Você errou. Você está demitido.

Que atire a primeira pedra quem nunca errou nada no trabalho. Esqueceu de fazer algo no prazo estipulado, pegou um atalho no procedimento e acabou pulando uma etapa importante, deixou de analisar alguma tarefa do modo apropriado e acabou prejudicando o resultado final. Não que você já tenha feito tudo isso, mas algo, com certeza já aconteceu. Se cada falha ou erro comprometesse diretamente um emprego ou atividade profissional, viveríamos em um mundo de pedintes. Que chute a primeira bola no gol.

O que está sendo feito com os goleiros Júlio César e Deola – atletas do Corinthians e Palmeiras, respectivamente – é desumano. Evidente que, como profissionais em um posto onde erros e falhas podem comprometer o resultado final de qualquer planejamento, esquecem do aspecto humano. Quando comparamos homens à máquinas, perde-se o conceito de competência, e idolatra-se a ideia de perfeição produtiva. Jovens e promissores, ambos ainda têm muito a oferecer às suas equipes e, por que não, ao futebol nacional como um todo.

Na contramão de um pensar lógico e de valorização de seus membros, o clube que deu o primeiro tiro no pé foi o Palmeiras. Ontem, em entrevista coletiva, o novo bombeiro palestrino, César Sampaio, disse que, sim, o alviverde tomará a atitude de “…se não acontecer uma evolução, o Palmeiras vai contratar outro goleiro”. A noite de sono de Deola deve ter sido das piores possíveis. Substituto da lenda Marcos, o arqueiro perde qualquer tipo de credencial que o estabeleça como futuro goleiro do Palmeiras. Triste, se pensarmos que ele é, sim, um bom profissional no que faz, mas como qualquer humano, passível de erros. Dias chuvosos vêm para todos.

Já o Corinthians assumiu a postura da blindagem. Evitam, a todo momento, comentar sobre a fraquíssima atuação de Júlio César. Quando o fazem, relevam, e frisam que o goleiro foi potencialmente importante durante a conquista do Brasileirão 2011. Não mentem. Porém, omitem o que todos sabem: o camisa 1 alvinegro falha rotineiramente, em momentos decisivos de competições chave pra o clube, e costuma demorar um tempo além do “aceitável” para recobrar a confiança. O clube tem, no banco de reservas, o improvável Danilo Fernandes e Cássio, de currículo ainda pouco expressivo. A segunda opção pode ser a mais provável em uma possível alteração na meta, mas Tite, paternal, não deve tomar essa atitude, mesmo em um momento extremamente sensível para o Corinthians na Libertadores 2012.

Os capítulos a seguir demonstrarão o quão profissionais são Deola e Júlio César, mas principalmente, Palmeiras e Corinthians. A pressão será ainda maior, ao passar dos dias e de resultados que, talvez, não sejam os esperados – tanto dos times em suas competições atuais (Copa do Brasil e Libertadores), quanto dos goleiros. A torcida vira juiz e júri. Pobres réus. Vale lembrar, novamente, que todos erram em suas atividades. Sejam pequenos e imperceptíveis, retumbantes e dignos de duras críticas, as falhas vão e vêm, assim como os momentos de glória e exaltação. O problema é que sobram vaias e faltam aplausos, tapinhas no ombro e um pouco mais de humanidade em todos nós, inclusive neste que vos escreve.

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