Archive for outubro \21\UTC 2013

Recado para Danilo

21 de outubro de 2013

Lua nova, lua cheia, sei lá. Ontem, por uns 10 minutos, fiquei fitando a lua acima do meu quintal. Fumava um cigarro, dava alguns goles em um copo de refrigerante e pensava: “rapaz, que bonito isso. O Danilo vai pirar nessas coisas”. Assim mesmo, do nada, sem qualquer propósito. Mal sei se o moleque vai gostar desses assuntos ou vai preferir um PS5 ao invés de uma luneta, mas esse tipo de pensamento bate em minha cabeça cada vez com mais frequência – do que será que ele vai gostar?

Voltei para dentro de casa. No corredor que leva à sala, via a Ramona (já devidamente recuperada da cirurgia de castração) e a protuberante barriga da Marcia. E ela ri toda vez que ele se mexe lá dentro da sua lua. Posso dizer que São Jorge ficaria pequeno perto do Danilo. O que sabemos é que ele gosta de chocolate. Tem chocolate, ele fica maluco lá dentro. Gira, roda, chuta, dá cotoveladas. Isso é prazer, não? Quase posso afirmar que ele dança o pogo. Sinal que ele vai gosta de punk rock e hardcore como o pai? Vai saber. Eu mesmo não via muita graça na lua, até ontem.

Me sinto mal por não ter costume de ficar alisando a barriga da Marcia, tentando entender o que está acontecendo ali dentro – talvez porque isso possa me deixar ansioso demais, mais do que já estou. Também ainda não tive muitas oportunidades de tentar conversar com o Danilo. Meu dia a dia é tedioso, não gostaria de enchê-lo com papo de mesa de bar. Não ainda. Por sinal, é bom ele não saber o que isso significa. Pelo menos até os 18 anos. Ou 15, como eu. Não, 18. Que seja 18.

Semana que vem o veremos mais uma vez, pelo ultrassom, antes do fatídico dia do parto, que ainda não sabemos ao certo quando será. Nem como. Só onde e de quem. Quem sabe ele não manda um tchau? Ou mostra o dedo? Ou pede mais chocolate? Ou me cobra pra bater um papo? Dezembro está tão perto. 

Danilo, segura a onda aí. Ainda não sou muito bom em te dar atenção full-time, mas tenho uns papos sensacionais pra trocar ideia com você. Logo mais sentamos e conversamos, ok? Até lá, continue nadando na gelatina, crescendo bem e forte – segundo sua mãe diz, você é forte pra caramba. Te esperamos! 

ps: já te comprei aquela roupa dos Ramones.

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Ramona e a cirurgia

16 de outubro de 2013

Bem, como a Ramona foi encontrada na beira de uma rodovia, por uma garota bacana que a acolheu, deu banho, levou no veterinário, vacinou e colocou para doação, a pequena não passou pela castração. Hoje, com 6 meses de vida, vai entrar no bisturi. A Marcia irá levar a destruidora de casinhas de madeira, almofadas e corações na OSEC, e a castração é paga pela Prefeitura de São Paulo. Não foi só pela gratuidade do procedimento que escolhemos o local. O fato de ser reconhecida como uma das melhores entidades no trato e ensino veterinário pesou bastante. Mas claro que R$ 800 a mais no orçamento também ajudaram.

Mesmo assim, bate uma certa aflição. “Mas jejum de 8 a 10 horas?”, “Anestesia geral?”, “Como vou colocar a coleira em um animal fora de controle?”, etc. Me sinto um pai ausente por não poder ir à cirurgia. Sim, pai. Esse papo que as pessoas exageram no trato e afeto para com os animais domésticos em detrimento a menores abandonados e tudo mais é algo inventado por quem nunca teve um gato, cachorro, papagaio ou bicho que o valha. Dou broncas, tento ensinar coisas, alimento, levo pra passear, brinco, dou e recebo carinho. Coisa de… louco? Não, coisa de pai. Normal. “Mas você come animais mortos!”. Sim. Como e me lambuzo todo. Amo uns, tenho certo desprezo por alguns e enorme apetite por outros. É a vida. A minha, claro.

Pelo que sei, a recuperação dura de 7 a 10 dias. Nesse período, ela não pode correr, saltar do sofá, se lamber próximo ao local da incisão, entre outras. Claro, tudo o que é absolutamente habitual para ela. Hoje cedo, antes de sair de casa, Ramona estava ligada nos 220 volts. A nova diarista chegou para conhecer a casa e, como é natural a todos que vão lá, conheceu, primeiro, a Ramona. Lembro que lemos artigos e compramos livros sobre adestramento, sobre como evitar que o cachorro pule e queira insistentemente brincar com toda e qualquer pessoa que entra na casa. Em vão, é lógico. Mas tentamos. Durou 2 semanas, aproximadamente. 

Imagino que, com a chegada do Danilo, dentro de uns 50 dias, Ramona perca o posto de “rainha” do lar. Provavelmente vai sentir-se deixada de lado, vendo, sentindo e ressentindo o fato de um pequeno novo ser ter se apoderado de nosso colo e atenção integral. Mas Ramona é esperta. Ela vai encontrar um jeito de disputar e recuperar, pata à pata, seu posto de queridinha. Ela já tem o costume de deitar a cabeça sobre a barriga da Marcia e ficar lá, meio que dormindo, enquanto escuta dois corações bater. Danilo não vai nem saber, mas será irmão mais novo, logo se tornando educador e, depois, dono de uma cachorrinha. 

Espero a Ramona grogue, sonolenta, com alguns vômitos e dificuldades de urinar e defecar nos primeiros momentos. Com menos disposição para algumas coisas, e até mesmo, menos fome. Mas ela ela voltar “Ramona”, para mim, já está tudo bem.

E a Marcia lembrou bem, ontem, escolhemos o nome mais apropriado para a cachorrinha preta, de peito, patas e ponta do rabo brancas: “Sweet Sweet, little Ramona… she always wants to come over”.

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