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Diga algo a você mesmo. Em 1 minuto.

14 de maio de 2015

Imagine a seguinte situação, completamente fictícia: você tem acesso a uma máquina do tempo. Ela irá te permitir, por apenas 1 minuto, encontrar com você mesmo, mas há 15 anos. O que você faria?

Bem, a questão é patética, mas não deixa de ser interessante. A fiz, basicamente, porque sonhei com isso, na noite passada – provavelmente, a ressaca da derrota corinthiana me fez delirar.

O pouco que me lembro do sonho era que, ao entrar em uma caixa sem fundo (?), ia parar no condomínio onde morei de 1992 a 2011. E me encontrava comigo mesmo, antes de ir para o colégio.

Eu ia me seguindo pelo condomínio. Um caminho curto, entre meu prédio e a portaria. Sei lá, uns 20 segundos de perseguição. Um dia feio, cinza, frio, bem comum e bem atual, inclusive.

– Ow! Rafael! Koelho!
– …eu?
– É! Não tá me reconhecendo, não?
– Ahm… não, tô não.
– Hahaha caralho, meu! Que louco isso!
– Putz, cara… foi mal, não tô lembrando de você!
– Eu sou você, porra! Só que velho!
– Hahahaha tá foda, hein? Falou, cara!
– Não, ow! Sério! Espera aí!
– Não posso, cara! Tenho aula! Você mora aqui?
– Porra, meu! Olha pra mim! Você é filho do Zezinho e da Lúcia!
– Sou sim, hahaha, mas e daí? Te conheço de onde?
– Sua vó é a Terezinha! Tem o Rocco!
– Rocco eu não conheço, não… mas e daí, cara?
– Se esforça, velho, é sério! Tá ligado o Seven Elevenz?
– Você conhece, é?

Acordei. Não consegui falar porcaria alguma comigo mesmo. Dar um recado, perguntar sobre algo que já me esqueci, aconselhar. Nada. Só fiquei bobo demais, bêbado até no sonho, tentando me convencer de que eu era eu.

Mas uma coisa pude perceber: eu falava mais “cara” do que o Dinho Ouro Preto.

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Chandler deveria ter sido revisor publicitário

12 de maio de 2015

Depois de… ahm… vejamos… 15 anos, vou tirar férias. Mas não “um tempo sem trabalhar”. Isso eu já fiz diversas vezes, graças ao desemprego. Férias, daquelas que você recebe uma graninha para gastar com você mesmo e tudo mais. Uma viagem, uma compra, uma dívida nova ou antiga, o que seja: férias. Trinta dias de férias, sem mimimi. Graças a isso, tive que procurar alguém para ficar no meu lugar nesse período. Alguém que esteja acostumado a trabalhar com revisão – e essa palavra – ah, as palavras! – confundiram, e ainda confundem, muita gente.

A busca parecia ser simples: alguém com experiência em revisão publicitária. Em agência. In loco. Por 30 dias. O resultado foram mais de 120 e-mails de profissionais de atendimento, redação, design, tradução e… revisão de textos. Muitos bacharelados em Letras, muitos professores – desempregados ou não -, muita gente que acredita que escrever em um blog ou nas redes sociais é, automaticamente, um trabalho de redação – e, pasmem! também de revisão. Natural, já que o trabalho do revisor publicitário é como a profissão do Chandler, em Friends. Lembram? Claro que não.

FRIENDS -- NBC Series -- Pictured: Matthew Perry as Chandler Bing -- Photo Provided By: Warner Bros.

O que mais me espantou é a quantidade de pessoas que, simplesmente, não sabem o que estão fazendo. Mandam currículo como se estivessem dando like em um post de Facebook. Não têm a mínima experiência ou, às vezes, perfil para a vaga. Claro, eu sei que eles pensam: “Vou enviar mesmo assim, pelo menos, se um dia precisarem de alguém como eu, já largo na frente”. Mas, não. Isso não acontece. Pelo menos, não comigo. Desculpem. Recebi e-mails de pessoas que pretendem vagas no setor de RH da empresa. Acham mesmo que o atual RH vai guardar estes dados? Pô, pessoal…

A parte mais chata, além de ter que receber uma pancada de e-mails de pessoas que, aparentemente, só estão desempregadas por falta de oportunidades – alguns currículos que recebi eram realmente excepcionais, mas estavam na hora errada, no lugar errado -, é dar o tal do feedback. Tento responder a todos: “não foi dessa vez, mas muito obrigado pelo interesse. Seu CV ficará conosco para futuras oportunidades”. Se isso vai mesmo acontecer, não sei – não cabe a mim. Mas minha parte está feita. Não detalho a razão pelo qual aquele currículo não foi selecionado, porque me estenderia demais, talvez sequer fosse compreendido. Mas a busca está no fim. Quase, na verdade. Falta selecionar um entre nove.

E faltam só mais 21 dias.


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