 contra o Cruz Azul pela Libertadores, foi prova de que o Corinthians é extremamente pouco eficiente no critério aproveitamento de ataque. A equipe de Tite comandou o jogo do início ao fim, com direito a poucos sustos, mas com uma mira tão descalibrada dos atacantes, quanto no negro passado de 2007.

Por outro lado, Danilo continua se mostrando o principal jogador do time. Arma bem, cadencia bem as jogadas e mantém o alvinegro na temperatura do zero absoluto. Além disso, vem demonstrando grande habilidade nos desarmes e passes precisos. Seu parceiro de função, Alex (nota 6 no jogo de ontem), é o contrário: arma pouco e mal, comete muitas faltas na saída de bola adversária e anda com a pontaria em baixa – ressalva, claro, para o cruzamento para Danilo, resultando no único gol da partida.

Liédson, mais uma vez abaixo da crítica, saiu aplaudido (por 2011, não 2012) ao ser substituído pelo esforçado e merecedor de vaga permanente no time, Emerson. Este, em 6 minutos em campo, recebeu falta que rendeu um cartão vermelho à equipe mexicana e quase marcou um gol, em chute forte e cruzado, defendido pelo excelente Corona. Jorge Henrique foi melhor do que em partidas anteriores, mas falta mais alguém ao seu lado para facilitar sua entrada na área. E este alguém é Douglas, que nem entrou em campo, ontem. Elton entrou, apenas, para fazer cera, no lugar de Alex. Teve boa chance em chute forte, de fora da área, mas que passou à direita do gol do Cruz Azul. Como no primeiro jogo, dava para ter sido um placar mais tranquilo e elástico.

Paulinho, como havia previsto, participou mais ativamente dos lances de ataque. Em duas ocasiões, só não marcou pela grande atuação do goleiro mexicano – que recebeu elogios rasgados de Tite, na entrevista coletiva, após o jogo. Ralf, na minha opinião, dividiu com Danilo uma nota 7,5 como os melhores em campo. A zaga não deu sustos, excessão a uma bola boba perdida na intermediária por Edenílson, que não rendeu nada de mais. O lateral direito improvisado ainda vacilou no lance aos 42 minutos do segundo tempo, onde em tabela inocente, o Cruz Azul carimbou a trave esquerda de Julio César. E foi só. Assim, o Corinthians assumiu a liderança da chave, com 8 pontos, tendo ainda uma partida “fora de casa” e a última dessa fase, novamente no Pacaembu. Um pontinho garante a equipe de Tite nas eliminatórias da Libertadores 2012.

Visão de quem foi ao Pacaembu

O estádio não lotou. Foram pouco mais de 31 mil pessoas, sendo 29 mil pagantes. Deus sabe para quem foram quase 2 mil ingressos a convidados especiais. Com excessão da Gaviões da Fiel, Camisa 12 e Estopim, o restante do estádio cantou e vibrou pouco durante o jogo, em parâmetros corinthianos. A Kaiser faz uma ação de marketing durante o intervalo, tentando incentivar a torcida a berrar para ganhar uma camisa da marca de cerveja, lançada por um canhão motorizado, que circula o campo. Na boa? A parte que rendeu mais gritos e aplausos foi quando um torcedor agarrou uma das camisas e devolveu para o gramado.

Antes da partida, ainda na fila, a aglomeração de torcedores era enorme. Claro, muita gente furando uma fila de mais de 300 metros, e a polícia fazendo de conta que não via, em grande parte. Nessa confusão, dois de meus amigos foram furtados: um ficou sem a carteira e todos seus documentos – além de uma quantia em dinheiro, outro perdeu o celular. Dica válida: nessas ocasiões de grandes aglomerações e empurra-empurra, evite ao máximo portar carteira e celulares nos bolsos traseiros. Vão-se e você não percebe. Eu, como sempre, fui só com o RG, Bilhete Único e um pequeno valor em dinheiro. Melhor prevenir do que remediar.

Como deve(ria) jogar o Corinthians, hoje, contra o Cruz Azul

21 de março de 2012

De antemão: Emerson deveria ser o titular na partida de hoje, no lugar de Jorge Henrique. Alex poderia ser destacado como um terceiro atacante, ao lado de Sheik e Liédson, como fez no Internacional, do próprio Tite.

A razão disso é que o Corinthians precisa, e muito, de uma vitória convincente, digna de um time que possa chegar às fases finais da Libertadores. Independente do jogo ser no estádio do Pacaembu, com lotação próxima da máxima (são esperados 33 mil torcedores), os camisas 9, 23, 11 e 7 há algum tempo não fazem valer seus postos. Uma ressalva a Elton, que vem suprindo bem a saída de Adriano e a falta de um centroavante de ofício.

Com Paulinho tendo mais liberdade para subir ao ataque, Danilo e Jorge Henrique poderão centralizar mais as jogadas, criando espaços para o volante, que se torna o elemento surpresa no ataque. Fábio Santos é outro que pode atacar um pouco mais no jogo de hoje, mas sempre com muito cuidado, já que o Cruz Azul deve jogar no contra-ataque, nas costas dos laterais. Ralf será essencial na cobertura de lançamentos longos.

O time mexicano já provou, na semana passada, que não é o que se esperava. Uma equipe de bom toque de bola, mas que sofre do mesmo mal corinthiano: o último passe. Nisso, Alex carimba hoje sua permanência entre os titulares, ou uma temporada no banco de reservas, uma vez que Douglas aparenta não ter mais o problema do sobrepeso em seu caminho. Liédson é outro que pode estar recebendos sua última chance como titular da Libertadores – ao menos, no restante da primeira fase. A seca de gols do atacante é a maior em toda sua carreira. Na contramão, Edenílson pode se transformar no novo Paulo André, jogando para escanteio o lateral direito Alessandro, ex-titular absoluto e ex-capitão.

Estarei lá no Pacaembu, hoje, para o que espero ser uma boa apresentação do Corinthians.
Eu e outros 33, 34 mil loucos, sedentos por uma vitória alvinegra, que concede a liderança do grupo e uns 70% da vaga para a segunda fase da Libertadores 2012.

E vai, Corinthians!

Pobre São Paulo, pobre paulista

19 de março de 2012

O fim do mundo em dezembro de 2012 é pouco provável, mas o certo é que São Paulo caminha a passos largos para mais quatro anos de gestão PSDBista na Prefeitura. Não que eu seja contra o partido tucano, favorável ao PT ou simpatizante de qualquer outro partido*. O problema é que, no contexto político, o continuismo em uma cidade que não respira e se move em ritmo balanceado, preocupa muito. Novos problemas, de fontes conhecidas há anos, surgem a cada dia. Soluções, sempre de forma paleativa, são propostas a todo momento. Atente-se que, porém, o problema de São Paulo mora no votante, e não simplesmente na opção de voto.

Rancoroso, amargurado e extremamente preconceituoso, o paulistano pode ser enquadrado como o cidadão brasileiro que mora no topo da pirâmide – e que não quer sair de lá – para poder continuar defecando na cabeça do restante. Não interessa a ele se o resto do país se afunda em problemas muito mais severos e pontuais, como uma enchente de mais de 10 dias no Acre, já que esse Estado não lhe serve para nada. Se o problema for no nordeste, então, só há motivos de pânico caso isso aconteça durante o verão. Caso seja no sul, bem, os sulistas – aquele povo que pensa ser europeu – que se exploda. Pantanal, Amazônia e a Chapada Diamantina que se transformem em grandes estacionamentos e instalem em seus espaços, amplos shoppings centers para nosso turismo de qualidade.

Paulistano não gosta de ser visto como brasileiro. Porque aqui todo mundo paga os impostos em dia para sustentar o restante do país. Porque aqui as empresas movem as engrenagens do Brasil. Já somos benevolentes demais em aceitar imigrantes até mesmo do exterior em nossas trincheiras para ter de aguentar esse “povinho” que vive de cesta básica e Bolsa Família. Imagine que as faxineiras daqui são tratadas a pão de ló, recebendo “absurdos” R$ 80 por dia, e ainda fazem pouco caso! Um disparate! Uma patuscada!

Somos a terra de Maluf, Quércia, Fleury, Pitta. Também somos o lar de Marta e a taxa de lixo, Kassab e o PSD, Serra e a bolinha de papel. No fim do ano, antes do improvável cataclisma, teremos eleições municipais. Aquelas mesmas que não servem para nada, mas que movimentam fanáticos partidários e suas camisetas, bonés e bandeirolas, além dos podres santinhos e carros de som. Teremos um embate de cartas marcadas entre Estátudobem Haddad e “Zé” voualíejávolto Serra. O segundo, vence. O primeiro se lamenta, mas aceita o abraço e aperto de mãos que lhe renderão uma possível indicação ao Estado, dois anos depois.

Mas o paulistano vive muito bem, obrigado. A culpa de nossos problemas e atrasos é do palhaço Tiririca, que nós mesmos elegemos, mas que vem dando provas de que o povo dessa cidade ainda tem salvação: reconhecer que a democracia é louvável e tola ao mesmo tempo, sempre que coordenada por uma sociedade que se vale de antigos esteriótipos que não lhe cabem mais, como o de ser exemplo de qualquer coisa.

Até é, mas não de riquesa, como ainda gosta de acreditar.
Pobre São Paulo, pobre paulista.

votei em Lula e Marta Suplicy, sempre que foram candidatos. Votei em Alckmin por duas vezes. Votei em Soninha, em Paulinho da Força, em Celso Russomano. Não sou anarquista, e ainda acho que o voto é importante. Mas também sou paulista, também sou idiota.

A arte de (saber) envelhecer ainda novo

16 de março de 2012

É natural -e digno de prêmios: eu sou rabugento. Não é de hoje. Lembro que a primeira vez que alguém me disse, de forma sincera, que eu tinha espírito e humor de velho, foi uma mãe de santo, aos 9 anos. Inventar predicados como “mas você é inteligente e crítico, por isso te chamam de chato” é uma das coisas que mais ouço. Não sou inteligente, muito menos tão crítico assim: apenas não consigo calar a boca quando ouço, vejo ou leio algo imbecil ser disseminado como o vírus da gripe.

Isso começou, é claro, na casa dos meus pais. Dos 14 anos em diante, me acostumei a gostar mais de ficar calado do que de ter uma conversa amável com qualquer um deles. E olha que minha família fala, e bem. Só costumava abrir a boca para reclamar, ser irônico ou, simplesmente, apagar uma fogueira com gasolina. A única excessão à regra era no colégio, onde tentava parecer o mais sociável possível – entre os homens, é claro. As garotas costumavam pertencer a um território dialético demais para quem não gosta de conversar.

O problema é que pensava e ainda penso, demais. Enquanto uma roda de pessoas dialoga sobre um assunto qualquer, minha primeira atitude é observar o que e como conversam: estão falando sobre algo importante? Polêmico? Amenidades? Estão sérios ou animados? …estão falando sobre mim? Sim, todo cara um pouco mais fechado é adepto do egocentrismo. Esse é o perfil ideal de um serial killer ou suicida. Percebam que, nos dois casos, sua intenção é ser notado, discutido, analisado, julgado e, algumas vezes, admirado e martirizado. As vítimas são, apenas, números. Mas, por piedade da minha própria lápide, não vou me enquadrar em nenhum desses perfis – ao menos, não por pouco dinheiro.

Lá pelos 17 anos, cansado de ser turrão, comecei a ser palhaço. E isso enchia o saco. O cara engraçado, sempre com uma tirada ou piada pronta sobre qualquer coisa, sofre do estigma de ser uma pessoa alegre, “pra cima” e… inteligente. Ou seja, em diversas oportunidades, você apenas quer uma sniper para sair atirando em pedestres, mas insistem que você conte uma piada ou aquela mentira engraçada que um dia inventou para sair de uma situação constrangedora e acabou fazendo sucesso entre seus amigos. É um abadá para eunucos em uma sociedade carnavalesca – todo mundo curte o cara engraçadão, mas ninguém dá para ele.

Apoiado pelo término de um relacionamento – artifício preferido e recomendado por 9 entre 10 pessoas sem personalidade própria, como no meu caso, naquela época – voltei a ser chato. Era reconfortante e quase lúdico, já que todas as pessoas que me procuravam só para ouvir uma brincadeira começaram a se afastar, gradativamente, ao ouvir algum esporro ou “vá procurar o Irineu“. De lá para cá, 8 anos de muitas e novas amizades duradouras, entre um ou outro solavanco de rancor e agressão gratuita, é claro.

O motivo da quase auto-necropsia é que isso, agora, voltou a me trazer problemas e, principalmente, me incomodar – não, eu não gosto de pessoas chatas e rabugentas. A pobre Marcia, a dona lá de casa, sofre. Reclamo de tudo: da bagunça dela pela casa, dos demorados banhos, da insistente mania de falar baixo quando estou longe e me forçar a gritar “O quê?”, de comentar coisas batendo a mão na mesa/volante/sofá, de apelar no Marvel VS Capcom 3. Eu mesmo me irrito de reclamar tanto e ser tão chato. Coitada. Deve ser complicado morar comigo.

Mas me recuso a voltar a ser, só, engraçadão. Não funciona durante muito tempo. E não tem a menor graça, afinal.
Talvez seja como diz um dos meus artistas preferidos, Ben (Weasel) Foster: nos tranformamos no que odiamos.

Como deve(ria) jogar o Corinthians, hoje, contra o Cruz Azul (Mex)

14 de março de 2012

Com 4 pontos no grupo 6, o Corinthians enfrenta, fora de casa, o Cruz Azul (México). Não fosse o fator altitude (a Cidade do México fica a 2.400m acima o nível do mar – São Paulo fica a 800m), seria um jogo fácil, certo? Não – a equipe de Tite vai enfrentar diversos outros problemas, e deve buscar um empate. Nesse caso, o Cruz Azul continuaria líder, mas a diferença de 2 pontos entre os dois times poderia ser revertida no jogo de volta, na quarta-feira que vem, no estádio do Pacaembu.

Explico o porque do empate: os mexicanos tocam muito bem a bola. O gramado do Estádio Azul é baixo e com poucas irregularidades. Adicionando o contexto da altitude, o Corinthians deverá correr mais do que o necessário para fazer a já habitual pressão no campo adversário, ainda no início das jogadas. Assim, os contra-ataques vão valer muito a favor da equipe brasileira. Tite já disse que começará o jogo com Jorge Henrique e Liédson no ataque, além de Alex no meio. Esse, na minha opinião, é o erro anunciado da partida de hoje.

Alex é lento. Não tanto quanto Danilo –  titular, com méritos – mas costuma perder bolas bobas na armação das jogadas. Tite poderia utilizar Douglas nessa posição, ao menos para começar a partida, pois o camisa 15 é mais incisivo em lances de velocidade e penetrações pelo meio (ui!). Jorge Henrique poderia ser deslocado para a ponta, dando lugar ao veloz Emerson, que formaria a dupla de ataque com Liédson – outro jogador lento. Como já vem funcionando bem, Danilo deve continuar levando as jogadas mais para o fundo do campo, aguardando a chegada de meias e atacantes para a finalização.

Nessa partida em particular, que o Cruz Azul deve usar e abusar das jogadas nas laterais, acredito que não seria uma boa ideia forçar subidas de Edenílson e Fábio Santos. O jogo ficaria mais centralizado, talvez mais truncado e feio, mas muito mais seguro. Ralf deve ficar ainda mais preso entre os dois zagueiros, para garantir as subidas de Paulinho, quando necessárias. Os mexicanos vão para a partida sem dois titulares, servindo a Seleção de seu país, mais um zagueiro, contundido.

O Corinthians nunca venceu uma partida na terra dos sombreros. Em três oportunidades, não marcou um gol sequer, perdeu todas as partidas e acumulou oito tentos contra.
Canja de galinha e um futebol burocrático, às vezes, não fazem mal a ninguém. Importante: não, eu não coloquei 12 jogadores em campo por engano. Só esqueci de avisar: Emerson ainda reclama de dores na coxa. Por isso, dificilmente comece jogando. Tite vai isolar Liédson, o que acho besteira – hoje. Se Emerson jogasse, Jorge Henrique poderia ficar no banco.

Tatu-bola, mascote da Copa 2014? NÃO!

13 de março de 2012

Depois da triste escolha do logo oficial da Copa de 2014 (foto ao lado), escolhido por importantes personalidades do nosso futebol, como… Ivete Sangalo, agora estão tentando emplacar um mascote sem gana e desprovido de qualquer carisma para o povo brasileiro: o tatu-bola. A justificativa é que o animal está em extinção e que, quando ameaçado, se curva e assume o formato de uma bola, para se proteger.

Vejam como ficou linda a ideia:

Vamos lutar pelo que é justo!
Vamos influenciar e participar da decisão, que acontece em setembro!
Vamos eleger um mascote característico de nossa terra, que represente e defenda nosso povo!

Vamos eleger nosso heroi, Blanka!


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