Xenofobia esportiva brasileira

Nunca antes na história desse pais, uma contratação de jogador de futebol rendeu tanto, por tanto tempo. Não estou falando de Ronaldo pelo Corinthians, Adriano pelo Flamengo ou Luís Fabiano, pelo São Paulo. O pobre Chen Zizhao, de 23 anos, é o mais novo “velho” alvo e assunto da xenófoba mídia esportiva nacional.

Chinês, o meia-atacante corinthiano ainda não teve a oportunidade de mostrar muito de seus predicados – alem da simpatia ao atender reportagens brasileiras, com auxílio de uma tradutora, contratada pelo Corinthians. Antes mesmo de sua chegada ao país, as piadas de gosto duvidoso já ecoavam. Infelizmente, não apenas na boca dos torcedores rivais, mas dos jornalistas do Brasil.

A primeira justificativa apontada pelos meios de comunicação para isso, era o fato da contratação ter sido feita com base em uma análise superficial do jogador, por vídeos de suas atuações no YouTube. Depois, por ser meramente uma ação de marketing do Corinthians, que visa penetração no megalomaníaco mercado chinês. Por último, em função do jogador vir de um país sem qualquer tradição no futebol (a não ser no feminino), e mesmo assim, nem mesmo lá ter sido destaque.

Pasteleiro, destravador de videogame, muambeiro. Adjetivos tão lúcidos e inconsequentes como macaquito, negrinho, jungle boy. O brasileiro bebe de fontes asquerosas quando o assunto é a percepção e assimilação de outras culturas. O jogador não escapou da vergonhosa atitude de nossa imprensa. Chen Zizhao (ou “Zizão”, como tentou apelidar o Corinthians) nem mesmo vinha jogando futebol de campo. Atuando em uma equipe de futebol de salão, sumiu ainda mais das lentes internacionais. Será, é claro, um fiasco. Tanto em marketing, quanto dentro de campo. Será mesmo?

O Corinthians vem se tornando especialista na contratação de jogadores desacreditados. Elias, Christian, o próprio Ronaldo e, agora, o ainda imutável Adriano. Zizhao está prestes a figurar nessa lista de improváveis sucessos. E isso não é palavra de torcedor. Nos treinamentos técnicos, o chinês se apresenta bem, inclusive, impressionando acima da expectativa de toda a comissão técnica do clube. Rápido, certeiro, disciplinado taticamente e leve. A receita do jogador moderno.

Evidentemente, 2012 não reserva muitas aparições para Chen Zizhao. O time tem um esquema bem definido por Tite, e a única vaga que poderia “sobrar” para o chinês seria a reserva de Jorge Henrique, hoje fora da equipe titular – ou seja, um terceiro reserva. Tudo isso, sem contar que o jogador ainda deverá “pegar mais corpo”, para suportar nossos zagueiros trogloditas.

Vindo de terras comunistas, Chen Zizhao irá sofrer muito na mão de jornalistas democratas, que sofreram com a ditadura militar, defendendo ideias… comunistas? Socialistas? Libertárias? …ditatoriais?

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2 Respostas to “Xenofobia esportiva brasileira”

  1. glauberweasel Says:

    Koelho, na boa, se fosse qualquer outro time do estado de SP (em especiais os rivais) a contratar um asiático, você não iria fazer uma porrada de piada sobre o cara?
    Você não tá dando um desconto só porque o cara foi pro teu time, né? Huhauaha!

    • acnoide Says:

      Mas a piada é o cara ser de um país que não tem fama no futebol masculino, ou o cara ser chinês. Porque, se for a segunda, é preconceito, sim! Não faria o mesmo!

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