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Que venha 2016

6 de janeiro de 2015

Nenhuma promessa feita, nenhuma meta traçada, nenhum objetivo diferente dos que já planejei e atrasei. O ano acabou, porque todo ano é assim. E todo ano é assim para tudo: você precisa trabalhar para pagar suas contas, se sustentar, sustentar seu filho, sua casa, seu estilo de vida, seus vícios, seus momentos de lazer. Você precisa se endividar para fazer 2/3 de tudo isso. Além, é claro, de se endividar ainda mais, nem que seja de ato pensado, quando decide viajar ou adquirir algo fora de suas capacidades reais. Ou seja, meus amigos, 2015 é ano de trabalho. E de contas. E de dívidas. E responsabilidades. Assim como foram os últimos 6 anos – ao menos, para mim. E serão os próximo 66 – se eu viver até lá, algo que me deixaria extremamente surpreso.

O trabalho é o mesmo, os problemas são os mesmos, as brigas são as mesmas. Os amores, paixões, dissabores, expectativas, tudo a mesma coisa. O que muda é, quem sabe, a forma de encarar as coisas. Deixar de tratar algo como problema ou peso, e começar a lidar com o assunto com subjetividade. O inverso também é válido. O cigarro, como viram no meio do ano passado, foi assim para mim. Passou de problema e peso na consciência para algo subjetivo. O problema tornou-se algo subjetivo, não o ato de fumar. Perdi peso quando parei de fumar – 3,4 kg em 2 meses, para ser exato. Voltei a fumar e engordei outros 2,5 kg. No frigir dos ovos, a pausa no cigarro me fez perceber duas coisas: 1. Não há tempo a perder além do que já perdemos; 2. Não, parar de fumar não engorda.

Comecei o ano com uma febre de 38,4°, fato que adiantou o fim das “férias”. Desidratação. Sob o sol de mais de 33° C (alguns dias, chegando a inenarráveis e insuportáveis 37° C), o que menos fiz em 5 dias em Santos foi tomar água. Coca-Cola, Guaraná Paulistinha, Vodka, Cerveja. O corpo faliu. Eu transpirava de forma abrupta, sem saber ao certo a razão, até pensar: de onde vem essa água toda? Sim, eu comecei 2015 errando, e não há porque me martirizar por isso. Eu erro todo ano, esse não tem nada de especial para ser diferente. Pelo menos o Danilo já conhece o gosto da areia da praia e a Marcia e eu sabemos que apartamentos de frente para o mar não são tão legais assim. Ponto positivo para 2015 para nós, com direito àquele carimbo de professora primária no caderno. Um sol atirando com uma bazuca, provavelmente.

Comprar uma bicicleta, entrar na natação, comprar 2 pares de tênis novos, viajar mais, me estressar menos com tudo.
Coisas que não vou conseguir fazer em 2015.
Ao menos, em parte.
Que venha 2016.

nada

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O jogo que não verei: Santos x Corinthians

25 de maio de 2012

Depois de mais uma partida bem abaixo da expectativa, o Corinthians conheceu seu adversário nas semifinais da Libertadores 2012: Santos, o “bicho papão” do momento. Será mesmo? Algumas coisas que li e ouvi nos últimos dias me fazem acreditar que o favorito nesse duelo não é a equipe de Neymar e companhia. Além do fato de os praianos jogarem sem Ganso (não, ele não jogará a segunda partida contra o Timão), outros detalhes fazem valer minha opinião.

1. Muricy conhece Tite há muito tempo. Desde os confrontos Internacional x Grêmio, no Rio Grande do Sul. Santos e Corinthians já se enfrentaram, com praticamente os mesmos jogadores, por mais de três vezes. O marrento técnico do alvinegro da Vila Belmiro leva pequena vantagem. Mas vai armar a equipe à sombra do Corinthians, no primeiro jogo, pois sabe que não pode levar gols em casa. Ou seja, não esperem ver Léo ou outro jogador fazendo a função de Ganso – essa parte do gramado será ocupada por outro volante. Provavelmente, o fraquíssimo Henrique. É aí que se situa a vantagem corinthiana. Paulinho e Danilo farão o inferno nesse setor do campo. Justamente os dois jogadores que vêm atuando melhor nas partidas da Libertadores 2012.

2. Liédson, provavelmente, volta à equipe titular do Corinthians. Motivo: o baixo rendimento da dupla Emerson e Jorge Henrique. Com este último no banco, além de se configurar o ataque com mais uma opção de jogada, transforma o banco de reservas de Tite em um verdadeiro arsenal: Willian, Jorge Henrique e Elton. Do lado santista, Borges deve voltar ao ataque, por ter mais experiência. Lembrando que, ofensivamente, Muricy tem menos peças de reposição.

3. O Corinthians vem jogando muito bem fora de casa. Só levou um gol fora do Pacaembu, de um total de dois na competição. Lembra-se do gol? Sem querer, de bola rebatida pela zaga, entre o atacante e o goleiro. Castán e Chicão voltaram, definitivamente, a ser uma opção segura de contenção. Evidente que Neymar é mais veloz e habilidoso do que os dois, mas apenas Ralf deve encará-lo no mano-a-mano, sem contar com o recuo de Emerson. A sobra, após o possível drible do atacante, fica com quem estiver mais perto. Foi assim que o Vélez Sársfield fez, e deu certo.

4. Em jogos fora de casa, o Corinthians costuma não apelar tanto para a bola aérea (como vimos contra o Vasco, na última quarta-feira). Como o ataque fica menos povoado, as chances de Danilo surgir na primeira trave e fazer o habitual desvio, diminui muito, pois o meia também marca. Como os atacantes, com exceção de Elton, são baixos. Pelo chão, usando tabelas e jogadas de fundo, o time de Tite tem boas chances de, até mesmo, vencer na Vila Belmiro, pois o Santos não é time de jogar na retranca, muito menos em seu estádio.

Eu não verei a partida de ida e, provavelmente, a de volta, também. Estarei no exterior, onde o hotel não possui televisão via satélite. Como sei que as chances de destroçar o computador é enorme, em caso de derrota/eliminação do Corinthians, a possibilidade de assistir ao jogo por algum site como o Justin.Tv é quase nula.

Que vença o melhor – e vai, Corinthians, é claro!

A crise do Santos – a verdade revelada

11 de maio de 2012

Mal das pernas financeiramente, o time de Vila Belmiro busca, desde o fim do ano passado, renegociar suas dívidas com os bancos. Reflexo da péssima gestão de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro (também conhecido como LAOR). O mandatário santista gastou às burras com a manutenção de Neymar e Rafael, ambos com promessas contratuais milionárias no exterior. No afã de transformar o Peixe em um segundo Barcelona, o presidente meteu o pé pelas mãos, sedendo por publicidade e dinheiro. Não é só disso que vive um clube de futebol.

Após a eliminação na Libertadores de 2012, para o Vélez Sársfield, Elano e Borges pediram o boné, por ficarem marcados como os vilões da eliminação da equipe no jogo de volta, a derrota por 3×0. Muricy, retaliado com demissão ao citar em entrevista coletiva que “tem gente que esquece que, nos anos 80 e 90, o Santos era saco de pancadas até da Portuguesa, decidiu esperar o chamado da CBF para assumir a Seleção de 2014, o que não aconteceu. O técnico, discípulo de Telê Santana, resolveu assumir o Chelsea, garantindo uma aposentadoria mais digna de seu talento.

A crise não tem hora para terminar. Envolvido no caso que ficou conhecido como “a orgia em alto mar”, Neymar continua sob custódia da justiça. A menor, envolvida no escândalo, perdeu o bebê no sexto mês de gravidez. A imagem do atleta, que rendia cerca de R$ 2,2 milhão ao mês, hoje, não serve para encubrir o rombo nos cofres do alvinegro praiano. A dívida, consolidada, chega perto dos R$ 3,9 milhão. Paulo Henrique Ganso, em litígio com o Santos, deve abocanhar cerca de R$ 22 mi. A decisão da diretoria foi a mais sensata: vender a Vila Belmiro para um grupo de empresários do setor imobiliário, que irá erguer, no mesmo local, um condomínio de alto padrão. LAOR segue foragido.

Pelé, antes seduzido pelo convite para assumir a presidência, hoje prefere se abster de comentários. Em uma de suas raras entrevistas, o ex-Rei do futebol assumiu: “ver um argentino me ultrapassar na história do esporte dói menos do que isso. O Santos sempre foi um clube que gerou craques. Hoje só nos dá vergonha”. Dilma Roussef, torcedora do Internacional de Porto Alegre, resolveu ajudar a instituição, cedendo descontos fiscais para as dívidas tributárias, insolúveis desde 2004, após a era Robinho. Candinho, o técnico atual da equipe, revelou à Veja que pretende reformular a forma de jogar da equipe, hoje, na terceira divisão do campeonato paulista. “Precisamos retomar o ânimo. Mas depois de 6 jogos sem marcar um único gol, fica difícil pedir a jogadores como Lulinha para que se entreguem 100%”.

Triste fim.
São Paulo, 11 de maio de 2014 

A desvalorização do Real, o país gaúcho e Neymar Serra

26 de abril de 2012

Ontem foi um dia bastante peculiar para quem gosta de futebol. Ainda “abalada” com a justa derrota do Barcelona para o Chelsea, dentro do Nou Camp, toda a imprensa tinha no Real Madrid o candidato ao título da renomada Champions League. “Vamos ver se Santos, Fluminense, Internacional ou Corinthians podem enfrentar esses espanhóis no final do ano”, diziam alguns. A soberba aplicada ao time madrilenho vem da mídia, não de seus atletas e dirigentes. O mesmo acontece com o Barcelona. Ambos foram derrubados por adversários que entraram como franco-atiradores e venceram. Uma final entre Alemanha (Bayern de Munique) e Inglaterra, em terras germânicas. Logo, Cristiano Ronaldo – o melhor atacante do mundo, na minha opinião – e Kaká, por perderem seus pênaltis na decisão, tornaram-se pauta para “será que valem o quanto custam?”. Pois é… uma queda, e já desvalorizaram o Real.

Pela Libertadores 2012, o Internacional recebeu o Fluminense. Seria um confronto entre duas equipes brasileiras, mas não foi. Não é de hoje que a torcida gaúcha tornou-se algo ímpar. Não por cantar ao longo de 90 minutos, empurrar o time para frente ou coisa que o valha. Aquela soberba que a mídia joga nas equipes espanholas, os gaúchos usam para se banhar. Antes do jogo, bandeiras asteadas no gramado representam o país de cada equipe. Ontem, havia uma do Brasil e outra do Estado do Rio Grande do Sul. Durante o hino nacional, os gaúchos não cantam – jogadores e torcedores. Estes preferem, ainda durante o hino, cantar músicas regionais em alto e bom som. Mulheres, idosos, crianças, todos juntos. O Internacional e o Grêmio, assim como boa parte do Rio Grande do Sul, não pertencem mais ao Brasil – são deles, apenas, e isso já lhes basta. Simples coisa a fazer: exigir que eles disputem vagas para a Libertadores 2013 pelo Campeonato Argentino. Não seria permitido que atuassem no Campeonato Brasileiro ou Copa do Brasil. Torneio brasileiro, só para brasileiros. Que o Fluminense os elimine, no Engenhão, à brasileira.

Na Bolívia, o que já era esperado aconteceu: a altitude venceu o Santos, por 2×1. Dois gols sofridos por claros efeitos que os 3.600 metros de La Paz atuam sobre a bola. Neymar, gripado, jogou mal, mas conseguiu fazer das suas. Dribles que geraram faltas (inclusive a do gol santista), jogadas pelas laterais e algumas tentativas a gol. Mas o lance crucial veio aos 37 minutos do segundo tempo. Já perdendo por 1 gol de diferença, o jogador foi cobrar um escanteio, e foi atingido por algo no rosto. Coisa natural – infelizmente – em jogos na América do Sul. Caiu, rolou, berrou. A mão no rosto a todo momento dava a sensação de que um tijolo, gilete ou bala perdida tivesse o atingido. Mas, não: as imagens mostravam uma banana, que se partiu em duas partes, atingir seu rosto. “Ah, mas com a força que foi lançada, a distância, a altitude de La Paz, faz com que seja bastante perigoso e dolorida uma coisa dessas”. Sim, com certeza. Digno da bolada que Rivaldo recebeu na canela, durante a Copa de 2002, que o fez cair e berrar com as mãos no rosto. Digno da perícia médica que José Serra exigiu, ano retrasado, após ser atingido por uma mortífera bolinha de papel, durante carreata política.

 

Notas rápidas:

Júlio César: o goleiro corinthiano concedeu, ontem, entrevista coletiva. Assumiu o erro nos dois gols sofridos, pediu desculpas à torcida e afirmou serem lances “bobos”. Disse estar se esforçando nos treinamentos cada vez mais, para evitar novas falhas. Isso é digno. Não deve ser sacado do time de Tite.

Deola: foi martirizado em praça pública. Ontem, na vitória do Palmeiras sobre o Paraná (2×1, jogo de ida, pela Copa do Brasil), Felipão o sacou da equipe. Pronto, mais um bom goleiro queimado no futebol brasileiro.

E o Brasil na Libertadores 2012?

20 de abril de 2012

Os brasileiros renderam o esperado (tchau, Flamengo!), com excessão do Internacional, que conseguiu a façanha de ser derrotado ontem, por 1×0, pelo inexpressivo Juan Aurich (PER) e seu pavoroso campo de piso sintético – os gaúchos terminaram em segundo em seu grupo, só com 8 pontos, o pior dos classificados. O Santos venceu, por 2×0, o fraco The Strongest (BOL), na bacia das almas (levando em consideração ser o time da moda, com o melhor jogador da américa do sul e jogando em casa). O Vasco já tinha garantido sua classificação, dias antes, assim como fez o Corinthians, anteontem, garantindo a liderança de seu grupo em uma goleada de 6×0 no Deportivo Táchira (VEN). Quem saiu rindo à toa foi o Fluminense, líder geral da competição com 15 pontos, e salvo da segunda derrota com um gol no último minuto, de virada, marcado por Rafael He-Man Moura.

Vamos a uma pré-análise dos jogos das equipes brasileiras nas oitavas de final:

Corinthians x Emelec (EQU) – os equatorianos provaram que são osso duro, quando venceram um jogo contra o Flamengo, após estarem perdendo por 2×0. Na última rodada da fase de grupos, a equipe venceu o Olímpia (PAR) também de virada, no último minuto. É time que não se rende. O Corinthians deve tomar cuidado, na verdade, no jogo de volta (Pacaembu), pois o Emelec já demonstrou que joga bem nos contra-ataques. Porém, o Timão passa, talvez até com certa facilidade no placar geral.

Lanús (ARG) x Vasco – Pobres cariocas. O Flamengo venceu o Lanús, mas ficou sem a vaga para as oitavas, na última rodada. O Vasco ficou em segundo em sua chave, e pega os argentinos fora de casa, no jogo decisivo. Na minha opinião, os cruzmaltinos correm grande risco de abandonar a competição, já nas oitavas. E olha que o Lanús é bem, mas bem comum…

Santos x Bolívar (BOL)Muricy e seus alunos podem fazer mestrado em questões bolivianas. Ano passado, também  jogaram contra equipes do país de Evo Morales. Este ano, já será a terceira partida contra eles, a segunda em terras andinas. Porém, diferente do The Strongest, o Bolívar tem mais qualidade técnica. Nada que se compare com o talento de Ganso, Neymar, Rafael e Arouca. Mas La Paz costuma ser o inferno dos brasileiros. O Santos passa, mas deve garantir um empate no jogo de ida.

Fluminense x Internacional – melhor confronto, impossível. Isso na visão de santistas, corinthianos e vascaínos. As duas equipes copeiras, as melhores do Brasil nas últimas 4 edições da Libertadores, vão se devorar. O Internacional sente muito a falta de Oscar, que deixou um vazio na intermediária gaúcha, hoje, habitada pelo sombrio Dátolo. O Fluminense de Fred, Rafael Sóbis, Deco e Abel Braga não deve ter problemas no jogo de volta, no Engenhão, mas… no Beira-Rio, o colorado é forte. Na minha opinião, passa o Flu, mas por 51 x 49.

Que vengam los inimigos!

Sugestões para dar fim à violência das Torcidas Organizadas

26 de março de 2012

Após mais um dantesco confronto entre torcidas organizadas rivais de Palmeiras e Corinthians, resultando – até agora – na morte de um torcedor, baleado na cabeça, vem à tona o debate: por que fazem isso? O que a polícia deve fazer? As torcidas organizadas devem ser extintas do futebol? Para ajudar a responder tantos questionamentos, o Acnoide formulou uma lista de sugestões executáveis e de baixo custo operacional, a curto prazo, para sanar o pr0blema:

1. Promover, semanalmente, encontros de torcidas organizadas em estádios de futebol – exceto em dias de jogos: os participantes receberiam, logo na entrada, camisas de suas facções e bastões de baseball. O último a ficar de pé, ganha serviço de enfermeiro home care 24h, 7 dias por semanas, para o resto da “vida”;

2. Criar um programa de incentivo à participação familiar nas Torcidas Organizadas: o torcedor seria obrigado a levar a mãe, pai, avós ou filhos aos jogos de futebol. Estes, para enfatizar o “elo”, seriam acorrentados pelas pernas junto ao torcedor, durante 90 minutos;

3. Gincanas da Polícia Militar: os policiais seriam encarregados de criar brincadeiras para as torcidas organizadas, antes e depois dos jogos, para aumentar o nível de relacionamento entre as mesmas. Pega-Pega com Pitbull faminto, Esconde-Esconde bala de prata, Pêra-Uva-Maçã-Salada Mista com dependentes químicos da região da Cracolândia, Pula-Pula de gás lacrimogênio, entre outros;

4. Sessões de terapia ocupacional: o Ministério Público, em parceria com o Governo do Estado, criaria atividades que visassem eliminar problemas graves em nossa sociedade. Os membros de torcidas organizadas flagrados em conflitos ofereceriam, gratuitamente, serviços de terapia para maníacos sexuais em Centros de Detenção;

5. Temporada de férias e viagens ao exterior gratuitas: os torcedores das organizadas que criassem as melhores alternativas para brigas entre si – que não depredassem o patrimônio público -, ganhariam viagens de 15 dias para um spa, localizado em uma luxuosa cobertura na Faixa de Gaza, ou tours pelos melhores restaurantes da Etiópia.

Pelé branco, Maradona negro

9 de março de 2012

Finalmente, após décadas de um ufanista (e quase nazista) discurso de cronistas esportivos que insistia em ignorar e menosprezar que o novo sempre vem, enxerga-se uma luz no fim do túnel. Ante um suplício do talento e genialidade, a mídia mundial começa a considerar duas ideias, bastante interessantes do ponto de vista esportivo, antropológico e cultural: surgiu um novo Pelé, branco e argentino? Um novo Maradona, negro e brasileiro?

Messi e Neymar figuram como os protagonistas dessa cizânia. O argentino vem colecionando grandes atuações, recordes em seu clube (Barcelona) e a admiração dos admiradores do futebol “genial”, de ontem e de hoje. O mesmo vem acontecendo com o atacante do Santos, Neymar. Em três anos atuando como jogador profissional do time de Vila Belmiro, o garoto de riso fácil e grande carisma, possui, em seu curto currículo, placas em homenagem a seus extraordinários gols, uma legião de fãs à la Beatles e o prêmio Puskás, de gol mais bonito do ano de 2011. A referência antropológica vai além do debate entre os consagrados e sagrados, Pelé e Maradona.

Messi, argentino e branco, é o que mais se aproxima do trono de Pelé, brasileiro e negro. Aos 24 anos, “a pulga” (como foi apelidado no Barcelona e pelos hermanos) está a 7 gols de se tornar o maior artilheiro do clube em todos os tempos. Além disso, já levou por três vezes o prêmio de Melhor Jogador de Futebol do Mundo, concedido pela Fifa, entre vários outros da mídia especializada. Também está adquirindo o respeito dos torcedores de seu país, após injustas acusações de que o atleta não ama sua terra, pois não conhece – ou não quer cantar – o hino nacional. Sua velocidade, inteligência, habilidade e precisão são predicados únicos – ou eram, até Neymar surgir.

O mais novo “menino da Vila” – brasileiro e negro, aos 20 anos, já passou dos 100 gols na carreira. Seu concorrente direto ao lado direito do Pai, Messi, atingiu a marca de 250 gols. Pelo andar da carruagem, os dois podem se equiparar em breve. Em comparação, o dono do topete da moda tem tudo para atingir o nível de um craque de arranque impressionante, finalizações certeiras e importância irrefutável para o futebol arte, El Pibe, Maradona – argentino e branco. Os fatores culturais entre Brasil e Argentina também entrarão para a história.

Apenas a possibilidade de que o Olimpo possa admitir uma dança de cadeiras, já vale todo o esforço da análise. Contra os dois, pesa o fato de ainda não terem conquistado uma Copa do Mundo, já que Pelé venceu três, Maradona, duas. Culturalmente, argentinos e brasileiros continuarão a discutir sobre de quem é o posto de melhor do mundo, mas o discurso poderá ser alterado: quem foi o rei do futebol, Pelé ou Messi? Maradona ou Neymar?

O futebol agradece.


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