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Meias, lenços, cintos, gravatas e sorrisos 

7 de agosto de 2014

No subconsciente, sempre fui enfático: dia dos pais é uma data qualquer. Assim como o dia das mães. Dia da mulher, dos namorados, do Papai Noel, do Silvio Santos. Não importa. Confesso não ter aquela visão anárquica de que sejam datas criadas com o único intuito de se mover a indústria dos presentes, já que “um dia qualquer” também move a indústria de transportes, de café, de cigarros e de Cefaliv. Todos ganham de alguma forma. Impossível evitar. Porém, meu pai, no dia dos pais, sempre ganhou um “parabéns, aí”. Idem para minha mãe. Me ensinaram assim, era assim, é assim.

De alguns anos para cá, ambos ganham algo além disso. Uma besteirinha qualquer, um presente mais legal quando o bolso está mais fresco. Um almoço na casa deles – o que para eles já é um presente, dizem. Quando vamos embora de casa, é natural que os momentos pai/mãe/filho(s) sejam um pouco mais “animados”. Mais curtos também, é verdade. Mas são saudáveis de se curtir. Até quando dá. Tenho vários amigos que não têm mais pai, mãe, ou ambos. E por mais anárquico que a mente deseje ser, ela leva um banho de saudade nessa data. Agridoce demais.

Como pai de primeira viagem, não ganharei nada. Nem sei se faria sentido ganhar. No atual momento em que vivemos lá em casa, valorizo muito mais os sorrisos do que meias, lenços, cintos ou gravatas. Valorizo o tempo, também. Escasso para o filho, pouco para a mulher, inexistente para algo mais do que algumas cervejas e escutar o rádio (sim) enquanto o jantar não sai.

Há uma boca sem dentes, cheia de baba e barulhos esquisitos que me aguarda no domingo. E hoje de noite, amanhã, depois… e isso me basta. Dia do pais pode ser todo dia, mas esse dia, para mim, será único. Para sempre.

daddyo

Nhém!

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