As fases, o mártir e os imbecis

Todo mundo vive de fases. O jogador de futebol, o jornalista, o publicitário, o investidor. Eu já tive as minhas, e não foram poucas: a famosa revolta adolescente, o caminho até os 20 anos de amores e bebedeiras , o cabelo vermelho, o cabelo amarelo, o cabelo amarelo e preto, as camisas de banda (e só camisas de banda, preferencialmente, pretas e de bandas punks), a irresponsabilidade financeira, a responsabilidade financeira, a fase de ser o palhaço da turma, a fase em que se percebe que ser o palhaço da turma é uma grande babaquice, o desapego com amigos de infância, os primeiros cabelos brancos, o amor real, o casamento, filho e tudo mais. Uma fase que nunca vivenciei, e sou grato a milhares de fatores por isso, foi a da ignorância.

Não estou falando sobre aquela atitude agressiva e ignorante fisicamente. Dessa, sempre passei longe. Nas poucas vezes que me aproximei dela, percebi que era das mais imbecis escolhas possíveis. Digo da ignorância de pensamento.  A fatídica “pobreza de espírito”. Aquela que leva pessoas a acreditar que pisar na cabeça de outras é um trampolim para o sucesso, e não para a latrina. A mesma que faz com que existam guerras, fome, miséria e o boom do funk ostentação.

Hoje, posso dizer que estou na fase da “pouca paciência para pessoas ignorantes”. Em todos os sentidos. Se estou perto ou no meio de uma conversa onde argumentos se transformam em verdades absolutas e irrefreáveis, me afasto. Se me chamam de volta, costumo demonstrar meu total desprezo pela conversa em si. Viro, vou embora e, com certeza, vivo muito mais feliz. Uns podem chamar isso de fuga ou falta de combatismo. Eu chamo de “evitar mandar a pessoa coçar o cu com os dentes”.

Não costumo – e para falar a verdade, nem gosto – de discutir religião. Com ninguém. Umbandista, evangélico, satanista, budista, judeu, ateu (sim, considero uma religião, já que a defendem com quase o mesmo ardor das outras ditas “fés”) e católicos. A mais próxima de nós, brasileiros, é o cristianismo. Aquela que prega que devemos amar uns aos outros e fazer o bem sem olhar a quem. O problema, para mim, é quando o cristão abre a boca e cospe os espinhos da cruz de seu mártir na cara dos outros. Ou bate palmas ao ver o bandido morto. Esse é duro de engolir. E eu não tenho paciência para isso. O problema é que, nesses casos específicos, costumo – antes de me afastar – pedir que a pessoa escove a arcada dentária com o próprio rabo.

Em uma época (que temo não ser apenas uma fase) em que a população cristã brasileira enxerga que, ao pagar seus impostos e vê-los distribuídos (em partes) entre pobres e desempregados, estão financiando a vida de vagabundos e fantoches políticos, não é de se espantar que vivam vidas cada vez mais tristes. Perdem cabelos, ganham barrigas e coronárias entupidas, além de trocas constantes de mudas de roupa – da casa da mulher, para a casa da mãe. Reclamam de tudo, desconfiam de todos, acham o açúcar salgado demais.

Se há algo que admiro nas religiões e nessa “nova sociedade politicamente pensante”, é o bom senso de suas premissas.
Só que não.

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