Punta Cana – chapter 1

Depois de um domingo de pura ressaca e cama, partimos para Punta Cana. Juro que nunca tinha nem ouvido falar do local, ao menos, desde 2011, quando começamos a marcar nossa viagem. Dica do Claudinho e Eli, que fizeram o mesmo passeio no ano anterior, fomos confiantes: resort 5 estrelas com comes e bebes inclusos e quase ilimitados, temperaturas convidativas (mínimas de 25, máximas de 31 graus), povo afável e dólar… bem, esse foi o entrave. Quando compramos as passagens e reservamos o resort, o dólar não passava de R$ 1,80. Quando saímos do Brasil, ele batia em R$ 2,10. Encareceu a lua de mel em uns 20%, mas nada que tirasse o sabor da coisa.

O resort Barceló Bávaro Palace Deluxe 

Imaginem o paraíso muçulmano, sem as 40 virgens para cada homem – e sem os muçulmanos. O complexo Barceló Bávaro é tão grande, que da entrada ao hotel, o táxi andou por mais de 5 minutos. No total, a área do local era de uns 5km de praia, de ponta a ponta. Para circular alí, ou tendo muita disposição para fazer o trajeto a pé, pelos 3 resorts da rede, ou pelo trenzinho que passa a cada 5 minutos.

Coi d` Ryco

Chegamos pouco antes do meio dia. No lobby do resort, uma bagunça organizada: enquanto funcionários amarram suas malas com cordas (sim), a filha de check-in segue a lógica do “cheguei primeiro”. Após mostrarmos nossas reservas, fomos levados a uma outra sala, dos Premium`s – valeu a pena gastar um pouco mais. Fomos recebidos com champagne para Marcia e cerveja para mim (Spartaaaaa!), e nos informaram que o quarto iria demorar UMA HORA para ficar pronto. Após 10 horas de viagem, dá para imaginar que fiquei bem emputecido com isso. Porém, ao “dar uma volta para conhecer melhor o lugar, enquanto o quarto não fica pronto”, tive noção de tudo: aquilo era, sim, o paraíso.

Ficamos babando feito idiotas ao ver a quantidade de piscinas enormes, com hidromassagens, duchas, bares molhados e o mar verde azulado. Areia fina e branca, centenas de espriguiçadeiras, palmeiras e coqueiros a cada 5m. Como disse a Marcia: para onde se aponta a câmera, sai uma bela foto. Fomos ao restaurante buffet para almoçar. Ou ceiar. Sim, porque é muita comida, muita opção, tudo muito bom. Como era de praxe, podíamos comer e beber à vontade, mas tentamos nos controlar por saber que o dia estava só começando. Demos o tempo certo no lugar, voltamos ao Premium e fomos para nosso quarto.

Dez minutos caminhando. Esse foi o tempo para chegar ao quarto 2237, um dos… 8 mil quartos do resort (!). Já levemente cansados, demos a gorjeta ao rapaz que nos ajudou com as malas e algumas instruções do quarto, tiramos tudo das malas e já saímos para as piscinas/praia. Claro que antes vislumbrei a vista da varanda, recheada por uma jacuzzi e a pouco mais de 20m do mar de Punta Cana. Bebemos mais, comemos mais, pegamos um sol na moleira quase que inesperado (a previsão do tempo dizia que seriam 4 dias sem muito sol e com algumas chuvas) e voltamos para o quarto – já às 18h.

Uma das coisas mais legais desse “pacote Premium” que pegamos foi o acesso a todos os restaurantes do resort. Assim que chegamos, no primeiro dia, fizemos reserva para todos, um para cada noite da semana. Na ordem, fomos ao italiano, francês, steak house, japonês, espanhol e frutos do mar. Todos muito bons, ambientados com cuidado para se parecer ao máximo com grandes restaurantes do gênero. A comida não deixava a desejar, só o atendimento, sempre muito “e aí, já escolheram o que vão comer? Hem? Hem?”. Mas, tudo bem. Estes ficavam sem gorjeta, como de costume em qualquer viagem.

Outra coisa do pacote que valia bem a pena era uma área exclusiva. Um spa, com piscina apenas para os “premium” como nós, e alguns espertos que furavam a forte (sic) fiscalização dos funcionários e iam se banhar ali. Dentro do spa, evidentemente, havia sauna, banho turco e alguns banhos suicidas, também conhecidos como terapêuticos. Usamos tudo, aproveitamos tudo, mas abrimos mão das massagens sem final feliz.

Entretenimento de mel

Todos os passeios são bem românticos. Claro, 60% do público desses resorts em baixa temporada são casais em lua de mel. Só em 7 dias, vimos três casamentos, dentro do próprio Barceló Palace Deluxe (todos brasileiros, por sinal). Entre as opções de passeios pagos separadamente, fizemos apenas o de ver os golfinhos, speedboat, um barco com chão de vidro (glassboat) e uma balada chamada Imagine – fica dentro de uma caverna, de verdade, regada ao som de batidas eletrônicas misturadas à salsa e outros ritmos latinos. Valem a pena? Sim! Muito? Depende. Eu só “pirei” mesmo em pilotar a speedboat a 80km/h para lá e para cá, no calmo mar da região. De resto, desculpe, mas meu contato com a natureza é falho, e eu só conseguia imaginar a quantidade de pancada que deram naqueles golfinhos para eles seram tão bem treinados. Balada? Po, eu lá gosto de balada? Valeu só pela paisagem do local, nada mais. Os preços, sempre em dólares, são absurdos se praticados no Brasil. Mas eles têm seus motivos: um dólar vale 39.4 pesos dominicanos. Ou seja, é a chance que o pessoal de lá, pobre na grande maioria, tem de tirar a barriga da miséria.

No próprio resort haviam boas opções de entretenimento. Toda noite, o anfiteatro (enorme, bem pensado acusticamente e com uma iluminação de fazer inveja a muito Credicard Hall) realizava shows, que iam de apresentações de salsa (oh, salsa) à Cats e a Michael Jackson cover. Bem bacana, confesso. Depois disso, abriam o Disco Cassino, perto dalí. Era um anexo do próprio Cassino, com uma enorme balada, onde um telão de led faz as vezes de DJ. Sim, porque essa é a única explicação plausível para músicas tão ruins e repertório extremamente infeliz. Na parte de cima, para os premium`s, uma área reservada, com bar próprio – e vazio -, além de uma área exclusiva para fumantes. Enorme. Linda. Juro, se você não fuma, vale a pena começar. De lá, tínhamos uma vista panorâmica do Cassino, através de um espelho, também panorâmico.

Livre de eco-chatos

Uma ilha de população pobre e beleza inigualável – ok, posso estar exagerando aqui, mas me convenceram bem. Em qualquer lugar que vá, há um cinzeiro. Ou seja, pode-se fumar em praticamente 90% de todos os lugares que esteja. Isso pode desagradar a quem não fuma, mas não. Todos esses espaços são amplos e bem ventilados, e os cinzeiros impedem que bitucas de cigarros e charutos fiquem espalhadas pelos ruas e calçadas. Uma solução simples e democrática, como deveria ser no Brasil.

 Beber até morrer – essa é a solução?

Vimos apenas uma pessoa bêbada, esse tempo inteiro. Passando mal mesmo. De resto, apenas pessoas felizes, bebericando seus drinks. Isso, porque o costume lá é que você deve aproveitar sua bebida, não jogá-la para dentro do estômago. Poucas doses de álcool, muitas outras bebidas não-alcoólicas misturadas e gelo, muito gelo. Assim, você bebe, bebe, bebe e, no máximo, fica “altinho”. Convenhamos: num lugar tão bonito e com tanta coisa para se fazer, passar um dia bêbado ou de ressaca é de uma burrice homérica.

Cerveja, várias opções. Tem a brasileira, a americana, a francesa, a inglesa, a russa, a japonesa. É o que o bartender diz. Porque todas são a mesma – cerveza Presidente. É local, e a única a ser servida em todo o complexo. Para ser sincero, a única facilmente encontrada em qualquer lugar. Pilsen, pouco mais amarga que as brasileiras, mas muito boa. Não rende ressaca e nem pesa tanto na barriga como as daqui. Os domenicanos fazem cerveja melhor do que nós. Que tristeza…

Stay tuned for more happy days.

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