Archive for abril \27\UTC 2012

Guardiola pede o boné, Oscar é do Inter, Júlio César barrado

27 de abril de 2012

Mais inacreditável, para muitos, do que a derrota do Barcelona, no Camp Nou, para o Chelsea, é essa notícia. Mesmo interpelado pelos dirigentes do Barça, que ofereceram “cheque em branco” para sua renovação e continuidade do trabalho, Pepe Guardiola pediu demissão da equipe da Catalunha. Informou ontem, à sua equipe, durante o início de uma sessão de treinamentos. Hoje, em coletiva de imprensa, pediu o boné. Será o fim de uma era de ouro do Barcelona?

Oscar, finalmente, saiu dos grilhões tricolores. Na noite de ontem, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que Oscar tem o direito de escolher onde trabalhar, e que o impedimento disso fere os princípios básicos do trabalho, e constitui “ofensa aos princípios da liberdade e da dignidade da pessoa humana e da autonomia da vontade, em torno dos quais é construído todo o ordenamento jurídico pátrio”, justificou o ministro Guilherme Caputo Bastos. Vitória de Oscar e da dignidade. Que São Paulo, Internacional e o jogador discutam, juridicamente, qual a compensação econôminca deve ser atribuída ao time do Morumbi, e de que forma será feita. Leia a decisão na íntegra nesta notícia, do IG.

E Tite seguiu o exemplo de seu ex-tutor, Luis Felipe Scolari, e barrou Júlio César do próximo jogo do Corinthians na Libertadores 2012, dia 2 de maio, no Equador, contra o Emelec. A decisão é arriscada demais do ponto de vista técnico, mas salva o pescoço do treinador, caso o JC sofresse por mais uma falha. Na minha opinião, agiu errado o ponderado e justo Tite. Foi covarde e cedeu à pressões externas. Não precisava queimar o goleiro. Sinceramente, prefiro Júlio César com risco de falhar, do que um jogador sem experiência alguma em competições do gênero defendendo o gol do Timão.

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A desvalorização do Real, o país gaúcho e Neymar Serra

26 de abril de 2012

Ontem foi um dia bastante peculiar para quem gosta de futebol. Ainda “abalada” com a justa derrota do Barcelona para o Chelsea, dentro do Nou Camp, toda a imprensa tinha no Real Madrid o candidato ao título da renomada Champions League. “Vamos ver se Santos, Fluminense, Internacional ou Corinthians podem enfrentar esses espanhóis no final do ano”, diziam alguns. A soberba aplicada ao time madrilenho vem da mídia, não de seus atletas e dirigentes. O mesmo acontece com o Barcelona. Ambos foram derrubados por adversários que entraram como franco-atiradores e venceram. Uma final entre Alemanha (Bayern de Munique) e Inglaterra, em terras germânicas. Logo, Cristiano Ronaldo – o melhor atacante do mundo, na minha opinião – e Kaká, por perderem seus pênaltis na decisão, tornaram-se pauta para “será que valem o quanto custam?”. Pois é… uma queda, e já desvalorizaram o Real.

Pela Libertadores 2012, o Internacional recebeu o Fluminense. Seria um confronto entre duas equipes brasileiras, mas não foi. Não é de hoje que a torcida gaúcha tornou-se algo ímpar. Não por cantar ao longo de 90 minutos, empurrar o time para frente ou coisa que o valha. Aquela soberba que a mídia joga nas equipes espanholas, os gaúchos usam para se banhar. Antes do jogo, bandeiras asteadas no gramado representam o país de cada equipe. Ontem, havia uma do Brasil e outra do Estado do Rio Grande do Sul. Durante o hino nacional, os gaúchos não cantam – jogadores e torcedores. Estes preferem, ainda durante o hino, cantar músicas regionais em alto e bom som. Mulheres, idosos, crianças, todos juntos. O Internacional e o Grêmio, assim como boa parte do Rio Grande do Sul, não pertencem mais ao Brasil – são deles, apenas, e isso já lhes basta. Simples coisa a fazer: exigir que eles disputem vagas para a Libertadores 2013 pelo Campeonato Argentino. Não seria permitido que atuassem no Campeonato Brasileiro ou Copa do Brasil. Torneio brasileiro, só para brasileiros. Que o Fluminense os elimine, no Engenhão, à brasileira.

Na Bolívia, o que já era esperado aconteceu: a altitude venceu o Santos, por 2×1. Dois gols sofridos por claros efeitos que os 3.600 metros de La Paz atuam sobre a bola. Neymar, gripado, jogou mal, mas conseguiu fazer das suas. Dribles que geraram faltas (inclusive a do gol santista), jogadas pelas laterais e algumas tentativas a gol. Mas o lance crucial veio aos 37 minutos do segundo tempo. Já perdendo por 1 gol de diferença, o jogador foi cobrar um escanteio, e foi atingido por algo no rosto. Coisa natural – infelizmente – em jogos na América do Sul. Caiu, rolou, berrou. A mão no rosto a todo momento dava a sensação de que um tijolo, gilete ou bala perdida tivesse o atingido. Mas, não: as imagens mostravam uma banana, que se partiu em duas partes, atingir seu rosto. “Ah, mas com a força que foi lançada, a distância, a altitude de La Paz, faz com que seja bastante perigoso e dolorida uma coisa dessas”. Sim, com certeza. Digno da bolada que Rivaldo recebeu na canela, durante a Copa de 2002, que o fez cair e berrar com as mãos no rosto. Digno da perícia médica que José Serra exigiu, ano retrasado, após ser atingido por uma mortífera bolinha de papel, durante carreata política.

 

Notas rápidas:

Júlio César: o goleiro corinthiano concedeu, ontem, entrevista coletiva. Assumiu o erro nos dois gols sofridos, pediu desculpas à torcida e afirmou serem lances “bobos”. Disse estar se esforçando nos treinamentos cada vez mais, para evitar novas falhas. Isso é digno. Não deve ser sacado do time de Tite.

Deola: foi martirizado em praça pública. Ontem, na vitória do Palmeiras sobre o Paraná (2×1, jogo de ida, pela Copa do Brasil), Felipão o sacou da equipe. Pronto, mais um bom goleiro queimado no futebol brasileiro.

Oscar, o craque que o SPFC destrói

25 de abril de 2012

Muita calma. O título pode parecer pesado demais, mas faz parte de um dos capítulos mais asquerosos do futebol brasileiro. O jovem de 20 anos e talento notável no meio de campo ofensivo de qualquer equipe, vem enfrentando uma luta desleal com um dos clubes mais poderosos do país, dentro e fora dos campos, o São Paulo. Formado nas categorias de base do tricolor, o atleta afirma, categoricamente, que há 4 anos foi obrigado a assinar um contrato de gaveta com o clube formador, aos 16 anos, o que é proibido por lei. Com isso, seu vínculo foi prolongado até o final de 2012.

Porém, Oscar resolveu ir à público, após perceber que não estaria levando a “vantagem” que os dirigentes são paulinos disseram que teria, na época. Pouco utilizado na equipe titular, o jogador se via desvalorizado e, naturalmente, descontente. Rompeu com o São Paulo na justiça e diz que, durante as conversas finais com o clube, foi “ameaçado” pelo então dirigente Marco Aurélio Cunha, hoje vereador da cidade. Este deixou uma mensagem na caixa postal do telefone celular do jogador, dizendo que Oscar não iria se dar bem na atitude tomada, justamente por causa da força jurídica do São Paulo, e pelos argumentos legais que os empresários do atleta e o próprio haviam apresentado serem fracos. Dalí em diante, Oscar decidiu ir para o Internacional, onde permanece até hoje, mesmo com o tricolor tendo vencido batalha na justiça para reaver o jogador, legalmente e sem possibilidade de contestação.

Sem poder entrar em campo, Oscar apenas treina no clube gaúcho, que ofereceu ao São Paulo R$ 7 milhões pelo jogador. Os tricolores bateram o pé e disseram que não liberam o jogador por menos de R$ 16,5 milhões. Até aí, os problemas parecem ser, apenas, o fato da ameaça de Marco Aurélio a Oscar (a qual você pode ouvir e notar que não é uma ameaça, mas uma advertência) e o tal contrato de gaveta, que o jogador afirma ter sido obrigado a assinar, quando ainda era menor de idade. Mas, não. O maior problema é o desserviço que o São Paulo faz ao futebol brasileiro, à seleção olímpica, ao jogador e seu futuro profissional.

Não é de hoje que o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio (o ditador que alterou o estatuto do próprio clube para poder se reeleger) faz das suas. Antes, as desnecessárias discussões e provocações públicas com o também inconsequente Andrés Sánchez e a capacidade quase artística de perder os jogos de Palmeiras, Santos e Corinthians, habitualmente realizados no Morumbi – sem contar o fato de ter perdido a abertura da Copa 2014 para um estádio que ainda era só uma maquete. Ao receber esta carta, redigida por Oscar e seus advogados, disse à imprensa que era uma manobra do Internacional, para desviar o foco de uma possível eliminação na Libertadores 2012, contra o Fluminense – por sinal, a primeira partida é hoje, quarta-feira.

Como, diante de uma situação grave como essa – que envolve o desempenho e futuro profissional de um jovem e promissor talento do futebol brasileiro, às véspera das Olímpiadas de Londres da qual ele, com certeza, seria convocado -, um dirigente de futebol tem a capacidade de abordar o assunto com essa ignorância? Oscar está sendo prejudicado em seu íntimo, impedido de trabalhar e recebendo a pressão psicológica desnecessária para um momento tão importante em sua carreira. Vinha atuando como titular do Internacional, jogando bem, e sendo elogiado por toda a imprensa nacional. De repente, impedido por uma ação judicial de interesses unilaterais do São Paulo, é escravizado pelo Senhor tricolor. Justiça?

O São Paulo podia se poupar de tamanho desconforto. O clube sabe que o jogador não voltará. Se sentia desvalorizado antes, sente-se  humilhado e prejudicado agora. Ao Internacional, que pague o que o jogador vale, pois a decisão da justiça é absoluta nesse caso – Oscar não poderia, simplesmente, ter saído como saiu. Se não puder pagar, que o clube dono do passe do jogador libere-o para negociar com outras equipes, ou aceite parcelamento dos valores vindos do sul. O que não se pode fazer é escravizar e destruir uma pérola ainda tão precocemente. Não há justiça que justifique isso.

No amor não há troca, não há possenão há jogo – (Rodrigo Masi)

Você errou. Você está demitido.

24 de abril de 2012

Que atire a primeira pedra quem nunca errou nada no trabalho. Esqueceu de fazer algo no prazo estipulado, pegou um atalho no procedimento e acabou pulando uma etapa importante, deixou de analisar alguma tarefa do modo apropriado e acabou prejudicando o resultado final. Não que você já tenha feito tudo isso, mas algo, com certeza já aconteceu. Se cada falha ou erro comprometesse diretamente um emprego ou atividade profissional, viveríamos em um mundo de pedintes. Que chute a primeira bola no gol.

O que está sendo feito com os goleiros Júlio César e Deola – atletas do Corinthians e Palmeiras, respectivamente – é desumano. Evidente que, como profissionais em um posto onde erros e falhas podem comprometer o resultado final de qualquer planejamento, esquecem do aspecto humano. Quando comparamos homens à máquinas, perde-se o conceito de competência, e idolatra-se a ideia de perfeição produtiva. Jovens e promissores, ambos ainda têm muito a oferecer às suas equipes e, por que não, ao futebol nacional como um todo.

Na contramão de um pensar lógico e de valorização de seus membros, o clube que deu o primeiro tiro no pé foi o Palmeiras. Ontem, em entrevista coletiva, o novo bombeiro palestrino, César Sampaio, disse que, sim, o alviverde tomará a atitude de “…se não acontecer uma evolução, o Palmeiras vai contratar outro goleiro”. A noite de sono de Deola deve ter sido das piores possíveis. Substituto da lenda Marcos, o arqueiro perde qualquer tipo de credencial que o estabeleça como futuro goleiro do Palmeiras. Triste, se pensarmos que ele é, sim, um bom profissional no que faz, mas como qualquer humano, passível de erros. Dias chuvosos vêm para todos.

Já o Corinthians assumiu a postura da blindagem. Evitam, a todo momento, comentar sobre a fraquíssima atuação de Júlio César. Quando o fazem, relevam, e frisam que o goleiro foi potencialmente importante durante a conquista do Brasileirão 2011. Não mentem. Porém, omitem o que todos sabem: o camisa 1 alvinegro falha rotineiramente, em momentos decisivos de competições chave pra o clube, e costuma demorar um tempo além do “aceitável” para recobrar a confiança. O clube tem, no banco de reservas, o improvável Danilo Fernandes e Cássio, de currículo ainda pouco expressivo. A segunda opção pode ser a mais provável em uma possível alteração na meta, mas Tite, paternal, não deve tomar essa atitude, mesmo em um momento extremamente sensível para o Corinthians na Libertadores 2012.

Os capítulos a seguir demonstrarão o quão profissionais são Deola e Júlio César, mas principalmente, Palmeiras e Corinthians. A pressão será ainda maior, ao passar dos dias e de resultados que, talvez, não sejam os esperados – tanto dos times em suas competições atuais (Copa do Brasil e Libertadores), quanto dos goleiros. A torcida vira juiz e júri. Pobres réus. Vale lembrar, novamente, que todos erram em suas atividades. Sejam pequenos e imperceptíveis, retumbantes e dignos de duras críticas, as falhas vão e vêm, assim como os momentos de glória e exaltação. O problema é que sobram vaias e faltam aplausos, tapinhas no ombro e um pouco mais de humanidade em todos nós, inclusive neste que vos escreve.

O outro lado da derrota corinthiana

23 de abril de 2012

Do Palmeiras, já se esperava. O clube vem mal há algum tempo, alternando bons e mals momentos, contornados por entrevistas coletivas carregadas de sinismo e uma dose cavalar de desprendimento de Felipe Scolari. Vinha mal no Paulistão, perdeu a liderança em um clássico e caiu para a quinta posição. O Guarani vinha caminhando bem, sem pressa, comendo pelas beiradas. A derrota era algo possível.

Flamengo e Cruzeiro jogavam pela honra. Mais os cariocas, que foram eliminados da Libertadores 2012 ainda na primeira fase, com um desempenho desordenado, dentro e fora de campo. Dos astros, que sempre se espera algo a mais do que o ordinário, apenas Vágner Love demonstrou futebol condizente com a fama e salário. Ronaldinho é um fantasma do que foi um dia, e não faz questão de mudar isso. Já Joel Santana, ídolo de 9 entre 10 torcedores no Rio de Janeiro, provou o que já demonstrara em outras épocas: falta de objetividade. Deve cair – se não, deveria. A raposa foi atropelada pelo equilibrado, porém fraco América-MG. A torcida, lá, ficou sem entender nada. Aqui, também.

Mas, e o Corinthians? Dono da melhor campanha no campeonato estadual, melhor defesa, maior aproveitamento. Líder de seu grupo na Libertadores 2012 e vice-líder geral, também com a melhor defesa – e melhor saldo de gols. De 7 meses para cá, é o time nacional com melhor aproveitamento em pontos entre todas as competições, uma vez que foi Campeão Brasileiro de maneira isolada, tendo liderado por mais de 20 rodadas. E perde, em casa, para a frágil Ponte Preta? Por 3×2? O que há de errado? É mais simples do que parece.

Em jogos decisivos, seja contra quem for, uma falha individual pode enterrar um time inteiro. Julio César, mais uma vez, provou que sente demais a pressão em partidas de mata-mata. Foi assim no Brasileirão e Libertadores 2010, Paulistão 2011 e agora. É um problema que a experiência corrige, mas não há tempo de amadurecimento em meio a Libertadores. Ou seja, se não fosse pela insistência – e admirável – lógica de Tite que “o merecimento” é fator primordial para decisão de quem joga e quem fica no banco, Cassio seria o arqueiro titular, a partir de hoje. Mas não será. E o corinthiano continuará com a pavorosa sensação de que o bandido pode pular a janela a qualquer momento.

Coletivamente, fiasco ainda maior. Atacantes pouco decisivos, excesso de escorregões (isso porque a equipe conhece, muito bem, o Pacaembu), zagueiros sem opção de passe – por sinal, ontem, Edenílson foi horrível, para dizer pouco e tentar poupá-lo. Danilo foi totalmente anulado, pura e simplesmente, por ter um marcador colado nele durante todo o primeiro tempo. Jorge Henrique não conseguiu uma jogada de fundo sequer. Ambos foram substituídos no intervalo. Alex e Douglas vieram, e pouco mudou. O primeiro, ainda sem ritmo, tentou as irritantes jogadas “de lado”, driblando para trás e perdendo bolas fáceis. Já Douglas… enfim, era uma vez Douglas. Liédson não entrou em campo, e Willian mostrou que anda com a estrela em dia – mesmo que a jogada do primeiro gol corinthiano, na minha opinião, tenha sido uma vergonha.

Tite terá, agora, 10 dias até a partida contra o Emelec, no Equador. O jogo vale mais do que uma vaga nas quartas de finais da Libertadores (imagino que o resultado do jogo de ida irá definir quem passa). Talvez, more aí a parte “boa” da eliminação do Paulistão: foco total na competição sulamericana, com tempo ao tempo. Por exemplo, dá tempo de mudar a cabeça de Douglas. Dá tempo de dar ritmo a Alex, e tentar uma formação mais arrojada, com dois pontas e um atacante que não fique preso dentro da área – por mais que Liédson saia bastante, mas seja pouco efetivo. Dá tempo para colocar, definitivamente, Marquinhos como opção, e só isso. Não tem, ainda, cabeça para momentos decisivos. Na Libertadores, pode ser mais problema do que solução.

E Julio César?
Bem, acho que é hora de fazer o goleiro alvinegro entender que todos esperam, dele, atos dignos de um grande goleiro.

E o Brasil na Libertadores 2012?

20 de abril de 2012

Os brasileiros renderam o esperado (tchau, Flamengo!), com excessão do Internacional, que conseguiu a façanha de ser derrotado ontem, por 1×0, pelo inexpressivo Juan Aurich (PER) e seu pavoroso campo de piso sintético – os gaúchos terminaram em segundo em seu grupo, só com 8 pontos, o pior dos classificados. O Santos venceu, por 2×0, o fraco The Strongest (BOL), na bacia das almas (levando em consideração ser o time da moda, com o melhor jogador da américa do sul e jogando em casa). O Vasco já tinha garantido sua classificação, dias antes, assim como fez o Corinthians, anteontem, garantindo a liderança de seu grupo em uma goleada de 6×0 no Deportivo Táchira (VEN). Quem saiu rindo à toa foi o Fluminense, líder geral da competição com 15 pontos, e salvo da segunda derrota com um gol no último minuto, de virada, marcado por Rafael He-Man Moura.

Vamos a uma pré-análise dos jogos das equipes brasileiras nas oitavas de final:

Corinthians x Emelec (EQU) – os equatorianos provaram que são osso duro, quando venceram um jogo contra o Flamengo, após estarem perdendo por 2×0. Na última rodada da fase de grupos, a equipe venceu o Olímpia (PAR) também de virada, no último minuto. É time que não se rende. O Corinthians deve tomar cuidado, na verdade, no jogo de volta (Pacaembu), pois o Emelec já demonstrou que joga bem nos contra-ataques. Porém, o Timão passa, talvez até com certa facilidade no placar geral.

Lanús (ARG) x Vasco – Pobres cariocas. O Flamengo venceu o Lanús, mas ficou sem a vaga para as oitavas, na última rodada. O Vasco ficou em segundo em sua chave, e pega os argentinos fora de casa, no jogo decisivo. Na minha opinião, os cruzmaltinos correm grande risco de abandonar a competição, já nas oitavas. E olha que o Lanús é bem, mas bem comum…

Santos x Bolívar (BOL)Muricy e seus alunos podem fazer mestrado em questões bolivianas. Ano passado, também  jogaram contra equipes do país de Evo Morales. Este ano, já será a terceira partida contra eles, a segunda em terras andinas. Porém, diferente do The Strongest, o Bolívar tem mais qualidade técnica. Nada que se compare com o talento de Ganso, Neymar, Rafael e Arouca. Mas La Paz costuma ser o inferno dos brasileiros. O Santos passa, mas deve garantir um empate no jogo de ida.

Fluminense x Internacional – melhor confronto, impossível. Isso na visão de santistas, corinthianos e vascaínos. As duas equipes copeiras, as melhores do Brasil nas últimas 4 edições da Libertadores, vão se devorar. O Internacional sente muito a falta de Oscar, que deixou um vazio na intermediária gaúcha, hoje, habitada pelo sombrio Dátolo. O Fluminense de Fred, Rafael Sóbis, Deco e Abel Braga não deve ter problemas no jogo de volta, no Engenhão, mas… no Beira-Rio, o colorado é forte. Na minha opinião, passa o Flu, mas por 51 x 49.

Que vengam los inimigos!

Corinthians x Boca Juniors? Não, Tite! Por favor, hem?

18 de abril de 2012

Hoje, às 22h, o Corinthians entra em campo contra o lanterna de seu grupo, Deportivo Táchira (VEN) para alcançar o 1° lugar geral da fase de grupos na Libertadores 2012. Apenas isso “move” o Timão hoje. Antes, na Argentina, o Fluminense encara os reservas do já eliminado Arsenal (genérico hermano dos ingleses) e, se vencer, assume o primeiro posto. Outra equipe que tem essa possibilidade é o Nacional (COL). Os dois times podem chegar a 15 pontos. Já o alvinegro paulista, só aos 14. Um empate ou derrota dessas equipes, somado a uma vitória de Tite e seus comandados, garante a vantagem de jogar em casa todos os jogos decisivos do mata-mata, até a final.

Ontem, acompanhei os jogos entre Vélez Sarsfield (ARG) x Defensor (URU) e, logo depois, Bolívar (BOL) x Universidad Católica (CHI). Os argentinos foram atropelados pelo já eliminado time uruguaio. Assim, “perdeu” a chance de ser o líder geral do campeonato – a não ser que Corinthians, Fluminense e Nacional percam, por uma boa diferença de gols. Pouco depois, os bolivianos derrotaram facilmente a equipe chilena, contando E MUITO com os efeitos da altitude nos pulmões dos adversários.

Enquanto isso, o Unión Española (CHI), que também concorria ao posto de 1° geral, perdeu de virada para o Junior Barranquila (COL). Ou seja: se terminasse ontem a fase de grupos do torneio, o Corinthians enfrentaria o Boca Juniors, atual 2º colocado de seu grupo. A chance de isso permanecer inalterado até quinta-feira, quando encerra-se a fase de grupos é mínima, mas… Não, Tite! Por favor, hem?

Aliás, o técnico corinthiano já afirmou em entrevista coletiva que a equipe que vai a campo hoje será a mesma que derrotou o Nacional (PAR), semana passada, por 3×1. Ou seja, a postura, provavelmente, será a mesma – trocando em miúdos, não é necessária uma “análise tática” de minha parte.

Basta cruzar os dedos e torcer: Vai, Corinthians!

A “orkutização” de uma geração mais triste

17 de abril de 2012

Quando era novo, 20 anos atrás, não conseguia entender muito bem o que levava pessoas a guerrear. Também passava longe da minha compreensão – ainda abastecida por Thundercats, Changeman e Comandos em Ação – qual era o sentido de se passar horas e horas, durante meses, acompanhando uma novela que todos conheciam o final. Mas já percebia uma coisa: as pessoas gostam de tudo aquilo que façam com que elas sejam parte de algo. Um exército, fã clube, partido político ou seita religiosa.

Na era digital, onde crianças nascem conectadas à internet, a imbecilização da democracia e do livre arbítrio é o maior problema. Por cabos, uma geração inteira cresce acompanhando polêmicas vazias, gerando conteúdo desprezível e colaborando para a orkutização dos próprios umbigos. Um celular, onde a principal premissa é conectar duas ou mais pessoas à distância por meio de sinais sonoros – sem a necessidade de fios, veja só! -, vira uma das principais portas de acesso para um mundo frio, insosso e fantasioso. Nem mesmo uma foto bem tirada e acrescida de um efeito digital melhora essa paisagem sem graça.

Não que me preocupe com essa adolescência desprovida de lembranças que, um dia, valerão algo para se contar. Mas é impressionante como ninguém da atual turma percebe ou se preocupa com isso. Pareço, sim, um velho dos anos 90 falando sobre as maravilhas dos anos 50 e 60, mas há como fugir desse personagem? Crianças continuam ralando os joelhos ao brincar de bola na rua? Sabem o que é dançar de rosto colado, morrendo de vergonha e curtindo a sensação de ser pateticamente feliz? O quão chato é perder um dia inteiro sentado, em frente a uma máquina, da mesma maneira que passarão o restante de suas vidas em escritórios, por R$ 12 a hora?

O problema é que, ao não sair de casa e experimentar os perigos necessários do mundo, os adolescentes não interagem, não se conhecem, não “se bicam”. Logo, buscam fazer parte de um universo virtual, abstrato, cheio de regras até mesmo para se fazer rir. Vestem a camisa de grandes conglomerados tecnológicos e executivos bilionários, que, como todo burocrata deve ser, querem exatamente isso: uma massa espessa, potencialmente participativa e facilmente maleável. Controlável, diria eu.

Você, que sabe ler, questionar e interagir de forma sociável, nunca entrará nessa caçamba do século 21. Logo, jamais poderá debater sobre a orkutização de nada, porque isso não lhe interessa. Você deve ter algo bem mais importante para se preocupar. Viver, por exemplo. Simples assim.

Despedida de solteiro, de solteira, de despedida

16 de abril de 2012

Como de praxe em qualquer casamento, a despedida de solteiro (e de solteira) serve, basicamente, para duas coisas:

1 – tentar desestressar os noivos em uma época angustiante e extremamente custosa, onde tudo que se passa pela cabeça são contas, cálculos da proporção convidados/bebidas/comida/quanto sobrou de dinheiro (sic);

2 – reunir amigos em uma celebração aos últimos dias sem o reio matrimonial, não tendo muitas responsabilidades, senão sair vivo da festa e ou não ser preso (algo como imaginar que voltou a ter 18 anos, podendo beber à vontade e se dar ao luxo de flertar e receber flertes, além de passar vergonha sem pensar no amanhã).

Evidente que o remédio acaba sendo um purgante, em muitos casos: por mais bacanas que sejam seus padrinhos e madrinhas que normalmente bancam grande parte da baderna, sim, você vai gastar um bom dinheiro e, provavelmente, não será pouco. Dependendo do que pensa em fazer, para quantas pessoas, quando e onde, seu custo pode ultrapassar até o valor que pagou nas alianças – que não são baratas.

Outros goles amargos são os dias que antecedem a festa e, claro, o day after. Não queira ser ingênuo ou moderno ao ponto de dizer que sua contraparte não vai querer saber o que você fez ou deixou de fazer. Nem que você mesmo não vá fazer o mesmo. É natural do ser humano: a curiosidade existe, e só não é maior do que a imaginação. Por isso, evite pensar no que se passou do outro lado da muralha, e procure não gerar motivos para que sua cabeça lhe renda dores e o efeito “eu nunca mais beberei novamente”, tanto para álcool, quanto para outros ingredientes de festividades do gênero. Parcimônia e bom-senso funcionam melhor do que a urgência e anarquia.

A minha despedida está em aberto. Não sei ainda o que fazer. Já tive algumas ideias, mas a grande maioria são caras demais e não duram muito tempo. Não, não envolvem garotas de programa. Por sinal, é interessante como qualquer um que ouça falar em despedida de solteiro, logo imagina um ambiente dominado por meretrizes de minissaia, seios saltando para fora dos sutiens e pernas envoltas em óleo. Para ser sincero, se minha maior realização antes de um casamento, com uma mulher com quem já moro há 1 ano e meio, e estou junto há 4 fosse “fazer sexo”, seria sinal que eu não precisava de uma despedida de solteiro, mas uma aula particular sobre como se portar ao ser homem.

O que a patroa vai fazer, não sei. E confesso que não me interessa saber. Não por ciúmes ou paranoia, mas por ser a despedida dela, com as amigas dela, uma parte da vida que interessa exclusivamente a ela. O que sei, é que daqui a pouco mais de 50 dias, estarei ao lado dela, provavelmente com pouca coisa da despedida de solteiro na cabeça, e muito de nossas merecidas férias ocupando o espaço.

Antes casado do que sexualmente frustrado.

As grandes mentiras brasileiras (parte 1)

12 de abril de 2012

1. O brasileiro é um povo solidário
Depende de qual emissora transmitir as cenas das enchentes e, também, de onde ocorrer a tragédia natural. Você viu, ficou sabendo ou se importou com a cheia de um rio que isolou e matou dezenas de pessoas no Acre? Não, porque o Acre não é no Brasil. Se fosse em Teresópolis ou Santa Catarina, tudo bem.

2. O Brasil é livre do racismo
Não. Nosso país é predominantemente negro. Eles e os pardos correspondem a mais de 54% da população nacional. Mesmo assim, a ladainha de que o negro é respeitado e tem os mesmos direitos em solo brasileiro, não passa de conversa para boi dormir. Vide o número de negros presos, assassinados e mendingando nas ruas. Menor acesso ao estudo, saúde e bons cargos de trabalho.

2.1 A mulher cresce cada vez mais no mercado de trabalho brasileiro
Mentira deslavada, tanto no Brasil, quanto em qualquer outro lugar do mundo. A mulher continua ganhando menos do que seus pares masculinos, no mesmo cargo, na mesma empresa. A mulher também sofre maiores pressões quando recebe uma promoção. Sem esquecer, claro, que você não conhece nenhuma presidente ou CEO de empresa que seja mulher AND negra. Se for loira de olhos azuis, ok, aí pode.

3. O Brasil é o país do futebol
Jura? Para quem? Se o critério para avaliar isso for a qualidade da atividade desenvolvida, menos ainda. O futebol brasileiro é um dos mais recalcados e simplórios do mundo. Se avaliarem o número de praticantes do esporte, quem sabe, mas aí teríamos que considerar que o planeta Terra é dominado pelo skate. É?

4. Santos, São Paulo, Flamengo e Grêmio são campeões mundiais
Em partes, e bem miúdas. Antes do ano 2000, não existia (nem oficial, nem clandestina) uma competição chamada “Campeonato Mundial de Clubes”. O que havia era uma disputa entre a equipe vencedora do campeonato sulamericano e o campeão europeu. Dois continentes não representam o mundo. O São Paulo pode dizer que foge à regra por ter vencido em 2005, mas só. Times que já venceram o mesmo campeonato que essas equipes brasileiras, como Boca Juniors, Indenpendiente, Real Madrid e Milan, consideram o título como “Copa Intercontinental”. No Brasil, claro, virou “Mundial”, já que nos anos 60 os brasileiros só viajavam da África para cá, para servirem de escravos.

5. FHC criou o Plano Real
Em partes. Ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso reuniu uma equipe de vários economistas – coisa que o próprio não é, nem nunca foi – para tentar solucionar a absurda inflação brasileira. Assim, criou o Cruzeiro Real, que fracassou, tendo aumentado a inflação na época. Com o erro, traçou uma nova linha com sua equipe, e por meio de medida provisória, criou o URV. Lembra? URV não tinha moeda, nota de papel, nada. Era só um título de transição. “Unidade Real de Valor“. Daí, meses depois, veio o Real. Valeu pela iniciativa, mas considerá-lo o pai da moeda, é no mínimo, errado.

7. O movimento Cara-Pintada derrubou Fernando Collor de Melo
Nunca, em qualquer outra época da história brasileira, o jovem foi tão enganado quanto no início dos anos 90. Motivados por uma proposta ridícula de Collor – que pediu a todos que o apoiassem e acreditassem em suas atitudes que colocassem nas janelas, toalhas nas cores verde ou amarela, ou fossem às ruas com roupas nessas cores – estudantes-militantes da UNES e UBES, dois dias depois, mobilizaram milhares de outros estudantes a protestarem nas ruas, trajando preto. O verde e amarelo vinha no rosto. Até aí, tudo bem, se não fosse o fato da Rede Globo – que havia favorecido Collor compulsoriamente nas eleições de 89/90 – estar transmitindo a minissérie “Anos Rebeldes“, o que motivou ainda mais os estudantes. A revista Veja também foi importante, com entrevista contundente do irmão de Fernando, Pedro, dizendo que o tesoureiro do presidente, PC Farias, dividia em 30 e 70% os “rendimentos” que obtia durante o governo – de forma ilícita, claro. No fim das contas, o que levou Collor ao chão, foi a má interpretação do resgate das poupanças acima de 50 mil Cruzados Novos. O dinheiro seria devolvido, com juros, mas convenhamos: se alguém pega dinheiro da sua conta, você quer derrubá-la. Collor caiu pela malandragem mal planejada e pela pouca sensibilidade política.

8. O Bolsa Família incentiva o vagabundo
Típico do povo brasileiro, o orgulho em não ser pobre é algo preocupante. Logo, quando percebe que parte de seus rendimentos é redirecionado pelo Governo a uma camada mais sensível da sociedade, se revolta. Afinal de contas, foi ele quem trabalhou duro por aqueles 2 centavos de Real que lhe foram tomados. O Bolsa Família nada mais é do que um aporte financeiro à famílias carentes que mantém seus filhos matriculados nas escolas públicas brasileiras. Se os patronos gastarem com cachaça, viagens ao Boqueirão ou acesso 3G da Oi, problema deles. A intenção é incentivar a permanência das futuras gerações no ensino, possibilitando – mesmo que minimamente – que estes tenham melhores oportunidades no futuro (por ter mais estudo) e, logo, não precisem mais do B0lsa Família. Isso vale para o ProUni, também.

9. Romário fala o que o povo brasileiro quer falar
Erro de sintaxe. Na verdade, o baixinho fala o que o povo quer ouvir. É o que menos se faz de político, mas é o mais bem preparado entre todos. Pouco se diz, mas assim que direcionou os primeiros ataques contra a organização da Copa de 2014, o Deputado Federal recebeu de seu partido, o PSB, a indicação para concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro.  Vale lembrar que a verborragia de Romário é enlatada, uma vez que o próprio não é exemplo de cidadania ou retidão moral. Já foi denunciado por não pagamento de IPTU, IPVA, pensão de seus filhos, além de responder na justiça por processos de agressão.

10. Haverá parte 2 desse post
Rá!


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