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Onde foram parar os hemofílicos?

7 de agosto de 2012

Muito antes das campanhas anti-drogas ou do sexo seguro, era muito comum que os colégios – ao menos os paulistanos – recebessem constantes visitas de grupos representantes de três frentes: dos ortodentistas, dos bombeiros e dos hemofílicos .

A primeira, para desespero de muitos, se baseava em passar entediantes dicas de escovação dos dentes, o uso correto de se usar o fio dental (aquela que leva cerca de 10 minutos) e a importância da escovação da língua (que sempre se mostrou muito eficiente em provocar vômitos). Paravam uma clínica-móvel no pátio do colégio e se formava aquela fila temerosa, de forma involuntária, de crianças e jovens desesperados ao ver os doutores de jaleco branco. Ok, pode ser que isso ocorresse mais em colégios particulares, mas já tive essa experiência em escolas estaduais, também. Reza a lenda que isso continua acontecendo, ao menos, uma vez ao ano.

A mais bacana era, sem dúvidas, a visita do bombeiro. Para você, garota desesperada sexualmente, um aviso: não, eles não eram go-go boys. Os pobres coitados iam à escola para demonstrar como se evitar acidentes domésticos, principalmente, relacionados ao botijão de gás – convenhamos, um acidente doméstico com uma bomba daquelas era, na verdade, uma verdadeira tragédia. As meninas morriam de tédio, já que sabiam que jamais chegariam perto de um fogão, o que dizer de uma cozinha. Já os meninos, ah, era a redenção! Lá estava a chance de ligar a válvula do gás, tocar fogo na bagaça e poder apagar usando, apenas, o dedo indicador. Pirofagia em seu modo mais aguçado, só que ao contrário. Claro, eles também levavam aqueles bonecos de látex, que simulam um corpo humano, onde ensinavam a fazer respiração boca a boca. Acredite, era uma perda de tempo. Até porque, mesmo que ainda no ginásio, a maioria das garotas já sabiam como realizar a manobra com maestria.

Agora, e os hemofílicos? Sim, aquela galera que não pode se ferir, se cortar, fazer a cutícula? Que me recorde, em 3 dos 4 colégios que estudei, associações de apoio aos hemofílicos faziam visitas periódicas, de 4 em 4 meses, falando da importância da ajuda aos que sofriam do problema e, claro, querendo seu dinheiro. Para incentivar as crianças a “doar” algo, “trocavam” seu auxílio financeiro por revistas em quadrinhos, palavras cruzadas, adesivos, livros de colorir. Era tudo uma grande porcaria, mas ali morava a oportunidade de passar o restante da aula fazendo qualquer coisa, que não estudar.

Por isso, após um texto tão rico e inspirado, pergunto: onde foram parar os hemofílicos?

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