7×1

1. Vai ver é a falta de nicotina.
Pensando bem, não, não pode ser.
Não faz nem 72 horas que larguei o cigarro.
Bem, ao menos, espero ter largado.
Para sempre, se possível.
Não voltar a fumar mesmo em situações assim.
Sem aquela desculpa de “me estressei, preciso de um trago”.
Ah, como seria bom um trago agora!

2. Ou eu sou um cara estressado.
Habitualmente, quero dizer. Diariamente.
Sem muito motivo, sem muita razão.
E não é por falta de nicotina. Não por 14 anos.
Apenas sou, gosto de ser, me é confortável.
Um riso aqui, outro acolá, fones de ouvido e a vida que segue seu rumo.
Lá fora, do outro lado dos fones, sem me influenciar ou incomodar.
Mas, e os olhos? Os cego?

3. Já me ocorreu de ser preconceituoso.
E sei que sou, em algumas coisas, realmente.
Por exemplo: para mim, pessoas criativas, “fora da curva”, seguem um padrão.
O padrão de não seguir padrões.
Estéticos, comportamentais, musicais, culturais.
Esperamos dela o que não se espera, e por isso são inovadoras.
Caiu no sapatinho marrom para ir ao trabalho, já era. Dali não sai muita coisa.
E não adianta começar a fumar, não. Caiu na chatice, é só chato.

4. E se não for preconceito? E se for extremismo? Intolerância?
Admito: não suporto pessoas que não suportam. É insuportável, digamos.
Isso me fez criar um escudo, mas não dos que protegem.
É mais um daqueles que rebatem a bosta, em forma líquida, com alto poder de destruição.
Não há ventilador que me cative mais do que o tiro certeiro, no meio da testa.
Não vejo graça em respingos por todos os lados.
Quem gosta de múltiplos alvos é porque não mira em nada.
Eu sou certeiro. Mas só quando quero, evidentemente. E quase sempre, não quero.

5. Então posso escolher mal meus alvos. É isso! Só pode ser!
Acredito que ali há uma ameaça. Ou um ato hostil. Ainda, um devaneio.
E atiro, sem dó nem piedade. Quer dizer, não atiro – rebato.
E o efeito não é bem o planejado. Passo de argumentista a ofensor.
Se bem que, no fundo, para mim, só faço dodói.
Nada que o alvo não mereça ou tenha pedido.
Afinal, estamos em campo aberto, propensos a todo tipo de intempérie involuntária e…

6. É isso! Intempestividade! Sou intempestivo! Eureka!
Não me custa nada dar de cara com uma imbecilidade e fingir que não vi.
Afinal de contas, “o mundo é bão, Sebastião!”.
Não são más intenções, são pontos de vista. Opiniões. Ideias.
Balizadas, na grande maioria, em um saco de arrotos, é verdade.
Mas são dos outros, não as minhas. Não deveriam me causar tanta repulsa.
Mesmo que venham de pessoas que sinto apreço. Daquelas que não gostaria de intempestivizar.
Mas é intermitente essa mania de achar que são todos imbecis e só eu sei das coisas.

7. Egocentrismo. Porra, é isso! Eu me acho mais do que sou!
Estava tão na cara assim? Digo, na minha? Não nos atos em si, mas nas ideias?
Afinal, todos erram. Têm opiniões, ideias e atitudes dignas de nó no estômago.
Nem por isso são pessoas ruins ou idiotas – imbecis, gosto mais de imbecis – mas diferentes.
Outras vidas, criações, visões de mundo, concepções de certo/errado.
Nem todas as demonstrações de desprezo por terceiros ou novas teorias devem ser vistas como lixo.
Na verdade, é como o mundo gira: torto. Todo mundo atira para o lado que lhe convém.
Graças a mim sempre tenho meu escudo em mãos. Porque haja merda.

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