Já agreguei no balcão do bar

Para variar, em um país onde “ninguém assiste Rede Globo ou lê a Veja, as últimas 48h foram recheadas de críticas e piadas a um empresário que disse gastar de R$ 5 mil a R$ 50 mil em baladas. Desfila de carro importado, daqueles que vemos em fotos e pensamos “ok, deve ser legal ter um carro desses… fora do Brasil” e vive rodeado por subcelebridades da TV e outros cafundós da mídia. Aos 39 anos, o rapaz (que não citarei o nome para não gerar buzz excedente, já que todos o conhecem) é apenas um cara que, graças a inúmeros fatores que desconhecemos, enriqueceu e leva a vida que – sim – muitos de nós adoraria levar.

O mais interessante é: qual a novidade em tudo isso? Por que as pessoas se incomodaram tanto com o fato, afinal? Todos sabem que existem pessoas assim, e aos montes. Aqui, em Dubai, no Rio de Janeiro, Brasília, Nova Iorque. Se bobear, até em Macaé. É natural, por mais extravagante e desnecessariamente lúdico que possa parecer.

A impressão que tive é que as pessoas levaram o mesmo susto da época em que descobriram que políticos recebem valores, por fora de seus ganhos, para votar projetos de interesse de um ou outro. O susto que tiveram ao notar que mesmo um homem como Eike Batista, também tem suas dívidas. O “pavor” de perceber, depois de tantos e tantos anos, que um país como o Brasil também possui seus multimilionários – e que não são poucos. Se o tal empresário gosta de ostentar sua condição social, e isso soa meio bobo a tantos, não deveria assustar. Quem bebe e não fica rico, afinal? Você sai com R$ 30 no bolso, e consome mais de R$ 200 durante a noite.

Eu mesmo já fiz muito do que ele disse naquele vídeo de quase 10 minutos. Nunca andei com seguranças, muito menos pilotei uma Ferrari, mas gastar valores tidos como “absurdos” em festas, bebedeiras…? Sim, várias vezes. A questão é que esses valores podem ser absurdos de diversos pontos de vista. Quando você tem 21 anos e gasta R$ 1000 em farra, sendo que ganha R$ 800, isso é ostentação (existem sinônimos para idiotice que beiram o infinito). Você não tem, mas esbanja, e sente-se feliz por isso.

A única diferença da sua vida para a vida dele, é que quando você atinge os 30 anos e gasta 150% de seu salário durante o mês, é em contas, prestações e um mínimo aceitável do intangível valor da “qualidade de vida”. Já ele, bem… ele pode. Se isso lhe ofende, já são outros R$ 500 mil.

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