Archive for the ‘Antropologia’ Category

Chandler deveria ter sido revisor publicitário

12 de maio de 2015

Depois de… ahm… vejamos… 15 anos, vou tirar férias. Mas não “um tempo sem trabalhar”. Isso eu já fiz diversas vezes, graças ao desemprego. Férias, daquelas que você recebe uma graninha para gastar com você mesmo e tudo mais. Uma viagem, uma compra, uma dívida nova ou antiga, o que seja: férias. Trinta dias de férias, sem mimimi. Graças a isso, tive que procurar alguém para ficar no meu lugar nesse período. Alguém que esteja acostumado a trabalhar com revisão – e essa palavra – ah, as palavras! – confundiram, e ainda confundem, muita gente.

A busca parecia ser simples: alguém com experiência em revisão publicitária. Em agência. In loco. Por 30 dias. O resultado foram mais de 120 e-mails de profissionais de atendimento, redação, design, tradução e… revisão de textos. Muitos bacharelados em Letras, muitos professores – desempregados ou não -, muita gente que acredita que escrever em um blog ou nas redes sociais é, automaticamente, um trabalho de redação – e, pasmem! também de revisão. Natural, já que o trabalho do revisor publicitário é como a profissão do Chandler, em Friends. Lembram? Claro que não.

FRIENDS -- NBC Series -- Pictured: Matthew Perry as Chandler Bing -- Photo Provided By: Warner Bros.

O que mais me espantou é a quantidade de pessoas que, simplesmente, não sabem o que estão fazendo. Mandam currículo como se estivessem dando like em um post de Facebook. Não têm a mínima experiência ou, às vezes, perfil para a vaga. Claro, eu sei que eles pensam: “Vou enviar mesmo assim, pelo menos, se um dia precisarem de alguém como eu, já largo na frente”. Mas, não. Isso não acontece. Pelo menos, não comigo. Desculpem. Recebi e-mails de pessoas que pretendem vagas no setor de RH da empresa. Acham mesmo que o atual RH vai guardar estes dados? Pô, pessoal…

A parte mais chata, além de ter que receber uma pancada de e-mails de pessoas que, aparentemente, só estão desempregadas por falta de oportunidades – alguns currículos que recebi eram realmente excepcionais, mas estavam na hora errada, no lugar errado -, é dar o tal do feedback. Tento responder a todos: “não foi dessa vez, mas muito obrigado pelo interesse. Seu CV ficará conosco para futuras oportunidades”. Se isso vai mesmo acontecer, não sei – não cabe a mim. Mas minha parte está feita. Não detalho a razão pelo qual aquele currículo não foi selecionado, porque me estenderia demais, talvez sequer fosse compreendido. Mas a busca está no fim. Quase, na verdade. Falta selecionar um entre nove.

E faltam só mais 21 dias.

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Filé à Osvaldo Aranha – bacana

11 de março de 2015

Uma das coisas mais bacanas da vida é saber reconhecer seus defeitos, orgulhar-se das qualidades que possui e, principalmente, ter humildade de ouvir e fazer algo que ainda não conhece bem, quando bem assessorado. E a palavra “bacana” vem a calhar nesse post. Em uma das raras vezes em que almocei fora do trabalho (sou daqueles que traz comida de casa), resolvi ir a um restaurante “bacana” aqui perto. Por quê? Porque me deu vontade e, claro, principalmente, porque achei que pudesse pagar a conta, mesmo entoando o karma pós-refeição “poder eu posso, mas não deveria”.

Sentei-me à mesa e olhei o cardápio. “Bacana”, pensei. Tinha uma penca de opções gostosas. Felizmente (ou não), todas vêm com o preço logo ao lado. Como estava com muita fome, resolvi apelar para a quantidade – não antes pensando da forma mais comum de se escolher algo: indo no que já conhece ou dizem ser bom.

– Filé à Osvaldo Aranha, por favor.
– Ao ponto ou mal passado?
– Ao ponto.

oswaldoaranha

Enquanto esperava meu prato, que demorou uns 20 minutos, olhava para a televisão. Ouvia um programa de esportes nos fones de ouvido, como de costume. Às vezes, abria o e-mail para conferir detalhes de um freela. Quando o garçom voltou e “montou” meu prato – achei isso bem “bacana” – um senhor ao meu lado interviu:

– O arroz tem que ser misturado à farofa, hein?

Sorri timidamente, com aquele tom de “Bacana, cara. Agora me deixa comer em paz” e rumei para as primeiras garfadas. O senhor não se continha.

– Você sabe quem foi Oswaldo Aranha, não sabe?
– Um político gaúcho, não? Já li a respeito.
– Ele adorava comer isso aí… por isso homenagearam ele no prato.
– Pois é! Verdade.
– Qual seria o prato que poderia homenagear a Dilma, hein, meu amigo?
– Hmmm… Fritada à Brasileira?

Juro que não imaginei que o senhor fosse rir tão alto. Passei vergonha, muita. Ele riu por uns 10 segundos e disse que estava esperando a esposa chegar do trabalho para almoçar com ele. E nada da tal senhora chegar. E nada do cara parar.

– E esse bando de desempregados pedindo impeachment, você viu? 
– Ahm, vi, sim… vai ser no domingo, né?
– Domingo, segunda-feira, vai ser direto. E o pior é que eles estão querendo mesmo!
– Mas eles querem, mesmo. E vão continuar querendo até que, um dia, quem sabe…
– Devem ser todos microempresários.
– Não… tem muitos, mas a grande maioria é “peão”, mesmo.

Mais um riso alto do senhor aqui. Maldita senhora que não chegava. Maldito vinho no copo dele.

– Imagina o que vão falar da nossa democracia se, em menos de 20 anos, houver outro impeachment?
– Quase 30 anos, né? A nossa democracia ainda mora na casa dos pais, né… uma pena.
– Não entendi… na casa dos pais?
– É, sabe? Já tem idade para ser independente, plena…
– Ah, sim! É isso que eu disse: por que um estrangeiro investiria aqui, um país sem rumo?
– Em transição, no caso…
– Mas essa transição não tem fim nunca! Meu filho vai nessa coisa do dia 15. Um besta.
– Deixa ele te ouvir dizendo isso. Vai te chamar de comunista, hein?
– Ele vai levar meus netos, também. Acho uma perda de tempo. Impeachment!
– Ah, deixa esse pessoal… se um dia conseguirem, quem sabe, não sossegam?

Chega a esposa do cara. Graças ao bom Joey. Por mais que…

– Linda, estou conversando aqui com meu novo amigo, tudo bem?

Não, cara… não força… meu prato quase esfriando…

– Vou ao banheiro lavar as mãos. Pede o de sempre para mim? – diz a mulher.
– Sim, peço. E vinho também.

Nesse momento pensei em ligar para o trabalho e dizer que não ia conseguir mais voltar.

– Bem, garoto, aproveite seu prato aí. Foi um papo “bacana”.
– Sem problemas, foi sim. Bom apetite para vocês.

Mas a curiosidade é uma porcaria. Eu não sabia o nome do senhor. E ele parecia ser um cara… ahm… “bacana”. Por mais que falasse muito em um momento em que eu gosto de ficar calado. Mas, perguntei.

– Desculpe, nos falamos e nem sei seu nome.
Alonso! E você?
– Rafael, prazer!
– Prazer! Você come com pressa, está em horário de almoço, não?
– Sim, sim… logo mais tenho que estar lá.
– Então você não vai na passeata mesmo!
– Por trabalhar? Não, o pessoal que vai também trabalha. É de domingo…
– Mas se houver impeachment e trabalharem em multinacional, vão pra rua. Nacional, então…
– Pela… (mastigada) quebra de… 
– Confiança! Se está ruim agora, imagine depois! Iraque!

Pausa para comentar que não, não entendi MUITO bem a relação com o Iraque, mas deixei passar. Minha fome tinha quase acabado.

– Acho que tudo tem jeito. Mas… vamos ver!
– Eu não andaria num carro que já perdeu os freios duas vezes!

Aí entendi o que o senhor queria dizer.
E agradeci – pela última vez – pelo papo.

E por mais que saiba que não foi uma pessoa de boas companhias: obrigado a você também, Osvaldo Aranha. Foi bacana.

Narcisismo na ponta dos dedos

20 de fevereiro de 2015

Deve ser regra e desconheço. Provavelmente, a operadora concede desconto. Ou o aparelho fica mais veloz, ágil. Será que amplia a memória? Aumenta o tráfego de dados da internet? Gera novas formas de se fazer e receber ligações? Insere emoticons exclusivos e personalizados. Afinal de contas, pra quê caralhos alguém coloca sua própria foto como imagem de fundo do celular?

No início, imaginei que fosse uma questão de segurança ou coisa que o valha. Muitas pessoas podem ter o mesmo modelo de celular, da mesma cor, com a mesma capa e, de repente, por engano, levar o seu embora. Ela perceberia assim que sua imagem Postmodern aparecesse na tela. Algo como: “Bem, deixa eu ver meu Facebook aqui e… Opa! Claudinha? Nossa, me confundi! Vou devolver!”. Mas não, não é isso.

Amor próprio? Autofelação visual? “Meu deus, como sou lindo (a)!”. Qualquer coisa vira motivo para selfie ou fotos no espelho. Um decote de gorda. Uma barba rala de adolescente. Um boné da Oakley feito pela Cuca Fresca. Um “novo” corte de cabelo. Não faz mal, vale o registro. Para sempre. Ou por dias. Ou até quando alguém te disser que sua foto já está “meio antiga”. Aí magoa. E a pessoa vai comprar outro boné. Ou trocar de lingerie. Ou raspar a cabeça. Mas não, não é isso.

Uma explicação conveniente seria bastante simples: porque o celular é da pessoa, e ela coloca ali o que bem entender. “Paguei, é meu, a vida é minha, não me enche!”. E concordo com essa. Eu também não vejo problema em você ser um completo imbecil carente que não come e não é comido por nada nem ninguém e sinta necessidade de se autoelogiar diariamente, assim que recebe uma ligação, mensagem de texto ou foto de sacanagem no WhatsApp. Só acho meio… como dizer? Humilhante?

O mundo é enorme. Há mais de 7 bilhões de pessoas nele. Paisagens paradisíacas, imagens tocantes, símbolos e brasões que podem representar muito para sua vida. Um cantor, uma dançarina, um platelminto, sei lá. Não: na sua cabeça, não há nada no universo que seja mais digno de sua apreciação do que você mesmo (a). Diz que ama pizza, que morre pelos pais, que é Palmeiras de coração, que é defensor dos animais, “Força, foco e fé”. E coloca a porra da sua foto no celular.

Na verdade, tanto faz.
Esse post não tem muito sentido e estou reclamando de algo koelhístico.
E foi só uma desculpa para dizer que amo essa foto, pela sinceridade da coisa.

nheco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sentimentos são quase impossíveis de ser tão bem retratados.

Eu, Mórmon

20 de janeiro de 2015

Quarta-feira passada, por volta das 20h, voltava da padaria. Fui comprar o básico para a sobrevivência: pão, presunto, queijo, refrigerante, cerveja e cigarros. Subindo a rua, quase no portão de casa, avistei dois rapazes de camisa social branca, calça social preta, sapatos sociais, gravata e aquelas bolsas de ombro masculino-feminino. Já tinha os visto algumas outras vezes. Sempre mudava de calçada ou fingia que o volume dos fones de ouvido estavam altos demais para conseguir ouvir um “Bom dia”, “Boa tarde” ou “Boa noite”. Naquela noite, porém, eu estava sem fones. Alvo fácil.

missionarios-mormons

– Boa noite, tudo bem?
– Opa, e aí? Beleza, e vocês?
– Tudo bem. Podemos conversar um pouco com você?

Pelo aperto de mão, senti que estavam desarmados. Mas aquela bolsa no ombro ainda me assustava. Iriam tirar dali uma bíblia? Uma revista? Um caderno brochura com todos meus pecados? Um Mupy?

– Claro, claro, fala aí!
– Somos da Igreja Mórmon (Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias). Você conhece?
– Ah, sim, conheço. É aquela que foi fundada nos Estados Unidos, certo?

Pensei seriamente em falar que sabia da recém-revelada história sobre o fundador da igreja, Joseph Smith, que se casou com cerca de 40 mulheres, inclusive, menores de idade. Também pensei em citar que sabia que Brandon Flowers era mórmon – e eles iam me perguntar de que banda ele era. Mas a noite estava agradável e eu tinha cerveja e cigarros.

– Nossa! Isso mesmo! Como você conheceu?
– Ah, já tive amigos que frequentaram… (mentira camisa social branca).
– Que legal, que legal… e… você faz o quê?

Moro num bairro de classe média-alta, mas pagamos aluguel. Imaginei que eles esperavam uma resposta como “empresário”, “acionista” ou “consultor”, que é o termo da classe alta para “desempregado, mas com dinheiro”.

– Ahm… sou publicitário. Quer dizer…
– Publicitário? O que é isso? O que faz um publicitário?

Os mórmons que me pararam na rua eram, claramente, gringos. Arrastavam um português nota 6 – acima da média de muitos brasileiros letrados, diga-se de passagem. Balbuciavam palavras com alguma dificuldade e franziam as testas quando eu usava palavras como “assertividade” e “burocracia”. Enfim, expliquei que era jornalista, mas que trabalhava com publicidade.

– E você mora por aqui?
– Sim, por aqui – eu estava a 20 metros do meu portão, por isso, me limitei a apontar para um lado e dizer “ali”.
– Ah, então você conhece o Geraldo?
– Ahm… não. Confesso que não conheço muito bem meus vizinhos. Quase não paro em casa.

O papo já estava ficando comprido demais. Cinco minutos é um tempo que só costumo perder com colegas de trabalho e pessoas que conheço de rosto, me consideram amigo mas que não me lembro do nome ou de onde conheci.

– Então, pessoal. Bacana conhecer vocês, mas tenho que ir para casa. Criança pequenas esperando, sabem como é…
– Ah, então você tem filho? – porra, Koelho!
– É… tenho. De 1 ano, um menino.
– Que legal, que legal. Você gostaria de conhecer nossa igreja?

Eu sei onde fica a igreja deles. É bem bonita, por sinal. Fica a uns 10 minutos de casa, caminhando.

– Olha… pode ser. Pode ser que um dia desses eu apareça lá, ok?
– Então ME PASSA SEU TELEFONE QUE TE LIGAMOS PRA CONVERSAR MAIS!

Quase pensei ser um assalto. Mesmo com o rosto bondoso e calmo, a roupa bem alinhada, o comportamento reto. Vai que…

– Ah, sim. Anota aí – e passei meu número antigo, que não possuo desde 2011.
– Ah, tá ótimo! Rafael, certo?
– Sim, Rafael.
PODEMOS PASSAR NA SUA CASA NA SEXTA-FEIRA À NOITE, PARA CONVERSAR MELHOR?

Mano, calma lá. Na minha casa? Sexta-feira à noite? Pra conversar? Monogamia, meus amigos, sou adepto da monogamia!

– Olha, aí é complicado… eu chego tarde, às vezes não tenho tempo nem para ver TV… sabem como é…
– Claro, claro… QUE LEGAL! – oi?
– Então, pessoal… boa noite!
– Boa noite! Te esperamos no domingo na igreja, às 11 horas, pode ser?
– Opa, claro. Se der eu colo lá.
– Isso é para você nos conhecer melhor – e entregou um caderno de brochura, mas sem meus pecados. Apenas com a imagem de JC na capa e dentro… bem, não abri, não sei.

Acabei trombando com eles outra vez, no sábado de tarde. Meio que me ignoraram, mas fiz questão de mandar um “Boa tarde!” com um grande sorriso no rosto, aqueles que só carregam os tementes a Deus e à poligamia.

Aposto que tentaram me ligar.
Aposto que me esperaram no domingo.
Aposto que viram as latas de Germânia e o cigarro na sacola da padaria.

Que venha 2016

6 de janeiro de 2015

Nenhuma promessa feita, nenhuma meta traçada, nenhum objetivo diferente dos que já planejei e atrasei. O ano acabou, porque todo ano é assim. E todo ano é assim para tudo: você precisa trabalhar para pagar suas contas, se sustentar, sustentar seu filho, sua casa, seu estilo de vida, seus vícios, seus momentos de lazer. Você precisa se endividar para fazer 2/3 de tudo isso. Além, é claro, de se endividar ainda mais, nem que seja de ato pensado, quando decide viajar ou adquirir algo fora de suas capacidades reais. Ou seja, meus amigos, 2015 é ano de trabalho. E de contas. E de dívidas. E responsabilidades. Assim como foram os últimos 6 anos – ao menos, para mim. E serão os próximo 66 – se eu viver até lá, algo que me deixaria extremamente surpreso.

O trabalho é o mesmo, os problemas são os mesmos, as brigas são as mesmas. Os amores, paixões, dissabores, expectativas, tudo a mesma coisa. O que muda é, quem sabe, a forma de encarar as coisas. Deixar de tratar algo como problema ou peso, e começar a lidar com o assunto com subjetividade. O inverso também é válido. O cigarro, como viram no meio do ano passado, foi assim para mim. Passou de problema e peso na consciência para algo subjetivo. O problema tornou-se algo subjetivo, não o ato de fumar. Perdi peso quando parei de fumar – 3,4 kg em 2 meses, para ser exato. Voltei a fumar e engordei outros 2,5 kg. No frigir dos ovos, a pausa no cigarro me fez perceber duas coisas: 1. Não há tempo a perder além do que já perdemos; 2. Não, parar de fumar não engorda.

Comecei o ano com uma febre de 38,4°, fato que adiantou o fim das “férias”. Desidratação. Sob o sol de mais de 33° C (alguns dias, chegando a inenarráveis e insuportáveis 37° C), o que menos fiz em 5 dias em Santos foi tomar água. Coca-Cola, Guaraná Paulistinha, Vodka, Cerveja. O corpo faliu. Eu transpirava de forma abrupta, sem saber ao certo a razão, até pensar: de onde vem essa água toda? Sim, eu comecei 2015 errando, e não há porque me martirizar por isso. Eu erro todo ano, esse não tem nada de especial para ser diferente. Pelo menos o Danilo já conhece o gosto da areia da praia e a Marcia e eu sabemos que apartamentos de frente para o mar não são tão legais assim. Ponto positivo para 2015 para nós, com direito àquele carimbo de professora primária no caderno. Um sol atirando com uma bazuca, provavelmente.

Comprar uma bicicleta, entrar na natação, comprar 2 pares de tênis novos, viajar mais, me estressar menos com tudo.
Coisas que não vou conseguir fazer em 2015.
Ao menos, em parte.
Que venha 2016.

nada

É Tetra! É Tetra!

27 de outubro de 2014

tetra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com um gol nos acréscimos da prorrogação, o Brasil carimbou a vaga para mais 4 anos de Partido dos Trabalhadores no comando. Mesmo não jogando tão bem, abusando da retranca e alguns lances mais violentos, os lampejos de arte e talento rarearam mas se fizeram presentes, e o país de Dilma Rousseff, Lula e outros 53 milhões de brasileiros não desapegou do lema “1×0 é goleada”.

A bem da verdade, a filosofia “o empate é um bom resultado”, proclamado por Parreira e Guido Mantega, está com os dias contados. O técnico vai mudar, a cartola será a mesma, mas a torcida mudou. Muito, diga-se de passagem. Até parte das organizadas, que sempre empurravam o time, passaram a bradar por mudanças: “Burro! Burra!”, “Ô-ô-ô, queremos delator!” ecoam pelas arquibancadas do Brasil. A pressão dos rivais azuis e amarelos, mais do que nunca.

Pesam escândalos de falta de comprometimento na equipe, de jogadores pulando o muro da concentração, de mala branca, mala preta, mala vermelha e branca. A principal patrocinadora da equipe teria sido corrompida pela direção do time. O Brasil está em frangalhos. Não há R$ 1 nos cofres do clube, que emprestou dinheiro para equipes do fortíssimo Caribe e não recebeu um troco sequer.

A vitória de ontem não apaga o histórico dos últimos anos, visto mais com preocupação do que com empolgação por parte do torcedor. Os rivais zombam e caluniam, e acreditam que o próximo campeonato está na mão. “O Brasil está cada vez mais fraco”, dizem os rivais. Tudo bem que essa peleja dura 12 anos, mas eles acreditam que uma quinta derrota consecutiva é impossível. “Se preciso for, apelaremos pela intervenção do STJD”, afirmam.

No jogo da política é sempre assim.
Quem ganha, vive a glória.
Quem perde, chora a mágoa.
Que torce contra a política e voto popular, cada vez mais, definha.

O Brasil que nós queremos!

14 de outubro de 2014

esquerda_e_direita

Não se trata de direita ou esquerda. Essa discussão está sendo enterrada sob os escombros do muro de Berlin. A correta divisão que me separa do meu adversário é uma só: é uma ideia nova, contra uma ideia velha. É uma visão moderna, contra uma visão atrasada. É um futuro possível, contra um passado já testado, por exemplo, na Polônia, na Hungria, na Alemanha Oriental e na Checoslováquia. Um passado que como estamos vendo, fracassou.

Qual de nós dois é o novo? O novo, minha gente, não é criar um Estado cada vez mais gigantesco e ineficiente, como fez a Ditadura Militar durante tantos anos. Um Estado que domina a vontade e liquida com a liberdade das pessoas como meu adversário quer nos impor. O novo é diminuir o tamanho da máquina do Estado para tornar o governo mais forte e mais eficiente no cumprimento de suas obrigações, do que ele deve fazer por você: cuidar da sua saúde, da educação, do saneamento, da moradia e garantir o desenvolvimento como nós queremos e nós vamos fazer. Um governo, minha gente, que não atrapalhe a vida das pessoas.

E o que é ser moderno? Ser moderno é reconhecer o direito de todo mundo se manifestar e respeitar as diferenças de opinião como eu faço, como você faz, e não estimular a agressão e a violência contra quem pensa de modo diferente. Ser moderno, minha gente, é não pregar o grevismo político e patrulhar o pensamento, a vontade e o desejo dos outros, como faz o outro candidato.

E o que é o futuro? O futuro não é isolar o país como quer o PT. O futuro somos nós que queremos o país voltado para o progresso, um Brasil moderno e integrado às novas exigências de um mundo que muda e se renova a cada dia. Pense bem: quem está mais identificado com a nossa realidade e as carências do nosso povo? Nós, que estamos garantindo um aumento real e efetivo, bem acima da inflação para o salário do trabalhador? – ou é o PT, que afirma que não haverá ganhos reais para os trabalhadores?

Ser moderno não é fazer como meu adversário, que não pagaria a dívida interna, que não honraria os rendimentos da sua caderneta de poupança. Ser moderno, minha gente, não é querer tomar o dinheiro que você consegue, com sacrifício, depositar na sua caderneta de poupança. Ser moderno não é ficar com o dinheiro que é fruto de um dinheiro suado e sacrificado, como quer o outro candidato. Ser moderno, minha gente, é respeitar a poupança – a poupança é sagrada! – e garantir esse dinheirinho a mais que você consegue juntar e garantir a sua propriedade, por menor que ela seja.

O que está em jogo nesta eleição não é o comunismo contra o anti-comunismo. Eu respeito a crença e o pensamento das pessoas. O que está em disputa nesta eleição, minha gente, é um futuro de paz, de tranquilidade, de união, de prosperidade e justiça social que nós representamos. E não, nunca, jamais a volta às ideias do passado, a miséria, aos conflitos e a intolerância que o outro candidato quer impor a você, quer impor a todos nós. Eu sei o que você quer para o nosso país. Você mostrou isso no 1° turno desta eleição e vai mostrar de novo, no dia 17 de dezembro. Você não vai se deixar intimidar pelas pressões, pela violência dos nossos adversários. Você vai para as ruas, mostrar a todo mundo a sua vontade de transformar este país. Com a ajuda de Deus, nós vamos fazer o Brasil como que todos nós sonhamos. Fique certo disso: a partir do ano que vem, nada será como antes.

Fernando Collor de Melo, em seu penúltimo programa eleitoral (1989).
https://www.youtube.com/watch?v=Bda2hEt8xPU

Há tempo de mudar (?)

24 de setembro de 2014

A trágica e repentina morte de Eduardo Campos, pouco mais de 1 mês atrás, fez com que a roda das eleições perdesse alguns parafusos. A então “tranquila” caminhada de Dilma Roussef a mais um mandato se tornou uma via crúcis em terreno inimigo, e sua cruz é apedrejada até mesmo por antigos eleitores e apoiadores.

Seu principal opositor tornou-se um mero espectador das decisões de quem também o abandonou no meio do caminho. Aécio Neves corre em uma pista de gelo, implorando por punhados de sal a cada semana. Para piorar, sua rejeição em Minas Gerais, seu berço político, se mostra um dos principais focos de sua impopularidade no restante do país.

Marina Silva surgiu, para muitos indecisos, como um oásis no deserto. A empolgação que permeou sua candidatura em 2010 voltou com ainda mais força. O reflexo emocional da perda de um dos postulantes ao cargo a fez ganhar altitude e velocidade de cruzeiro. Agora, um voo rasante entre a rejeição crescente, os ataques vindos de todos os lados e algumas turbulências de seu plano de governo.

A verdade é que, entre mortos e feridos, o PSB encontrou a redenção. Em menos de 50 dias, passou de entregador de medalhas a postulante real do degrau mais alto do pódio. Uma boa parte dos eleitores de Dilma, ainda descrentes com a proposta de mero continuísmo do governo Lula, foram para o lado da ambientalista. Vários seguidores de Aécio, longe de conseguir sentir pelo candidato o que gostariam de sentir, também penderam para o lado de Marina. Logo, de 11%, a intenção de votos para o partido saltou para quase 30%. Dilma, finalmente – e realmente, ameaçada: seria derrotada no 2º turno com uma diferença de até 10%.

Boi de piranha, o PT se vê encurralado. Fez por merecer, diga-se de passagem. “Nunca antes na história desse país” houve tal recorde em acusações, investigações, julgamentos, condenações, prisões e afastamento de políticos ligados ao governo. Isso possui um lado positivo, quase didático, que é o de pensar que, sim, é possível que políticos sejam penalizados por seus erros e atos corruptores e corruptíveis. Mas existe, também, a face cruel dessa realidade: os partidos opositores, hoje em voga, possuem teto de vidro. E as pedras estão lá, esperando para serem atiradas. E serão, é claro. No momento propício.

Nunca escondi meu voto em Dilma. Argumentando, sempre coloquei de forma clara: não vejo razão de não continuar com o que já vinha dando certo. Não consigo admitir que tudo esteja tão ruim quanto insistem em apontar. O quadro que é pintado, não encaixa na moldura. Respeitem isso.  Porém, o continuísmo deu errado. Não em todas as áreas, mas em algumas primordiais, como a economia – se não a mais importante para a máquina continuar rodando.

Optou-se por Guido Mantega, homem de confiança do mercado, homem forte de Lula. Deu certo – por 1 ano. Ainda em 2011, o governo já tinha sinais suficientes de que o modelo de sucesso adotado nos anos anteriores não tinha mais brilho. Insistiram, teimaram e se queimaram. E agora? Guido irá sair caso Dilma seja reeleita. Logo, irá sair de qualquer maneira. O eleitor de Dilma se vê questionando, a todo momento: mas… e  aí? Muda quem, para quem, por quem… para quê?

Em reeleição, novas promessas soam muito, muito mal. Dilma vem fazendo isso, em assuntos ligados a educação e segurança. É algo que esqueceu de prometer há 4 anos? É uma re-promessa? É só promessa? A saúde é o calcanhar de Aquiles de todo e qualquer governante brasileiro, e sempre será. Saúde pública, de qualidade, para mais de 200 milhões de pessoas, não é nada simples. Não é algo uniforme, nunca será. Privatizar não é a melhor maneira de se corrigir erros, pois apenas pintaria paredes com o reboco aparente. Nunca se apresentou nada de convincente para essa questão. Nem em 2014.

Me vejo descrente. Não em Dilma – não tenho nada contra sua postura e sua forma de lidar com os problemas do país. Me vejo descrente com seu discurso. Enquanto caminhamos para as urnas, vale um pensamento: vale a pena ir lá? Perder boa parte de um domingo? Quem sabe, até, ele inteiro? Para reeleger a Dilma? Para colocar Marina no Palácio? Elevar Aécio para o posto de seu avô? Sinceramente? Eu não saio de casa para isso.

Mudei meu voto recentemente. Não por pieguice, mas por convicção, como fiz em 2012, quando não votei em Haddad – não votei em ninguém. Hoje, reconheço: deveria ter votado nele. Mas como, na época, nunca me passou confiança, não o fiz. Esse ano, vou de Luciana Genro à presidência. E não irei discursar “é meu voto para o 1° turno”, porque não tem essa de “votar no menos pior no 2° turno”. É ela no 1° e, se não for adiante, anulo na sequência. Sem medo de ser feliz.

Porque por mais que insistam em me chamar de petista, eu voto em candidatos, sempre votei assim.
E candidato por candidato, prefiro a Luciana, de 13 a zero.

voto

7×1

11 de setembro de 2014

1. Vai ver é a falta de nicotina.
Pensando bem, não, não pode ser.
Não faz nem 72 horas que larguei o cigarro.
Bem, ao menos, espero ter largado.
Para sempre, se possível.
Não voltar a fumar mesmo em situações assim.
Sem aquela desculpa de “me estressei, preciso de um trago”.
Ah, como seria bom um trago agora!

2. Ou eu sou um cara estressado.
Habitualmente, quero dizer. Diariamente.
Sem muito motivo, sem muita razão.
E não é por falta de nicotina. Não por 14 anos.
Apenas sou, gosto de ser, me é confortável.
Um riso aqui, outro acolá, fones de ouvido e a vida que segue seu rumo.
Lá fora, do outro lado dos fones, sem me influenciar ou incomodar.
Mas, e os olhos? Os cego?

3. Já me ocorreu de ser preconceituoso.
E sei que sou, em algumas coisas, realmente.
Por exemplo: para mim, pessoas criativas, “fora da curva”, seguem um padrão.
O padrão de não seguir padrões.
Estéticos, comportamentais, musicais, culturais.
Esperamos dela o que não se espera, e por isso são inovadoras.
Caiu no sapatinho marrom para ir ao trabalho, já era. Dali não sai muita coisa.
E não adianta começar a fumar, não. Caiu na chatice, é só chato.

4. E se não for preconceito? E se for extremismo? Intolerância?
Admito: não suporto pessoas que não suportam. É insuportável, digamos.
Isso me fez criar um escudo, mas não dos que protegem.
É mais um daqueles que rebatem a bosta, em forma líquida, com alto poder de destruição.
Não há ventilador que me cative mais do que o tiro certeiro, no meio da testa.
Não vejo graça em respingos por todos os lados.
Quem gosta de múltiplos alvos é porque não mira em nada.
Eu sou certeiro. Mas só quando quero, evidentemente. E quase sempre, não quero.

5. Então posso escolher mal meus alvos. É isso! Só pode ser!
Acredito que ali há uma ameaça. Ou um ato hostil. Ainda, um devaneio.
E atiro, sem dó nem piedade. Quer dizer, não atiro – rebato.
E o efeito não é bem o planejado. Passo de argumentista a ofensor.
Se bem que, no fundo, para mim, só faço dodói.
Nada que o alvo não mereça ou tenha pedido.
Afinal, estamos em campo aberto, propensos a todo tipo de intempérie involuntária e…

6. É isso! Intempestividade! Sou intempestivo! Eureka!
Não me custa nada dar de cara com uma imbecilidade e fingir que não vi.
Afinal de contas, “o mundo é bão, Sebastião!”.
Não são más intenções, são pontos de vista. Opiniões. Ideias.
Balizadas, na grande maioria, em um saco de arrotos, é verdade.
Mas são dos outros, não as minhas. Não deveriam me causar tanta repulsa.
Mesmo que venham de pessoas que sinto apreço. Daquelas que não gostaria de intempestivizar.
Mas é intermitente essa mania de achar que são todos imbecis e só eu sei das coisas.

7. Egocentrismo. Porra, é isso! Eu me acho mais do que sou!
Estava tão na cara assim? Digo, na minha? Não nos atos em si, mas nas ideias?
Afinal, todos erram. Têm opiniões, ideias e atitudes dignas de nó no estômago.
Nem por isso são pessoas ruins ou idiotas – imbecis, gosto mais de imbecis – mas diferentes.
Outras vidas, criações, visões de mundo, concepções de certo/errado.
Nem todas as demonstrações de desprezo por terceiros ou novas teorias devem ser vistas como lixo.
Na verdade, é como o mundo gira: torto. Todo mundo atira para o lado que lhe convém.
Graças a mim sempre tenho meu escudo em mãos. Porque haja merda.

Meias, lenços, cintos, gravatas e sorrisos 

7 de agosto de 2014

No subconsciente, sempre fui enfático: dia dos pais é uma data qualquer. Assim como o dia das mães. Dia da mulher, dos namorados, do Papai Noel, do Silvio Santos. Não importa. Confesso não ter aquela visão anárquica de que sejam datas criadas com o único intuito de se mover a indústria dos presentes, já que “um dia qualquer” também move a indústria de transportes, de café, de cigarros e de Cefaliv. Todos ganham de alguma forma. Impossível evitar. Porém, meu pai, no dia dos pais, sempre ganhou um “parabéns, aí”. Idem para minha mãe. Me ensinaram assim, era assim, é assim.

De alguns anos para cá, ambos ganham algo além disso. Uma besteirinha qualquer, um presente mais legal quando o bolso está mais fresco. Um almoço na casa deles – o que para eles já é um presente, dizem. Quando vamos embora de casa, é natural que os momentos pai/mãe/filho(s) sejam um pouco mais “animados”. Mais curtos também, é verdade. Mas são saudáveis de se curtir. Até quando dá. Tenho vários amigos que não têm mais pai, mãe, ou ambos. E por mais anárquico que a mente deseje ser, ela leva um banho de saudade nessa data. Agridoce demais.

Como pai de primeira viagem, não ganharei nada. Nem sei se faria sentido ganhar. No atual momento em que vivemos lá em casa, valorizo muito mais os sorrisos do que meias, lenços, cintos ou gravatas. Valorizo o tempo, também. Escasso para o filho, pouco para a mulher, inexistente para algo mais do que algumas cervejas e escutar o rádio (sim) enquanto o jantar não sai.

Há uma boca sem dentes, cheia de baba e barulhos esquisitos que me aguarda no domingo. E hoje de noite, amanhã, depois… e isso me basta. Dia do pais pode ser todo dia, mas esse dia, para mim, será único. Para sempre.

daddyo

Nhém!


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