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No aniversário da Arena Corinthians, os analfabetos da elite secam gelo

30 de maio de 2012

Hoje, a futura Arena Corinthians completa 1 ano, desde que suas obras foram iniciadas. De lá para cá, os jornais, revistas e programas de televisão cumprem seu papel na imbecilização do povo com maestria. Deixam, como é correto fazer, que o cidadão tire suas próprias conclusões sobre o que é noticiado. “Mas então por que imbecilização?”, você pode se perguntar. É simples: o brasileiro só sabe postar, reclamar e criticar, mas não sabe interpretar um texto. Não sabe ler. E não é culpa do Governo – é da preguiça do brasileiro em raciocinar.
Para tirar o chafurdado cérebro de menestréis do politicamente correto da lama, não precisa ler a Folha, a Veja, ou assistir aos programas de televisão que chamam a obra de “Itaquerão” – por sinal, a criatividade do povo brasileiro é, também, algo deplorável.

O estádio só vai existir por causa de Lula: sim e não.
O que é: todos sabem que o ex-presidente é corinthiano. Assim como seu antecessor. Politicamente, nada fez para o nascimento da Arena Corinthians, mas usou, sim, sua influência para garantir que o empréstimo do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) fosse mais facilmente conseguido pelo clube paulista. Como fez? Dialogando com as empreiteiras (cinco eram interessadas, mas apenas duas tinham expertise para realizar) e empresários do setor para conhecer melhor quais eram as chances de êxito do projeto. Isso, se iniciou em 2008, ao lado do ex-mandatário corinthiano, Andrés Sanchez. Em 2008, ainda não havia Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Ou seja, como Copa ou sem Copa, o estádio sairia. Talvez, com um pouco mais de dificuldades do que existem agora, mas sairia. E da mesma maneira: mezzo empréstimo do BNDES, mezzo incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo. Lembremos que empréstimo não é doação: deve ser pago em um prazo estipulado de tempo, e esse prazo pode ser renegociado, se necessário, como em qualquer empréstimo. Caso, um dia, qualquer cidadão deseje formular uma empresa, seja ela pequena ou grande, tem direito a buscar o mesmo empréstimo no fundo.
O que se tenta fazer acreditar: que o estádio está sendo construído com dinheiro público, já que o BNDES é um fundo do Governo, e a Prefeitura de São Paulo está dando dinheiro para fechar a conta – falemos disso abaixo.

A Prefeitura de São Paulo deu dinheiro para o Corinthians construir estádio: não.
O que é: Desde 2004 existe uma lei em São Paulo, que concede incentivos fiscais a toda e qualquer empresa que se instalar na zona leste da cidade e, também, na região da Luz (centro). A Prefeitura fez isso porque, como sempre foi um órgão extremamente incompetente, deixou de investir nessas e outras regiões, fazendo com que o abismo social entre essas áreas e locais como os Jardins e o Morumbi se transformasse em um abismo colossal. Logo, incentivando empresas a se instalarem por áreas menos valorizadas, o jogo se equilibraria, aos poucos.
Os incentivos funcionam da seguinte maneira: os parceiros do projeto terão redução, por dez anos, de 50% do IPTU e 60% do ISS (Imposto Sobre Serviços) relativo aos serviços prestados. Também há diminuição de 50% no ISS relativo aos serviços de construção civil e de 50% do ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) referente à arena. A lei ainda prevê a emissão de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que serão de até 60% do valor dos investimentos totais. No início, o CID reduz a carga tributária do investidor e, em seguida, provoca ganhos na arrecadação do município – é, na verdade, a antecipação de renda para os cofres públicos, que somente ocorrerá com a implantação do projeto. Logo, podemos raciocinar que incentivo fiscal e dinheiro são coisas diferentes, e que o benefício não tem nada de ilegal ou amoral – explico abaixo.
O que se tenta fazer acreditar: que a Prefeitura deveria investir esse dinheiro (que não é dinheiro) em obras como escolas, creches, hospitais e novas moradias. Vale lembrar que, como dito, qualquer empresa pode receber os mesmos benefícios. Por que será que grandes grupos escolares e hospitalares não tiveram a mesma ideia do Corinthians? Será que pensaram que, ao se instalarem em regiões mais pobres e afastadas, estariam desvalorizando suas milionárias grifes?

Meu dinheiro está nessa obra! Logo, é minha, é de todos, não do Corinthians: não.
O que é: No que tange ao BNDES, o dinheiro captado e distribuído a empresas, vem do que o Brasil tem em suas reservas e dos resultados de novos negócios. Assim, é excessivamente equivocado dizer que o que está sendo investido ali, é seu. Caso a retórica fosse verdadeira, o Metrô de São Paulo seria seu, assim como o SBT, a RedeTV!, a rede de lanchonetes Giraffas a padaria onde você toma café e outros locais que conhece muito bem – todos eles só existem devido aos empréstimos do BNDES. Quanto aos incentivos fiscais, já ficou claro que a Prefeitura deixa de arrecadar parte dos impostos agora, para mais tarde, recebê-los baseado na valorização. Ou seja, seu dinheiro, de seus impostos, não está lá.
O que se tenta fazer acreditar: que tudo que envolve dinheiro público, envolve o dinheiro do povo brasileiro – uma grande asneira.

Basta ler, buscar informação e não ecoar ideias vazias por aí.
As historietas sobre a ilegalidade da obra não passam de uma tentativa de secar gelo. Em uma disputa entre analfabetos funcionais e analfabetos sociais, a goleada é enorme.

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