Archive for the ‘Cultura’ Category

Filé à Osvaldo Aranha – bacana

11 de março de 2015

Uma das coisas mais bacanas da vida é saber reconhecer seus defeitos, orgulhar-se das qualidades que possui e, principalmente, ter humildade de ouvir e fazer algo que ainda não conhece bem, quando bem assessorado. E a palavra “bacana” vem a calhar nesse post. Em uma das raras vezes em que almocei fora do trabalho (sou daqueles que traz comida de casa), resolvi ir a um restaurante “bacana” aqui perto. Por quê? Porque me deu vontade e, claro, principalmente, porque achei que pudesse pagar a conta, mesmo entoando o karma pós-refeição “poder eu posso, mas não deveria”.

Sentei-me à mesa e olhei o cardápio. “Bacana”, pensei. Tinha uma penca de opções gostosas. Felizmente (ou não), todas vêm com o preço logo ao lado. Como estava com muita fome, resolvi apelar para a quantidade – não antes pensando da forma mais comum de se escolher algo: indo no que já conhece ou dizem ser bom.

– Filé à Osvaldo Aranha, por favor.
– Ao ponto ou mal passado?
– Ao ponto.

oswaldoaranha

Enquanto esperava meu prato, que demorou uns 20 minutos, olhava para a televisão. Ouvia um programa de esportes nos fones de ouvido, como de costume. Às vezes, abria o e-mail para conferir detalhes de um freela. Quando o garçom voltou e “montou” meu prato – achei isso bem “bacana” – um senhor ao meu lado interviu:

– O arroz tem que ser misturado à farofa, hein?

Sorri timidamente, com aquele tom de “Bacana, cara. Agora me deixa comer em paz” e rumei para as primeiras garfadas. O senhor não se continha.

– Você sabe quem foi Oswaldo Aranha, não sabe?
– Um político gaúcho, não? Já li a respeito.
– Ele adorava comer isso aí… por isso homenagearam ele no prato.
– Pois é! Verdade.
– Qual seria o prato que poderia homenagear a Dilma, hein, meu amigo?
– Hmmm… Fritada à Brasileira?

Juro que não imaginei que o senhor fosse rir tão alto. Passei vergonha, muita. Ele riu por uns 10 segundos e disse que estava esperando a esposa chegar do trabalho para almoçar com ele. E nada da tal senhora chegar. E nada do cara parar.

– E esse bando de desempregados pedindo impeachment, você viu? 
– Ahm, vi, sim… vai ser no domingo, né?
– Domingo, segunda-feira, vai ser direto. E o pior é que eles estão querendo mesmo!
– Mas eles querem, mesmo. E vão continuar querendo até que, um dia, quem sabe…
– Devem ser todos microempresários.
– Não… tem muitos, mas a grande maioria é “peão”, mesmo.

Mais um riso alto do senhor aqui. Maldita senhora que não chegava. Maldito vinho no copo dele.

– Imagina o que vão falar da nossa democracia se, em menos de 20 anos, houver outro impeachment?
– Quase 30 anos, né? A nossa democracia ainda mora na casa dos pais, né… uma pena.
– Não entendi… na casa dos pais?
– É, sabe? Já tem idade para ser independente, plena…
– Ah, sim! É isso que eu disse: por que um estrangeiro investiria aqui, um país sem rumo?
– Em transição, no caso…
– Mas essa transição não tem fim nunca! Meu filho vai nessa coisa do dia 15. Um besta.
– Deixa ele te ouvir dizendo isso. Vai te chamar de comunista, hein?
– Ele vai levar meus netos, também. Acho uma perda de tempo. Impeachment!
– Ah, deixa esse pessoal… se um dia conseguirem, quem sabe, não sossegam?

Chega a esposa do cara. Graças ao bom Joey. Por mais que…

– Linda, estou conversando aqui com meu novo amigo, tudo bem?

Não, cara… não força… meu prato quase esfriando…

– Vou ao banheiro lavar as mãos. Pede o de sempre para mim? – diz a mulher.
– Sim, peço. E vinho também.

Nesse momento pensei em ligar para o trabalho e dizer que não ia conseguir mais voltar.

– Bem, garoto, aproveite seu prato aí. Foi um papo “bacana”.
– Sem problemas, foi sim. Bom apetite para vocês.

Mas a curiosidade é uma porcaria. Eu não sabia o nome do senhor. E ele parecia ser um cara… ahm… “bacana”. Por mais que falasse muito em um momento em que eu gosto de ficar calado. Mas, perguntei.

– Desculpe, nos falamos e nem sei seu nome.
Alonso! E você?
– Rafael, prazer!
– Prazer! Você come com pressa, está em horário de almoço, não?
– Sim, sim… logo mais tenho que estar lá.
– Então você não vai na passeata mesmo!
– Por trabalhar? Não, o pessoal que vai também trabalha. É de domingo…
– Mas se houver impeachment e trabalharem em multinacional, vão pra rua. Nacional, então…
– Pela… (mastigada) quebra de… 
– Confiança! Se está ruim agora, imagine depois! Iraque!

Pausa para comentar que não, não entendi MUITO bem a relação com o Iraque, mas deixei passar. Minha fome tinha quase acabado.

– Acho que tudo tem jeito. Mas… vamos ver!
– Eu não andaria num carro que já perdeu os freios duas vezes!

Aí entendi o que o senhor queria dizer.
E agradeci – pela última vez – pelo papo.

E por mais que saiba que não foi uma pessoa de boas companhias: obrigado a você também, Osvaldo Aranha. Foi bacana.

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Narcisismo na ponta dos dedos

20 de fevereiro de 2015

Deve ser regra e desconheço. Provavelmente, a operadora concede desconto. Ou o aparelho fica mais veloz, ágil. Será que amplia a memória? Aumenta o tráfego de dados da internet? Gera novas formas de se fazer e receber ligações? Insere emoticons exclusivos e personalizados. Afinal de contas, pra quê caralhos alguém coloca sua própria foto como imagem de fundo do celular?

No início, imaginei que fosse uma questão de segurança ou coisa que o valha. Muitas pessoas podem ter o mesmo modelo de celular, da mesma cor, com a mesma capa e, de repente, por engano, levar o seu embora. Ela perceberia assim que sua imagem Postmodern aparecesse na tela. Algo como: “Bem, deixa eu ver meu Facebook aqui e… Opa! Claudinha? Nossa, me confundi! Vou devolver!”. Mas não, não é isso.

Amor próprio? Autofelação visual? “Meu deus, como sou lindo (a)!”. Qualquer coisa vira motivo para selfie ou fotos no espelho. Um decote de gorda. Uma barba rala de adolescente. Um boné da Oakley feito pela Cuca Fresca. Um “novo” corte de cabelo. Não faz mal, vale o registro. Para sempre. Ou por dias. Ou até quando alguém te disser que sua foto já está “meio antiga”. Aí magoa. E a pessoa vai comprar outro boné. Ou trocar de lingerie. Ou raspar a cabeça. Mas não, não é isso.

Uma explicação conveniente seria bastante simples: porque o celular é da pessoa, e ela coloca ali o que bem entender. “Paguei, é meu, a vida é minha, não me enche!”. E concordo com essa. Eu também não vejo problema em você ser um completo imbecil carente que não come e não é comido por nada nem ninguém e sinta necessidade de se autoelogiar diariamente, assim que recebe uma ligação, mensagem de texto ou foto de sacanagem no WhatsApp. Só acho meio… como dizer? Humilhante?

O mundo é enorme. Há mais de 7 bilhões de pessoas nele. Paisagens paradisíacas, imagens tocantes, símbolos e brasões que podem representar muito para sua vida. Um cantor, uma dançarina, um platelminto, sei lá. Não: na sua cabeça, não há nada no universo que seja mais digno de sua apreciação do que você mesmo (a). Diz que ama pizza, que morre pelos pais, que é Palmeiras de coração, que é defensor dos animais, “Força, foco e fé”. E coloca a porra da sua foto no celular.

Na verdade, tanto faz.
Esse post não tem muito sentido e estou reclamando de algo koelhístico.
E foi só uma desculpa para dizer que amo essa foto, pela sinceridade da coisa.

nheco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sentimentos são quase impossíveis de ser tão bem retratados.

O Brasil que nós queremos!

14 de outubro de 2014

esquerda_e_direita

Não se trata de direita ou esquerda. Essa discussão está sendo enterrada sob os escombros do muro de Berlin. A correta divisão que me separa do meu adversário é uma só: é uma ideia nova, contra uma ideia velha. É uma visão moderna, contra uma visão atrasada. É um futuro possível, contra um passado já testado, por exemplo, na Polônia, na Hungria, na Alemanha Oriental e na Checoslováquia. Um passado que como estamos vendo, fracassou.

Qual de nós dois é o novo? O novo, minha gente, não é criar um Estado cada vez mais gigantesco e ineficiente, como fez a Ditadura Militar durante tantos anos. Um Estado que domina a vontade e liquida com a liberdade das pessoas como meu adversário quer nos impor. O novo é diminuir o tamanho da máquina do Estado para tornar o governo mais forte e mais eficiente no cumprimento de suas obrigações, do que ele deve fazer por você: cuidar da sua saúde, da educação, do saneamento, da moradia e garantir o desenvolvimento como nós queremos e nós vamos fazer. Um governo, minha gente, que não atrapalhe a vida das pessoas.

E o que é ser moderno? Ser moderno é reconhecer o direito de todo mundo se manifestar e respeitar as diferenças de opinião como eu faço, como você faz, e não estimular a agressão e a violência contra quem pensa de modo diferente. Ser moderno, minha gente, é não pregar o grevismo político e patrulhar o pensamento, a vontade e o desejo dos outros, como faz o outro candidato.

E o que é o futuro? O futuro não é isolar o país como quer o PT. O futuro somos nós que queremos o país voltado para o progresso, um Brasil moderno e integrado às novas exigências de um mundo que muda e se renova a cada dia. Pense bem: quem está mais identificado com a nossa realidade e as carências do nosso povo? Nós, que estamos garantindo um aumento real e efetivo, bem acima da inflação para o salário do trabalhador? – ou é o PT, que afirma que não haverá ganhos reais para os trabalhadores?

Ser moderno não é fazer como meu adversário, que não pagaria a dívida interna, que não honraria os rendimentos da sua caderneta de poupança. Ser moderno, minha gente, não é querer tomar o dinheiro que você consegue, com sacrifício, depositar na sua caderneta de poupança. Ser moderno não é ficar com o dinheiro que é fruto de um dinheiro suado e sacrificado, como quer o outro candidato. Ser moderno, minha gente, é respeitar a poupança – a poupança é sagrada! – e garantir esse dinheirinho a mais que você consegue juntar e garantir a sua propriedade, por menor que ela seja.

O que está em jogo nesta eleição não é o comunismo contra o anti-comunismo. Eu respeito a crença e o pensamento das pessoas. O que está em disputa nesta eleição, minha gente, é um futuro de paz, de tranquilidade, de união, de prosperidade e justiça social que nós representamos. E não, nunca, jamais a volta às ideias do passado, a miséria, aos conflitos e a intolerância que o outro candidato quer impor a você, quer impor a todos nós. Eu sei o que você quer para o nosso país. Você mostrou isso no 1° turno desta eleição e vai mostrar de novo, no dia 17 de dezembro. Você não vai se deixar intimidar pelas pressões, pela violência dos nossos adversários. Você vai para as ruas, mostrar a todo mundo a sua vontade de transformar este país. Com a ajuda de Deus, nós vamos fazer o Brasil como que todos nós sonhamos. Fique certo disso: a partir do ano que vem, nada será como antes.

Fernando Collor de Melo, em seu penúltimo programa eleitoral (1989).
https://www.youtube.com/watch?v=Bda2hEt8xPU

Há tempo de mudar (?)

24 de setembro de 2014

A trágica e repentina morte de Eduardo Campos, pouco mais de 1 mês atrás, fez com que a roda das eleições perdesse alguns parafusos. A então “tranquila” caminhada de Dilma Roussef a mais um mandato se tornou uma via crúcis em terreno inimigo, e sua cruz é apedrejada até mesmo por antigos eleitores e apoiadores.

Seu principal opositor tornou-se um mero espectador das decisões de quem também o abandonou no meio do caminho. Aécio Neves corre em uma pista de gelo, implorando por punhados de sal a cada semana. Para piorar, sua rejeição em Minas Gerais, seu berço político, se mostra um dos principais focos de sua impopularidade no restante do país.

Marina Silva surgiu, para muitos indecisos, como um oásis no deserto. A empolgação que permeou sua candidatura em 2010 voltou com ainda mais força. O reflexo emocional da perda de um dos postulantes ao cargo a fez ganhar altitude e velocidade de cruzeiro. Agora, um voo rasante entre a rejeição crescente, os ataques vindos de todos os lados e algumas turbulências de seu plano de governo.

A verdade é que, entre mortos e feridos, o PSB encontrou a redenção. Em menos de 50 dias, passou de entregador de medalhas a postulante real do degrau mais alto do pódio. Uma boa parte dos eleitores de Dilma, ainda descrentes com a proposta de mero continuísmo do governo Lula, foram para o lado da ambientalista. Vários seguidores de Aécio, longe de conseguir sentir pelo candidato o que gostariam de sentir, também penderam para o lado de Marina. Logo, de 11%, a intenção de votos para o partido saltou para quase 30%. Dilma, finalmente – e realmente, ameaçada: seria derrotada no 2º turno com uma diferença de até 10%.

Boi de piranha, o PT se vê encurralado. Fez por merecer, diga-se de passagem. “Nunca antes na história desse país” houve tal recorde em acusações, investigações, julgamentos, condenações, prisões e afastamento de políticos ligados ao governo. Isso possui um lado positivo, quase didático, que é o de pensar que, sim, é possível que políticos sejam penalizados por seus erros e atos corruptores e corruptíveis. Mas existe, também, a face cruel dessa realidade: os partidos opositores, hoje em voga, possuem teto de vidro. E as pedras estão lá, esperando para serem atiradas. E serão, é claro. No momento propício.

Nunca escondi meu voto em Dilma. Argumentando, sempre coloquei de forma clara: não vejo razão de não continuar com o que já vinha dando certo. Não consigo admitir que tudo esteja tão ruim quanto insistem em apontar. O quadro que é pintado, não encaixa na moldura. Respeitem isso.  Porém, o continuísmo deu errado. Não em todas as áreas, mas em algumas primordiais, como a economia – se não a mais importante para a máquina continuar rodando.

Optou-se por Guido Mantega, homem de confiança do mercado, homem forte de Lula. Deu certo – por 1 ano. Ainda em 2011, o governo já tinha sinais suficientes de que o modelo de sucesso adotado nos anos anteriores não tinha mais brilho. Insistiram, teimaram e se queimaram. E agora? Guido irá sair caso Dilma seja reeleita. Logo, irá sair de qualquer maneira. O eleitor de Dilma se vê questionando, a todo momento: mas… e  aí? Muda quem, para quem, por quem… para quê?

Em reeleição, novas promessas soam muito, muito mal. Dilma vem fazendo isso, em assuntos ligados a educação e segurança. É algo que esqueceu de prometer há 4 anos? É uma re-promessa? É só promessa? A saúde é o calcanhar de Aquiles de todo e qualquer governante brasileiro, e sempre será. Saúde pública, de qualidade, para mais de 200 milhões de pessoas, não é nada simples. Não é algo uniforme, nunca será. Privatizar não é a melhor maneira de se corrigir erros, pois apenas pintaria paredes com o reboco aparente. Nunca se apresentou nada de convincente para essa questão. Nem em 2014.

Me vejo descrente. Não em Dilma – não tenho nada contra sua postura e sua forma de lidar com os problemas do país. Me vejo descrente com seu discurso. Enquanto caminhamos para as urnas, vale um pensamento: vale a pena ir lá? Perder boa parte de um domingo? Quem sabe, até, ele inteiro? Para reeleger a Dilma? Para colocar Marina no Palácio? Elevar Aécio para o posto de seu avô? Sinceramente? Eu não saio de casa para isso.

Mudei meu voto recentemente. Não por pieguice, mas por convicção, como fiz em 2012, quando não votei em Haddad – não votei em ninguém. Hoje, reconheço: deveria ter votado nele. Mas como, na época, nunca me passou confiança, não o fiz. Esse ano, vou de Luciana Genro à presidência. E não irei discursar “é meu voto para o 1° turno”, porque não tem essa de “votar no menos pior no 2° turno”. É ela no 1° e, se não for adiante, anulo na sequência. Sem medo de ser feliz.

Porque por mais que insistam em me chamar de petista, eu voto em candidatos, sempre votei assim.
E candidato por candidato, prefiro a Luciana, de 13 a zero.

voto

De bem consigo mesmo

5 de fevereiro de 2014

Odeia políticos
Odeia política
Odeia partidos políticos
Odeia o Governo
Odeia o PT
Odeia as eleições
Odeia impostos
Odeia assistencialismo
Odeia a Copa do Mundo no Brasil
Odeia as Olimpíadas no Rio de Janeiro

Odeia carnaval
Odeia Natal
Odeia o dia dos namorados
Odeia o dia das mães
Odeia o dia dos pais
Odeia o dia de finados
Odeia o sete de setembro
Odeia a Páscoa
Odeia consciência negra
Odeia dia dos professores

Odeia o trânsito
Odeia o transporte público
Odeia pedágios
Odeia ciclistas
Odeia passeatas
Odeia flanelinha
Odeia pedinte
Odeia motoqueiros
Odeia radares de velocidade
Odeia semáforos de trânsito

Odeia a Coca-Cola
Odeia a Rede Globo
Odeia a Rede Record
Odeia a imprensa
Odeia novela
Odeia as cotas
Odeia reality shows
Odeia o Ibope
Odeia programas de auditório
Odeia programas sobre celebridades

Odeia praia lotada
Odeia música alta
Odeia o calor
Odeia o frio
Odeia chuvas
Odeia estiagens
Odeia o horário de verão
Odeia acordar cedo
Odeia mosquitos
Odeia testes em animais

Odeia funk carioca
Odeia funk ostentação
Odeia funkeiros
Odeia pagode
Odeia sertanejo universitário
Odeia tecno
Odeia gays
Odeia pastores
Odeia vegetarianos
Odeia feministas

i_love_hate_you_by_teigiser
Como as pessoas conseguem viver com um mínimo de paz interior, hoje em dia?

E aí, tudo bem? Vou te deletar. Bjos!

31 de janeiro de 2014

Inspirado neste post da amiga Renata (a qual, confesso, não falo nem vejo há anos – então, tudo bem, Renata?), vejo como necessário um aviso. Aos amigos distantes, aos próximos e, principalmente, parentes (pois é): se eu tiver que ler algum comentário, post ou compartilhamento de ideias ou opiniões ligadas à xenofobia e preconceito, seja este qual for, a pessoa será deletada. Do Facebook, Twitter, lista de e-mails, Whatsapp, o que for. Bem provavelmente, da minha lista de amigos “da vida real”.

Não que isso vá mudar a vida da pessoa – não ter mais contato ou interação comigo. Se bobear, será até bom para ela. Mas para mim, com certeza, será algo próximo à sensação do orgasmo saber que, finalmente, terei uma chance a menos de ler coisas do tipo “nordestino é uma raça zzzzzzz”. Chamou de “raça”, amigo, acabou. Quer dizer, ex-amigo.

O mesmo vale para quem ama fazer juízo de valor sobre o que/quem não sabe ou conhece. “Esse bando de vagabundos que vivem às nossas custas!”. Você pode provar o que está dizendo? Pode me apresentar o boleto de pagamento das contas da tal pessoa? O que é ser vagabundo? Como sei que essas questões costumam vir acompanhadas de respostas sem qualquer base lógica de raciocínio, apenas deletarei a pessoa e pronto.

Não sei se foram as 30 velas sobre o bolo no ano passado, mas não tenho a menor paciência para “polêmicas”. Sério, acreditem. Claro que adoro um debate, desde que sejam respeitadas as regras básicas de um diálogo educado. Partiu para a baixaria ou abusou do “achismo”, acaba. Por isso, não consigo mais perder tempo com gente pequena, de coração murcho e alma cinzenta. Enche o saco. Já bastam os meus momentos de astral rasante. Não preciso de tanto negativismo e ódio ao meu redor.

Digo tudo isso porque estamos às portas do inferno. Como disse no meu penúltimo post, é muito simples opinar sobre qualquer coisa, a qualquer momento, da maneira que bem entender. Estamos em ano de Copa do Mundo. De manifestações. De ações de grupos organizados e militares. De rolezinhos. De eleições. Um terreno fértil para uma tempestade de xenofobia, racismo, preconceitos variados e, claro, muito ódio.

Portanto, amigos (cof cof), se tiverem interesse, baixem este aplicativo e instalem em seus computadores. Ele permite saber quem te bloqueou/deletou no Facebook. Vai te ajudar a alimentar um pouco mais do rancor e frustração pelo simples fato de estar vivo, e também a saber que você vem soltando merda pela ponta dos dedos.

Falando nisso… e aí, tudo bem?
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Eu acho que

15 de janeiro de 2014

Ficou fácil ter opinião. No Brasil, em Botswana, Zaire ou a antiga região conhecida como Haiti. Basta um dispositivo conectado à internet, uma horda de 40 amigos com visões pouco conflitantes entre si e voi là – você acaba de entrar para o hall dos formadores de opinião. Sim, formadores. Porque esse papo de ter opinião é coisa de dona de casa, que enche o peito ao dizer que “fala tudo na cara”, porque é assim que é.

Seja rasa, profundamente obscura ou perspicaz, não tem a menor importância. O que interessa, no fim, é que seja uma opinião. Com ou sem argumentos. Ecoando interpretações errôneas de forma proposital ou não. Independente sobre o quê. É opinião. E é sua, mesmo que parta dos princípios de outros.

Dados do Ibope – aquele instituto no qual ninguém confia, pois nunca reflete em pesquisas o que as pessoas acreditam ser verdade – revelou, em 2013, que cerca de 100 milhões de brasileiros acessam a internet. Lan Houses, Wi-Fi, smartphones, conexão do trabalho: hoje, todos podem opinar sobre algo, a qualquer momento, de qualquer lugar. Desse montante, pelos investimentos feitos e pela proximidade da Copa do Mundo 2014 (opine aqui _____ ), é fácil saber onde está a maior fatia desses usuários. Logo, a falta de pluralidade nas ideias publicadas. A desinformação e a agilidade em se espalhar boatos pela internet levará, em breve, a um novo patamar de preguiça: o profissional.

Isso estará nos livros de sociologia, em poucas décadas: “a era da opinião”. Será tema de Feiras de Ciências, se estas ainda existirem. Irá render teses de doutorado e, quem sabe, ajudará a desabrochar uma nova consciência coletiva. Haverá filmes, no mesmo patamar de Cidadão Kane, que abordarão o assunto. Camisas com a foto de algum personagem importante nessa revolução – acredito que Aécio Neves ou Luciano Huck – serão sucesso de vendas entre os adolescentes-militantes do século XXI.

Por enquanto, não. Até aqui, opiniões expostas, principalmente na internet, são comparáveis a soltar pipa no meio do Katrina. O infernal hemisfério que vai do kkkk ao huehuehue BR BR, passando pelo “Acorda, Brasil!”, também conhecido como interatividade, é uma zona de extremo perigo.

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Mas é só minha opinião.

Bandidos de uma sigla, desgraça de uma nação

10 de janeiro de 2014

Há mais de uma década, o Brasil vive em meio as sombras. Pouco sobrou do que de bom foi feito, anos e anos atrás. Perdemos o punho firme do Estado e da força militar, sempre preocupados com o bem-estar e livre arbítrio de sua população, além da benevolência ao pensamento político de cada cidadão. Nossa segurança e tranquilidade foram aniquiladas, à medida que novos incentivos à parte mais negra de nossa história adentra o hall de embarque para o inferno da convivência. Hoje, vagabundos circulam livremente por nossa sala de estar, tendo direito ao voto, poder de compra e à mordomias como alimentação e recreação – custeados por nós.

A máquina federal vai, dia após dia, enfraquecendo o poder de compra, ao mesmo tempo que lança no mercado novos consumidores, abastecidos em suas carteiras e cartões sociais por nossos suados impostos, ávidos por destruir a meritocracia legítima. Pessoas despreparadas e distantes do padrão aceitável acadêmico, há tempos, invadem nossas universidades. Não há mais orgulho no jovem brasileiro em alcançar objetivos, apenas recebê-los. Nossa moeda, criada nos áureos tempos de bonança e emprego forte, respira por aparelhos. O Dólar e o Euro massacram centenas de milhares de pessoas de bem, que são abruptamente impedidas de gozarem as recompensas pelo trabalho digno.

O emprego, cada vez mais pujante, faz com que as ofertas de trabalho sejam, invariavelmente, fora da realidade. Hoje, qualquer atribuição desqualificada rende salários impensáveis nos anos 90. Por isso, a mão de obra barata é escassa, e a população brasileira sucumbe a verdadeiros assaltos à mão armada de subempregos, agora, cobrando valores absurdos por trabalhos básicos e essenciais, como limpeza e cuidados com bebês ou idosos. O cidadão é onerado por manobras fétidas de extorsão, como a obrigatoriedade de registro em carteira de profissionais informais.

Uma horda de acéfalos, cegados por migalhas e promessas vazias, invade as ruas e as urnas, enfraquecendo nossa democracia e alienando, cada vez mais, jovens e adultos. São o câncer da nossa sociedade, por ser proliferarem como pragas de campo, sempre que um suborno político lhes é oferecido. Nossos líderes (sic) afundam suas cabeças em tigelas de ouro, recheadas de mariscos, enquanto riem de nossa situação. Seu exército de zumbis avermelhados pode, mais uma vez, os garantir por outros 4 anos no comando da nação, se não forem diariamente refreados, das mais variadas formas.

O cenário é obscuro. Possuímos esperanças de que nossa dignidade e respeito voltará após a Copa do Mundo, quando o país voltar a seu ritmo habitual. As urnas clamam por dias mais azuis. Porém, a luta nunca foi tão necessária. Precisamos, de uma vez por todas, anular a humilhar – como somos humilhados, todos os dias – aqueles podres e sujos que hoje se banham em nossas límpidas águas.

O Brasil precisa acordar!
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Vende-se sofá sulamericano

22 de fevereiro de 2013

O evento que causou a morte de um garoto de 14 anos, dias atrás, durante a partida entre San José X Corinthians, em Oruro (BOL), é destaque em todos os programas esportivos e policiais. Alimentada por sangue e pólvora, a mídia cumpre seu papel. Noticia fatos, opina sobre boatos, incita discussões. O maior problema, a morte do garoto, é a ponta de um iceberg. Este, capaz de naufragar navios sem sinalizadores. Ao clube e seus torcedores sobraram as ofensas e acusações. Assassinos e coniventes foram as mais suaves. Para o caso em si, acidente parece a mais coerente.

Para quem já foi a estádios de futebol, o pensamento é simples: existem, sim, as pessoas que procuram confusão e a agressão gratuita – se isso resultar em morte, é apenas uma consequência. E há, evidentemente, aqueles que vão para se divertir e aproveitar o que há de mais importante entre as coisas menos importantes – o futebol. No que as imagens e relatos demonstram, o sinalizador lançado da torcida corinthiana, na horizontal, em direção aos bolivianos, parece mais sem rumo do que realmente com rota específica.

Como disse anteriormente, quem já foi a estádios, sabe como a coisa funciona. No caso dos jogos do Corinthians, quando um gol é marcado (assim como no início do primeiro e segundo tempo), grandes bandeiras são erguidas sobre a cabeça dos torcedores. São os “bandeirões”. O Corinthians, normalmente, conta com três deles por partida: o maior, da Gaviões da Fiel, e dois menores – mas igualmente ostentosos: da Camisa 12 e Coringão Chopp. Ainda há bandeirões da Estopim e Pavilhão 9, mas esses, normalmente, são renegados a jogos de menor importância – não me pergunte o motivo, nem me cobre mais conhecimento sobre esse assunto. Com base em tudo isso, explico melhor, logo abaixo.

Tragédia em 3 atos:

1. Testemunhas brasileiras, torcedores e jornalistas, relatam que em momento algum a polícia local fez a revista em quem adentrava o estádio. Pessoas com malas de viagem, fechadas, eram empurradas para dentro. Poderiam carregar sinalizadores. Bombas. Armas de fogo. Facas. Bazucas. Cocaína. Maconha. Anthrax.

2. Na última quarta-feira, o gol de Guerrero aconteceu aos 6 minutos de partida. Ou seja, o único bandeirão levado para a Bolívia, da Gaviões da Fiel, já havia sido erguido e baixado, em função do início da partida. Veio o gol, ou seja, novamente hora do bandeirão. Porém, como em um roteiro pré-definido, após o grande poliester ser baixado, é hora dos sinalizadores. Não os que foram levados a Oruro, mas sim, outros mais inofensivos, que apenas geram luz. Uma verdadeira confusão, eu sei. Eles também. Mas não imaginavam o que viria a acontecer.

3. Alguém que acabara de acionar o dispositivo PROIBIDO nos estádios do Brasil, mas legal na Bolívia (mesmo não tendo sido comprado lá), teve milésimos de segundo para decidir: aponto isso para baixo, podendo atingir quem está aqui / aponto para cima, correndo risco de colocar o enorme bandeirão em chamas, sobre dezenas de pessoas / aponto para qualquer outro lado, que não seja para o alto ou para baixo. Sim, a decisão foi errada. Impensada, provavelmente. Trágica, sem dúvidas.

Acredito que, mesmo que o torcedor responsável pelo disparo seja uma pessoa violenta, talvez até mesmo fora da lei, em momento algum teve a intenção ou consciência do risco que assumia ao disparar o sinalizador para o lado. Era outro país, uma torcida inócua aos corinthianos, sem qualquer rivalidade. Ou seja, não haveria propósito a uma provocação ou tentativa de agressão como tentam comprovar boa parte da mídia, sociedade e autoridades bolivianas. Uma dúzia de corinthianos foram presos, e aguardam decisão da justiça em uma delegacia de Oruro sobre seus destinos. O clube já comunicou, de forma oficial, que não irá interferir na libertação dos mesmos. Também disse que não houve financiamento de torcedores para assistir à partida no exterior.

A Conmebol, órgão máximo do futebol sulamericano, decidiu por penalizar o clube, Corinthians, com a não participação de sua torcida em todas as partidas seguintes da competição. Já foram vendidos mais de 100 mil ingressos para os três jogos da primeira fase, no estádio do Pacaembu. Um prejuízo de R$ 15 milhões. Uma penalização que poderia parar por aí, mas que será contestada tanto pelo Corinthians – que entrará com recurso sobre a decisão, quanto da opinião pública, que argumentará que isso não é o suficiente. Na verdade, nada seria o bastante. Nada nunca será para algo deste tipo.

Os caciques da bola na América do Sul, por décadas omissos em casos semelhantes e mais brandos, resolveram a questão de forma simples, prática, e sem efeito real: pegaram a mulher com o Ricardão no sofá da sala, e para solucionar o caso, venderam o sofá.

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Que tenham boas noites de sono.

As mentiras que você engoliu em 2012 – retrospectiva

19 de dezembro de 2012
Todo mundo mente

Todo mundo mente

Narrar fatos e feitos é uma grande calhordice. Qualquer acéfalo consegue realizar tal tarefa. Basta assistir ao telejornal diariamente, buscar informação em mais de um veículo da imprensa e procurar se manter atualizado sobre o que acontece no Brasil e – BANG! – você está apto a fazer uma retrospectiva.

Mas como sei que vocês usam o tempo livre apenas para jogar vídeo game, ir a shows, ficar compartilhando asneiras nas redes sociais e se masturbando no Xvideos, aqui vai o que de mais importante (não) aconteceu, mas você acreditou:

O Facebook iria usar suas postagens e informações pessoais como bem entender
Sejamos sinceros: o que há de tão interessante na sua vida que possa render frutos a Mark Zuckerberg e sua equipe? De verdade. Essas fotos de você e seus amigos no barzinho, na balada, naquele fim de semana na praia. A foto do cachorro desaparecido que você compartilhou, da criança com um tumor no cérebro, suas ideias vazias sobre o aborto. Isso renderia o quê, além de boas risadas? Por outro lado, criem consciência, de uma vez por todas: se está na internet, não é só seu. E se está na internet, não é tão importante assim.

Que o julgamento do Mensalão era o início de uma nova era de justiça e consciência
Um bocado de acusados, um punhado de indiciados, uns tantos punidos, ninguém preso. Ok, ainda há tempo para que se cumpram as determinações do STF, mas vocês, realmente, conseguiram acreditar que aquilo tudo iria criar uma onda em prol da pureza política brasileira. O problema é que o buraco é mais embaixo, no privado, e não no público. Dinheiro que se lava, tem fonte. Fontes têm interesses. Interesses geram mercados. Logo, apenas com o fim de toda e qualquer empresa privada, o financiamento à corrupção teria fim. Como o anarquismo termina na chegada do primeiro boleto de cobrança, isso é inócuo.

Que o PT, Lula, Zé Dirceu e Genoíno são o câncer desse país
Imaginem um genocídio. Agora, visualizem a cena de milhares de corpos esquartejados, pisoteados, carregados de balas. Ao fundo, meia dúzia de pessoas de pé, terno e grava, mãos sujas de sangue e pólvora. São eles. Culpados, inocentes, meros fantoches ou personagens de um jogo político? Acredite, nunca vamos saber. O que conseguimos determinar, finalmente, é que a tendência da mídia e opinião média do brasileiro é que, em caso de dúvidas, a vantagem é do acusador. Todos têm envolvimento. Todos sabem, mesmo que nem todos tenham visto ou participado. Mas sabem. A cura do câncer ainda não foi descoberta, mas o tumor pode ser removido – nesse caso, mesmo após a metástase. Ainda existem cachoeiras de muitos malefícios que alagam os corredores da nação, além de outros animais presentes no jogo do bicho que precisam ser caçados e cassados, mesmo que contando com a anuência de um período favorável. E essa cachoeira, cercada de tucanos ao pôr do sol, ainda fará com que muita água passe por debaixo da ponte.

Corinthians? Nunca serão!
Salvo clubismo, é evidente que brasileiro não entende patavinas de futebol. Ele entende da farra, da cerveja antes/durante/depois do jogo e dos xingamentos à arbitragem. De resto, é senso comum, nada mais. E isso, também, no meio da imprensa esportiva. Um clube que por 80 anos detinha, apenas, alguns títulos regionais de média relevância, em 22 anos conquistou o país, a América e o mundo. Amado, odiado, contestado e investigado, o Corinthians conseguiu atingir todos seus maiores objetivos na base de muita desconfiança, avareza, investimentos obscuros e práticas louváveis. A partr de 2012, foi determinado, por exemplo, que 4 de julho é “Dia de São Nunca”, e que 16 de dezembro é o dia da “Revolução Japonesa”.

Que você é uma pessoa de ideias admiráveis, humanísticas e de cultura acima da média
Alguma vez, ao longo de sua vida, você realmente acreditou no que estava fazendo? Sim, a pergunta é essa, e assim mesmo. Veja bem, não é que você não possua um bom coração. De forma alguma estou querendo afirmar que seja hipócrita, também. Muito menos que desconheça quase que totalmente o que significa uma nova hidrelétrica, o que é necessário para uma desapropriação de terra, os ideais de paz entre os povos do Oriente Médio ou como funcione o sistema de cotas. Porém, você reivindicou por isso tudo, durante… dias. Acreditou nos abaixos-assinados que lhe indicaram, mesmo que tenham sido criados por pessoas com tão pouco conhecimento dos assuntos quanto você. “Dorsal Atlântica no Rock in Rio”, “O real tamanho das torcidas de futebol no Brasil”, “Pela emancipação da região Sudeste do Brasil”… veja bem, são tantas asneiras reunidas em apenas 365 dias, que poderia passar mais um ano inteiro as listando aqui. “Ah, mas como não se indignar com algumas coisas que acontecem no nosso país? Iam assassinar índios, fazer obras inúteis, votar projetos absurdos, propor emendas imorais!”. Meu amigo idiota… você acredita até mesmo que Clarice Lispector e José Saramago tenham dito e escrito aquela quantidade descomunal de ideias e pensamentos, para que fossem difundidos, décadas depois, pela internet. Apenas continue nos divertindo com sua prevaricação à inteligência. Você realmente é uma importante gota de água no oceano, o revolucionário grão de areia em meio ao deserto.

O brasileiro tem o gosto musical alinhado à sua educação
Se não teve educação, é funkeiro. Se é superficial ou influenciável, é sertanejo. Se gosta de ler e assistir filmes B, é indie. Se foi criado por uma família autoritária e repressora, vira rockeiro. Se o crime faz parte de sua vida, escuta rap. MPB, samba de raíz, música clássica, pagode, eletrônica. É tudo música. Não deve ter um peso maior em sua vida e suas ideias do que tem na cabeça de quem as criou. Tchê-Tchêrerê-Tchê-Tchê, Se te pego, Como é bom ser vida loka (sic). Nada disso é pior do que as músicas que você, muito provavelmente, gosta, escuta e sequer entende. Música em inglês, por exemplo. As frases ditas pelos rappers norte-americanos são bem mais lascivas e nocivas a ouvidos puros do que aquelas cantadas por Mano Brown e outros MCs. Michel Teló dá de goleada em suas cantoras pop mais cultuadas. Thiaguinho, o pagodeiro, consegue ser muito mais poético do que Madonna. Portanto, se sua cadeia alimentar musical tem início nos Estados Unidos ou Europa, favor trocar seu Aurélio por um Michaelis. Duvido que já tenha usado qualquer um deles para saber sobre o que você mesmo tenta cantarolar.

Que as novelas da Rede Globo – e a emissora em si – fazem parte de um plano maior
Sim, isso é verdade. As telenovelas brasileiras só fazem o sucesso que fazem, conquistam as médias de audiência que conquistam e possuem 80% dos direitos autorais sobre tudo o que você conversa/critica/debate/julga ao longo de 10 meses, graças a um plano maior de dominação e lavagem cerebral da população. Por sinal, a Globo e suas novelas conseguem fazer isso tudo, inclusive, com você mesmo: o de fazer com que você insista que é diferente de todo o resto. Todos aqueles que assistem novela, que comentam novela, que ficam emocionados com um folhetim de roteiro invariavelmente sem variação. Você não faz parte dessa malévola tática para camuflar problemas maiores e criar novos preconceitos – além de abastecer tantos outros. Você sim rema contra a maré. Luta pelo que é certo. Busca, incansavelmente, abrir os olhos daqueles que o cercam, acreditando que, um dia, tudo irá mudar para melhor. Verdades inconvenientes, mentiras prazerosas. Você é nazista e não sabia.

Tinha mais coisa a ser lembrada aqui, mas, subitamente, meu cérebro travou.
Deve ser culpa de vocês.
Até ano que vem!


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