Pobre São Paulo, pobre paulista

O fim do mundo em dezembro de 2012 é pouco provável, mas o certo é que São Paulo caminha a passos largos para mais quatro anos de gestão PSDBista na Prefeitura. Não que eu seja contra o partido tucano, favorável ao PT ou simpatizante de qualquer outro partido*. O problema é que, no contexto político, o continuismo em uma cidade que não respira e se move em ritmo balanceado, preocupa muito. Novos problemas, de fontes conhecidas há anos, surgem a cada dia. Soluções, sempre de forma paleativa, são propostas a todo momento. Atente-se que, porém, o problema de São Paulo mora no votante, e não simplesmente na opção de voto.

Rancoroso, amargurado e extremamente preconceituoso, o paulistano pode ser enquadrado como o cidadão brasileiro que mora no topo da pirâmide – e que não quer sair de lá – para poder continuar defecando na cabeça do restante. Não interessa a ele se o resto do país se afunda em problemas muito mais severos e pontuais, como uma enchente de mais de 10 dias no Acre, já que esse Estado não lhe serve para nada. Se o problema for no nordeste, então, só há motivos de pânico caso isso aconteça durante o verão. Caso seja no sul, bem, os sulistas – aquele povo que pensa ser europeu – que se exploda. Pantanal, Amazônia e a Chapada Diamantina que se transformem em grandes estacionamentos e instalem em seus espaços, amplos shoppings centers para nosso turismo de qualidade.

Paulistano não gosta de ser visto como brasileiro. Porque aqui todo mundo paga os impostos em dia para sustentar o restante do país. Porque aqui as empresas movem as engrenagens do Brasil. Já somos benevolentes demais em aceitar imigrantes até mesmo do exterior em nossas trincheiras para ter de aguentar esse “povinho” que vive de cesta básica e Bolsa Família. Imagine que as faxineiras daqui são tratadas a pão de ló, recebendo “absurdos” R$ 80 por dia, e ainda fazem pouco caso! Um disparate! Uma patuscada!

Somos a terra de Maluf, Quércia, Fleury, Pitta. Também somos o lar de Marta e a taxa de lixo, Kassab e o PSD, Serra e a bolinha de papel. No fim do ano, antes do improvável cataclisma, teremos eleições municipais. Aquelas mesmas que não servem para nada, mas que movimentam fanáticos partidários e suas camisetas, bonés e bandeirolas, além dos podres santinhos e carros de som. Teremos um embate de cartas marcadas entre Estátudobem Haddad e “Zé” voualíejávolto Serra. O segundo, vence. O primeiro se lamenta, mas aceita o abraço e aperto de mãos que lhe renderão uma possível indicação ao Estado, dois anos depois.

Mas o paulistano vive muito bem, obrigado. A culpa de nossos problemas e atrasos é do palhaço Tiririca, que nós mesmos elegemos, mas que vem dando provas de que o povo dessa cidade ainda tem salvação: reconhecer que a democracia é louvável e tola ao mesmo tempo, sempre que coordenada por uma sociedade que se vale de antigos esteriótipos que não lhe cabem mais, como o de ser exemplo de qualquer coisa.

Até é, mas não de riquesa, como ainda gosta de acreditar.
Pobre São Paulo, pobre paulista.

votei em Lula e Marta Suplicy, sempre que foram candidatos. Votei em Alckmin por duas vezes. Votei em Soninha, em Paulinho da Força, em Celso Russomano. Não sou anarquista, e ainda acho que o voto é importante. Mas também sou paulista, também sou idiota.

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