Oscar, o craque que o SPFC destrói

Muita calma. O título pode parecer pesado demais, mas faz parte de um dos capítulos mais asquerosos do futebol brasileiro. O jovem de 20 anos e talento notável no meio de campo ofensivo de qualquer equipe, vem enfrentando uma luta desleal com um dos clubes mais poderosos do país, dentro e fora dos campos, o São Paulo. Formado nas categorias de base do tricolor, o atleta afirma, categoricamente, que há 4 anos foi obrigado a assinar um contrato de gaveta com o clube formador, aos 16 anos, o que é proibido por lei. Com isso, seu vínculo foi prolongado até o final de 2012.

Porém, Oscar resolveu ir à público, após perceber que não estaria levando a “vantagem” que os dirigentes são paulinos disseram que teria, na época. Pouco utilizado na equipe titular, o jogador se via desvalorizado e, naturalmente, descontente. Rompeu com o São Paulo na justiça e diz que, durante as conversas finais com o clube, foi “ameaçado” pelo então dirigente Marco Aurélio Cunha, hoje vereador da cidade. Este deixou uma mensagem na caixa postal do telefone celular do jogador, dizendo que Oscar não iria se dar bem na atitude tomada, justamente por causa da força jurídica do São Paulo, e pelos argumentos legais que os empresários do atleta e o próprio haviam apresentado serem fracos. Dalí em diante, Oscar decidiu ir para o Internacional, onde permanece até hoje, mesmo com o tricolor tendo vencido batalha na justiça para reaver o jogador, legalmente e sem possibilidade de contestação.

Sem poder entrar em campo, Oscar apenas treina no clube gaúcho, que ofereceu ao São Paulo R$ 7 milhões pelo jogador. Os tricolores bateram o pé e disseram que não liberam o jogador por menos de R$ 16,5 milhões. Até aí, os problemas parecem ser, apenas, o fato da ameaça de Marco Aurélio a Oscar (a qual você pode ouvir e notar que não é uma ameaça, mas uma advertência) e o tal contrato de gaveta, que o jogador afirma ter sido obrigado a assinar, quando ainda era menor de idade. Mas, não. O maior problema é o desserviço que o São Paulo faz ao futebol brasileiro, à seleção olímpica, ao jogador e seu futuro profissional.

Não é de hoje que o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio (o ditador que alterou o estatuto do próprio clube para poder se reeleger) faz das suas. Antes, as desnecessárias discussões e provocações públicas com o também inconsequente Andrés Sánchez e a capacidade quase artística de perder os jogos de Palmeiras, Santos e Corinthians, habitualmente realizados no Morumbi – sem contar o fato de ter perdido a abertura da Copa 2014 para um estádio que ainda era só uma maquete. Ao receber esta carta, redigida por Oscar e seus advogados, disse à imprensa que era uma manobra do Internacional, para desviar o foco de uma possível eliminação na Libertadores 2012, contra o Fluminense – por sinal, a primeira partida é hoje, quarta-feira.

Como, diante de uma situação grave como essa – que envolve o desempenho e futuro profissional de um jovem e promissor talento do futebol brasileiro, às véspera das Olímpiadas de Londres da qual ele, com certeza, seria convocado -, um dirigente de futebol tem a capacidade de abordar o assunto com essa ignorância? Oscar está sendo prejudicado em seu íntimo, impedido de trabalhar e recebendo a pressão psicológica desnecessária para um momento tão importante em sua carreira. Vinha atuando como titular do Internacional, jogando bem, e sendo elogiado por toda a imprensa nacional. De repente, impedido por uma ação judicial de interesses unilaterais do São Paulo, é escravizado pelo Senhor tricolor. Justiça?

O São Paulo podia se poupar de tamanho desconforto. O clube sabe que o jogador não voltará. Se sentia desvalorizado antes, sente-se  humilhado e prejudicado agora. Ao Internacional, que pague o que o jogador vale, pois a decisão da justiça é absoluta nesse caso – Oscar não poderia, simplesmente, ter saído como saiu. Se não puder pagar, que o clube dono do passe do jogador libere-o para negociar com outras equipes, ou aceite parcelamento dos valores vindos do sul. O que não se pode fazer é escravizar e destruir uma pérola ainda tão precocemente. Não há justiça que justifique isso.

No amor não há troca, não há possenão há jogo – (Rodrigo Masi)

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