Ramona e a cirurgia

Bem, como a Ramona foi encontrada na beira de uma rodovia, por uma garota bacana que a acolheu, deu banho, levou no veterinário, vacinou e colocou para doação, a pequena não passou pela castração. Hoje, com 6 meses de vida, vai entrar no bisturi. A Marcia irá levar a destruidora de casinhas de madeira, almofadas e corações na OSEC, e a castração é paga pela Prefeitura de São Paulo. Não foi só pela gratuidade do procedimento que escolhemos o local. O fato de ser reconhecida como uma das melhores entidades no trato e ensino veterinário pesou bastante. Mas claro que R$ 800 a mais no orçamento também ajudaram.

Mesmo assim, bate uma certa aflição. “Mas jejum de 8 a 10 horas?”, “Anestesia geral?”, “Como vou colocar a coleira em um animal fora de controle?”, etc. Me sinto um pai ausente por não poder ir à cirurgia. Sim, pai. Esse papo que as pessoas exageram no trato e afeto para com os animais domésticos em detrimento a menores abandonados e tudo mais é algo inventado por quem nunca teve um gato, cachorro, papagaio ou bicho que o valha. Dou broncas, tento ensinar coisas, alimento, levo pra passear, brinco, dou e recebo carinho. Coisa de… louco? Não, coisa de pai. Normal. “Mas você come animais mortos!”. Sim. Como e me lambuzo todo. Amo uns, tenho certo desprezo por alguns e enorme apetite por outros. É a vida. A minha, claro.

Pelo que sei, a recuperação dura de 7 a 10 dias. Nesse período, ela não pode correr, saltar do sofá, se lamber próximo ao local da incisão, entre outras. Claro, tudo o que é absolutamente habitual para ela. Hoje cedo, antes de sair de casa, Ramona estava ligada nos 220 volts. A nova diarista chegou para conhecer a casa e, como é natural a todos que vão lá, conheceu, primeiro, a Ramona. Lembro que lemos artigos e compramos livros sobre adestramento, sobre como evitar que o cachorro pule e queira insistentemente brincar com toda e qualquer pessoa que entra na casa. Em vão, é lógico. Mas tentamos. Durou 2 semanas, aproximadamente. 

Imagino que, com a chegada do Danilo, dentro de uns 50 dias, Ramona perca o posto de “rainha” do lar. Provavelmente vai sentir-se deixada de lado, vendo, sentindo e ressentindo o fato de um pequeno novo ser ter se apoderado de nosso colo e atenção integral. Mas Ramona é esperta. Ela vai encontrar um jeito de disputar e recuperar, pata à pata, seu posto de queridinha. Ela já tem o costume de deitar a cabeça sobre a barriga da Marcia e ficar lá, meio que dormindo, enquanto escuta dois corações bater. Danilo não vai nem saber, mas será irmão mais novo, logo se tornando educador e, depois, dono de uma cachorrinha. 

Espero a Ramona grogue, sonolenta, com alguns vômitos e dificuldades de urinar e defecar nos primeiros momentos. Com menos disposição para algumas coisas, e até mesmo, menos fome. Mas ela ela voltar “Ramona”, para mim, já está tudo bem.

E a Marcia lembrou bem, ontem, escolhemos o nome mais apropriado para a cachorrinha preta, de peito, patas e ponta do rabo brancas: “Sweet Sweet, little Ramona… she always wants to come over”.

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