Custo de (sua) vida

É bacana ter uma família. Fale a verdade: qual foi a última vez que você pensou nisso? “Ah, mas meus pais são meio chatos!”, você pode pensar. Seus tios falam demais, seus avós – se ainda vivos – parecem que não enxergam que estamos em outro milênio. Seus primos, ih, os primos… gostam de outro estilo de música, balada, religião. Nada a ver com você. Pode ser. Na verdade, bem provavelmente, é isso. Porém, você já parou para pensar quanto foi gasto com a sua criação, até hoje? E que essa grana não foi gasta apenas por obrigação, mas por muitas vezes, por carinho e preocupação com seu futuro – sim, só pensamos nisso a partir da segunda metade dos 20 anos.

Quando ouço de garotas apaixonadas que pensam em “casar e ter filhos”, logo penso: “Elas sabem o que querem, mesmo?”. Porque isso não é tão fácil quanto se pinta nos filmes e novelas. Muitos menos nas músicas. Porém, é um desejo quase que intrínseco ao ser humano: amar, juntar, procriar, zelar e… financiar. Casar não é barato, e já falei sobre isso antes. Ter filho então, muito menos. A diferença é que, o casamento, dependendo do que você optar por fazer, leva apenas alguns meses para quitar. Filhos não têm restituição. Alguma, em alguns casos. E isso leva um sonoro “infelizmente” de minha parte, porque o que tem de adulto ingrato por aí, não está no gibi.

Os cálculos são baseados no que vejo eu e a patroa pagando em diversas coisas, e também, amigos, já com filhos mais velhos. Evidente que os valores irão variar absurdos dependendo de centenas de coisas, como região do país, bairro, nível econômico das famílias e pretensão/intenção dos pais, de acordo com suas visões de vida e mundo (optar por colocar o filho para estudar em colégio particular ou não, fazer um curso extracurricular, utilizar transporte público, entre outros). Para quem quiser saber como cheguei a esses números, estou pensando ainda se posto o cálculo imaginário (com pouca realidade e muito achismo, é verdade), mas que serve como base para alguns custos necessários e indispensáveis. Vamos lá.

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Primeira infância (0 a 6 anos): talvez seja o período mais “simples”. Gasta-se com fraldas, comidinhas (ou leite, como ainda e será, por um bom tempo, nosso caso) e, possivelmente, berçário, até os primeiros anos de vida. Depois de uns 2 anos, tudo vira “escolinha”. Um brinquedinho aqui, um mimo acolá, remédios e exames (sim, crianças adoecem, não importa o quão bem vocês cuidem de seus pequenos), além de roupas que durem mais do que 2 meses (pois é!) e alguns passeios “em família”. No total, um casal gastará, em média, cerca de R$ 150 mil.

Fase “- eu quero – quer é uma chinelada!” (7 a 10 anos): o filho já está no “colégio”. Mensalidades cada vez mais altas, mais material pedido pela escola, mais lanche, transporte, uniforme, excursões. Curso de música, línguas, esportes em geral (claro que podem ser iniciados antes, se for do gosto dos pais/filhos, mas coloquemos aqui). Começam os passeios com amiguinhos e amiguinhas (supervisionados, é claro – o que também custa mais, uma vez que você lá, também gasta), mais gastos com saúde (quem sabe o primeiro gesso?), modernices tecnológicas (inclua o que bem entender aqui), mais roupas… mais tudo. Chegamos na afável casa dos R$ 129 mil (ufa, né?).

Pré-adolescência (11 a 14 anos): Lembram como era legal essa época? O mundo era injusto, seus pais eram injustos, seus pelos pubianos e espinhas eram injustos. Só que seu colégio ficava mais caro, você queria (porque precisava demais!) sair mais com seus amigos, atualizar suas modernices, usar roupas mais cheias de mimimi… tanta coisa. Pior: você ainda queria mesada. Vamos lá. Pensem que bacana será viver isso com seus filhos, em pleno século 21, onde as coisas mais baratas da vida de um mini-cidadão custam cerca de R$ 50. Se prepare para repensar em trocar de carro e gastar cerca de R$ 172 mil.

Adolescência (15 a 18 anos): Ok, chegou a hora do “vamos ver!”. O filho começa a sair do colégio (se não for vagal e tiver pais chatos, daqueles que ficam em cima), e se prepara para a vida acadêmica. Aqui, vamos supor que o rebento comece a trabalhar aos 16 anos. Um emprego “qualquer”. Algo que pague, no caso, seus custos próprios de estilo de vida: baladas, viagens curtas com os amigos, roupas e modernices, além daquele fast-food que ninguém deveria conhecer o maravilhoso sabor. Colégio ainda mais caro, roupas idem, saúde em valores estabilizados – porém, não pequenos – e outras despesas habituais da idade. Lembre-se que você ainda banca, também, alimentação, transporte, e… a conta de luz. Tende a ficar cada vez mais alta. Principalmente em função a banhos mais longos e noites intermináveis na internet. Sua continha, porém, não foge muito do que se imagina em uma escala de acréscimos: cerca de R$ 205.000.

Portanto, criar um filho – até os 18 anos, bancando praticamente tudo para ele -, tomando alguns cuidados e evitando outros exageros, custará cerca de R$ 656 mil. Alguns podem achar o número absurdamente exagerado para mais – outros, e acreditem, não poucos – para menos. Porém, uma constatação é lógica e obrigatória: botar filho no mundo NÃO é brincadeira de criança.

Agora vão lá passar um cheque pré-datado para seus pais, para cair lá pra 2.065.

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