Archive for junho \27\UTC 2012

O jogo de São Jorge Henrique

27 de junho de 2012

Alguém não sabe que o Corinthians chegou à sua primeira final de Libertadores da América, depois de 53 anos da criação do torneio? Alguém não sabe que o adversário é o tradicional Boca Juniors? Alguém não sabe que passamos na bacia das almas pelo Vasco, mas conquistamos a vaga decisiva com tranquilidade sobre o badalado Santos? Todos sabem, não? Então, vamos ao que interessa:

O Boca Juniors e a Bombonera

É fato conhecido por todos, ao redor do mundo, que a equipe argentina, mesmo não sendo a maior vencedora da competição, é a mais temida na Libertadores. Pela história dentro do evento e pela força de sua torcida e estádio. Esse ano, o Boca não demonstrou um futebol vistoso, muito menos viril como de anos anteriores. Porém, a mística da camisa e da Bombonera são fatores que não desaparecem. Mais de 50 mil torcedores “hermanos” empurrarão a equipe contra o Corinthians, time já habituado a esse tipo de pressão. Infiltrados no meio da torcida azul e amarela, mais de 2.500 alvinegros tentarão rasgar as cordas vocais em apoio ao alvinegro paulista. No Brasil, a grande maioria do país torcerá pelo Boca. Na Argentina, a maior parte da massa fanática por futebol, dará seu apoio ao Corinthians. Idiossincrasias do esporte.

O forte dos argentinos

Além da já conhecida catimba, onde jogadores vão ao solo assim que conquistam a mínima vantagem sobre seus adversários, o Boca Juniors tem em seu elenco jogadores de muita experiência e talento inegáveis. O zagueiro Schiavi, o meio campista Ledesma e o armador Riquelme são suas maiores armas? Em termos. A média de idade da equipe é de 30 anos. Logo, sentem pouco a pressão de uma decisão desse porte. Esse ano, assim como fazem desde 2008, o Boca transformou seu xodó, Riquelme, em um falso volante. Mais ou menos o que Muricy Ramalho tenta fazer com Ganso. No caso, o camisa 10 do time argentino, quando está com a bola dominada ainda atrás da linha de meio campo, é protegido por Erviti. Assim, fica livre para lançamentos longos, quase sempre, pelo meio e pela ponta esquerda da zaga adversária. Quando estão no ataque, as posições se invertem, e Riquelme vira um terceiro atacante, vindo de trás. Difícil de marcar, mas simples de se evitar: basta que Paulinho jogue mais recuado, apoiando Ralf e Fábio Santos pelo lado do campo. O Boca também tem uma jogada pouco eficiente, mas sempre digna de cuidados, na bola parada. Pelas laterais, o camisa 10 joga a bola na marca do pênalti, para a chegada de “El Tanque” Santiago Silva. Pelo meio, Ledesma levanta a bola no mesmo local, no melhor estilo chuveirinho, para os zagueiros que sobem ao ataque e para o mesmo Tanque.

O forte do Corinthians

A melhor defesa da Libertadores da América vai trabalhar – e muito – no jogo de hoje. Leandro Castán é importante na marcação, mas não pode se privar de atacar, já que possui ótima impulsão na bola aérea. Mesmo assim, na minha opinião, o foco deve ser em Jorge Henrique. O atacante será o responsável por fazer o papel que Paulinho vinha fazendo nos jogos anteriores, tentando furar a zaga argentina de surpresa, além de contribuir na marcação desde o meio campo. Emerson Sheik volta de suspensão, e volta a ser o principal finalizador da equipe. Tite, muito provavelmente, irá jogá-lo na esquerda, para que Alex e Jorge Henrique possam tentar entrar na área adversária tocando a bola, nunca, cruzando para os altos zagueiros argentinos. Sabendo de tudo isso, é natural que o Corinthians opte por jogar no contra-ataque. Cássio pode ser um boa arma nesse caso. O goleiro é bom na reposição de bola, e por inúmeras vezes já tentou fazer a “ligação direta” com o ataque. Se seguir o que foi feito em partidas das oitavas e semifinais, essa bola deve ir direto para o lado esquerdo, para Alex e Sheik, para então, afunilar pelo meio.

O que acho sobre os resultados

Acredito que o Corinthians não vença na Argentina. Possivelmente, até perca a invencibilidade na Libertadores, por 1 ou 2 gols de diferença. Mas acredito que no Pacaembu, no frigir dos ovos, o Timão conquiste, finalmente, a tão aguardada taça. Palpite: Boca Juniors 2 x 1, Corinthians  2 x 0 Boca Juniors.

Vai, Corinthians!
Que São Jorge o proteja!

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Punta Cana – chapter 2

26 de junho de 2012

Não dá – e nem quero – contar tudo o que foi e o que aconteceu na viagem em si, mas alguns detalhes interessantes valem uma análise antropológica. Não tenho nada para fazer, então, faremos isso.

Tanto lá, quanto cá, ele te pega

Ao chegarmos em Punta Cana, nos deparamos com um aeroporto todo personalizado, com telhados cobertos de palha, ventiladores king size e… uma fila tremenda para passar pela imigração. Pagamos os US$ 10 que são exigidos para dar entrada na República Dominicana e fomos para o táxi, grande, espaçoso, com ar condicionado e um motorista-suicida que não conhece os limites de velocidade, muito menos o que é contramão. Com um som no melhor estilo “carro de funkeiro”, chegamos semi-surdos no resort cantando, todos juntos, uma bela canção local.

“Trampolín, trampolín, trampo, trampo, trampolín, trampolín, trampolín, trampo, trampo, trampolín, trampolín, ella salta de trampolín“.

Um país latino como aquele, como dito anteriormente, é regado por salsa. Salsa brega, salsa funk, salsa romântica, salsa blues, salsa salsa. Você ouve em qualquer lugar: nas rádios, na televisão (tão ruim ou pior que a nossa), nas baladas, nos restaurantes, no trenzinho, no ônibus, na praia, nas lanchas. Mas, claro, tudo que é ruim, pode ficar ainda pior. Michel Teló acabou de chegar por lá. Ou seja, ao menos seis vezes ao dia, você escuta “Ai, se eu te pego”. Complicado, não? Não – complicado, mesmo, é que Gustavo Lima (e você!) também acaba de desembarcar em Punta Cana. E, sim, você cantarola, like a zombie, essas músicas quando menos espera. Estamos em processo de desintoxicação.

O mundo ao redor das barrigas americanas

Sua calça 38 não entra mais? Suas camisas não são mais M, mas G? Não se preocupe, sempre haverá um americano próximo a você para provar que o mundo poderia ser bem pior. A quantidade de obesos – e não digo isso de forma pejorativa, apenas, estatística – é tremenda. Uma proporção de 7 para 10. As garotas ainda se salvam, mas os homens são verdadeiros logradouros. Eu, Michelin sexy-way, cheguei a me sentir um verdadeiro galã, em alguns momentos. Creio que a cena mais traumática tenha sido uma mulher, nos seus 30 anos, que desceu da lancha que nos levou para ver os corais e, depois, não conseguia subir. Inconscientemente, todos os tripulantes foram para o lado contrário de que ela subia, para fazer o contrapeso. E olha que eram umas 10 pessoas.

Os filhos de Tio Sam também são os mais porcos. Alguns fumavam, tranquilamente, dentro das piscinas. Aproveitavam que estavam ali e batiam as cinzas na água, mesmo. Ouviu uma gritaria descontrolada sobre qualquer coisa? São eles. Alguém passa por você dando ombradas e fazendo poses de 50 Cent? São eles. Um corpo branco/pink passa por você, aparentando um doce de mocotó? São eles.

Gorila

O que pode se chamar de “mico” eu só paguei uma vez, na chegada à São Paulo. Antes da aterrisagem, o piloto avisou a todos, em espanhol, que iria desligar as luzes da cabine e que as mesmas ficariam fora de nosso controle. Simples, não? Claro, para quem gosta, entende bem e se importa com a língua dominante nas américas. Eu ouvi, apenas, “la aeronave esta fuera de controle”. Pronto. Estava criado o desespero. Sempre fiel e leal, minha esposa fez o favor de me massacrar até o momento em que o avião tocou o solo, com piadinhas e afins. Ah, a cumplicidade do casamento…

ps: alguém me explica o motivo lógico de, antes do pouso, os comissários de bordo passarem nas cabines espalhando um perfume no ar? É para o caso de morrermos cheirosos, talvez?

Considerações finais

A viagem vale o que custa, e vale muito. Na verdade, comparando com similares dentro do Brasil, é até mais em conta. Só voltei por obrigação, pois trabalharia de camelô por lá, se possível, sem qualquer problema. Para quem gosta de viagens relaxantes, sem aquela agitação toda de trânsito, centros comerciais e calçadas lotadas, é uma excelente opção. Os resorts de lá – não apenas o Barceló, pelo que ouvi dizer – te oferecem tudo o que você precisa, em todos os sentidos.

Punta Cana – chapter 1

25 de junho de 2012

Depois de um domingo de pura ressaca e cama, partimos para Punta Cana. Juro que nunca tinha nem ouvido falar do local, ao menos, desde 2011, quando começamos a marcar nossa viagem. Dica do Claudinho e Eli, que fizeram o mesmo passeio no ano anterior, fomos confiantes: resort 5 estrelas com comes e bebes inclusos e quase ilimitados, temperaturas convidativas (mínimas de 25, máximas de 31 graus), povo afável e dólar… bem, esse foi o entrave. Quando compramos as passagens e reservamos o resort, o dólar não passava de R$ 1,80. Quando saímos do Brasil, ele batia em R$ 2,10. Encareceu a lua de mel em uns 20%, mas nada que tirasse o sabor da coisa.

O resort Barceló Bávaro Palace Deluxe 

Imaginem o paraíso muçulmano, sem as 40 virgens para cada homem – e sem os muçulmanos. O complexo Barceló Bávaro é tão grande, que da entrada ao hotel, o táxi andou por mais de 5 minutos. No total, a área do local era de uns 5km de praia, de ponta a ponta. Para circular alí, ou tendo muita disposição para fazer o trajeto a pé, pelos 3 resorts da rede, ou pelo trenzinho que passa a cada 5 minutos.

Coi d` Ryco

Chegamos pouco antes do meio dia. No lobby do resort, uma bagunça organizada: enquanto funcionários amarram suas malas com cordas (sim), a filha de check-in segue a lógica do “cheguei primeiro”. Após mostrarmos nossas reservas, fomos levados a uma outra sala, dos Premium`s – valeu a pena gastar um pouco mais. Fomos recebidos com champagne para Marcia e cerveja para mim (Spartaaaaa!), e nos informaram que o quarto iria demorar UMA HORA para ficar pronto. Após 10 horas de viagem, dá para imaginar que fiquei bem emputecido com isso. Porém, ao “dar uma volta para conhecer melhor o lugar, enquanto o quarto não fica pronto”, tive noção de tudo: aquilo era, sim, o paraíso.

Ficamos babando feito idiotas ao ver a quantidade de piscinas enormes, com hidromassagens, duchas, bares molhados e o mar verde azulado. Areia fina e branca, centenas de espriguiçadeiras, palmeiras e coqueiros a cada 5m. Como disse a Marcia: para onde se aponta a câmera, sai uma bela foto. Fomos ao restaurante buffet para almoçar. Ou ceiar. Sim, porque é muita comida, muita opção, tudo muito bom. Como era de praxe, podíamos comer e beber à vontade, mas tentamos nos controlar por saber que o dia estava só começando. Demos o tempo certo no lugar, voltamos ao Premium e fomos para nosso quarto.

Dez minutos caminhando. Esse foi o tempo para chegar ao quarto 2237, um dos… 8 mil quartos do resort (!). Já levemente cansados, demos a gorjeta ao rapaz que nos ajudou com as malas e algumas instruções do quarto, tiramos tudo das malas e já saímos para as piscinas/praia. Claro que antes vislumbrei a vista da varanda, recheada por uma jacuzzi e a pouco mais de 20m do mar de Punta Cana. Bebemos mais, comemos mais, pegamos um sol na moleira quase que inesperado (a previsão do tempo dizia que seriam 4 dias sem muito sol e com algumas chuvas) e voltamos para o quarto – já às 18h.

Uma das coisas mais legais desse “pacote Premium” que pegamos foi o acesso a todos os restaurantes do resort. Assim que chegamos, no primeiro dia, fizemos reserva para todos, um para cada noite da semana. Na ordem, fomos ao italiano, francês, steak house, japonês, espanhol e frutos do mar. Todos muito bons, ambientados com cuidado para se parecer ao máximo com grandes restaurantes do gênero. A comida não deixava a desejar, só o atendimento, sempre muito “e aí, já escolheram o que vão comer? Hem? Hem?”. Mas, tudo bem. Estes ficavam sem gorjeta, como de costume em qualquer viagem.

Outra coisa do pacote que valia bem a pena era uma área exclusiva. Um spa, com piscina apenas para os “premium” como nós, e alguns espertos que furavam a forte (sic) fiscalização dos funcionários e iam se banhar ali. Dentro do spa, evidentemente, havia sauna, banho turco e alguns banhos suicidas, também conhecidos como terapêuticos. Usamos tudo, aproveitamos tudo, mas abrimos mão das massagens sem final feliz.

Entretenimento de mel

Todos os passeios são bem românticos. Claro, 60% do público desses resorts em baixa temporada são casais em lua de mel. Só em 7 dias, vimos três casamentos, dentro do próprio Barceló Palace Deluxe (todos brasileiros, por sinal). Entre as opções de passeios pagos separadamente, fizemos apenas o de ver os golfinhos, speedboat, um barco com chão de vidro (glassboat) e uma balada chamada Imagine – fica dentro de uma caverna, de verdade, regada ao som de batidas eletrônicas misturadas à salsa e outros ritmos latinos. Valem a pena? Sim! Muito? Depende. Eu só “pirei” mesmo em pilotar a speedboat a 80km/h para lá e para cá, no calmo mar da região. De resto, desculpe, mas meu contato com a natureza é falho, e eu só conseguia imaginar a quantidade de pancada que deram naqueles golfinhos para eles seram tão bem treinados. Balada? Po, eu lá gosto de balada? Valeu só pela paisagem do local, nada mais. Os preços, sempre em dólares, são absurdos se praticados no Brasil. Mas eles têm seus motivos: um dólar vale 39.4 pesos dominicanos. Ou seja, é a chance que o pessoal de lá, pobre na grande maioria, tem de tirar a barriga da miséria.

No próprio resort haviam boas opções de entretenimento. Toda noite, o anfiteatro (enorme, bem pensado acusticamente e com uma iluminação de fazer inveja a muito Credicard Hall) realizava shows, que iam de apresentações de salsa (oh, salsa) à Cats e a Michael Jackson cover. Bem bacana, confesso. Depois disso, abriam o Disco Cassino, perto dalí. Era um anexo do próprio Cassino, com uma enorme balada, onde um telão de led faz as vezes de DJ. Sim, porque essa é a única explicação plausível para músicas tão ruins e repertório extremamente infeliz. Na parte de cima, para os premium`s, uma área reservada, com bar próprio – e vazio -, além de uma área exclusiva para fumantes. Enorme. Linda. Juro, se você não fuma, vale a pena começar. De lá, tínhamos uma vista panorâmica do Cassino, através de um espelho, também panorâmico.

Livre de eco-chatos

Uma ilha de população pobre e beleza inigualável – ok, posso estar exagerando aqui, mas me convenceram bem. Em qualquer lugar que vá, há um cinzeiro. Ou seja, pode-se fumar em praticamente 90% de todos os lugares que esteja. Isso pode desagradar a quem não fuma, mas não. Todos esses espaços são amplos e bem ventilados, e os cinzeiros impedem que bitucas de cigarros e charutos fiquem espalhadas pelos ruas e calçadas. Uma solução simples e democrática, como deveria ser no Brasil.

 Beber até morrer – essa é a solução?

Vimos apenas uma pessoa bêbada, esse tempo inteiro. Passando mal mesmo. De resto, apenas pessoas felizes, bebericando seus drinks. Isso, porque o costume lá é que você deve aproveitar sua bebida, não jogá-la para dentro do estômago. Poucas doses de álcool, muitas outras bebidas não-alcoólicas misturadas e gelo, muito gelo. Assim, você bebe, bebe, bebe e, no máximo, fica “altinho”. Convenhamos: num lugar tão bonito e com tanta coisa para se fazer, passar um dia bêbado ou de ressaca é de uma burrice homérica.

Cerveja, várias opções. Tem a brasileira, a americana, a francesa, a inglesa, a russa, a japonesa. É o que o bartender diz. Porque todas são a mesma – cerveza Presidente. É local, e a única a ser servida em todo o complexo. Para ser sincero, a única facilmente encontrada em qualquer lugar. Pilsen, pouco mais amarga que as brasileiras, mas muito boa. Não rende ressaca e nem pesa tanto na barriga como as daqui. Os domenicanos fazem cerveja melhor do que nós. Que tristeza…

Stay tuned for more happy days.

Saindo do coma

22 de junho de 2012

Acordar de um coma é algo bastante interessante. Traumático, é verdade, mas interessante. Passei cerca de 13 dias desconectado da vida. Visita de 5 parentes em casa, durante 4 dias; casamento/ressaca do casamento; viagem; retorno. Nesse meio tempo, fui do céu ao inferno. Leia-se de Punta Cana a 31°C e São Paulo a 17°C. A tensão em perceber que toda rede wi-fi é débil e depois encontrar um bar de esportes que transmitia o jogo do Corinthians, ao vivo. Para se ter ideia do jetlag que a viagem e o retorno à vida real me causou, ontem vim trabalhar, sendo que ainda estava de férias.

Valem algumas considerações sobre o período em que fiquei nos aparelhos, na UTI da vida boa:

1. Casar é bem legal. Dá um trabalho imenso, stress sem precedentes, gastos aparentemente absurdos, mas é compensador;
2. Tenho os melhores amigos do mundo, a melhor esposa, e uma família devidamente bem sortida. Só não sei porque tenho tanto, mas, tenho;
3. Todas, absolutamente todas as pessoas que trabalham e podem juntar algum dinheiro, por menos que seja, deve e merece fazer uma boa viagem, de tempos em tempos. Quando digo “boa”, é aquela em que você é tratado como um rei, vive como plebeu e se alimenta como mendigo;
4. Ser corinthiano é bom demais, até mesmo quando é extremamente decepcionante.

Voltei, e o Acnoide, também.
Quando tiver mais tempo (paciência, pique e inspiração), comento melhor sobre o casório, Punta Cana e o Timão.

This is it – Koelho vai – mesmo – casar

6 de junho de 2012

Como diria meu amigo e padrinho, Felippe (Chera): “o gato subiu no telhado. Agora é só quem é”. Ontem, ao experimentar o traje do casamento, a ficha caiu de vez – pois é, vou, mesmo, me casar. Não me sinto nervoso como imaginava que poderia ficar a essa altura do campeonato, mas é evidente que a ansiedade é algo que já não consigo mais disfarçar – vide esse post, por exemplo. Faltam apenas 3 dias, pouco mais de 72 horas, para ser mais preciso.

Com praticamente tudo já pago, a preocupação agora fica por conta de São Pedro. Há mais de 1 ano, ao marcarmos o casamento, sabíamos que o inverno era uma época complicada. Porém, tínhamos a certeza de que as chances de chuva eram baixas, já que sem altas temperaturas, a precipitação é improvável. Como a tempestade na madrugada de terça-feira (ontem), já mudamos de opinião: a previsão do tempo acusa chuva de hoje a sexta-feira, além do habitual frio. Sábado? Ninguém diz. A noiva neurótica já contratou um gerador. Vai que cai um raio sobre o buffet e nos deixa sem energia elétrica, sem comida quente, bebida gelada, som? Mais uma centena de Dilmas para a conta do casório, não planejada, é claro.

Tirando isso, tudo ok. A mesma previsão do tempo, obscura para o feriado em São Paulo, é um tanto quanto incerta para Punta Cana. Sol, chuva, sol, chuva. O quanto de cada? Quem sabe? Reza a lenda de que é comum o tempo mudar no meio do dia ou da noite, mas no caso de chuva, é forte e rápida. Para quem chega do Brasil, simples de se lidar. O hotel oferece bebibas na faixa, além de restaurantes variados, o proliferado sistema all inclusive. Seria o paraíso de qualquer lua de mel, não fosse o dólar a mais de R$ 2. Mas para quem já se afundou num poço de reais, uma poça de dólares não afoga ninguém.

Serão minhas primeiras férias em toda a vida. Não que eu tenha sido assíduo em todos meus empregos – na verdade, em apenas um eu fiquei o tempo necessário para ter direito, mas são pouco mais de 5 anos acumulados, entre idas e vindas, temporadas de desemprego e afins. Preciso aproveitar, é claro. Começam hoje, às 18 horas. Vou abrigar, até domingo, em minha casa, meus tios que sempre me abrigaram nas viagens de fim e meio de ano no interior. Churrasco, cerveja, uma visita ao Pacaembu se for possível. É o mínimo que posso fazer a eles. De resto, praia, piscina, ressacas e a companhia da minha amiga-namorada-esposa, Marcia.

A festa em si terá “a nossa cara”. Como não tivemos opção de escolher a banda ou DJ (o buffet tem suas regras imutáveis), tivemos de aceitar o que foi imposto: um DJ que não passou muita confiança. “Acho que no começo da festa, respeitando os mais velhos, devemos colocar algumas músicas mais clássicas. Coisa do tipo Tony Bennett, Ray Conniff”. Foi o necessário para dizer a ele que não ia tocar nada que ele achasse bom ou conveniente. Rock dos anos 60, 70, 80 e 90, algumas pitadas de New Rock e pop dos anos 90/2000. Vai ter Ramones, The Clash, The Queers, Billy Idol, The Killers, The Hives, New Order e outras preciosidades, regadas por whisky, cerveja, vodka e cachaça.

Evidente que não con$eguimos convidar todos os amigos que gostaríamos. Nem que todos que estarão lá são mais ou menos importantes do que outros. Apenas, confirmaram a presença em tempo hábil / mostraram-se interessados em participar. Para quem não vai, meu sincero pedido de desculpas.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Volto a escrever após as férias.
See ya!

Glédis, Coelhinho e o bailinho

4 de junho de 2012

Dentre todas as coisas que podem apavorar um homem que está prestes a se casar – tirando o fato do “casar” em si, evidentemente – a obrigação de dançar é a que mais se destaca. Veja bem: você terá, sim, que desembolsar uma boa grana para fazer com que todos bebam e comam à vontade, às suas custas, e ainda saiam da festa falando mal de algo. Ou seja, você não precisa, necessariamente, se desfazer de todo seu orgulho – basta estar ali, naquela condição, que a coisa já será invariavelmente constrangedora. Tudo isso, porém, não se compara à dança.

Não falo em relação àquelas músicas que tocam às 2 da manhã, com todos os convidados já devidamente alimentados e alcoolizados, o que faz com que qualquer passo do Rouge seja algo simpático aos olhos mais conservadores. Digo a valsa, a maldição da dança lenta, junto da noiva. Alguns casais ainda impõem a condição de se fazer o mesmo com os pais, mas meus testículos não suportariam tamanha pressão e humilhação pública. O som, em 90% das vezes, é alguma daquelas canções melosas de telenovelas da Globo, onde o casal do bem faz amor. Nunca há uma música para o casal que só utiliza o fodeco como mostra de afeto: no mundo idealizado da paixão, o que rola é fazer amor.

Existem pares por aí que se arriscam, até mesmo, a contratar profissionais da dança para novos movimentos e coreografias. Um giro, um rodopio, um duplo twist-carpado. O grande chamariz desse tipo de performance é o mesmo daquele da Formula 1 – esperar por uma tragédia para poder dizer: eu presenciei aquilo, ao vivo. Na minha posição de noivo, optei por uma música lenta, bem lenta. Assim, teria de me mover pouco, quase nada e, se bobear, poderia até puxar um cochilo nos ombros dela. Minha escolha foi devidamente rechaçada com o argumento de que “essa música é triste demais! Estamos celebrando uma união, como podemos dançar ao som de uma pessoa com o coração despedaçado?”. Ora bolas, não dá na mesma? Enfim, terei de me movimentar mais do que o planejado.

Será, ainda assim, algo básico: dois pra cá, dois pra lá. Moleza. Conheço a música há tempos, a letra, quando vem o refrão. Dá para controlar tudo, imagino. O complicado, para mim, é se a srta. Noiva decidir fazer o que fez sábado, no “ensaio oficial” (leia-se única vez que decidimos fazer isso, em casa, depois de algumas doses). Nunca imaginei que em uma valsa, o homem tivesse que se mexer como uma batedeira de bolos. Além do mais, nunca imaginei ser eu a pessoa a reclamar de “você pisou no meu pé”. No frigir dos ovos, será tudo uma grande zona, comigo errando o lado para onde deveria “conduzir” a noiva e, se bobear, esquecendo até quando a música termina.

Nunca soube dançar. Nunca quis saber, também, é verdade. Lembro que no meio dos anos 90, era comum o pessoal do meu condomínio organizar alguns bailinhos, nos salões de festas dos prédios. A realidade dos fatos era que eles só queriam poder ficar um pouco longe dos pais, nem que fosse por 2, 3 horas, beber um pouco e fumar escondido. Aquela palhaçada de garotos de um lado, garotas do outro, vassoura, luz baixa, Bon Jovi. Rolava essa pataquada toda. Eu, naturalmente, fingia ficar de canto, encostado em algum lugar, com a perna dobrada, apoiada na parede  – James Jean style. Na hora que alguma garota me escolhia para dançar, lançava aquele famoso “eu?”,e o olhar blasé, seguido de um “beleza”. Mas, lembrem-se: eu não sabia dançar, e nem queria saber.

Dançávamos como víamos as pessoas dançar músicas lentas, na televisão: como se fosse uma valsa. O cara segurava a mão da garota, mais ou menos na altura dos ombros, afastada do corpo. A outra mão ia na cintura (lembrei de um axé que fala sobre isso, que horror), estrategicamente entre a lombar e o meio das costas – nem tão amigo, nem tão tarado. Era simples. Entre uma dancinha e outra, a troca de vassoura, a troca de par. Era até bacana. Até alguma garota que absolutamente ninguém queria dançar te escolher. A Glédis.

Juro pelos Ramones que até hoje não sei o nome real da menina. Virou “Glédis” como poderia ter virado qualquer outra coisa, naquela época em que bullying era cuspir na cara de alguém, não inventar apelido. O sentido real de Glédis eu nunca entendi, mas soava como um “nossa, essa menina tem cara de Glédis”. Um dia, Glédis me tirou para dançar. Queria muito ir embora naquela hora, mas ela sempre foi a última a ser pega, em todos os bailinhos. Arrisquei e fui. Em cinco, talvez seis minutos, Glédis ficou calada. Eu agradecia a Joey: além de ser a garota mais zoada dos bailinhos, ela ainda nem sequer quis falar comigo. Jogo ganho. Até o fim da festa – por volta das 22h, veja só.

Coelhinho“. Ainda me chamam assim por lá, mesmo eu já tendo  cabelos brancos até na barba – pois é, uns 3 fios, mas tenho. Foi assim que me chamou, para emendar: “você fica com alguém?”. Gelei. Tinha uns 4, 5 amigos ao redor. Jamais poderíamos ser vistos juntos, quanto mais num papo daqueles. Respondi que sim, dei boa noite e fui embora. Eu tinha 12 anos, mas sabia mentir como uma mulher de 25. Fiquei sabendo, depois, que ela ficou lá, chorando, imagino eu por quais motivos. Depois daquele dia, evitei todo e qualquer tipo de bailinho. Salvas exceções às festas onde já tocava rock, onde ninguém precisava ter contato físico com ninguém, a não ser algumas ombradas.

Glédis, esteja onde estiver, chame-se como se chamar, saiba que você foi muito importante para mim.
Você me traumatizou a dançar.


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