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São Paulo: 459 anos de empáfia

22 de janeiro de 2013

É daqui que saem os maiores líderes do país. Não são os que assumem os mais altos cargos políticos do Brasil, mas aqueles que escolhem quem irá assumir. De São Paulo brotam ideias. Boas, ruins, inócuas, relevantes. Nem todas praticáveis, mas quase sempre, temperadas de paulistanismo: a ajuda ao próximo, o pensamento positivista, o embasamento filósifico sobre as ações. Tudo de mentirinha, tudo bem ensaiado. Totalmente comercial. Mas somos extremamente orgulhosos disso. Afinal, nós temos a Avenida Paulista. O MASP. E mais uns dois ou três cartões postais que consideramos apresentáveis. De resto, somos um grande amontoado de cinza, trajando ternos escuros e tayers de dois botões. Pagamos os melhores salários para você gastar com planos de saúde, carros de IPI reduzido e R$ 31,90 o quilo da comida.

Temos a cultura jovem, o pensamento moderno, quase futurista. Serve, basicamente, para cuspirmos sobre os que pensam diferente. Daqui, nossas ideias permeiam o pensar do restante do Brasil, com toda nossa hipocrisia, xenofobia e liberalismo. Organizamos a maior demonstração de simpatia às diferenças sexuais do Brasil, levando milhões às ruas, todos os anos, para… bem, para lucrar com isso. Nosso esporte é o melhor, pois é o mais caro do país. Nossa saúde é referência, com hospitais particulares que servem de refúgio àqueles que regem o sistema público. Temos as mais elevadas taxas de reciclagem, mas só daquele lixo que bóie nos rios quando há chuva, gerando risco de alagar nossos carros. Cobramos para você ter acesso a locais públicos. Museus, por exemplo. Parques, por exemplo. Trafegar no centro expandido nos horários que deveria estar fora dele, por exemplo. Somos justos, somos exemplos.

Independente de algumas mazelas, somos caridosos e dignos de respeito. Acolhemos, com carinho, aqueles que escolhem São Paulo como um lugar de oportunidades. Nossos viadutos têm os melhores telhados do país, e nossas encostas e bairros periféricos oferecem a segurança, salubridade e paz social que sua vida merece. Não possuímos tantas belezas naturais, mas há a beleza em se morar em São Paulo: aquele falso gostinho de se viver em uma sociedade evoluída, pujante, educada e benevolente. Quase uma Suíça. Ok, não o país dos alpes europeus, mas somos parecidos com… o Afeganistão! Menos violento, é verdade. Mas somos sempre lembrados pela mídia internacional, assim como eles! E possuímos representatividade no exterior. Somos o motor do Brasil. Somos quase uma Ferrari, puxando uma carroça de galinhas.

Imagem1“Non Ducor Duco”
Não sou conduzido, conduzo.

Somos São Paulo, 459 dias por ano.
Sim, somos São Paulo, inventamos o que bem entendemos.
E para caber dentro de si, precisamos de 100 e poucos dias a mais.

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O ano de Zizao

17 de janeiro de 2013

Depois de quase três meses sem entrar em campo, Tite tem preferência pelo chinês Zizao no ataque do Corinthians que estreará no Campeonato Paulista. O jogo, marcado para as 17h de domingo (contra o Paulista, de Jundiaí), deve ter pouca badalação do outro lado do mundo. Mas, se realmente começar jogando, a imprensa chinesa voltará a dar destaque ao jogador e ao clube. Mas, afinal de contas… e aí?

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O camisa 200 (sim) corinthiano jogou por apenas 11 minutos, desde que chegou ao clube no começo de 2012. Um jogo só. Foi na derrota por 2×0 para o Cruzeiro, pelo Campenato Brasileiro. O meia tocou na bola 4 vezes. Em uma delas, deu um corte no marcador, arriscou uma pedalada e errou o passe. Vale lembrar que o salário do jogador gira em torno de R$ 150 mil – valor bastante superior ao de algumas promessas da base, como o também meia, Giovanni.

Jornalistas que acompanham o dia a dia do Corinthians são taxativos: o chinês tem qualidade. Bate bem na bola, ajuda na marcação, é veloz e habilidoso. O grande problema é o porte físico de Zizao. Alguns dizem que ele se compara a garotos do terrão, aqueles que ainda tem entre 14 e 16 anos. Magro demais, com pouca massa muscular, e sensível a choques. Por esse motivo, ainda em 2012, o jogador ficou parado por 3 meses, em função de luxação no ombro esquerdo, em lance simples.

Com a volta dos jogadores titulares após as férias, Tite não tem muitas opções para o começo de janeiro. Por isso, se for bem, Zizao pode firmar uma vaga entre a equipe reserva do Corinthians. Isso porque vai disputar vaga com Romarinho, Elton, Jorge Henrique e Giovanni (que tem a mesma função dentro de campo). Em miúdos, as chances do meia chinês figurar no time ao longo do restante do ano é baixa, mas maior do que no ano passado. O Corinthians tem na agenda, cinco campeonatos em 2013: Paulistão, Libertadores, Copa do Brasil, Brasileirão e Recopa (2 jogos, contra o São Paulo). Contando com suspensões e lesões de outros jogadores, o técnico gaúcho será quase obrigado a escalar o oriental por diversas vezes, também, entre os titulares.

Seria esse o ano de Zizao?

2013, Redação do Enem e Pato

4 de janeiro de 2013

Para quem ainda não precisou voltar ao trabalho, 2013 sequer começou. Para os que já sentavam seus fartos traseiros em suas cadeiras de rodinhas em escritórios fechados desde o dia 2 de janeiro, 2013 já é realidade palpável e levemente azeda. Pior: ainda dura mais 360 dias, com meros 4 feriados prolongados ao longo do ano. Ou seja: se você reclamou de 2012, meu amigo, levará uma sova de cabo de vassoura do ano que começa agora.

A revisão da redação do Enem será liberada aos participantes do exame nacional, realizado no fim do ano passado. Até aí, nada de mais, certo? Em termos. A revisão sempre foi aberta aos candidatos às vagas do SISU, mas em função às péssimas performances de 2012, a choradeira começou antes do prazo estipulado – e aceito por todos que fizeram o exame, no momento da inscrição -, que seria apenas em fevereiro. Dizem os “prejudicados”, que: 1. o prazo seria muito curto para receber a redação e entrar com recurso de revisão sobre a mesma; 2. a revisão não seguiu os mesmos critérios de pontuação dos anos anteriores. A grande verdade é que os jovens brasileiros, adeptos à cultura do “eu sei, vi na televisão e no Facebook, é tudo um grande absurdo e temos que nos unir e rebelar”, não estavam bem preparados para o tema da redação, “O movimento imigratório para o Brasil no século XXI”. Dizem eles que os cursinhos preparatórios não abordaram o assunto em suas aulas e provas. Outros, reclamam do fato que o tema seria fantasioso e/ou irrelevante – sim, acham isso. Minha opinião: quem foi mal, que se exploda. Aprendam a buscar informações oficiais e importantes em fontes oficiais e importantes, deixando de lado o já exausto pensamento derrotista.

Alexandre Pato foi contratado pelo Corinthians por mais de R$ 40 milhões. Isso, por 100% (sic) dos direitos econômicos do jogador. Reza a lenda que o jogador de 23 anos “abriu mão de luvas”, que são aquelas fartas quantias negociadas antes da assinatura de contrato, a parte mais fofa e palatável do bolo. Na realidade, o que aconteceu foi que o atacante, ao fazer isso, estipulou que qualquer negociação futura entre Corinthians e outro clube, renderá a ele 40% dos valores totais envolvidos (daí, o sic). Com isso, ele ganha na futura valorização do capital aplicado, além de apostar no próprio bom desempenho no atual Campeão Mundial, que pode o levar de volta à Seleção Brasileira. Tite terá a opção de voltar ao antigo – mas ainda saudoso – esquema de Mano Menezes em 2009, com Ronaldo avançado e fazendo as vezes de pivô (função que hoje seria realizada pelo peruano Guerrero), contando com dois atacantes de velocidade pelos lados do campo, que também ajudem na recomposição da equipe. Em 2009, eram Dentinho e Jorge Henrique. Em 2013, podem ser Emerson Sheik e Pato. Como o camisa 23 recebe propostas do Flamengo, e o argentino Martínez parece estar de saída (e pela porta dos fundos), a escalação é bem provável.

Pato


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