Há tempo de mudar (?)

A trágica e repentina morte de Eduardo Campos, pouco mais de 1 mês atrás, fez com que a roda das eleições perdesse alguns parafusos. A então “tranquila” caminhada de Dilma Roussef a mais um mandato se tornou uma via crúcis em terreno inimigo, e sua cruz é apedrejada até mesmo por antigos eleitores e apoiadores.

Seu principal opositor tornou-se um mero espectador das decisões de quem também o abandonou no meio do caminho. Aécio Neves corre em uma pista de gelo, implorando por punhados de sal a cada semana. Para piorar, sua rejeição em Minas Gerais, seu berço político, se mostra um dos principais focos de sua impopularidade no restante do país.

Marina Silva surgiu, para muitos indecisos, como um oásis no deserto. A empolgação que permeou sua candidatura em 2010 voltou com ainda mais força. O reflexo emocional da perda de um dos postulantes ao cargo a fez ganhar altitude e velocidade de cruzeiro. Agora, um voo rasante entre a rejeição crescente, os ataques vindos de todos os lados e algumas turbulências de seu plano de governo.

A verdade é que, entre mortos e feridos, o PSB encontrou a redenção. Em menos de 50 dias, passou de entregador de medalhas a postulante real do degrau mais alto do pódio. Uma boa parte dos eleitores de Dilma, ainda descrentes com a proposta de mero continuísmo do governo Lula, foram para o lado da ambientalista. Vários seguidores de Aécio, longe de conseguir sentir pelo candidato o que gostariam de sentir, também penderam para o lado de Marina. Logo, de 11%, a intenção de votos para o partido saltou para quase 30%. Dilma, finalmente – e realmente, ameaçada: seria derrotada no 2º turno com uma diferença de até 10%.

Boi de piranha, o PT se vê encurralado. Fez por merecer, diga-se de passagem. “Nunca antes na história desse país” houve tal recorde em acusações, investigações, julgamentos, condenações, prisões e afastamento de políticos ligados ao governo. Isso possui um lado positivo, quase didático, que é o de pensar que, sim, é possível que políticos sejam penalizados por seus erros e atos corruptores e corruptíveis. Mas existe, também, a face cruel dessa realidade: os partidos opositores, hoje em voga, possuem teto de vidro. E as pedras estão lá, esperando para serem atiradas. E serão, é claro. No momento propício.

Nunca escondi meu voto em Dilma. Argumentando, sempre coloquei de forma clara: não vejo razão de não continuar com o que já vinha dando certo. Não consigo admitir que tudo esteja tão ruim quanto insistem em apontar. O quadro que é pintado, não encaixa na moldura. Respeitem isso.  Porém, o continuísmo deu errado. Não em todas as áreas, mas em algumas primordiais, como a economia – se não a mais importante para a máquina continuar rodando.

Optou-se por Guido Mantega, homem de confiança do mercado, homem forte de Lula. Deu certo – por 1 ano. Ainda em 2011, o governo já tinha sinais suficientes de que o modelo de sucesso adotado nos anos anteriores não tinha mais brilho. Insistiram, teimaram e se queimaram. E agora? Guido irá sair caso Dilma seja reeleita. Logo, irá sair de qualquer maneira. O eleitor de Dilma se vê questionando, a todo momento: mas… e  aí? Muda quem, para quem, por quem… para quê?

Em reeleição, novas promessas soam muito, muito mal. Dilma vem fazendo isso, em assuntos ligados a educação e segurança. É algo que esqueceu de prometer há 4 anos? É uma re-promessa? É só promessa? A saúde é o calcanhar de Aquiles de todo e qualquer governante brasileiro, e sempre será. Saúde pública, de qualidade, para mais de 200 milhões de pessoas, não é nada simples. Não é algo uniforme, nunca será. Privatizar não é a melhor maneira de se corrigir erros, pois apenas pintaria paredes com o reboco aparente. Nunca se apresentou nada de convincente para essa questão. Nem em 2014.

Me vejo descrente. Não em Dilma – não tenho nada contra sua postura e sua forma de lidar com os problemas do país. Me vejo descrente com seu discurso. Enquanto caminhamos para as urnas, vale um pensamento: vale a pena ir lá? Perder boa parte de um domingo? Quem sabe, até, ele inteiro? Para reeleger a Dilma? Para colocar Marina no Palácio? Elevar Aécio para o posto de seu avô? Sinceramente? Eu não saio de casa para isso.

Mudei meu voto recentemente. Não por pieguice, mas por convicção, como fiz em 2012, quando não votei em Haddad – não votei em ninguém. Hoje, reconheço: deveria ter votado nele. Mas como, na época, nunca me passou confiança, não o fiz. Esse ano, vou de Luciana Genro à presidência. E não irei discursar “é meu voto para o 1° turno”, porque não tem essa de “votar no menos pior no 2° turno”. É ela no 1° e, se não for adiante, anulo na sequência. Sem medo de ser feliz.

Porque por mais que insistam em me chamar de petista, eu voto em candidatos, sempre votei assim.
E candidato por candidato, prefiro a Luciana, de 13 a zero.

voto

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