Serão 30 dias de loucura na Arena Corinthians

Faltando exatamente 1 mês para a Copa do Mundo começar, e sua casa de estreia ainda está em obras. Esqueçam o discurso oficial de que a Arena Corinthians está em fase de “acabamentos finais”. São obras, e muitas. Algumas em fase final, outras pela metade, e várias que ainda precisam ser iniciadas. Eu, como corinthiano – mas não fanático a ponto de tapar os olhos para o problemas, erros ou enganos do clube – preciso assumir: duvido que tudo esteja ok em 12 de junho.

Estive presente na festa de inauguração da Arena, com a partida entre Corinthians x Corinthians. Ok, podem dizer que fizeram isso para evitar uma derrota na abertura do estádio. Porém, achei justo, digno. Não podemos esquecer que os clubes brasileiros têm o terrível hábito de “esquecer” seus ídolos do passado e, nessa oportunidade, muitos foram honrosos e honrados. A partida oficial, a primeira, acontece no próximo domingo. Novamente, espero estar lá. Vamos destacar o que aconteceu de importante nesse sábado e quais foram as impressões iniciais:

Acesso

Muito se diz que a Arena Corinthians é longe. Zona Leste, última estação da Linha Vermelha do Metrô. Avenida Radial Leste é constantemente congestionada. Sim. Porém, esqueça tudo isso. O acesso mais lógico, viável, barato, rápido e prático à Arena Corinthians é, mesmo, Metrô e trem. Saí de Santo Amaro (zona sul), às 7h40 da manhã (o jogo começaria às 10h, e quis sair cedo para fazer o trajeto sem correria). Cheguei ao Metrô Largo 13, andando, às 7h55. Peguei a integração com a CPTM, em Santo Amaro, às 8h05. Cheguei na estação Pinheiros às 8h25. Dalí, fui de Metrô até a estação República, já na linha vermelha. Eram 8h40. Da República à Itaquera, foram exatos 33 minutos. Pode parecer tempo demais, mas forma 12 estações, e o Metrô apresentou “pequenas falhas” na operação, como parar por quase 10 minutos na estação Belém, e seguir em velocidade lenta e com maior tempo de paradas nas estações seguintes, até Itaquera. Avistei o estádio, já fora do Metrô, às 9h05.
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Entorno

Obras eram avistadas por toda parte. A grande maioria, é verdade, em fase final. São acessos viários, alargamento de faixas da Radial Leste e passarelas para pedestres. Parece tudo muito complicado, mas sabemos que o acabamento disso costuma ser rápido. Nada a se reclamar daqui a 30 dias, acredito. Seguindo rumo ao estádio é uma boa caminhada. Da estação Corinthians-Itaquera até o portão de acesso ao estádio (nessa ocasião, apenas a área leste do mesmo foi utilizada), são uns 10 minutos. Em passo lento, claro. Passamos por debaixo de uma passarela provisória, que está sendo erguida para a Copa, algumas calçadas recém-terminadas e damos “de cara” com um gigante – gigante mesmo! – telão de LED. São 170 metros de comprimento, por 20 metros de altura. Abaixo dele, os acessos às arquibancadas lestes (superior e inferior). Tudo bem sinalizado, em português e inglês. 

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Dentro da Arena Corinthians

A “entrada” ao estádio foi bem do jeito brasileiro: um amontoado de gente, sem respeitar qualquer tipo de organização – até porque ela existia, mas era mal feita. Antes de pisar na área de acesso, fiscais pediam para que todos apresentassem seus ingressos. Entre esse procedimento e a revista pela Polícia Militar, foram 5 minutos. Um tempo aceitável. Apresentei o exigido e ignorado Voucher do ingresso, onde as informações de meu portão de acesso, fileira e assento estavam marcados. Fui indicado pelo caminho certo e adentrei o shopping center hall de entrada da Arena. Hoje, ali, está “quase tudo” pronto. Espaços para lanchonetes, banheiros funcionando, boa iluminação e alguns boxes ainda vazios, com acabamentos finais a serem concretizados. Tudo muito bonito, feito com esmero e, claro, muito dinheiro. Mármore, ali, é mato.
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Segui rumo às arquibancadas. Ótima a relação entre altura x visão do gramado. Meu assento era no setor inferior leste, mas quem ficou acima, teve a mesma opinião: a visão do campo é fantástica, perfeita, salva de pontos cegos e outros problemas comuns em estádios de futebol pré-século XXI. Desci as escadas e pude perceber que os assentos, todos brancos, se encontravam empoeirados. Provavelmente, ao removerem os plásticos de proteção dos mesmos, ficaram expostos às obras próximas. Nada muito preocupante, mas para a abertura da Copa, haja Perfex. Fui em direção ao gramado, já que os assentos próximos ainda ofereciam uma boa oferta. Me animei ao perceber que meu “assento reservado” era próximo dali. Mas, lembrem-se: estamos, e ainda estaremos, por muito tempo no Brasil. Meu assento já estava ocupado, mas próximo a ele, me sentei. Conforto, boa visão de campo – e próxima, cerca de 15 metros do gramado – e um sistema de som de fazer os ouvidos apitarem. Por sorte, perceberam isso e baixaram um pouco o volume do entendiante grupo que fazia versões de músicas populares, em que misturaram ode ao Corinthians e chacota aos rivais. Levou, apenas, cerca de 10 minutos pare surgirem as primeiras vaias.

A partida

Agradável ver os ídolos do passado, ainda mais, jogando lado a lado de outros ídolos de um passado não tão distante. Claro que jogadores perebas também marcaram presença. O campo, em sim, é impecável. Do gramado às medidas: são 105 x 68 – mesmo tamanho de gramado que se vê no Pacaembu. Destaque negativo para a protocolar, porém cansativa e entusiasta ao extremo, apresentação do estádio aos presentes. Um orador assumiu o microfone e falou, falou, falou. Homenageou Andrés Sanchez, que recebeu homenagem surpresa (sic) de sua filha. Após isso, foi a vez de Mario Gobbi, atual presidente do clube, falar. Vaias. Muitas. E durante todo seu discurso. Vale lembrar que o mandatário encerrou a entrega de ingressos nas quadras das torcidas organizadas que, nesse momento, já eram grande parte do público na Arena. Uma nova homenagem, dessa vez à Marlene Matheus, viúva do ex-presidente Vicente Matheus. Andrés anunciou que todos jogadores presentes receberiam uma carteirinha de sócio do clube, e que também teriam direito a entrada gratuita em jogos no novo estádio. Crer para ver.

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Foi após esse momento, e durante as 6 partidas (cada uma de 15 minutos) que podemos visualizar alguns detalhes preocupantes da Arena Corinthians com mais atenção. À frente, na ala Oeste, ficaram os camarotes, cabines de transmissão, setores ainda mais VIPs que o VIP etc. De longe – é verdade – tudo ainda bastante cru. Fiações expostas, paredes sendo pintadas, vidros a serem colocados. Isso sem contar a evidente falta de instalação de assentos em setores que já foram terminados há bastante tempo. É um serviço rápido? Sim, aparentemente. Deveria estar assim a 30 dias da Copa? Com certeza, não. Na saída do estádio, também pude perceber que algumas “paredes pretas” eram, na verdade, vãos entre vigas que foram tapadas com um tecido preto e grampos. Ficou bem discreto, mas é visível a maquiagem. Além disso, no setor onde estava – que não será dos mais caros – alguns assentos “mais caros” se misturavam aos comuns. Erro de instalação? Falta de atenção? Quem sabe? Dali, também, dava para ver melhor como está a construção das arquibancadas provisórias: preocupante. Mais uma vez, muitos assentos a serem instalados, e muito, mas muito, material de construção e entulhos “escondidos” dos olhos menos atenciosos. Dá para chutar que uns 50% do que deveria estar acontecendo ali, ainda não saiu do papel.

Saída

Simples, rápida e organizada. Levei menos de 5 minutos entre sair de meu assento, subir as escadas, passar pelo hall de entrada e me encontrar, novamente, no portão da Arena. Ali, deveriam ser 8, 9 mil pessoas. Foi tudo bem fácil. Porém, sabemos que jogos maiores e mais lotados estão por vir. Quem sabe no próximo fim de semana, com mais de 40 mil pessoas presentes, o resultado seja o mesmo. Tomara que sim. A volta para o Metrô foi bem calma, sem atropelos, sem longas filas. O Metrô colocou 2 trens saindo de Itaquera praticamente ao mesmo tempo. Resultado: trens vazios, com lugares livres para sentar – se chegar rápido a eles, claro – e um caminho sem maiores problemas rumo ao centro.

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Veredito

Pode ser que tenham tido uma primeira impressão equivocada, e que o estádio esteja pronto, lindo e belo, em 30 dias. Mas é difícil esquecer que teremos, além da partida de abertura, a “abertura em si” do evento acontecendo ali. Onde irão fazer os testes, já que as obras não param? Enfim… arquitetonicamente, a Arena Corinthians é, mesmo diferente. Alguns acham horrível. Alguns acham linda. Eu, confesso, me surpreendi positivamente. A cultura do futebol nos faz pensar em estádios ovais, como era tradicional acontecer por anos e anos. A Arena Corinthians pode ser estranha a olhos conservadores, mas é, realmente, belíssima no projeto. Hoje sem os vãos atrás dos gols, tomados pelas arquibancadas provisórias, tem até cara de Pacaembu. A cobertura, com um desenho moderno, dá uma cara de casa de shows ao local. A acústica, por sinal, é ótima.

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Serão 30 dias de loucura na Arena Corinthians. Obras e mais obras a serem feitas. Parece tudo bem complicado de estar 100% em 12 de junho, mas não sou engenheiro. Apenas digo o que senti por ver o andamento de tudo. 

Que o Brasil se dê bem ali.
Que o Corinthians, a partir de agora, ainda melhor.
Porque de loucura corinthiano entende.

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