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Desinteligência em Termópilas – uma história absolutamente fictícia

4 de setembro de 2012

Leónidas vive, há quase 2 anos, com sua esposa, Gorgó, em um novo empreendimento de uma grande construtora. Fruto de muitas batalhas, banhadas a sangue, contratos, empréstimos e 300 prestações, o empreendimento era como o Olimpo, mas nas Termópilas: áreas de lazer, piscina, spa, espaço gourmet e outras revoluções afrescalhadas, impostas pelos colonizadores vindos de terras distantes. Desde então, a vida do casal seguia um ritmo de poesia e lirismo, com muito amor, carinho, paz e tranquilidade. Leônidas ainda foi contemplado com seu próprio totem de celebração ao Deus Carne, em sua varanda, premiada com uma bela vista de áreas verdes, grandes avenidas e povoados menos favorecidos.

Eis que, em pouco tempo, surge uma família que viera para por fim a tudo aquilo. Os Nicholeus, bárbaros persas recém-chegados das terras do norte e oriente, mantém hábitos rudimentares de convivência em sociedade, como o salto ornamental sobre a cabeça dos vizinhos e os 100 metros rasos em áreas domiciliares – talvez, em treinamento para as Olimpíadas. Tudo isso incomodava muito a Leónidas e Gorgó, que por diversas vezes, estenderam a diplomacia aos novos habitantes, expondo suas ideias e propondo soluções para a relação mais cordial possível. Por outro lado, os bárbaros não compreendiam o idioma utilizado pelo casal, e apenas respondiam com novos treinamentos militares, em preparação para uma guerra que não se datava, mas que se mostrava próxima.

Após diversas tentativas de diálogo, as famílias foram levadas a um regente superior, dotado de poderes de apaziguação, a fim de evitar o pior entre ambas etnias. Foi acordado, então, que os treinamentos iriam cessar ou, ao menos, diminuir consideravelmente de frequência. A trégua, porém, durou menos do que um verão, e os desentendimentos já não eram mais resolvidos com a tão louvável diplomacia entre os povos, mas sim, com ações punitivas, impostas pelo Clero local, formado por pessoas tão despreparadas, quanto desinteressadas. No placar, 1×0 para Leónidas e Gorgó, mas no acumulado, perdiam pela diferença de um exército.

Há cerca de 30 dias, o casal havia desistido de buscar soluções com a sociedade, decidindo, de momento, se abster de maiores indisposições, já que as tentativas de aconselhamento e uso do bom-senso foram ignoradas por todos. A resignação tinha um gosto amargo, de derrota sem luta, algo não admissível a um povo guerreiro. Então, fez-se a escuridão no celeiro da paz: os bárbaros orquestraram um ataque sincronizado, durante horas, sobre as cabeças e domínios de Leónidas e Gorgó. O espartano, então, decidiu emitir um sinal de alerta e advertência aos intrusos da paz daquele ambiente, por meio de toques sonoros em suas estruturas em comum. O sinal foi rechaçado com veemência – era declarada a guerra.

Gorgó, reticente quanto às atitudes possivelmente radicais de Leónidas, tentou, em vão, impedir o guerreiro de partir para a batalha. Tomado pela ira dos deuses e surdo aos clamores de sua esposa, o espartano subiu até o território de seus adversários, para uma última tentativa de diálogo. A comandante dos bárbaros persas, Anaclézia, atendeu à Leónidas de forma rude, ignorando em todos os sentidos os pedidos de paz definitiva. Guiada por forças obscuras, a comandante lançou o pior e mais enervante ataque ao guerreiro: a indiferença. Assim, Anaclézia bateu a porta de sua fortaleza na face de Leónidas, após impropérios dignos de um povo bárbaro, oriundo das mais baixas estepes.

Toda a história de seu povo, agora, passava pela mente de Leónidas: as duras batalhas para a conquista daquelas terras, as aflições, os mau agouros. O guerreiro, então, cegado pela vingança, proclamou por quatro vezes o grito de guerra de seu povo “- THIS IS SPARTA!”. A porta do território persa começava a vir abaixo, quando em um momento de clareza, o espartano ouviu ao suplício de Gorgó, e cessou o ataque. Os persas conclamaram as autoridades superiores do Estado maior, com suas carruagens de luzes vermelhas e azuis, que trataram de apartar a desinteligência e acalmar os ânimos.

Leónidas foi punido, pelo Clero, com três cotas territoriais.
O casal, agora, busca novas terras para habitar e consolidar, em paz, sua família.

Os espartanos podem perder batalhas, mas sua bravura jamais será esquecida.

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