Olho Mágico

Acho que foi em janeiro, talvez, que fiz um post aqui falando que 2014 seria um ano turbulento em diversas áreas. Politicamente, economicamente, desportivamente e… socialmente. O número de agressões gratuitas e “tapas com luvas de pelica” vão aumentando, à medida que as eleições se aproximam. Isso é apenas um dos dissabores de ano eleitoral. Ainda borbulham, em diversas páginas virtuais e conversas de corredor, a crescente evangelização acerca de, praticamente, qualquer coisa. Vegetarianismo, veganismo, niilismo, comunismo, socialismo,liberalismo, racismo, populismo, imperialismo, humanismo. Até mesmo questões filosóficas do que se fazer/não fazer com o próprio corpo viram foco de incêndio. Já diz o ditado: “em tempos de guerra, qualquer buraco é trincheira”. 

Jovialmente velho e crica que sou, acabo participando, de forma mais tímida de que anos atrás, desses debates. Talvez pela formação em jornalismo – ou, quem sabe, pela praticidade de sempre buscar argumentos fundados em algo real para tecer comentários -, acabo por perder um bom tempo de trabalho/vida social em discussões que, em grande maioria, não levam a nada. Ninguém tem razão sobre algo que não tem controle. Ninguém possui domínio sobre o pensar de outra pessoa. Você pode influenciar positivamente uma nova concepção a outrem, ou simplesmente atordoar a pessoa com as mesmas frases, conceitos e ideias batidas no liquidificador social que são as redes sociais. A opção é sua. Sempre.

Por isso – e por estar em um momento “paz e amor” que já perdura por bons 3 anos – decidi que, até o fim das eleições presidenciais de 2014, irei bloquear, temporariamente, alguns contatos virtuais e outros nem tão virtuais assim. Não cercearei o direito dessas pessoas de me contactarem, é claro. Apenas acionarei a opção de não visualizar absolutamente nada de alguns. Já convivo, diariamente, com assuntos e temas políticos, em função de meu trabalho. Da direita, da esquerda, da situação, da oposição. A overdose de informações que tenho de assimilar tornaria, até, injusto o debate com algumas pessoas que se informam pelo Facebook, Avaaz, Anonymous e Veja.

Todos conhecem – imagino – minha visão política. Minhas ideias sobre sociedade, Estado, economia. Não é nada ideológico: é, simplesmente, algo que me conforta e me deixa em paz. Se a possibilidade de entrar em uma discussão ferrenha sobre qualquer coisa estiver, a todo momento, à minha frente, sei que voltarei a usar aquela máscara pesada, de sorrir e mostrar o dedo médio ao mesmo tempo. Se posso evitar, por que não? Gosto dos amigos que tenho. Gosto dos colegas, também. Mas não aturo gente empolgada demais com qualquer coisa – as convictas demais, idem. Até gente feliz demais me causa ojeriza. O que dizer, então, daqueles(as) que desfilam bandeiras, comemoram mortes ou torcem para o fracasso de outros. Não, não daria certo.

Resumindo as linhas em uma frase: isso cansa.

Portanto, amigos – sim, continuam sendo meus amigos – nos vemos na rampa. Voltaremos a sorrir e socializar sobre assuntos mornos do dia a dia, beber nossas cervejas, comer nossos churrascos e criticar as pessoas que não estiverem no recinto. Até lá, continuo por aqui, só observando pelo olho mágico.Image

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