Punta Cana – chapter 2

Não dá – e nem quero – contar tudo o que foi e o que aconteceu na viagem em si, mas alguns detalhes interessantes valem uma análise antropológica. Não tenho nada para fazer, então, faremos isso.

Tanto lá, quanto cá, ele te pega

Ao chegarmos em Punta Cana, nos deparamos com um aeroporto todo personalizado, com telhados cobertos de palha, ventiladores king size e… uma fila tremenda para passar pela imigração. Pagamos os US$ 10 que são exigidos para dar entrada na República Dominicana e fomos para o táxi, grande, espaçoso, com ar condicionado e um motorista-suicida que não conhece os limites de velocidade, muito menos o que é contramão. Com um som no melhor estilo “carro de funkeiro”, chegamos semi-surdos no resort cantando, todos juntos, uma bela canção local.

“Trampolín, trampolín, trampo, trampo, trampolín, trampolín, trampolín, trampo, trampo, trampolín, trampolín, ella salta de trampolín“.

Um país latino como aquele, como dito anteriormente, é regado por salsa. Salsa brega, salsa funk, salsa romântica, salsa blues, salsa salsa. Você ouve em qualquer lugar: nas rádios, na televisão (tão ruim ou pior que a nossa), nas baladas, nos restaurantes, no trenzinho, no ônibus, na praia, nas lanchas. Mas, claro, tudo que é ruim, pode ficar ainda pior. Michel Teló acabou de chegar por lá. Ou seja, ao menos seis vezes ao dia, você escuta “Ai, se eu te pego”. Complicado, não? Não – complicado, mesmo, é que Gustavo Lima (e você!) também acaba de desembarcar em Punta Cana. E, sim, você cantarola, like a zombie, essas músicas quando menos espera. Estamos em processo de desintoxicação.

O mundo ao redor das barrigas americanas

Sua calça 38 não entra mais? Suas camisas não são mais M, mas G? Não se preocupe, sempre haverá um americano próximo a você para provar que o mundo poderia ser bem pior. A quantidade de obesos – e não digo isso de forma pejorativa, apenas, estatística – é tremenda. Uma proporção de 7 para 10. As garotas ainda se salvam, mas os homens são verdadeiros logradouros. Eu, Michelin sexy-way, cheguei a me sentir um verdadeiro galã, em alguns momentos. Creio que a cena mais traumática tenha sido uma mulher, nos seus 30 anos, que desceu da lancha que nos levou para ver os corais e, depois, não conseguia subir. Inconscientemente, todos os tripulantes foram para o lado contrário de que ela subia, para fazer o contrapeso. E olha que eram umas 10 pessoas.

Os filhos de Tio Sam também são os mais porcos. Alguns fumavam, tranquilamente, dentro das piscinas. Aproveitavam que estavam ali e batiam as cinzas na água, mesmo. Ouviu uma gritaria descontrolada sobre qualquer coisa? São eles. Alguém passa por você dando ombradas e fazendo poses de 50 Cent? São eles. Um corpo branco/pink passa por você, aparentando um doce de mocotó? São eles.

Gorila

O que pode se chamar de “mico” eu só paguei uma vez, na chegada à São Paulo. Antes da aterrisagem, o piloto avisou a todos, em espanhol, que iria desligar as luzes da cabine e que as mesmas ficariam fora de nosso controle. Simples, não? Claro, para quem gosta, entende bem e se importa com a língua dominante nas américas. Eu ouvi, apenas, “la aeronave esta fuera de controle”. Pronto. Estava criado o desespero. Sempre fiel e leal, minha esposa fez o favor de me massacrar até o momento em que o avião tocou o solo, com piadinhas e afins. Ah, a cumplicidade do casamento…

ps: alguém me explica o motivo lógico de, antes do pouso, os comissários de bordo passarem nas cabines espalhando um perfume no ar? É para o caso de morrermos cheirosos, talvez?

Considerações finais

A viagem vale o que custa, e vale muito. Na verdade, comparando com similares dentro do Brasil, é até mais em conta. Só voltei por obrigação, pois trabalharia de camelô por lá, se possível, sem qualquer problema. Para quem gosta de viagens relaxantes, sem aquela agitação toda de trânsito, centros comerciais e calçadas lotadas, é uma excelente opção. Os resorts de lá – não apenas o Barceló, pelo que ouvi dizer – te oferecem tudo o que você precisa, em todos os sentidos.

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