Archive for maio \30\UTC 2012

No aniversário da Arena Corinthians, os analfabetos da elite secam gelo

30 de maio de 2012

Hoje, a futura Arena Corinthians completa 1 ano, desde que suas obras foram iniciadas. De lá para cá, os jornais, revistas e programas de televisão cumprem seu papel na imbecilização do povo com maestria. Deixam, como é correto fazer, que o cidadão tire suas próprias conclusões sobre o que é noticiado. “Mas então por que imbecilização?”, você pode se perguntar. É simples: o brasileiro só sabe postar, reclamar e criticar, mas não sabe interpretar um texto. Não sabe ler. E não é culpa do Governo – é da preguiça do brasileiro em raciocinar.
Para tirar o chafurdado cérebro de menestréis do politicamente correto da lama, não precisa ler a Folha, a Veja, ou assistir aos programas de televisão que chamam a obra de “Itaquerão” – por sinal, a criatividade do povo brasileiro é, também, algo deplorável.

O estádio só vai existir por causa de Lula: sim e não.
O que é: todos sabem que o ex-presidente é corinthiano. Assim como seu antecessor. Politicamente, nada fez para o nascimento da Arena Corinthians, mas usou, sim, sua influência para garantir que o empréstimo do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) fosse mais facilmente conseguido pelo clube paulista. Como fez? Dialogando com as empreiteiras (cinco eram interessadas, mas apenas duas tinham expertise para realizar) e empresários do setor para conhecer melhor quais eram as chances de êxito do projeto. Isso, se iniciou em 2008, ao lado do ex-mandatário corinthiano, Andrés Sanchez. Em 2008, ainda não havia Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Ou seja, como Copa ou sem Copa, o estádio sairia. Talvez, com um pouco mais de dificuldades do que existem agora, mas sairia. E da mesma maneira: mezzo empréstimo do BNDES, mezzo incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo. Lembremos que empréstimo não é doação: deve ser pago em um prazo estipulado de tempo, e esse prazo pode ser renegociado, se necessário, como em qualquer empréstimo. Caso, um dia, qualquer cidadão deseje formular uma empresa, seja ela pequena ou grande, tem direito a buscar o mesmo empréstimo no fundo.
O que se tenta fazer acreditar: que o estádio está sendo construído com dinheiro público, já que o BNDES é um fundo do Governo, e a Prefeitura de São Paulo está dando dinheiro para fechar a conta – falemos disso abaixo.

A Prefeitura de São Paulo deu dinheiro para o Corinthians construir estádio: não.
O que é: Desde 2004 existe uma lei em São Paulo, que concede incentivos fiscais a toda e qualquer empresa que se instalar na zona leste da cidade e, também, na região da Luz (centro). A Prefeitura fez isso porque, como sempre foi um órgão extremamente incompetente, deixou de investir nessas e outras regiões, fazendo com que o abismo social entre essas áreas e locais como os Jardins e o Morumbi se transformasse em um abismo colossal. Logo, incentivando empresas a se instalarem por áreas menos valorizadas, o jogo se equilibraria, aos poucos.
Os incentivos funcionam da seguinte maneira: os parceiros do projeto terão redução, por dez anos, de 50% do IPTU e 60% do ISS (Imposto Sobre Serviços) relativo aos serviços prestados. Também há diminuição de 50% no ISS relativo aos serviços de construção civil e de 50% do ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) referente à arena. A lei ainda prevê a emissão de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que serão de até 60% do valor dos investimentos totais. No início, o CID reduz a carga tributária do investidor e, em seguida, provoca ganhos na arrecadação do município – é, na verdade, a antecipação de renda para os cofres públicos, que somente ocorrerá com a implantação do projeto. Logo, podemos raciocinar que incentivo fiscal e dinheiro são coisas diferentes, e que o benefício não tem nada de ilegal ou amoral – explico abaixo.
O que se tenta fazer acreditar: que a Prefeitura deveria investir esse dinheiro (que não é dinheiro) em obras como escolas, creches, hospitais e novas moradias. Vale lembrar que, como dito, qualquer empresa pode receber os mesmos benefícios. Por que será que grandes grupos escolares e hospitalares não tiveram a mesma ideia do Corinthians? Será que pensaram que, ao se instalarem em regiões mais pobres e afastadas, estariam desvalorizando suas milionárias grifes?

Meu dinheiro está nessa obra! Logo, é minha, é de todos, não do Corinthians: não.
O que é: No que tange ao BNDES, o dinheiro captado e distribuído a empresas, vem do que o Brasil tem em suas reservas e dos resultados de novos negócios. Assim, é excessivamente equivocado dizer que o que está sendo investido ali, é seu. Caso a retórica fosse verdadeira, o Metrô de São Paulo seria seu, assim como o SBT, a RedeTV!, a rede de lanchonetes Giraffas a padaria onde você toma café e outros locais que conhece muito bem – todos eles só existem devido aos empréstimos do BNDES. Quanto aos incentivos fiscais, já ficou claro que a Prefeitura deixa de arrecadar parte dos impostos agora, para mais tarde, recebê-los baseado na valorização. Ou seja, seu dinheiro, de seus impostos, não está lá.
O que se tenta fazer acreditar: que tudo que envolve dinheiro público, envolve o dinheiro do povo brasileiro – uma grande asneira.

Basta ler, buscar informação e não ecoar ideias vazias por aí.
As historietas sobre a ilegalidade da obra não passam de uma tentativa de secar gelo. Em uma disputa entre analfabetos funcionais e analfabetos sociais, a goleada é enorme.

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Quer ca$ar? Me$mo? Certeza? Olha… $ério?

28 de maio de 2012

Existem diversos blogs especializados em apontar dicas e serviços para noivos e noivas, às vésperas de seus casamentos. Em uma rápida pesquisa, encontrei mais de 10. São conselhos do que fazer, do que não fazer, do que investir e do que se deve evitar. No geral, são sites criados por quem já passou pela experiência – algumas frutíferas, outras frustradas, mas sempre bastante elucidativas. Como não podemos nos fazer de rogados, o Acnoide cria aqui a lista de 5 passos a seguir quando a(o) namorada(o) propor casamento, ou quando a ideia passar por sua cabeça após uma tórrida noite de felação.

1. Calcule quanto você não pode gastar
O fato mais irredutível em um casamento, é que será caro. E não pense que sua ideia de fazer uma festa em chácara/sítio para “poucos” convidados é algo que foge à regra. Será, sim bem custoso, do mesmo jeito. O ideal aqui é pensar o quanto você não poderá investir. O cálculo é simples – some tudo o que você pode gastar, e subtraia pelo número de convidados, dando a cada um deles um valor fictício (suponha R$ 60). Em um exemplo rápido, temos:

R$ 12.000 – R$ 3.200 (60 convidados a R$ 60/cada) =
R$ 8.800 para investir na festa

Os custos básicos de uma festa de casamento são:
– aluguel do espaço e serviço de garçons por, no mínimo, 8 horas;
– comidas e bebidas variadas para todos, durante toda a festa;
– compra das alianças;
– decoração (sim, você tem que pagar por isso);
– aluguel ou compra dos trajes (para o noivo, um smoking ou coisa do tipo; para a noiva, o vestido);
– dj ou banda para animar a festa – aqui vale apelar aos amigos, já que qualquer um pode ter banda ou ser dj.

Reparem: para conseguir tudo isso, que é mesmo o básico, o custo é bem mais do que R$ 8.800. Digamos, o dobro. “Mas que absurdo! O povo vai comer caviar e tomar champagne francês?”. Não. Vão comer umas frituras mornas e champagne nacional – só durante uns 40 minutos, que é o tempo que leva para suas garrafas terminarem. O resto, é cerveja nacional e whisky 8 anos. Casar é caro e depende de seu envolvimento com a pessoa amada e o gerente de sua conta. Logo, qualquer “festa despojada para os amigos mais íntimos, sem muita formalidade” vai lhe custar umas 20 mil Dilmas. Sente e chore.

Exemplificando toda a primeira dica dessa sessão: você não pode gastar – pouco.

2. Selecione quantos e quem serão os convidados
Lembram do cálculo acima, dos 60 convidados? É um número baseado no que a maioria das pessoas mais alternativas (endividadas) imaginam: uns 30 amigos mais chegados da noiva, outros 30 do noivo, e pronto. Isso não existe. Experimente não convidar aquela sua tia que insiste em dizer que você está enorme, sempre que te vê. Ou o avô, que diz a todos – menos a você – que precisa te ver no altar para poder morrer em paz. Não dá. E acredite, você sentirá falta de ver esse povo falando mal de quem não foi, ao final da bagaça toda. Outro cálculo que pode te ajudar:

15 familiares de cada + 5 amigos do trabalho de cada + 10 amigos de infância de cada +  20 amigos do dia-a-dia de cada (baladas, shows, convivência) = 100 convidados.

São números totalmente fantasiosos. Não se esqueça: se cada um custar R$ 60, sua conta já foi para R$ 6.000 – só de convidados. Não se apavore (muito). Acredite no bom senso de cada um de seus convidados e na capacidade financeira dos mesmos. Seja cruel – não dá para convidar aquele seu amigo hippie, super bacana, mas que não faz a barba só para economizar na compra de barbeador. Faça uma lista de presentes (caso vocês ainda não morem juntos) ou dinheiro mesmo (depósito em conta). Ainda tem a tal “gravata do noivo”, que pode lhe render alguns trocados interessantes ao fim da festa. Se a fervura estiver alta demais, passe também o “sapato da noiva”. Não tem como: dá-se com uma mão, tira-se com outra.

3. Como vou pagar isso tudo, se já estou na pindaíba?
Programe-se. Isso de se apaixonar e marcar casamento é coisa de norte-americanos e europeus pré-crise de 2008. Marque com, no mínimo, 1 ano de antecedência. Você vai começar a pagar a parte mais pesada (o aluguel do local, bebidas, comida e decoração) com muito mais tempo para adequar sua vida a um momento tão… oneroso. Parcele, negocie e opte por não exagerar em nada. Boa dica: existem uma dezena de lojas na internet que vendem os vestidos de noiva. Da China. Sim, isso eles também já vendem pela internet, e tem um bom tempo. É mais barato, mais prático e, acredite, são os mesmos vestidos vendidos das lojas brasileiras. Em média, são vendidos por 40% do valor que você pagará em uma Rua São Caetano da vida.

4. Viagem
Não ache que lua de mel pode ser feita na Praia Grande. Até pode, mas você pode voltar frustrado e com micose. Os dois gostam de quê? São mais urbanos ou mais bucólicos? Praia ou balada? Os roteiros internacionais são uma boa, se forem curtos. Aquele papo que “viajar para o Nordeste é a mesma coisa que viajar para Cancún era verdade, até o dólar se inflamar e bater na casa dos R$ 2. Ou seja, não exagere, mas não tente ser simplório em algo que você merece, depois de se ferrar tanto, durante tanto tempo.

5. Mas eu sequer penso em casamento!
E pra que leu até aqui, cara pálida?

O jogo que não verei: Santos x Corinthians

25 de maio de 2012

Depois de mais uma partida bem abaixo da expectativa, o Corinthians conheceu seu adversário nas semifinais da Libertadores 2012: Santos, o “bicho papão” do momento. Será mesmo? Algumas coisas que li e ouvi nos últimos dias me fazem acreditar que o favorito nesse duelo não é a equipe de Neymar e companhia. Além do fato de os praianos jogarem sem Ganso (não, ele não jogará a segunda partida contra o Timão), outros detalhes fazem valer minha opinião.

1. Muricy conhece Tite há muito tempo. Desde os confrontos Internacional x Grêmio, no Rio Grande do Sul. Santos e Corinthians já se enfrentaram, com praticamente os mesmos jogadores, por mais de três vezes. O marrento técnico do alvinegro da Vila Belmiro leva pequena vantagem. Mas vai armar a equipe à sombra do Corinthians, no primeiro jogo, pois sabe que não pode levar gols em casa. Ou seja, não esperem ver Léo ou outro jogador fazendo a função de Ganso – essa parte do gramado será ocupada por outro volante. Provavelmente, o fraquíssimo Henrique. É aí que se situa a vantagem corinthiana. Paulinho e Danilo farão o inferno nesse setor do campo. Justamente os dois jogadores que vêm atuando melhor nas partidas da Libertadores 2012.

2. Liédson, provavelmente, volta à equipe titular do Corinthians. Motivo: o baixo rendimento da dupla Emerson e Jorge Henrique. Com este último no banco, além de se configurar o ataque com mais uma opção de jogada, transforma o banco de reservas de Tite em um verdadeiro arsenal: Willian, Jorge Henrique e Elton. Do lado santista, Borges deve voltar ao ataque, por ter mais experiência. Lembrando que, ofensivamente, Muricy tem menos peças de reposição.

3. O Corinthians vem jogando muito bem fora de casa. Só levou um gol fora do Pacaembu, de um total de dois na competição. Lembra-se do gol? Sem querer, de bola rebatida pela zaga, entre o atacante e o goleiro. Castán e Chicão voltaram, definitivamente, a ser uma opção segura de contenção. Evidente que Neymar é mais veloz e habilidoso do que os dois, mas apenas Ralf deve encará-lo no mano-a-mano, sem contar com o recuo de Emerson. A sobra, após o possível drible do atacante, fica com quem estiver mais perto. Foi assim que o Vélez Sársfield fez, e deu certo.

4. Em jogos fora de casa, o Corinthians costuma não apelar tanto para a bola aérea (como vimos contra o Vasco, na última quarta-feira). Como o ataque fica menos povoado, as chances de Danilo surgir na primeira trave e fazer o habitual desvio, diminui muito, pois o meia também marca. Como os atacantes, com exceção de Elton, são baixos. Pelo chão, usando tabelas e jogadas de fundo, o time de Tite tem boas chances de, até mesmo, vencer na Vila Belmiro, pois o Santos não é time de jogar na retranca, muito menos em seu estádio.

Eu não verei a partida de ida e, provavelmente, a de volta, também. Estarei no exterior, onde o hotel não possui televisão via satélite. Como sei que as chances de destroçar o computador é enorme, em caso de derrota/eliminação do Corinthians, a possibilidade de assistir ao jogo por algum site como o Justin.Tv é quase nula.

Que vença o melhor – e vai, Corinthians, é claro!

Os 10 centímetros da vitória corinthiana

24 de maio de 2012

Podia ser menos sofrido. Mas aí, não seria um jogo do Corinthians. Depois de 174 minutos, o zero saiu do placar, pelo lado alvinegro que mais fez por merecer. Sim, a equipe do novo Fiel Torcedor, Tite, foi mais aguerrida e eficiente, somando à premissa de “intensidade”, entrega total e consciência tática.

O jogo começou com a cara do Vasco. Os cariocas se aproveitavam das infantis faltas cometidas por Jorge Henrique, Danilo e Emerson, sempre próximas da área, para forçar as jogadas aéreas com Alecssandro e Rômulo. Juninho Pernambucano fazia a festa: batia falta da direita, da esquerda, da intermediária. Todas interceptadas pela zaga menos vazada da Libertadores 2012, com Chicão e Leandro Castán.

Truncada, gelada e excessivamente comedida, a partida caminhava para mais um empate, outro zero a zero, para os pênaltis. Na única boa chance da primeira etapa, Paulinho saltou livre, no meio da área e, de cabeça, exigiu os reflexos do bom Fernando Prass. No intervalo, a torcida corinthiana era um misto de apreensão, reclamação e esperança, tanto no Pacaembu, quanto em bares e sofás.

Segundo tempo. Um novo jogo. O Vasco, novamente, melhor. Retendo bola no ataque, mas sendo inibida pela ótima postura defensiva do adversário. Do lado do Corinthians, a principal mudança ocorreu aos 11 minutos. Após reclamar – educadamente, é verdade, mas com muita veemência – sobre falta que não existiu em Paulinho, na entrada da área, Tite foi expulso. Na cabeça do corinthiano, flashes de 91, 96, 99, 2000, 2006…

Para o teatro dos horrores se tornar realidade, faltava o elemento principal: o culpado. Em todas as eliminações do Corinthians na Libertadores, ao menos nos últimos 21 anos, sempre um jogador foi a bola da vez: Ronaldo (goleiro), Zé Elias, Marcelinho (duas vezes), Coelho. Ontem, um capitão teve a chance de figurar nessa sombria galeria. Após rebatida do goleiro vascaíno, a bola sobrou, livre, para Alessandro, próximo do meio campo. O jogador dominou, olhou, tentou o lançamento… e Diego Souza interceptou. Correu, livre, em direção à meta. Era o fim.

Atrás dele, Alessandro e Paulinho apostavam uma corrida já perdida. Na frente, o ex-palmeirense teve tempo de tocar duas vezes na bola. Teve tempo de pensar, de calcular o que faria. No gol corinthiano, Cássio, ex-terceiro goleiro da equipe, recém titular. Dez centímetros mais alto que seu antecessor. No toque colocado, no canto esquerdo do goleiro destro, Diego Souza jogou um balde de água fria na torcida cruz-maltina. O camisa 24 do Timão, com seus 10 centímetros a mais de envergadura, tocou com a ponta da unha na bola. No chão, rápido, preciso, com calma. O fato de não ter saído desesperado no pé do atacante – lance lógico até para quem enfrenta um lance desse no vídeo game – ajudou a evitar o drible. Salvou a equipe do Corinthians. No lance seguinte, cabeçada do Vasco no travessão. Um beliscão após um tiro no peito.

O troco, de Emerson, também foi parar na trave. Alex não conseguia bater um escanteio sequer no local certo. Nem o próprio Sheik. Nem ninguém. Chicão arriscava bolas altas, da intermediária, resultando em nada. O Vasco também era sólido, mesmo sem o “craque” Dedé. O corinthiano não tinha mais aquelas unhas que Cássio usara, minutos antes, para evitar o pânico generalizado. Faltava uma bola. Uma só. Tite, no alambrado do Pacaembu, tentava se concentrar na partida, mesmo com torcedores em seu ouvido, sugerindo alterações. Vieram duas: Willian no lugar de Jorge Henrique, Liédson no lugar de Emerson. E o gol? Viria de quem?

Já se passavam 41 minutos de sofrimento, em um segundo tempo amargo, doloroso, sofrível, cardíaco. Corinthiano. Alex acertou uma bola no jogo. Paulinho, a segunda. Novamente, sozinho no meio da área, com uma linda cabeçada, aproveitou o escanteio vindo da esquerda e marcou o gol da redenção. Loucura no Pacaembu. Tite, em meio a torcedores e diretores, vibrava como se tivesse ele mesmo feito o gol. Em casa, este que vos escreve gritava, com medo, pois um único gol do Vasco tiraria, instântaneamente, a classificação do Corinthians.

Lance seguinte, escanteio para o Vasco. Cássio, até então herói e intransponível, falha. A bola passa rente à sua mão e encontra a cabeça de Rômulo. Livre, vindo do fundo da área, com tempo para escolher o canto, a altura, o estilo. A bola passa a menos de 10 centímetros da trave. Do gol. Da eliminação.

Um jogo de 180 minutos, decidido por 10 centímetros.

O Corinthians, da lama ao caos

17 de maio de 2012

Jogo feio, morno, apático. Salvo o peixinho de Jorge Henrique, na metade do segundo tempo, milagrosamente defendido por Fernando Prass, a partida entre Vasco x Corinthians teve pouca emoção. Pode-se chamar de “momento quente” o gol anulado da equipe de São Januário, mas o recurso eletrônico da televisão deixou claro que, também milagrosamente, o assistente acertou em marcar impedimento na cabeçada de Alecssandro. Em um campo recheado de imperfeições e lama, os dois times batalharam para arrancar com a bola nos pés, arriscar passes rasteiros e manter os uniformes minimamente limpos.

Com o 0x0, o Corinthians vai da lama ao caos. No jogo da volta, próxima quarta-feira, no Pacaembu, mais uma vez o time não pode empatar com gols, e tem a vitória como a única alternativa para a classificação (mais um empate sem gols leva a decisão para as semi-finais para os pênaltis). O problema é que, agora, o sapato aperta: o adversário não é mais o frágil Emelec. O Vasco mostrou, mesmo que pouco, que é uma equipe “certinha”. Mesmo sem a zaga titular, conseguiu anular praticamente todas as jogadas pelo meio do rival. No ataque, pouco brilhou, mas em raros lances, Diego Souza e Éder Luis se mostraram perigosos. Sorte do Corinthians ter a melhor defesa da Libertadores 2012, com apenas 2 gols sofridos em 9 jogos.

Os mais de 30 mil torcedores que irão fazer barulho e pressão no Pacaembu, pode se tornar um paredão de inconformismo, caso Tite insista na tática do “esperar para definir”. Eu, particularmente, não vejo nada de mal nisso, mas os mais fervorosos detestam. Funciona, é trabalhoso, mas ao mesmo tempo, digno de desconfiança. O caos, propriamente dito, acontece se o Vasco marcar um gol, forçando o Corinthians a fazer dois. Sabe-se que a equipe de Tite não é especialista em colocar a bola no fundo das redes, ao menos não com a continuidade esperada de um time que ataca sempre – mesmo que em doses homeopáticas. O que resta, mais uma vez, é torcer pelo bom desempenho de Danilo e Alex, que ontem, sumiram na partida.

Que o bonde da colina descarrilhe e desbarranque na lama da eliminação.
Vamos aguardar.

Como deve(ria) jogar o Corinthians, hoje, contra o Vasco

16 de maio de 2012

Já se sabe que jogar sem um camisa 9 não é o maior dos problemas do Corinthians. Também se sabe que dos 16 gols marcados pela equipe até aqui tiveram, nada menos, do que 10 autores. Logo, a maior preocupação continua sendo o nervosismo do time dentro de campo, que provavelmente será controlado pelo árbitro Sandro Meira Ricci com mais advertências verbais do que cartões. Voltando ao miolo de ataque, Tite optou por Jorge Henrique no lugar de Willian. Mas… será mesmo? Vejamos:

Jorge Henrique, notavelmente, não tem cacoete, físico ou talento para ser centro avante. Emerson só joga pelos lados do campo, quando agudo, pois usa sua principal arma, a velocidade. No caso de necessidade de um pivô frente à defesa vascaína, podem apostar – esse homem será Alex. No Campeonato Brasileiro de 2011, já no segundo turno, as duas equipes se enfrentaram no mesmo estádio de São Januário. Na época, também sem camisa 9, o Corinthians não venceu por detalhes de finalização por duas vezes, com Paulinho e Danilo. Alex sobrou em campo. Fez jogadas pelo meio e pelas pontas, e alternava com Danilo e Paulinho o posicionamento como “homem surpresa”. Danilo e Paulinho recebiam as bolas aéreas, enquanto Alex era o encarregado pelos arremates de dentro e fora da área, assim como ser o pivô para a chegada de laterais e volantes. Deu certo. Tite não deve fugir muito disso.

O maior perigo é Éder Luís. Razoável, porém bem veloz, o atacante costuma fazer o lado esquerdo das defesas adversárias levar canseira. Fábio Santos precisa de cobertura de Ralf, e atenção total de Leandro Castán. Do lado direito, o lateral Fágner tem as mesmas características, mas não costuma cortar para o meio com tanta frequência quanto Éder. Os experientes Juninho (bola parada e chutes de fora da área) e Felipe (cadência e precisão em lançamentos) fecham o quarteto que ameaça o Corinthians na noite de hoje.

A crise do Santos – a verdade revelada

11 de maio de 2012

Mal das pernas financeiramente, o time de Vila Belmiro busca, desde o fim do ano passado, renegociar suas dívidas com os bancos. Reflexo da péssima gestão de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro (também conhecido como LAOR). O mandatário santista gastou às burras com a manutenção de Neymar e Rafael, ambos com promessas contratuais milionárias no exterior. No afã de transformar o Peixe em um segundo Barcelona, o presidente meteu o pé pelas mãos, sedendo por publicidade e dinheiro. Não é só disso que vive um clube de futebol.

Após a eliminação na Libertadores de 2012, para o Vélez Sársfield, Elano e Borges pediram o boné, por ficarem marcados como os vilões da eliminação da equipe no jogo de volta, a derrota por 3×0. Muricy, retaliado com demissão ao citar em entrevista coletiva que “tem gente que esquece que, nos anos 80 e 90, o Santos era saco de pancadas até da Portuguesa, decidiu esperar o chamado da CBF para assumir a Seleção de 2014, o que não aconteceu. O técnico, discípulo de Telê Santana, resolveu assumir o Chelsea, garantindo uma aposentadoria mais digna de seu talento.

A crise não tem hora para terminar. Envolvido no caso que ficou conhecido como “a orgia em alto mar”, Neymar continua sob custódia da justiça. A menor, envolvida no escândalo, perdeu o bebê no sexto mês de gravidez. A imagem do atleta, que rendia cerca de R$ 2,2 milhão ao mês, hoje, não serve para encubrir o rombo nos cofres do alvinegro praiano. A dívida, consolidada, chega perto dos R$ 3,9 milhão. Paulo Henrique Ganso, em litígio com o Santos, deve abocanhar cerca de R$ 22 mi. A decisão da diretoria foi a mais sensata: vender a Vila Belmiro para um grupo de empresários do setor imobiliário, que irá erguer, no mesmo local, um condomínio de alto padrão. LAOR segue foragido.

Pelé, antes seduzido pelo convite para assumir a presidência, hoje prefere se abster de comentários. Em uma de suas raras entrevistas, o ex-Rei do futebol assumiu: “ver um argentino me ultrapassar na história do esporte dói menos do que isso. O Santos sempre foi um clube que gerou craques. Hoje só nos dá vergonha”. Dilma Roussef, torcedora do Internacional de Porto Alegre, resolveu ajudar a instituição, cedendo descontos fiscais para as dívidas tributárias, insolúveis desde 2004, após a era Robinho. Candinho, o técnico atual da equipe, revelou à Veja que pretende reformular a forma de jogar da equipe, hoje, na terceira divisão do campeonato paulista. “Precisamos retomar o ânimo. Mas depois de 6 jogos sem marcar um único gol, fica difícil pedir a jogadores como Lulinha para que se entreguem 100%”.

Triste fim.
São Paulo, 11 de maio de 2014 

O jogo que você não viu, as coisas que você não sabia

10 de maio de 2012

O Corinthians venceu – e convenceu – o Emelec, ontem, por 3×0. Jogo sob controle durante os 90 minutos, com boas atuações de todos os jogadores do Timão, sendo ótimas as de Emerson, Fábio Santos, Paulinho, Ralf, Chicão, Leandro Castán, Alex, Danilo e Cássio. Ou seja, só Willian e Edenílson fizeram “o básico”. Mas alguns detalhes devem ser lembrados:

1. Tite perdeu Edenílson para o primeiro jogo contra o Vasco. Não apenas pela sua contusão, ao final do primeiro tempo, mas pelo retorno de Alessandro. Se este estiver a 100%, e o camisa 21 a 90%, o antigo capitão volta à equipe.

2. Liédson ainda manca. Pouco, mais ainda corre mancando. Ontem, em apenas 14 minutos atuação, pouco fez, mas teve chance de gol aos 45 da etapa final.

3. Paulinho é um jogador que vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

4. O árbitro da partida, o uruguaio Dario Ubriaco, fez exatamente o que não devia, mas fez: inverteu algumas faltas, fez vistas grossas para outras, evitou atritos com os jogadores corinthianos. Ou seja, prejudicou o Emelec em alguns momentos. Pouco, mas prejudicou.

5. Júlio César é um jogador que não vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

6. Alex dificilmente sai do time em jogos no Pacaembu. Jorge Henrique funciona melhor fora de casa, onde o Corinthians precisa mais de um jogador que se apresente mais constantemente para as jogadas, principalmente, nas laterais do campo. Em casa, Alex é mais incisivo, e está em boa fase – finalmente!

7. Douglas é um jogador que não vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

8. O Corinthians tem a melhor defesa entre todas as equipes brasileiras que já participaram da Libertadores, desde 1960. São apenas 2 gols sofridos em 8 partidas, ou 0,25 por jogo. Por sinal, o Timão é o único invicto nessa competição em 2012.

9. Leandro Castán é um jogador que vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

10. Milhares de São Paulinos e Santistas acordaram com mais sono do que o habitual, hoje. Os Palmeirenses também foram para a cama tarde, mas por causa da goleada sobre o Paraná, pela Copa do Brasil. O clima, por lá, é ótimo. Felipão disse que a torcida não pode reclamar por ele só ter recebido “essas merdas” de jogadores como contratações, ao fim do jogo. Ainda bem que foi o gaúcho quem deu conselhos ao Emelec sobre como vencer o Corinthians.

Arruda, sal grosso e chutes de fora da área contra o Emelec

8 de maio de 2012

Desde o ano 2000 o Corinthians não consegue avançar para as quartas de final de uma Libertadores. Vacilos, nervosismo, times inexperientes. Tudo isso soma-se à enorme pressão da mídia, diretoria e, claro, da própria torcida pelo título inédito. Amanhã, no Pacaembu, o Timão precisa vencer para se classificar. Se empatar, cai fora, novamente. Sim, porque empate com gols dá a vaga para os equatorianos do Emelec, e não confio em classificação nos pênaltis por motivos lógicos.

A equipe de Tite anda falhando demais no ataque. Liédson fora de forma e em má fase técnica, Willian ainda pouco confiável e Emerson solitário em tentativas mais agudas. Se Elton ainda não merece a confiança na posição entre os zagueiros adversários, a alternativa são os chutes de fora da área de Alex. O camisa 12 entra no lugar de Jorge Henrique, expulso de forma infantil no jogo de ida, que terminou em 0x0. Paulinho e até Fábio Santos (possivelmente Douglas, no segundo tempo) são outras boas alternativas. Mas, por que arriscar lances de longa distância se está jogando em casa? Explico.

Se o jogo chegar aos 20 minutos sem uma tentativa de gol, de forma clara, a torcida começa a jogar contra. Não estou admitindo aqui a possibilidade do estádio inteiro iniciar uma campanha de vaias contra o Corinthians, mas o torcedor quer ver um time mais incisivo, ao menos agora. O pragmatismo, eficiente até então, aparenta ser uma estratégia arriscada demais contra um time que gosta de apelar para as bolas aéreas, e que uma hora ou outra, podem funcionar. Os chutes de fora da área e de média distância dão aquela falsa impressão de iniciativa. Que se arrisque as insistentes jogadas pelo meio, mas que sejam alternadas com lances mais objetivos ao gol.

Na minha opinião, é uma das poucas alterações táticas importantes que Tite deveria implementar contra o Emelec. Garantir a vantagem de 1 gol ainda antes do segundo tempo, e cozinhar a partida até um bom contra-ataque que fecharia o caixão dos elétricos.

A Libertadores dos outros

3 de maio de 2012

Uma competição que reúne os melhores times do continente. Uma taça que vale todo um planejamento, premiando a técnica, a inteligência, o espírito esportivo e o Fair Play. Renomada, essa competição oferece valores em dinheiro de alto padrão às equipes participantes, ainda mais, para os campeões. Essa é a Libertadores dos outros, não a nossa. Nunca será. Isso é a Champions League.

Foi vergonhoso. Tire sua camisa do São Paulo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras ou qualquer outra equipe ao tecer comentários sobre a partida entre Emelec x Corinthians. Começando desde a chegada do time brasileiro ao Equador, sendo impedido de treinar com bola no gramado onde seria realizado o jogo – como já havia sido feito, também, contra o Flamengo. Torcida que atravessa o campo para procurar melhores assentos, juíz condescendente com a violência e covarde. Isso foi a partida de ontem.

O Corinthians arrancou um empate, do fundo do poço, jogando com 10 desde os 8 minutos do segundo tempo. Não foi por qualquer coisinha. Jorge Henrique foi expulso por acumular dois cartões amarelos, justos e merecidos. Porém, a equipe de Tite era proibida de roubar a bola, uma de suas principais características. Tomava a bola do adversário e tomava cartão amarelo. Recebia faltas duras, por trás, pelos lados, por cima e por baixo, e o Emelec recebia advertência verbal. Foi feio. Não pela ação em si do árbitro, o qual prefiro nem nomear, mas pela reação clubística dos torcedores brasileiros.

“Libertadores é competição para macho”, “É porrada mesmo, tem que se virar”. Poucas, mas não menos assustadoras. Deixemos claro: não, o Corinthians nunca venceu uma Libertadores e, sim, isso parece desculpa esfarrapada, caso o time venha a ser eliminado em breve. Mas não é. O que aconteceu ontem não foi futebol: foi guerra por intimidação. Eu, sinceramente, como torcedor corinthiano, não faço questão nenhuma de vencer um campeonato como esse na base da malandragem. E sim, podem falar abertamente sobre o Brasileirão de 2005. Basta pesquisarem o que aconteceu, porque aconteceu, de que forma tentaram consertar a roubalheira declarada que ocorria e manter sua opinião. Para mim, Libertadores é, como disse o presidente do Corinthians após o fim do jogo, “uma várzea”.

Que venham os equatorianos na semana que vem. Serão bem tratados, respeitados e terão a oportunidade de jogar e vencer na bola. E que seja o que a Conmebol quiser.


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