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Eu, Shaka e o buraco

11 de fevereiro de 2014

Acho que foi no fim de 2010 que assumi uma postura, digamos, diferente no trabalho: entro mudo, saio calado. Claro, não absolutamente calado. Apenas, falo pouco. Respondo ao que sou perguntado, pergunto algo quando necessário, comento uma ou duas coisas sobre o trabalho em si ou não, e está bem. Minha passagem por uma empresa de recrutamento, onde era responsável pelas redes sociais (sic) e me obrigava a compartilhar a sala com uma pessoa, digamos, com a qual não dá vontade de se comunicar, sucumbiu a isso.

Nem mesmo almoçar acompanhado eu gosto. Não é nenhum trauma, não chega a ser tão dramático. Apenas gosto de me sentar à mesa, saborear minha comida e ouvir algum programa no rádio, ou assistir a algo na televisão. Pelo horário, normalmente, programas esportivos. Não me apetece a ideia de sentar para almoçar com um punhado de gente que fala sobre o trabalho, ou sobre a empresa, ou sobre a profissão: eu estou em um horário que me permite, por lei, a não pensar ou falar sobre nada disso. E a comida desce mais gostosa, é claro.

Porém, em alguns momentos, saio dos fones de ouvidos e acabo por conversar ou comentar sobre amenidades com os colegas de trabalho. Seja sobre o trabalho ou não – varia de acordo com o clima que paira no ar da agência naquele momento. O problema é que, como passo muito tempo sem falar, saio disparando sem pensar muito. Saem palpites, opiniões e piadas sem muito freio. Algumas são bem-vindas, outras passam despercebidas e, outras, bem… viram aquelas “histórias do cara que trabalha/trabalhou comigo”. Me vejo, de uma forma babaca (isso e bem simples, por sinal), com o personagem Shaka, de Cavaleiros do Zodíaco. O poderoso guerreiro permanecia, o tempo inteiro, de olhos fechados. Isso canalizava e armazenava suas energias. Quando os abria, era um rebuceteio de sangue. É…

"Tô de boas, me deixa de boas"

“Tô de boas, me deixa de boas”

 

 

 

 

 

 

 

 

 
No fim do ano, a agência fez uma grande festa de confraternização, unindo os mais de 200 funcionários existentes, além de outros 100, de outra agência, que se fundiu há poucos meses. A ideia era promover interatividade entre todos, celebrar os bons resultados do ano que estava por terminar e, claro, encher a cara às contas do chefe – assumam, boca-livre é algo que não se costuma negar. Mesmo com o Danilo ainda beirando poucas semanas de vida, fui para o interior de São Paulo, em um belo resort, curtir o que deveria ser padrão na vida de peão: curtir um pouco.

Menos de 2 horas no local, e criei um monstro. Nada pensado ou planejado. Estávamos, eu e mais 3 colegas, tomando cervejas em um pequeno bangalô, às margens de uma bela (sic) lagoa, tentando se esquivar de um sol de mais de 30°C às 11 da manhã. Conversávamos sobre qualquer coisa, se é que me lembro. Não estava alcoolizado, chapado ou qualquer coisa do gênero – estava, apenas, relaxado. Curtindo.

Eis que aparece um dos diretores da agência. Amigável e prestativo, apareceu no bangalô para perguntar se estávamos todos bem, se faltava algo. Claro que minha mínima capacidade de socializar com meus companheiros de trabalho fizeram com que eu ainda não o conhecesse. “E aí, pessoal?! Que vida boa, né? Só na cervejinha? Tá tudo bem, tá faltando alguma coisa?”. Todas as pessoas normais, acenavam com a cabeça que sim, que aquele era o momento de suas vidas, de prazer, de interação gostosa, de relaxamento. Já eu, disse que estava tudo ótimo, faltando, apenas, “um buraco para podermos cagar e vomitar para não termos que sair daqui”.

Hoje, quando passo pelos corredores da agência, sou visto como “o cara do buraco para cagar e vomitar”. Para minha sorte, o diretor levou na brincadeira, até por ter presenciado 5 minutos intermináveis de comentários e piadas sobre o que eu disse.

Portanto, amigos, muito cuidado.
Vocês podem estar armazenando energias demais.
Libere-as enquanto é tempo – e muito mais cuidado para saber identificar “quando” é tempo.

Namastê.

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