Tá de Abrinqs comigo?

Passou o carnaval, o aniversário da minha mulher, a troca de fraldas do Danilo, o MH-370, e eu ainda não havia feito nada de bom ao próximo em 2014. Eis que, saindo do trabalho, terça-feira, uma jovem me para, em frente à estação de trem. Colete laranja, uma prancheta na mão… logo pensei: “Do Ibope ela não é, eles vestem azul…”. Sim, eu já fui entrevistado pelo Ibope – é, eles entrevistam as pessoas, mesmo. Na época, foi sobre a corrida eleitoral em São Paulo. Estávamos em 2010. Só tive que mentir a profissão, pois eles não podem pesquisar jornalistas. E eu estava com caxumba, então também menti ao responder que não estava sob efeito de qualquer medicamento. Pois bem… fugimos do assunto.

A jovem já chegou cheia de intimidade, segurando-me pela mão e perguntando “Podemos conversar um pouquinho?”. Parei. Confesso que só aceitei conversar porque, como estava bem perto da estação e não poderia entrar fumando, meu restinho de cigarro seria gasto por um bom motivo – eu o teria fumado. Ela seguiu conversando sobre algumas amenidades comigo, inclusive, elogiando minha aparência (sim, um cara barbado, fumando, suado, coisa bem sexy).

Qual o seu nome?
Ahm, Rafael.
Rafa (óia as intimidade), prazer, sou a Renata! Tudo bem com você?
Hmmm… tudo. (que porra é essa?)
Quantos aninhos você tem? (nesse momento eu juro que pensei que o Barney surgiria de trás de alguma árvore, cantando e dançando, me chamando pra brincar).
Trinta… er, o que está acontecendo?

Daí ela me explicou tudo. Ela faz parte de uma equipe da Abrinq, que é responsável por “divulgar as ações da instituição” e angariar doações. Claro. Para falar comigo como se eu fosse criança, só sendo retardada trabalhando com crianças, mesmo. Então ela me mostrou a prancheta (atenção! prancheta!), e começou a fazer perguntas mais preocupantes.

Desse folheto, qual você acha que é a área mais importante para o auxílio das crianças?
Ah… educação? (fiquei com medo de estar errado e ela mandar um “Ahhh, errooou, que peninha de galinha!”)
Olha, educação é a área em que mais precisamos de ajuda, viu? (vi)
Então, com quanto você acha que pode ajudar?
…R$ 35. (eram R$ 30 para a saúde, R$ 35 para educação, e R$ 40 para… alguma outra coisa)
Ok, Rafinha (wtf?), você pode ajudar com desconto em conta ou cartão de crédito?

Imagem

Eu já estava extremamente arrependido de ter deixado aquele cigarro queimar entre meus dedos, e chegava o momento cabalístico de “ajudar o próximo”. Sem pensar demais – ou teria desistido -, passei meus dados do cartão. Confirmei tudo, recebi um bloco de notas como “presente” e tudo mais. Chegando em casa, contei, meio envergonhado, tudo para a Marcia. Achando que ela iria me parabenizar por pensar no futuro das crianças, ela se antecipou e contou, passo a passo, tudo o que Renata havia feito e dito para mim. “Isso é habitual. Na Avenida Paulista eles se separam em equipes, que ficam em 3 pontos distintos. Os meninos vão atrás das mulheres, as mulheres vão atrás dos homens. Ela já chegou segurando sua mão e dizendo que você era bonito?”.

Ou seja, amiguinhos: mulher não xaveca homem à toa, ok? Elas só querem seu dinheiro. Nem que seja para crianças carentes.

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