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O dia em que me assediaram

24 de março de 2015

Claro que não acontece com todos os homens. Talvez, com os mais asseados, seja algo mais comum. Mas, salvo raras exceções – como aquelas em festas open bar ou na aproximação de um meteoro que irá colidir e extinguir com a vida na Terra – homens não costumam ser “xavecados”. Assediados, então, muito menos. Aquele tipo de assédio que as mulheres sofrem – que vão de buzinadas de carros ou motos, a puxões de cabelo e verdadeiros mata-leão -, seguidos por algum assobio ou frase pouco inteligente é mais comum. Triste, porém comum. Na cabeça de muitos homens, por exemplo, quando ele acelera ou empina a moto, o cérebro da mulher comanda: “monte naquela garupa, faça sexo loucamente com ele”. Ontem tive de passar pela terrível experiência de ser “assediado”. Não que tenha sido algo tão traumático quanto as situações citadas anteriormente, mas, convenhamos: rendeu um post.

Por volta das 16h, diariamente, saio para fumar um cigarro. Ou dois, dependendo do espírito cancerígeno. Como estava com apenas um cigarro no maço, fiz uso do maldito e parti ao Frans Café aqui de perto, para nova aquisição. Por sinal, só vou a esse local para comprar cigarros. Qualquer lugar onde um café de pouco mais de 40 ml custe R$ 5,50 não deve ser frequentado. Não onde se veja mais pessoas de terno e gravata do que com camisas do Parangolé. Não dá, não é justo, não é para pobre legal. Na volta, na calçada do meu prédio, me deparei com uma das situações do dia a dia que mais me irritam: o “paredão de pessoas da mesma firma”. Baseia-se em um coletivo de 3 ou mais pessoas, da mesma empresa que, por serem “colegas de trabalho”, acreditam que precisam andar lado a lado, bloqueando a passagem de quem quer que seja. É daquelas coisas que apenas o “mundo corporativo” pode oferecer.

Eram três garotas. Mesmo de costas, percebia-se os crachás pendurados no pescoço, que servem tanto para liberar catracas, quanto para reservar assentos em praças de alimentação. Uma delas atrasou o passo e abriu-se uma clareira. “É agora!”, pensei. Com a agilidade de um trombadinha consegui passar por entre elas, com apenas duas passadas e uma leve malemolência. Eis que sinto algo perturbador. Fiquei atônito. Sem graça. Com vergonha. Querendo apertar um botão e me teletransportar para um mundo de pessoas sem mãos: uma delas passou a mão na minha bunda.

É tão constrangedor que você vira para a pessoa com uma cara de quem assiste pela primeira vez a uma novela da Record. Uma delas soltou uma espécie de grito curto, um “Ai!”, e as outras riam. Querendo sentir a foice da morte se aproximando, questionei:

– O que é isso?!
– Nossa, SENHOR, perdão! Eu…
– Meu… que isso?!
– Ela pensou que fosse um amigo nosso da “firma”! – disse outra, enquanto ria – muito.
– Car****! Meu… 
– Nossa, desculpa, por favor! Desculpa, mesmo! Foi mal!
– Não… ahn, tudo bem – e comecei a rir, de vergonha, claro.

Me distanciei do paredão enquanto me aproximava do meu prédio. Elas passaram, ainda rindo e pedindo desculpas, com acenos. E fiquei lá, imaginando se eu teria como ter dito algo além de meros “Meu”, “O que é isso?”. E não teria como. Foi um engano, uma brincadeira que não deveria ter acontecido comigo. Por sinal, desde quando se cumprimenta alguém apertando sua bunda? E se fosse um tapa? Ou uma ded… deixa pra lá.

Passou, ela passou, passou e acabou.
Que horror!

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Filé à Osvaldo Aranha – bacana

11 de março de 2015

Uma das coisas mais bacanas da vida é saber reconhecer seus defeitos, orgulhar-se das qualidades que possui e, principalmente, ter humildade de ouvir e fazer algo que ainda não conhece bem, quando bem assessorado. E a palavra “bacana” vem a calhar nesse post. Em uma das raras vezes em que almocei fora do trabalho (sou daqueles que traz comida de casa), resolvi ir a um restaurante “bacana” aqui perto. Por quê? Porque me deu vontade e, claro, principalmente, porque achei que pudesse pagar a conta, mesmo entoando o karma pós-refeição “poder eu posso, mas não deveria”.

Sentei-me à mesa e olhei o cardápio. “Bacana”, pensei. Tinha uma penca de opções gostosas. Felizmente (ou não), todas vêm com o preço logo ao lado. Como estava com muita fome, resolvi apelar para a quantidade – não antes pensando da forma mais comum de se escolher algo: indo no que já conhece ou dizem ser bom.

– Filé à Osvaldo Aranha, por favor.
– Ao ponto ou mal passado?
– Ao ponto.

oswaldoaranha

Enquanto esperava meu prato, que demorou uns 20 minutos, olhava para a televisão. Ouvia um programa de esportes nos fones de ouvido, como de costume. Às vezes, abria o e-mail para conferir detalhes de um freela. Quando o garçom voltou e “montou” meu prato – achei isso bem “bacana” – um senhor ao meu lado interviu:

– O arroz tem que ser misturado à farofa, hein?

Sorri timidamente, com aquele tom de “Bacana, cara. Agora me deixa comer em paz” e rumei para as primeiras garfadas. O senhor não se continha.

– Você sabe quem foi Oswaldo Aranha, não sabe?
– Um político gaúcho, não? Já li a respeito.
– Ele adorava comer isso aí… por isso homenagearam ele no prato.
– Pois é! Verdade.
– Qual seria o prato que poderia homenagear a Dilma, hein, meu amigo?
– Hmmm… Fritada à Brasileira?

Juro que não imaginei que o senhor fosse rir tão alto. Passei vergonha, muita. Ele riu por uns 10 segundos e disse que estava esperando a esposa chegar do trabalho para almoçar com ele. E nada da tal senhora chegar. E nada do cara parar.

– E esse bando de desempregados pedindo impeachment, você viu? 
– Ahm, vi, sim… vai ser no domingo, né?
– Domingo, segunda-feira, vai ser direto. E o pior é que eles estão querendo mesmo!
– Mas eles querem, mesmo. E vão continuar querendo até que, um dia, quem sabe…
– Devem ser todos microempresários.
– Não… tem muitos, mas a grande maioria é “peão”, mesmo.

Mais um riso alto do senhor aqui. Maldita senhora que não chegava. Maldito vinho no copo dele.

– Imagina o que vão falar da nossa democracia se, em menos de 20 anos, houver outro impeachment?
– Quase 30 anos, né? A nossa democracia ainda mora na casa dos pais, né… uma pena.
– Não entendi… na casa dos pais?
– É, sabe? Já tem idade para ser independente, plena…
– Ah, sim! É isso que eu disse: por que um estrangeiro investiria aqui, um país sem rumo?
– Em transição, no caso…
– Mas essa transição não tem fim nunca! Meu filho vai nessa coisa do dia 15. Um besta.
– Deixa ele te ouvir dizendo isso. Vai te chamar de comunista, hein?
– Ele vai levar meus netos, também. Acho uma perda de tempo. Impeachment!
– Ah, deixa esse pessoal… se um dia conseguirem, quem sabe, não sossegam?

Chega a esposa do cara. Graças ao bom Joey. Por mais que…

– Linda, estou conversando aqui com meu novo amigo, tudo bem?

Não, cara… não força… meu prato quase esfriando…

– Vou ao banheiro lavar as mãos. Pede o de sempre para mim? – diz a mulher.
– Sim, peço. E vinho também.

Nesse momento pensei em ligar para o trabalho e dizer que não ia conseguir mais voltar.

– Bem, garoto, aproveite seu prato aí. Foi um papo “bacana”.
– Sem problemas, foi sim. Bom apetite para vocês.

Mas a curiosidade é uma porcaria. Eu não sabia o nome do senhor. E ele parecia ser um cara… ahm… “bacana”. Por mais que falasse muito em um momento em que eu gosto de ficar calado. Mas, perguntei.

– Desculpe, nos falamos e nem sei seu nome.
Alonso! E você?
– Rafael, prazer!
– Prazer! Você come com pressa, está em horário de almoço, não?
– Sim, sim… logo mais tenho que estar lá.
– Então você não vai na passeata mesmo!
– Por trabalhar? Não, o pessoal que vai também trabalha. É de domingo…
– Mas se houver impeachment e trabalharem em multinacional, vão pra rua. Nacional, então…
– Pela… (mastigada) quebra de… 
– Confiança! Se está ruim agora, imagine depois! Iraque!

Pausa para comentar que não, não entendi MUITO bem a relação com o Iraque, mas deixei passar. Minha fome tinha quase acabado.

– Acho que tudo tem jeito. Mas… vamos ver!
– Eu não andaria num carro que já perdeu os freios duas vezes!

Aí entendi o que o senhor queria dizer.
E agradeci – pela última vez – pelo papo.

E por mais que saiba que não foi uma pessoa de boas companhias: obrigado a você também, Osvaldo Aranha. Foi bacana.

Marci(nh)a

6 de março de 2015

Ontem ela fez as unhas, tomou vinho e comeu uma boa massa.
Preparei um jantar especial.
E estava a seu lado.

Hoje ela vai rir, dançar, beber, arrumar o cabelo e se maquiar.
Temos um casamento na família para ir.
E estou a seu lado.

Amanhã estaremos entre amigos e família, celebrando.
Temos um churrasco em casa a fazer.
E estarei a seu lado.

Em algumas semanas, completaremos 7 anos juntos.
E tudo meio que começou no aniversário dela.
E ela escolheu ficar a meu lado.

Hoje, amanhã e por mais um bom tempo, continuarei a seu lado.
Porque te irrito, te faço me odiar, te agrado pra disfarçar minhas provocações.
Mas é o jeito que encontro de agradecer pelo que tem feito por mim, durante tanto tempo.

Parabéns, Marci(nh)a!

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