Eu acho que

Ficou fácil ter opinião. No Brasil, em Botswana, Zaire ou a antiga região conhecida como Haiti. Basta um dispositivo conectado à internet, uma horda de 40 amigos com visões pouco conflitantes entre si e voi là – você acaba de entrar para o hall dos formadores de opinião. Sim, formadores. Porque esse papo de ter opinião é coisa de dona de casa, que enche o peito ao dizer que “fala tudo na cara”, porque é assim que é.

Seja rasa, profundamente obscura ou perspicaz, não tem a menor importância. O que interessa, no fim, é que seja uma opinião. Com ou sem argumentos. Ecoando interpretações errôneas de forma proposital ou não. Independente sobre o quê. É opinião. E é sua, mesmo que parta dos princípios de outros.

Dados do Ibope – aquele instituto no qual ninguém confia, pois nunca reflete em pesquisas o que as pessoas acreditam ser verdade – revelou, em 2013, que cerca de 100 milhões de brasileiros acessam a internet. Lan Houses, Wi-Fi, smartphones, conexão do trabalho: hoje, todos podem opinar sobre algo, a qualquer momento, de qualquer lugar. Desse montante, pelos investimentos feitos e pela proximidade da Copa do Mundo 2014 (opine aqui _____ ), é fácil saber onde está a maior fatia desses usuários. Logo, a falta de pluralidade nas ideias publicadas. A desinformação e a agilidade em se espalhar boatos pela internet levará, em breve, a um novo patamar de preguiça: o profissional.

Isso estará nos livros de sociologia, em poucas décadas: “a era da opinião”. Será tema de Feiras de Ciências, se estas ainda existirem. Irá render teses de doutorado e, quem sabe, ajudará a desabrochar uma nova consciência coletiva. Haverá filmes, no mesmo patamar de Cidadão Kane, que abordarão o assunto. Camisas com a foto de algum personagem importante nessa revolução – acredito que Aécio Neves ou Luciano Huck – serão sucesso de vendas entre os adolescentes-militantes do século XXI.

Por enquanto, não. Até aqui, opiniões expostas, principalmente na internet, são comparáveis a soltar pipa no meio do Katrina. O infernal hemisfério que vai do kkkk ao huehuehue BR BR, passando pelo “Acorda, Brasil!”, também conhecido como interatividade, é uma zona de extremo perigo.

QZQc6

Mas é só minha opinião.

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