Archive for the ‘Verborragia’ Category

Diga algo a você mesmo. Em 1 minuto.

14 de maio de 2015

Imagine a seguinte situação, completamente fictícia: você tem acesso a uma máquina do tempo. Ela irá te permitir, por apenas 1 minuto, encontrar com você mesmo, mas há 15 anos. O que você faria?

Bem, a questão é patética, mas não deixa de ser interessante. A fiz, basicamente, porque sonhei com isso, na noite passada – provavelmente, a ressaca da derrota corinthiana me fez delirar.

O pouco que me lembro do sonho era que, ao entrar em uma caixa sem fundo (?), ia parar no condomínio onde morei de 1992 a 2011. E me encontrava comigo mesmo, antes de ir para o colégio.

Eu ia me seguindo pelo condomínio. Um caminho curto, entre meu prédio e a portaria. Sei lá, uns 20 segundos de perseguição. Um dia feio, cinza, frio, bem comum e bem atual, inclusive.

– Ow! Rafael! Koelho!
– …eu?
– É! Não tá me reconhecendo, não?
– Ahm… não, tô não.
– Hahaha caralho, meu! Que louco isso!
– Putz, cara… foi mal, não tô lembrando de você!
– Eu sou você, porra! Só que velho!
– Hahahaha tá foda, hein? Falou, cara!
– Não, ow! Sério! Espera aí!
– Não posso, cara! Tenho aula! Você mora aqui?
– Porra, meu! Olha pra mim! Você é filho do Zezinho e da Lúcia!
– Sou sim, hahaha, mas e daí? Te conheço de onde?
– Sua vó é a Terezinha! Tem o Rocco!
– Rocco eu não conheço, não… mas e daí, cara?
– Se esforça, velho, é sério! Tá ligado o Seven Elevenz?
– Você conhece, é?

Acordei. Não consegui falar porcaria alguma comigo mesmo. Dar um recado, perguntar sobre algo que já me esqueci, aconselhar. Nada. Só fiquei bobo demais, bêbado até no sonho, tentando me convencer de que eu era eu.

Mas uma coisa pude perceber: eu falava mais “cara” do que o Dinho Ouro Preto.

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Narcisismo na ponta dos dedos

20 de fevereiro de 2015

Deve ser regra e desconheço. Provavelmente, a operadora concede desconto. Ou o aparelho fica mais veloz, ágil. Será que amplia a memória? Aumenta o tráfego de dados da internet? Gera novas formas de se fazer e receber ligações? Insere emoticons exclusivos e personalizados. Afinal de contas, pra quê caralhos alguém coloca sua própria foto como imagem de fundo do celular?

No início, imaginei que fosse uma questão de segurança ou coisa que o valha. Muitas pessoas podem ter o mesmo modelo de celular, da mesma cor, com a mesma capa e, de repente, por engano, levar o seu embora. Ela perceberia assim que sua imagem Postmodern aparecesse na tela. Algo como: “Bem, deixa eu ver meu Facebook aqui e… Opa! Claudinha? Nossa, me confundi! Vou devolver!”. Mas não, não é isso.

Amor próprio? Autofelação visual? “Meu deus, como sou lindo (a)!”. Qualquer coisa vira motivo para selfie ou fotos no espelho. Um decote de gorda. Uma barba rala de adolescente. Um boné da Oakley feito pela Cuca Fresca. Um “novo” corte de cabelo. Não faz mal, vale o registro. Para sempre. Ou por dias. Ou até quando alguém te disser que sua foto já está “meio antiga”. Aí magoa. E a pessoa vai comprar outro boné. Ou trocar de lingerie. Ou raspar a cabeça. Mas não, não é isso.

Uma explicação conveniente seria bastante simples: porque o celular é da pessoa, e ela coloca ali o que bem entender. “Paguei, é meu, a vida é minha, não me enche!”. E concordo com essa. Eu também não vejo problema em você ser um completo imbecil carente que não come e não é comido por nada nem ninguém e sinta necessidade de se autoelogiar diariamente, assim que recebe uma ligação, mensagem de texto ou foto de sacanagem no WhatsApp. Só acho meio… como dizer? Humilhante?

O mundo é enorme. Há mais de 7 bilhões de pessoas nele. Paisagens paradisíacas, imagens tocantes, símbolos e brasões que podem representar muito para sua vida. Um cantor, uma dançarina, um platelminto, sei lá. Não: na sua cabeça, não há nada no universo que seja mais digno de sua apreciação do que você mesmo (a). Diz que ama pizza, que morre pelos pais, que é Palmeiras de coração, que é defensor dos animais, “Força, foco e fé”. E coloca a porra da sua foto no celular.

Na verdade, tanto faz.
Esse post não tem muito sentido e estou reclamando de algo koelhístico.
E foi só uma desculpa para dizer que amo essa foto, pela sinceridade da coisa.

nheco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sentimentos são quase impossíveis de ser tão bem retratados.

Que venha 2016

6 de janeiro de 2015

Nenhuma promessa feita, nenhuma meta traçada, nenhum objetivo diferente dos que já planejei e atrasei. O ano acabou, porque todo ano é assim. E todo ano é assim para tudo: você precisa trabalhar para pagar suas contas, se sustentar, sustentar seu filho, sua casa, seu estilo de vida, seus vícios, seus momentos de lazer. Você precisa se endividar para fazer 2/3 de tudo isso. Além, é claro, de se endividar ainda mais, nem que seja de ato pensado, quando decide viajar ou adquirir algo fora de suas capacidades reais. Ou seja, meus amigos, 2015 é ano de trabalho. E de contas. E de dívidas. E responsabilidades. Assim como foram os últimos 6 anos – ao menos, para mim. E serão os próximo 66 – se eu viver até lá, algo que me deixaria extremamente surpreso.

O trabalho é o mesmo, os problemas são os mesmos, as brigas são as mesmas. Os amores, paixões, dissabores, expectativas, tudo a mesma coisa. O que muda é, quem sabe, a forma de encarar as coisas. Deixar de tratar algo como problema ou peso, e começar a lidar com o assunto com subjetividade. O inverso também é válido. O cigarro, como viram no meio do ano passado, foi assim para mim. Passou de problema e peso na consciência para algo subjetivo. O problema tornou-se algo subjetivo, não o ato de fumar. Perdi peso quando parei de fumar – 3,4 kg em 2 meses, para ser exato. Voltei a fumar e engordei outros 2,5 kg. No frigir dos ovos, a pausa no cigarro me fez perceber duas coisas: 1. Não há tempo a perder além do que já perdemos; 2. Não, parar de fumar não engorda.

Comecei o ano com uma febre de 38,4°, fato que adiantou o fim das “férias”. Desidratação. Sob o sol de mais de 33° C (alguns dias, chegando a inenarráveis e insuportáveis 37° C), o que menos fiz em 5 dias em Santos foi tomar água. Coca-Cola, Guaraná Paulistinha, Vodka, Cerveja. O corpo faliu. Eu transpirava de forma abrupta, sem saber ao certo a razão, até pensar: de onde vem essa água toda? Sim, eu comecei 2015 errando, e não há porque me martirizar por isso. Eu erro todo ano, esse não tem nada de especial para ser diferente. Pelo menos o Danilo já conhece o gosto da areia da praia e a Marcia e eu sabemos que apartamentos de frente para o mar não são tão legais assim. Ponto positivo para 2015 para nós, com direito àquele carimbo de professora primária no caderno. Um sol atirando com uma bazuca, provavelmente.

Comprar uma bicicleta, entrar na natação, comprar 2 pares de tênis novos, viajar mais, me estressar menos com tudo.
Coisas que não vou conseguir fazer em 2015.
Ao menos, em parte.
Que venha 2016.

nada

É Tetra! É Tetra!

27 de outubro de 2014

tetra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com um gol nos acréscimos da prorrogação, o Brasil carimbou a vaga para mais 4 anos de Partido dos Trabalhadores no comando. Mesmo não jogando tão bem, abusando da retranca e alguns lances mais violentos, os lampejos de arte e talento rarearam mas se fizeram presentes, e o país de Dilma Rousseff, Lula e outros 53 milhões de brasileiros não desapegou do lema “1×0 é goleada”.

A bem da verdade, a filosofia “o empate é um bom resultado”, proclamado por Parreira e Guido Mantega, está com os dias contados. O técnico vai mudar, a cartola será a mesma, mas a torcida mudou. Muito, diga-se de passagem. Até parte das organizadas, que sempre empurravam o time, passaram a bradar por mudanças: “Burro! Burra!”, “Ô-ô-ô, queremos delator!” ecoam pelas arquibancadas do Brasil. A pressão dos rivais azuis e amarelos, mais do que nunca.

Pesam escândalos de falta de comprometimento na equipe, de jogadores pulando o muro da concentração, de mala branca, mala preta, mala vermelha e branca. A principal patrocinadora da equipe teria sido corrompida pela direção do time. O Brasil está em frangalhos. Não há R$ 1 nos cofres do clube, que emprestou dinheiro para equipes do fortíssimo Caribe e não recebeu um troco sequer.

A vitória de ontem não apaga o histórico dos últimos anos, visto mais com preocupação do que com empolgação por parte do torcedor. Os rivais zombam e caluniam, e acreditam que o próximo campeonato está na mão. “O Brasil está cada vez mais fraco”, dizem os rivais. Tudo bem que essa peleja dura 12 anos, mas eles acreditam que uma quinta derrota consecutiva é impossível. “Se preciso for, apelaremos pela intervenção do STJD”, afirmam.

No jogo da política é sempre assim.
Quem ganha, vive a glória.
Quem perde, chora a mágoa.
Que torce contra a política e voto popular, cada vez mais, definha.

Há tempo de mudar (?)

24 de setembro de 2014

A trágica e repentina morte de Eduardo Campos, pouco mais de 1 mês atrás, fez com que a roda das eleições perdesse alguns parafusos. A então “tranquila” caminhada de Dilma Roussef a mais um mandato se tornou uma via crúcis em terreno inimigo, e sua cruz é apedrejada até mesmo por antigos eleitores e apoiadores.

Seu principal opositor tornou-se um mero espectador das decisões de quem também o abandonou no meio do caminho. Aécio Neves corre em uma pista de gelo, implorando por punhados de sal a cada semana. Para piorar, sua rejeição em Minas Gerais, seu berço político, se mostra um dos principais focos de sua impopularidade no restante do país.

Marina Silva surgiu, para muitos indecisos, como um oásis no deserto. A empolgação que permeou sua candidatura em 2010 voltou com ainda mais força. O reflexo emocional da perda de um dos postulantes ao cargo a fez ganhar altitude e velocidade de cruzeiro. Agora, um voo rasante entre a rejeição crescente, os ataques vindos de todos os lados e algumas turbulências de seu plano de governo.

A verdade é que, entre mortos e feridos, o PSB encontrou a redenção. Em menos de 50 dias, passou de entregador de medalhas a postulante real do degrau mais alto do pódio. Uma boa parte dos eleitores de Dilma, ainda descrentes com a proposta de mero continuísmo do governo Lula, foram para o lado da ambientalista. Vários seguidores de Aécio, longe de conseguir sentir pelo candidato o que gostariam de sentir, também penderam para o lado de Marina. Logo, de 11%, a intenção de votos para o partido saltou para quase 30%. Dilma, finalmente – e realmente, ameaçada: seria derrotada no 2º turno com uma diferença de até 10%.

Boi de piranha, o PT se vê encurralado. Fez por merecer, diga-se de passagem. “Nunca antes na história desse país” houve tal recorde em acusações, investigações, julgamentos, condenações, prisões e afastamento de políticos ligados ao governo. Isso possui um lado positivo, quase didático, que é o de pensar que, sim, é possível que políticos sejam penalizados por seus erros e atos corruptores e corruptíveis. Mas existe, também, a face cruel dessa realidade: os partidos opositores, hoje em voga, possuem teto de vidro. E as pedras estão lá, esperando para serem atiradas. E serão, é claro. No momento propício.

Nunca escondi meu voto em Dilma. Argumentando, sempre coloquei de forma clara: não vejo razão de não continuar com o que já vinha dando certo. Não consigo admitir que tudo esteja tão ruim quanto insistem em apontar. O quadro que é pintado, não encaixa na moldura. Respeitem isso.  Porém, o continuísmo deu errado. Não em todas as áreas, mas em algumas primordiais, como a economia – se não a mais importante para a máquina continuar rodando.

Optou-se por Guido Mantega, homem de confiança do mercado, homem forte de Lula. Deu certo – por 1 ano. Ainda em 2011, o governo já tinha sinais suficientes de que o modelo de sucesso adotado nos anos anteriores não tinha mais brilho. Insistiram, teimaram e se queimaram. E agora? Guido irá sair caso Dilma seja reeleita. Logo, irá sair de qualquer maneira. O eleitor de Dilma se vê questionando, a todo momento: mas… e  aí? Muda quem, para quem, por quem… para quê?

Em reeleição, novas promessas soam muito, muito mal. Dilma vem fazendo isso, em assuntos ligados a educação e segurança. É algo que esqueceu de prometer há 4 anos? É uma re-promessa? É só promessa? A saúde é o calcanhar de Aquiles de todo e qualquer governante brasileiro, e sempre será. Saúde pública, de qualidade, para mais de 200 milhões de pessoas, não é nada simples. Não é algo uniforme, nunca será. Privatizar não é a melhor maneira de se corrigir erros, pois apenas pintaria paredes com o reboco aparente. Nunca se apresentou nada de convincente para essa questão. Nem em 2014.

Me vejo descrente. Não em Dilma – não tenho nada contra sua postura e sua forma de lidar com os problemas do país. Me vejo descrente com seu discurso. Enquanto caminhamos para as urnas, vale um pensamento: vale a pena ir lá? Perder boa parte de um domingo? Quem sabe, até, ele inteiro? Para reeleger a Dilma? Para colocar Marina no Palácio? Elevar Aécio para o posto de seu avô? Sinceramente? Eu não saio de casa para isso.

Mudei meu voto recentemente. Não por pieguice, mas por convicção, como fiz em 2012, quando não votei em Haddad – não votei em ninguém. Hoje, reconheço: deveria ter votado nele. Mas como, na época, nunca me passou confiança, não o fiz. Esse ano, vou de Luciana Genro à presidência. E não irei discursar “é meu voto para o 1° turno”, porque não tem essa de “votar no menos pior no 2° turno”. É ela no 1° e, se não for adiante, anulo na sequência. Sem medo de ser feliz.

Porque por mais que insistam em me chamar de petista, eu voto em candidatos, sempre votei assim.
E candidato por candidato, prefiro a Luciana, de 13 a zero.

voto

7×1

11 de setembro de 2014

1. Vai ver é a falta de nicotina.
Pensando bem, não, não pode ser.
Não faz nem 72 horas que larguei o cigarro.
Bem, ao menos, espero ter largado.
Para sempre, se possível.
Não voltar a fumar mesmo em situações assim.
Sem aquela desculpa de “me estressei, preciso de um trago”.
Ah, como seria bom um trago agora!

2. Ou eu sou um cara estressado.
Habitualmente, quero dizer. Diariamente.
Sem muito motivo, sem muita razão.
E não é por falta de nicotina. Não por 14 anos.
Apenas sou, gosto de ser, me é confortável.
Um riso aqui, outro acolá, fones de ouvido e a vida que segue seu rumo.
Lá fora, do outro lado dos fones, sem me influenciar ou incomodar.
Mas, e os olhos? Os cego?

3. Já me ocorreu de ser preconceituoso.
E sei que sou, em algumas coisas, realmente.
Por exemplo: para mim, pessoas criativas, “fora da curva”, seguem um padrão.
O padrão de não seguir padrões.
Estéticos, comportamentais, musicais, culturais.
Esperamos dela o que não se espera, e por isso são inovadoras.
Caiu no sapatinho marrom para ir ao trabalho, já era. Dali não sai muita coisa.
E não adianta começar a fumar, não. Caiu na chatice, é só chato.

4. E se não for preconceito? E se for extremismo? Intolerância?
Admito: não suporto pessoas que não suportam. É insuportável, digamos.
Isso me fez criar um escudo, mas não dos que protegem.
É mais um daqueles que rebatem a bosta, em forma líquida, com alto poder de destruição.
Não há ventilador que me cative mais do que o tiro certeiro, no meio da testa.
Não vejo graça em respingos por todos os lados.
Quem gosta de múltiplos alvos é porque não mira em nada.
Eu sou certeiro. Mas só quando quero, evidentemente. E quase sempre, não quero.

5. Então posso escolher mal meus alvos. É isso! Só pode ser!
Acredito que ali há uma ameaça. Ou um ato hostil. Ainda, um devaneio.
E atiro, sem dó nem piedade. Quer dizer, não atiro – rebato.
E o efeito não é bem o planejado. Passo de argumentista a ofensor.
Se bem que, no fundo, para mim, só faço dodói.
Nada que o alvo não mereça ou tenha pedido.
Afinal, estamos em campo aberto, propensos a todo tipo de intempérie involuntária e…

6. É isso! Intempestividade! Sou intempestivo! Eureka!
Não me custa nada dar de cara com uma imbecilidade e fingir que não vi.
Afinal de contas, “o mundo é bão, Sebastião!”.
Não são más intenções, são pontos de vista. Opiniões. Ideias.
Balizadas, na grande maioria, em um saco de arrotos, é verdade.
Mas são dos outros, não as minhas. Não deveriam me causar tanta repulsa.
Mesmo que venham de pessoas que sinto apreço. Daquelas que não gostaria de intempestivizar.
Mas é intermitente essa mania de achar que são todos imbecis e só eu sei das coisas.

7. Egocentrismo. Porra, é isso! Eu me acho mais do que sou!
Estava tão na cara assim? Digo, na minha? Não nos atos em si, mas nas ideias?
Afinal, todos erram. Têm opiniões, ideias e atitudes dignas de nó no estômago.
Nem por isso são pessoas ruins ou idiotas – imbecis, gosto mais de imbecis – mas diferentes.
Outras vidas, criações, visões de mundo, concepções de certo/errado.
Nem todas as demonstrações de desprezo por terceiros ou novas teorias devem ser vistas como lixo.
Na verdade, é como o mundo gira: torto. Todo mundo atira para o lado que lhe convém.
Graças a mim sempre tenho meu escudo em mãos. Porque haja merda.

Meias, lenços, cintos, gravatas e sorrisos 

7 de agosto de 2014

No subconsciente, sempre fui enfático: dia dos pais é uma data qualquer. Assim como o dia das mães. Dia da mulher, dos namorados, do Papai Noel, do Silvio Santos. Não importa. Confesso não ter aquela visão anárquica de que sejam datas criadas com o único intuito de se mover a indústria dos presentes, já que “um dia qualquer” também move a indústria de transportes, de café, de cigarros e de Cefaliv. Todos ganham de alguma forma. Impossível evitar. Porém, meu pai, no dia dos pais, sempre ganhou um “parabéns, aí”. Idem para minha mãe. Me ensinaram assim, era assim, é assim.

De alguns anos para cá, ambos ganham algo além disso. Uma besteirinha qualquer, um presente mais legal quando o bolso está mais fresco. Um almoço na casa deles – o que para eles já é um presente, dizem. Quando vamos embora de casa, é natural que os momentos pai/mãe/filho(s) sejam um pouco mais “animados”. Mais curtos também, é verdade. Mas são saudáveis de se curtir. Até quando dá. Tenho vários amigos que não têm mais pai, mãe, ou ambos. E por mais anárquico que a mente deseje ser, ela leva um banho de saudade nessa data. Agridoce demais.

Como pai de primeira viagem, não ganharei nada. Nem sei se faria sentido ganhar. No atual momento em que vivemos lá em casa, valorizo muito mais os sorrisos do que meias, lenços, cintos ou gravatas. Valorizo o tempo, também. Escasso para o filho, pouco para a mulher, inexistente para algo mais do que algumas cervejas e escutar o rádio (sim) enquanto o jantar não sai.

Há uma boca sem dentes, cheia de baba e barulhos esquisitos que me aguarda no domingo. E hoje de noite, amanhã, depois… e isso me basta. Dia do pais pode ser todo dia, mas esse dia, para mim, será único. Para sempre.

daddyo

Nhém!

Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar

30 de maio de 2014

Faz uns 8 anos que não sou parado pela polícia. Da última vez, ainda na faculdade, me parar por estar trajando uma vestimenta semelhante a de um suspeito de assalto no bairro onde estava. Que não era da faculdade, por sinal, pois estava “matando aula” para encontrar uns amigos. Minha única morte no currículo universitário, por sinal (sqn).

Antes, foram duas batidas perto de casa, na época dos ataques do PCC. Pouco mais de 11 anos atrás, a segunda: estávamos eu, Irineu, Fabrício e Adriano voltando de um show do Firim & Forom (não sei se escrevia dessa forma), em uma escola estadual. Irineu e Adriano, respectivamente, eram os palhaços, Fabrício o sonoplasta e eu… bem, eu era apenas o cara que cuidava dos fogos de artifício. Coisa bem voltada para um público de 4 a 9 anos, com certeza. A polícia parou nosso carro porque, segundo o policial, “não é comum alguém de cabelo verde” – isso, sobre Firim. Revistaram nosso carro, pediram os documentos e, ao abrir o porta-malas, espantados, perguntaram: Mas vocês são palhaços?! Sim, só havia bexigas, maquiagens, roupas bizarras e perucas. O susto foi grande.

A primeira foi mais traumática. Eu e Feijão (lembram dele? Pois é, ainda é o Feijão de sempre – transplantado com um novo rim e sem os problemas de antigamente, mas agora, mais “tranquilo” – se tornou evangélico e tem planos de se casar com a Fernanda, em breve – acho eu) fazíamos parte de um grupo de Cinema do curso de Propaganda e Marketing da UNIP. Nosso projeto, ao lado de outros 8 alunos, era ousado: filmar uma cena de sequestro, mas com humor. Em suma, usamos 3 carros. Um era da vítima (Feijão) e os outros dois, dos sequestradores. Fizemos tudo com perfeição. Encurralamos o carro, descemos armados e encapuzados, gritando, agindo com truculência, jogando a vítima no porta-malas do carro e saindo em disparada. Filmamos o mesmo take umas 3 vezes. Só esquecemos de avisar os donos de mansões de Interlagos que aquilo era uma brincadeira. Ao chegar no set do cativeiro, nos vimos cercados, pelos muros, por 12 policiais, armados e apontando para nós, aos gritos. Todos ao chão, umas torcidas de braço aqui, umas pisadas nas costas acolá, e conseguimos explicar que não era nada do que estavam imaginando. Claro que o reitor da universidade teve de entrar em contato com a polícia e livrar nossa barra. Mas, passou. Ainda quero MUITO encontrar esse vídeo – sem as cenas do “flagrante”, apagadas pela PM – mas seria épico.

Ontem, saí do trabalho bem depois do horário. Vida de revisor publicitário é sempre uma incógnita em relação a isso. Peguei um táxi e rumei para casa, cansado, com fome, frio e sono (ohhh!). Já na Avenida Washington Luís, percebemos uma viatura da ROTA. Nada de mais. Porém, a mesma começou a nos seguir muito de perto, até acionar as sirenes e o farolete. Encostamos o carro, sem saber exatamente o que estava acontecendo, e ficamos aguardando as ordens, ou instruções, entendam como quiser.

Foi tipo assim. Não, eu não sou besta de bater fotos numa hora dessas.

Foi tipo assim. Não, eu não sou besta de bater fotos numa hora dessas.

 

 

 

 

 

 

 

 

O relato abaixo é 90% real, graças à minha memória fraca e abalada pelo sono:

– Sai do carro com as mãos para o alto! (para o motorista)
Ele cumpre as ordens, põe as mãos atrás da cabeça, entrelaça os dedos, afasta as pernas… aquele procedimento Polícia 24h. Eu fiquei preocupado, porque achei que não tinham me visto no banco de trás. Vai que se assustam com algum movimento ali e… bem, assusta, é claro.
– Desce você também!
Desci do carro, calmamente, com as mãos à vista dos policiais. Mesmo procedimento. Fui para a calçada, enquanto centenas de outros motoristas e pedestres diminuíam seus carros e passos para “apreciar” a cena – a galera curte um reality show.

– Seu nome?
– Rafael.
– Está vindo de onde e indo para onde?
– Estou vindo do trabalho e indo para casa. Moro na rua tal, número tal. Já estava chegando…
– Trabalha?
– Sim.
– O que você faz?
– Sou publicitário (aqui uma mentirinha inofensiva, já que sou jornalista, mas atuo na publicidade há anos).
– Tem alguma passagem pela polícia?
– Não, SENHOR. (sim, me senti no Polícia 24h. E claro, fiquei com receio daquele registro de “Perturbação da Ordem Pública”, pelo caso da Unip, não ter desaparecido).
– Usa alguma droga? Tem alguma coisa com você?
– Não, não uso nada.
– O policial fulano vai checar seus documentos. 
– Ahm, ok. Tem uma mochila lá no banco de trás. É minha.
– Vamos checar também.

Enquanto checavam meus documentos e todos os documentos do taxista – CNH, Licenciamento, Registro, multas etc – o policial que fez a abordagem comigo conversou, amigavelmente. Um amigo que foi trabalhar com TI na China, economia, política (!), entre outros. Aproveitou para explicar que fomos parados porque tinham a informação de que um táxi, do mesmo modelo, estava sendo sequestrado (olha aí, o destino). Fomos liberados e, cordialmente, demos boa noite uns aos outros. Coisa fraterna, carregada de muito alívio, pistolas, fuzis e submetralhadoras.

Se a polícia – e os indivíduos que ela aborda, é claro – agissem sempre assim, talvez (na verdade, muito provavelmente), a imagem geral da corporação seria bem melhor da atual. O que ficou do fim de noite foram 15 minutos de atraso, um bate-papo inesperado e uma apalpada indiscreta. Apenas isso – ufa!

Eu, Shaka e o buraco

11 de fevereiro de 2014

Acho que foi no fim de 2010 que assumi uma postura, digamos, diferente no trabalho: entro mudo, saio calado. Claro, não absolutamente calado. Apenas, falo pouco. Respondo ao que sou perguntado, pergunto algo quando necessário, comento uma ou duas coisas sobre o trabalho em si ou não, e está bem. Minha passagem por uma empresa de recrutamento, onde era responsável pelas redes sociais (sic) e me obrigava a compartilhar a sala com uma pessoa, digamos, com a qual não dá vontade de se comunicar, sucumbiu a isso.

Nem mesmo almoçar acompanhado eu gosto. Não é nenhum trauma, não chega a ser tão dramático. Apenas gosto de me sentar à mesa, saborear minha comida e ouvir algum programa no rádio, ou assistir a algo na televisão. Pelo horário, normalmente, programas esportivos. Não me apetece a ideia de sentar para almoçar com um punhado de gente que fala sobre o trabalho, ou sobre a empresa, ou sobre a profissão: eu estou em um horário que me permite, por lei, a não pensar ou falar sobre nada disso. E a comida desce mais gostosa, é claro.

Porém, em alguns momentos, saio dos fones de ouvidos e acabo por conversar ou comentar sobre amenidades com os colegas de trabalho. Seja sobre o trabalho ou não – varia de acordo com o clima que paira no ar da agência naquele momento. O problema é que, como passo muito tempo sem falar, saio disparando sem pensar muito. Saem palpites, opiniões e piadas sem muito freio. Algumas são bem-vindas, outras passam despercebidas e, outras, bem… viram aquelas “histórias do cara que trabalha/trabalhou comigo”. Me vejo, de uma forma babaca (isso e bem simples, por sinal), com o personagem Shaka, de Cavaleiros do Zodíaco. O poderoso guerreiro permanecia, o tempo inteiro, de olhos fechados. Isso canalizava e armazenava suas energias. Quando os abria, era um rebuceteio de sangue. É…

"Tô de boas, me deixa de boas"

“Tô de boas, me deixa de boas”

 

 

 

 

 

 

 

 

 
No fim do ano, a agência fez uma grande festa de confraternização, unindo os mais de 200 funcionários existentes, além de outros 100, de outra agência, que se fundiu há poucos meses. A ideia era promover interatividade entre todos, celebrar os bons resultados do ano que estava por terminar e, claro, encher a cara às contas do chefe – assumam, boca-livre é algo que não se costuma negar. Mesmo com o Danilo ainda beirando poucas semanas de vida, fui para o interior de São Paulo, em um belo resort, curtir o que deveria ser padrão na vida de peão: curtir um pouco.

Menos de 2 horas no local, e criei um monstro. Nada pensado ou planejado. Estávamos, eu e mais 3 colegas, tomando cervejas em um pequeno bangalô, às margens de uma bela (sic) lagoa, tentando se esquivar de um sol de mais de 30°C às 11 da manhã. Conversávamos sobre qualquer coisa, se é que me lembro. Não estava alcoolizado, chapado ou qualquer coisa do gênero – estava, apenas, relaxado. Curtindo.

Eis que aparece um dos diretores da agência. Amigável e prestativo, apareceu no bangalô para perguntar se estávamos todos bem, se faltava algo. Claro que minha mínima capacidade de socializar com meus companheiros de trabalho fizeram com que eu ainda não o conhecesse. “E aí, pessoal?! Que vida boa, né? Só na cervejinha? Tá tudo bem, tá faltando alguma coisa?”. Todas as pessoas normais, acenavam com a cabeça que sim, que aquele era o momento de suas vidas, de prazer, de interação gostosa, de relaxamento. Já eu, disse que estava tudo ótimo, faltando, apenas, “um buraco para podermos cagar e vomitar para não termos que sair daqui”.

Hoje, quando passo pelos corredores da agência, sou visto como “o cara do buraco para cagar e vomitar”. Para minha sorte, o diretor levou na brincadeira, até por ter presenciado 5 minutos intermináveis de comentários e piadas sobre o que eu disse.

Portanto, amigos, muito cuidado.
Vocês podem estar armazenando energias demais.
Libere-as enquanto é tempo – e muito mais cuidado para saber identificar “quando” é tempo.

Namastê.

De bem consigo mesmo

5 de fevereiro de 2014

Odeia políticos
Odeia política
Odeia partidos políticos
Odeia o Governo
Odeia o PT
Odeia as eleições
Odeia impostos
Odeia assistencialismo
Odeia a Copa do Mundo no Brasil
Odeia as Olimpíadas no Rio de Janeiro

Odeia carnaval
Odeia Natal
Odeia o dia dos namorados
Odeia o dia das mães
Odeia o dia dos pais
Odeia o dia de finados
Odeia o sete de setembro
Odeia a Páscoa
Odeia consciência negra
Odeia dia dos professores

Odeia o trânsito
Odeia o transporte público
Odeia pedágios
Odeia ciclistas
Odeia passeatas
Odeia flanelinha
Odeia pedinte
Odeia motoqueiros
Odeia radares de velocidade
Odeia semáforos de trânsito

Odeia a Coca-Cola
Odeia a Rede Globo
Odeia a Rede Record
Odeia a imprensa
Odeia novela
Odeia as cotas
Odeia reality shows
Odeia o Ibope
Odeia programas de auditório
Odeia programas sobre celebridades

Odeia praia lotada
Odeia música alta
Odeia o calor
Odeia o frio
Odeia chuvas
Odeia estiagens
Odeia o horário de verão
Odeia acordar cedo
Odeia mosquitos
Odeia testes em animais

Odeia funk carioca
Odeia funk ostentação
Odeia funkeiros
Odeia pagode
Odeia sertanejo universitário
Odeia tecno
Odeia gays
Odeia pastores
Odeia vegetarianos
Odeia feministas

i_love_hate_you_by_teigiser
Como as pessoas conseguem viver com um mínimo de paz interior, hoje em dia?


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