O outro lado da derrota corinthiana

Do Palmeiras, já se esperava. O clube vem mal há algum tempo, alternando bons e mals momentos, contornados por entrevistas coletivas carregadas de sinismo e uma dose cavalar de desprendimento de Felipe Scolari. Vinha mal no Paulistão, perdeu a liderança em um clássico e caiu para a quinta posição. O Guarani vinha caminhando bem, sem pressa, comendo pelas beiradas. A derrota era algo possível.

Flamengo e Cruzeiro jogavam pela honra. Mais os cariocas, que foram eliminados da Libertadores 2012 ainda na primeira fase, com um desempenho desordenado, dentro e fora de campo. Dos astros, que sempre se espera algo a mais do que o ordinário, apenas Vágner Love demonstrou futebol condizente com a fama e salário. Ronaldinho é um fantasma do que foi um dia, e não faz questão de mudar isso. Já Joel Santana, ídolo de 9 entre 10 torcedores no Rio de Janeiro, provou o que já demonstrara em outras épocas: falta de objetividade. Deve cair – se não, deveria. A raposa foi atropelada pelo equilibrado, porém fraco América-MG. A torcida, lá, ficou sem entender nada. Aqui, também.

Mas, e o Corinthians? Dono da melhor campanha no campeonato estadual, melhor defesa, maior aproveitamento. Líder de seu grupo na Libertadores 2012 e vice-líder geral, também com a melhor defesa – e melhor saldo de gols. De 7 meses para cá, é o time nacional com melhor aproveitamento em pontos entre todas as competições, uma vez que foi Campeão Brasileiro de maneira isolada, tendo liderado por mais de 20 rodadas. E perde, em casa, para a frágil Ponte Preta? Por 3×2? O que há de errado? É mais simples do que parece.

Em jogos decisivos, seja contra quem for, uma falha individual pode enterrar um time inteiro. Julio César, mais uma vez, provou que sente demais a pressão em partidas de mata-mata. Foi assim no Brasileirão e Libertadores 2010, Paulistão 2011 e agora. É um problema que a experiência corrige, mas não há tempo de amadurecimento em meio a Libertadores. Ou seja, se não fosse pela insistência – e admirável – lógica de Tite que “o merecimento” é fator primordial para decisão de quem joga e quem fica no banco, Cassio seria o arqueiro titular, a partir de hoje. Mas não será. E o corinthiano continuará com a pavorosa sensação de que o bandido pode pular a janela a qualquer momento.

Coletivamente, fiasco ainda maior. Atacantes pouco decisivos, excesso de escorregões (isso porque a equipe conhece, muito bem, o Pacaembu), zagueiros sem opção de passe – por sinal, ontem, Edenílson foi horrível, para dizer pouco e tentar poupá-lo. Danilo foi totalmente anulado, pura e simplesmente, por ter um marcador colado nele durante todo o primeiro tempo. Jorge Henrique não conseguiu uma jogada de fundo sequer. Ambos foram substituídos no intervalo. Alex e Douglas vieram, e pouco mudou. O primeiro, ainda sem ritmo, tentou as irritantes jogadas “de lado”, driblando para trás e perdendo bolas fáceis. Já Douglas… enfim, era uma vez Douglas. Liédson não entrou em campo, e Willian mostrou que anda com a estrela em dia – mesmo que a jogada do primeiro gol corinthiano, na minha opinião, tenha sido uma vergonha.

Tite terá, agora, 10 dias até a partida contra o Emelec, no Equador. O jogo vale mais do que uma vaga nas quartas de finais da Libertadores (imagino que o resultado do jogo de ida irá definir quem passa). Talvez, more aí a parte “boa” da eliminação do Paulistão: foco total na competição sulamericana, com tempo ao tempo. Por exemplo, dá tempo de mudar a cabeça de Douglas. Dá tempo de dar ritmo a Alex, e tentar uma formação mais arrojada, com dois pontas e um atacante que não fique preso dentro da área – por mais que Liédson saia bastante, mas seja pouco efetivo. Dá tempo para colocar, definitivamente, Marquinhos como opção, e só isso. Não tem, ainda, cabeça para momentos decisivos. Na Libertadores, pode ser mais problema do que solução.

E Julio César?
Bem, acho que é hora de fazer o goleiro alvinegro entender que todos esperam, dele, atos dignos de um grande goleiro.

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2 Respostas to “O outro lado da derrota corinthiana”

  1. ives Says:

    concordo com muito, mas não com tudo!
    o time é o mehlor do Brasil sim… caso fosse invertido o placar, corinthians tivesse perdido domingo passado e ganhado ontem, ninguem teria feito essa analise. Júlio Cesar teve sim essas falahas todas, porém vale lembrar que ele pegou muito na partdia contra o Palmeiras na final do ano passado. chega de pressão vamos jogar com a cabeça para sermos campeões de tudo, inclusive do proximo paulistão!
    #vaicorinthians

    • acnoide Says:

      Em relação ao Julio César, todos são passíveis de erros. Por jogo, todos os outros jogadores erram 10x mais do que ele. O grande problema, é que as falhas mais sensíveis do goleiro acontecem em momentos sensíveis de partidas decisivas.

      Acho que seja um goleiro nota 7, mas em finais e decisões, vira nota 5. Aquele tiro de meta que ele bateu errado, nas costas de Leandro Castán, e que originou o terceiro gol, me deu até pena.

      O negócio é torcer para que não volte a acontecer.

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