Archive for abril \30\UTC 2014

Olho Mágico

30 de abril de 2014

Acho que foi em janeiro, talvez, que fiz um post aqui falando que 2014 seria um ano turbulento em diversas áreas. Politicamente, economicamente, desportivamente e… socialmente. O número de agressões gratuitas e “tapas com luvas de pelica” vão aumentando, à medida que as eleições se aproximam. Isso é apenas um dos dissabores de ano eleitoral. Ainda borbulham, em diversas páginas virtuais e conversas de corredor, a crescente evangelização acerca de, praticamente, qualquer coisa. Vegetarianismo, veganismo, niilismo, comunismo, socialismo,liberalismo, racismo, populismo, imperialismo, humanismo. Até mesmo questões filosóficas do que se fazer/não fazer com o próprio corpo viram foco de incêndio. Já diz o ditado: “em tempos de guerra, qualquer buraco é trincheira”. 

Jovialmente velho e crica que sou, acabo participando, de forma mais tímida de que anos atrás, desses debates. Talvez pela formação em jornalismo – ou, quem sabe, pela praticidade de sempre buscar argumentos fundados em algo real para tecer comentários -, acabo por perder um bom tempo de trabalho/vida social em discussões que, em grande maioria, não levam a nada. Ninguém tem razão sobre algo que não tem controle. Ninguém possui domínio sobre o pensar de outra pessoa. Você pode influenciar positivamente uma nova concepção a outrem, ou simplesmente atordoar a pessoa com as mesmas frases, conceitos e ideias batidas no liquidificador social que são as redes sociais. A opção é sua. Sempre.

Por isso – e por estar em um momento “paz e amor” que já perdura por bons 3 anos – decidi que, até o fim das eleições presidenciais de 2014, irei bloquear, temporariamente, alguns contatos virtuais e outros nem tão virtuais assim. Não cercearei o direito dessas pessoas de me contactarem, é claro. Apenas acionarei a opção de não visualizar absolutamente nada de alguns. Já convivo, diariamente, com assuntos e temas políticos, em função de meu trabalho. Da direita, da esquerda, da situação, da oposição. A overdose de informações que tenho de assimilar tornaria, até, injusto o debate com algumas pessoas que se informam pelo Facebook, Avaaz, Anonymous e Veja.

Todos conhecem – imagino – minha visão política. Minhas ideias sobre sociedade, Estado, economia. Não é nada ideológico: é, simplesmente, algo que me conforta e me deixa em paz. Se a possibilidade de entrar em uma discussão ferrenha sobre qualquer coisa estiver, a todo momento, à minha frente, sei que voltarei a usar aquela máscara pesada, de sorrir e mostrar o dedo médio ao mesmo tempo. Se posso evitar, por que não? Gosto dos amigos que tenho. Gosto dos colegas, também. Mas não aturo gente empolgada demais com qualquer coisa – as convictas demais, idem. Até gente feliz demais me causa ojeriza. O que dizer, então, daqueles(as) que desfilam bandeiras, comemoram mortes ou torcem para o fracasso de outros. Não, não daria certo.

Resumindo as linhas em uma frase: isso cansa.

Portanto, amigos – sim, continuam sendo meus amigos – nos vemos na rampa. Voltaremos a sorrir e socializar sobre assuntos mornos do dia a dia, beber nossas cervejas, comer nossos churrascos e criticar as pessoas que não estiverem no recinto. Até lá, continuo por aqui, só observando pelo olho mágico.Image

Anúncios

Koelho convoca a Seleção

28 de abril de 2014

Tirando as discussões “Vai ter Copa, sim”, “Não vai ter Copa”, o valor real dos novos estádios e as eleições presidenciais no fim de 2014, um assunto que irá retumbar, dentro de 30 dias, é a convocação da Seleção Brasileira para a “Copa das Copas”. Felipão, o técnico que não vence nada para tanto status, já tem, na cabeça, ao menos 8 nomes confirmados. Isso, de forma oficial. Porém, pelo que é visto nas últimas convocações, as dúvidas devem se resumir em apenas duas posições: o terceiro goleiro e o reserva do lateral esquerdo.

Como opinião é igual a cu (a Hello Kitty não tem) meia branca (todo mundo tem), aqui vai a minha, sobre qual deveria ser a escalação ideal para a Copa de 2014:

Image

Goleiros:
Diego Alves – Valencia (titular)
Não é um nome de destaque por aqui, mas há anos defende, de forma digna, o gol do Valencia (ESP). Quando convocado, alternou boas e más atuações, mas com a atual safra de goleiros, na minha visão, é a melhor opção).
Júlio César – Toronto (reserva)
Sim, JC. Mesmo com a falha no jogo contra a Holanda, na Copa da África, ele não é tão ruim quanto dizem. Braço curto, mão de alface… exageram. Ele é lento. Isso é um ponto negativo para qualquer goleiro. Mas ele tem a confiança do elenco e seria uma boa “sombra” para o titular).
Terceiro goleiro: arriscado, mas não levaria. Que se dane a prudência!
Nota importante: se não fosse a arrogância nos vestiários e a mania de, sempre, querer ser o líder do grupo, Rogério Ceni seria o titular dessa Seleção. Mesmo aos 40 anos. Não só pela qualidade, mas pela falta de regularidade dos bons goleiros brasileiros. Empáfia não cabe fora do Morumbi.

Laterais direitos:
Daniel Alves – Barcelona (titular)
Não é nenhuma maravilha. Não cruza bem, não defende bem. Tem velocidade, força física e costuma atender bem a tudo que os técnicos pedem. Só não perde a vaga de titular porque, em Copa, um novato na defesa pode ser o começo do fim.
Marcos Rocha – Atlético Mineiro (reserva)
Rápido, cruza bem, marca bem, mas ainda é muito novo. Vacila em jogadas de linha de fundo, principalmente, ao marcar.

Laterais esquerdos:
Marcelo – Real Madrid (titular)
Ataca bem, defende… er… bem. Fecha bem nas diagonais, tabela bem e é um dos “queridinhos” do elenco. Falta-lhe um parafuso: adora assumir briga de outros jogadores e, normalmente, acumula cartões bobos. Na falta de coisa melhor, tá valendo.
Filipe Luiz – Atlético de Madrid (reserva)
Rápido, bom em jogadas de linha de fundo, mas… erra passes com uma frequência preocupante. Por que então está na Seleção? Porque o tal Maxwell é pior ainda.

Zagueiros:
Thiago Silva – Paris Saint Germain (titular)
Talvez um dos melhores zagueiros do mundo, atualmente. Capitão por natureza, é seguro e passa confiança a todos. Se bobear, o melhor do time.
David Luiz – Chelsea (titular)
Rápido, ambivalente (pode jogar como volante), bom em bolas aéreas. Não é um jogador violento, mas isso nem sempre é uma coisa boa para jogar em uma Copa do Mundo. O Brasil já sofreu gols em que ele, ao invés de dar o bote no atacante que vinha em velocidade para a área, preferiu apenas “cercar”. Numa hora dessas, uma botinada pode ajudar – principalmente se esse atacante for o Messi. Ou o Cristiano Ronaldo. Ou o Ribery, Robben, Hazard, Falcão
Marquinhos – Paris Saint Germain (reserva)
É rápido, preciso, ágil e não é de fazer muitas faltas. Bom em bolas aéreas e posicionamento impecável. Tudo para ser titular, menos experiência para “assumir a bronca” em uma Copa do Mundo dentro de seu país.
Réver – Atlético Mineiro (reserva)
Pode ser muito criticado por ser um “zagueiro comum”, mas é bastante útil em fazer o que lhe é exigido. Bom em bolas aéreas, não amarela em decisões e tem personalidade forte. Perdeu espaço para Dante, que vive da fama e sucesso de seu clube e seu técnico. Porém, eu levaria. Apenas ele, claro.

Volantes:
Luis Gustavo – Wolfsburg (titular)

Essa é a única aposta que Felipão fez, torci o nariz e, depois, tive que tirar o chapéu. Mal conhecia o jogador. Mas se mostra seguro, rápido e contundente na marcação. É daqueles jogadores que, quando não jogam, o time sente.
Paulinho – Tottenham (titular)
Joga bem na defesa, sobe bem ao ataque. Bom passe, bom posicionamento. Mas só é titular pelo que já fez no passado. Hoje, na Inglaterra, costuma esquentar o banco de reservas. Às vezes, nem convocado é. Vai mais pelo “conjunto da obra”.
Hernanes – Internazionale (reserva/titular)
Muito bom jogador, tanto na marcação, quanto na armação de jogadas e apoio ao ataque. Sabe jogar bem com a perna direita e esquerda, além de se posicionar de forma “prudente” durante todo o jogo. Só perde a vaga para Paulinho nessa equipe pela falta de “marketing” sobre seu nome.
Ramires – Chelsea (reserva)
Inteligente, bom marcador, veloz, bom passe… e inconstante. Faz duas ótimas partidas, e outras três sem que tenha o nome citado. Se entrega bastante em campo, mas peca nas faltas desnecessárias. Entra no pacote por falta de opções similares.
Ralf – Corinthians (reserva)
Lembram daquele jogador do século passado, tido como “leão de chácara”, “jagunço” etc? Ralf é um misto desse perfil com o líder dentro de campo. Como uma Seleção não deve ter muita gente apitando, seria uma excelente opção para jogos mais perigosos, contra adversários mais ousados. Sim, eu sei, mesmo nunca tendo sido chamado por Felipão. Mas essa Seleção é a minha, ora bolas!

Meias
Oscar – Chelsea (titular/reserva)
Não há na Seleção Brasileira um jogador “confiável” para essa posição. Oscar, porém, dos que foram testados, foi o que se apresentou melhor. Raras vezes distribui passes como um legítimo – e raro – camisa 10, mas carrega bem a bola do meio para o ataque. Outro fator que conta a seu favor é a velocidade com a bola nos pés e a rapidez em decidir o que fazer com ela nos pés.
Bernard – Shakhtar Donetsk (reserva)
O “menino que tem alegria nas pernas” sempre jogou bem pela Seleção. Alguns afirmam ser atacante. Mas esse tipo de jogador teria de saber arrematar ao gol de cabeça, com a perna direita e a perna esquerda, certo? Então, é meia. Um bom reserva para Oscar, por mais que tenha, basicamente, as mesmas qualidades. Porém, um defeito: extremamente franzino. 
Ronaldinho Gaúcho – Atlético Mineiro (reserva/titular)
Não bebi nada antes de escrever esse post. Ronaldinho pode ser o que você quiser: baladeiro, descompromissado, lento, um jogador que não sabe marcar, que já teve suas chances e não demonstrou nada… Porém, é Ronaldinho Gaúcho. Ainda. Não o mesmo de 7 anos atrás, mas ainda é um dos raros “craques-camisa 10”. Em uma bola parada, um drible, um chute de fora da área, poderia ser o diferencial brasileiro diante outras Seleções que, nem de longe, possuem um jogador com essas características. Pesaria a seu favor a Copa ser no Brasil, onde 70% do público o admira. Inspirado, é implacável e indispensável.

Atacantes:
Neymar – Barcelona (titular)
Por ser Neymar. Por ser cai-cai. Por não ter medo de tentar dar um drible a mais.
Fred – Fluminense (titular)
Por saber fazer gols, mesmo deitado. Não tem velocidade, não tem agilidade. Mas empurra a bola pra dentro das redes. Tá ótimo.
Jô – Atlético Mineiro (reserva)
Nunca falhou quando dependemos dele. Não é 50% dos centroavantes que tínhamos há poucos anos atrás. Porém, seu percentual de aproveitamento na Seleção tornaria injusta a sua não-convocação.
Hulk – Zenit (titular)
Um dos jogadores que carregam a maior desconfiança do brasileiro, entre torcedores e imprensa, mas sempre participativo. Força física e velocidade não são qualidades encontradas em muitos atacantes.
Robinho – Milan (reserva)
Porque alguém tem que puxar o samba.

Nova estação

2 de abril de 2014

quatro-estacoes-na-terra-wallpaper-5486

A cada 4 meses, o clima do planeta se altera. Cada hemisfério com sua particularidade. Ok, em São Paulo isso ocorre a cada 4 horas, mas vale a intenção. De lá para cá, na minha casa e em meus sapatos, muita coisa mudou. Invariavelmente, para melhor. Sim, isso é bem, bem estranho, para não dizer inacreditável. A tendência, para mim, costuma ser: o ano vai bem até dezembro. De julho a dezembro. O resto do ano, naturalmente, é uma grande porcaria. Em todos os sentidos.

O Danilo completa 4 meses hoje. Às 19h35, se não me engano. Estarei chegando em casa. Isso porque trabalho, atualmente, no Brooklin. Saio às 19h, em dias sem problemas. O trajeto empresa-trem / trem-Metrô / Metrô-caminhada para casa leva 35 minutos. Mas a empresa vai se mudar para a região do Ceasa. Longe. Muito longe. Tendo em vista que, às vezes, minha hora extra é de 5 horas, seria complicado voltar de tão longe por volta de 1 da matina, ainda pagando táxi. O desespero começou a bater. “Po, nem vou conseguir ver o Danilo acordado!”.

Eis que, “do nada”, me ligam de uma agência de RH que, confesso, nunca tinha ouvido falar. Proposta, contra-proposta, entrevista marcada. Em menos de 24h, emprego novo, local mais perto e salário melhor. Como explicar? “O Danilo te dá sorte”, disse minha mãe. Eu não acredito em sorte, mas um pouco de superstição, nessas horas, ajuda a explicar algumas coisas. As que não explica, a gente usa o argumento de “tudo certo, na hora certa”. Que também é superstição. Por sinal, a Marcia percorre um caminho bastante parecido, nesse momento. Em tudo, praticamente.

Vai ver é o outono.
Vai ver é o Danilo.
Vai ver é coincidência.
Vai ver é a lua.


%d blogueiros gostam disto: