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Seis meses de Danilo. O que mudou?

2 de junho de 2014

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Dizer “seis meses” é uma falta precisão, já que Danilo está conosco desde o fim de março do ano passado. Seriam, portanto, quase 16 meses. Porém, de 3 milímetros a quase 70 centímetros, embrião a bebê, muita coisa mudou. Pesando mais para um lado do que para o outro (leia-se mais para a Marcia do que para mim), as alterações na vida foram grandes e sensíveis. Na casa, idem. De um apartamento bem localizado, próximo a Metrô e às conveniências de um casal balzaquiano (bares, restaurantes, baladas), a um sobrado com quintal, com um quartinho só para ele, e mais próximo aos avós e amigos “pra toda hora”. Ramona também é parte importante de todo o processo: aprendemos, aos poucos, o que era ter um bebê em casa – sim, cachorros são bebês pela vida inteira, mesmo quando ficam velhinhos, mais lentos, cegos e quase surdos, como é o caso do Rocco.

O corpo da mulher muda, o humor do casal fica diferente, o pai estranha a falta daquela sensação que só a mãe entende – a de já ser completamente responsável por uma nova vida. O homem vira mais psicólogo, a mulher vira mais gestora. A Ramona, que ficava alegre ao ouvir o som do coração do Danilo batendo na barriga da mãe quando se deitava em seu colo, hoje sente falta disso. Ela ficou mais manhosa, um pouco mais ciumenta, mas extremamente parceira e protetora do “irmão” mais novo. Depois do nascimento, o casal vira mais casal. As comemorações ficam mais gostosas, as preocupações se tornam mais frequentes, e cada solução encontrada representa algumas horas a mais de consciência tranquila.

Na prática, o sono e o cansaço aumentam, a disposição diminui e os dias ficam mais longos. Bate aquela saudade das 24h de antes, que viram 36h. Qualquer ruído durante a noite ou a soneca do bebê vira uma explosão nuclear, e qualquer suspiro “diferente” vira Defcon 1. Normalmente, não é nada. O estado de alerta mantém as coisas em seu lugar: se ele chamar, estaremos lá. Se não chamar, também. Danilo deu “trabalho” do fim de seu primeiro mês à metade do segundo. Cólicas. Nele, doíam e incomodavam. Em nós, abria buracos no peito e engarrafamentos no cérebro: “Por que não acaba?”, “Já demos o remédio?”, “Será que é normal?”, “Mas o dia já nasceu?” eram questões que se tornaram tão comuns nas intermináveis 3 semanas de crise que, quando passou, imaginávamos que deveria ser alguma pegadinha do pequeno. E não era. Melhorou mesmo.

As noites, que custavam a passar, de repente, viraram rotineiras 5/4h de sono ininterruptas por noite. Sim, isso é um número alto. Depois, viraram 6/7h. Alguns dias, inacreditáveis 8/9h. E o menino crescia, rindo de tudo e de todos – principalmente ao fazer xixi ou… er… vocês imaginam – e reconhecer sons, vozes e rostos, aos poucos. Não gosta, até hoje, de deitar. Não gosta de sentar – e ainda está aprendendo a fazer isso. Quer ficar de pé o tempo todo. No colo, no sofá, na cama. Imagino que, assim que tiver total equilíbrio e controle de seu próprio corpo, vai pular a fase de engatinhar e sair correndo. Não que eu queira isso. Mas é possível. Hoje, já no berçário, não estranha nada. Nem o fato de passar angustiantes 9h sem mãe ou pai. Segundo as tratadoras, é calmo e gosta de música. Parece verdade, já que em casa isso acontece com frequência.

Virei repentista. Por dia, invento umas duas músicas para cantar para ele. Não para fazê-lo pegar no sono, mas para brincar. São rimas bobas, que misturam o nome dele, da Ramona, adjetivos e um pouco de bullying. Juntem as pedras e ataquem, mas eu gosto de tirar um sarrinho dele e com ele. “Danilo cara de tatu”, entre outras canções, são sucessos de audiência nos sorrisos banguela dele. Se eu tivesse metade dessa criatividade espontânea na época de Seven Elevenz, provavelmente teríamos lançado 30, não 3 álbuns. Marcia virou especialista em acalmar, reconhecer sinais, dar banho e arrancar gargalhadas dele. Também é a estilista da vez, já que escolhe/compra 90% das roupas dele. De agasalhos que imitam carneiros a camisas com frases como “Segurança da mamãe”. Ela pode. Eu deixo. Comprei uma camisa oficial do Brasil para ele ver os jogos da Copa. Mesmo sabendo ser exagero. Mesmo sabendo que é inútil, pois ele não sabe o que está acontecendo. Mesmo sendo caro. A próxima camisa dessas será do Corinthians. Quer a tricolor queira, quer não.

Tínhamos a esperança de nascer com belos olhos verdes, como os da mãe. Veio ao mundo com meu queixo, minhas bochechas, meus olhos e – graças ao bom Joey – com a pele e cabelos da mãe. Danilo gosta de peras e sopinha de frango. Eu, nem tanto. Ah, veio com meu humor para fotografias. Tenho umas 40 fotos dele no celular – mais da metade, de cara fechada. Alguns chamam de charme. Eu chamo de genética (cof). Mas é carinhoso como a progenitora, já que aprendeu a dar abraços enquanto está no colo e “ameaçar” beijinhos, mesmo que ainda de boca aberta, tentando “morder” o rosto dos outros. Nem imagino o que fazer quando ele trocar o barulho de pum que faz com a boca por “pai” ou “mãe”.

Mas isso são 6 meses.
SÓ.

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