Pelé branco, Maradona negro

Finalmente, após décadas de um ufanista (e quase nazista) discurso de cronistas esportivos que insistia em ignorar e menosprezar que o novo sempre vem, enxerga-se uma luz no fim do túnel. Ante um suplício do talento e genialidade, a mídia mundial começa a considerar duas ideias, bastante interessantes do ponto de vista esportivo, antropológico e cultural: surgiu um novo Pelé, branco e argentino? Um novo Maradona, negro e brasileiro?

Messi e Neymar figuram como os protagonistas dessa cizânia. O argentino vem colecionando grandes atuações, recordes em seu clube (Barcelona) e a admiração dos admiradores do futebol “genial”, de ontem e de hoje. O mesmo vem acontecendo com o atacante do Santos, Neymar. Em três anos atuando como jogador profissional do time de Vila Belmiro, o garoto de riso fácil e grande carisma, possui, em seu curto currículo, placas em homenagem a seus extraordinários gols, uma legião de fãs à la Beatles e o prêmio Puskás, de gol mais bonito do ano de 2011. A referência antropológica vai além do debate entre os consagrados e sagrados, Pelé e Maradona.

Messi, argentino e branco, é o que mais se aproxima do trono de Pelé, brasileiro e negro. Aos 24 anos, “a pulga” (como foi apelidado no Barcelona e pelos hermanos) está a 7 gols de se tornar o maior artilheiro do clube em todos os tempos. Além disso, já levou por três vezes o prêmio de Melhor Jogador de Futebol do Mundo, concedido pela Fifa, entre vários outros da mídia especializada. Também está adquirindo o respeito dos torcedores de seu país, após injustas acusações de que o atleta não ama sua terra, pois não conhece – ou não quer cantar – o hino nacional. Sua velocidade, inteligência, habilidade e precisão são predicados únicos – ou eram, até Neymar surgir.

O mais novo “menino da Vila” – brasileiro e negro, aos 20 anos, já passou dos 100 gols na carreira. Seu concorrente direto ao lado direito do Pai, Messi, atingiu a marca de 250 gols. Pelo andar da carruagem, os dois podem se equiparar em breve. Em comparação, o dono do topete da moda tem tudo para atingir o nível de um craque de arranque impressionante, finalizações certeiras e importância irrefutável para o futebol arte, El Pibe, Maradona – argentino e branco. Os fatores culturais entre Brasil e Argentina também entrarão para a história.

Apenas a possibilidade de que o Olimpo possa admitir uma dança de cadeiras, já vale todo o esforço da análise. Contra os dois, pesa o fato de ainda não terem conquistado uma Copa do Mundo, já que Pelé venceu três, Maradona, duas. Culturalmente, argentinos e brasileiros continuarão a discutir sobre de quem é o posto de melhor do mundo, mas o discurso poderá ser alterado: quem foi o rei do futebol, Pelé ou Messi? Maradona ou Neymar?

O futebol agradece.

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