Posts Tagged ‘Tite’

O ano de Zizao

17 de janeiro de 2013

Depois de quase três meses sem entrar em campo, Tite tem preferência pelo chinês Zizao no ataque do Corinthians que estreará no Campeonato Paulista. O jogo, marcado para as 17h de domingo (contra o Paulista, de Jundiaí), deve ter pouca badalação do outro lado do mundo. Mas, se realmente começar jogando, a imprensa chinesa voltará a dar destaque ao jogador e ao clube. Mas, afinal de contas… e aí?

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O camisa 200 (sim) corinthiano jogou por apenas 11 minutos, desde que chegou ao clube no começo de 2012. Um jogo só. Foi na derrota por 2×0 para o Cruzeiro, pelo Campenato Brasileiro. O meia tocou na bola 4 vezes. Em uma delas, deu um corte no marcador, arriscou uma pedalada e errou o passe. Vale lembrar que o salário do jogador gira em torno de R$ 150 mil – valor bastante superior ao de algumas promessas da base, como o também meia, Giovanni.

Jornalistas que acompanham o dia a dia do Corinthians são taxativos: o chinês tem qualidade. Bate bem na bola, ajuda na marcação, é veloz e habilidoso. O grande problema é o porte físico de Zizao. Alguns dizem que ele se compara a garotos do terrão, aqueles que ainda tem entre 14 e 16 anos. Magro demais, com pouca massa muscular, e sensível a choques. Por esse motivo, ainda em 2012, o jogador ficou parado por 3 meses, em função de luxação no ombro esquerdo, em lance simples.

Com a volta dos jogadores titulares após as férias, Tite não tem muitas opções para o começo de janeiro. Por isso, se for bem, Zizao pode firmar uma vaga entre a equipe reserva do Corinthians. Isso porque vai disputar vaga com Romarinho, Elton, Jorge Henrique e Giovanni (que tem a mesma função dentro de campo). Em miúdos, as chances do meia chinês figurar no time ao longo do restante do ano é baixa, mas maior do que no ano passado. O Corinthians tem na agenda, cinco campeonatos em 2013: Paulistão, Libertadores, Copa do Brasil, Brasileirão e Recopa (2 jogos, contra o São Paulo). Contando com suspensões e lesões de outros jogadores, o técnico gaúcho será quase obrigado a escalar o oriental por diversas vezes, também, entre os titulares.

Seria esse o ano de Zizao?

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Corinthians 1, Corinthians 2 ou Corinthians 3?

14 de dezembro de 2012

Tite se assustou. Não com o resultado de 3×1 do Chelsea sobre o Monterrey, mas pelo posicionamento tático da equipe de Rafael Benitez. Logo a principal força do técnico gaúcho, a formação do time em campo, está ameaçada. Pelo segundo tempo contra o Al Ahli, três coisas ficaram claras: o time está lento no ataque, carente de cobertura no lado direito da defesa, e visivelmente cansado. A esta última, podemos creditar o fato do Corinthians estar em fim de temporada. Vários jogadores estão no limite físico. As baixas temperaturas no Japão não colaboram – ou seja, nada melhor do que descansar nos próximos dois dias para evitar estourar algum jogador. Mas… e os outros 2 problemas?

Adenor já disse: vai mudar a equipe para a final. A linha de 3 homens de meio, de seu 4-2-3-1 será mexida. Quer mais um jogador rápido no setor (além de Sheik, que por sinal, não jogou nada na semi-final), não apenas para atacar, mas principalmente, ajudar Alessandro e Paulo André a controlar o setor. Justamente o ponto mais forte do Chelsea. E, infelizmente, logo sobre os dois jogadores que, ontem, sequer treinaram, por dores incômodas, reflexos do cansaço.

Fiz abaixo um esboço de 3 opções que Tite pode usar, para sair jogando, na final de domingo. Já aviso de antemão: Guerrero não sai da equipe, ao menos, não durante o primeiro tempo. Virou homem de confiança do técnico.

Corinthians 1Edenílson no lugar de Danilo
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Essa é a formação que acho menos provável (mas minha preferida), mas conhecendo Tite, não seria espanto algum a equipe jogar com três volantes e dois jogadores avançados, segurando os laterais, ainda no campo de ataque. O Barcelona faz isso até hoje, mas o Paulinho deles, é o Messi. Mesmo assim, com Edenílson posicionado onde normalmente joga o camisa 8 do Corinthians, lado a lado com Ralf, o atual artilheiro da equipe poderia ficar “livre” para ajudar na armação e chegada ao ataque. Danilo é outro dos homens de confiança do técnico, e dificilmente sairá da equipe titular, mesmo sendo mais lento que Douglas – que já dá sinais de que começará a final apenas como opção para o segundo tempo. Tanto Emerson, quanto Douglas, voltariam para ajudar a marcar, auxiliando Alessandro e Fábio Santos.

Corinthians 2Edenílson no lugar de EmersonMundial2

Calma, calma… eu sei que isso é praticamente impossível de acontecer. Mas imagino – novamente – Tite usando três volantes, para que Paulinho tenha mais liberdade. Jorge Henrique ou Romarinho fariam o lado direito, aplicando velocidade nas descidas e apoiando a defesa. O problema é que o 4-3-3 ficaria pesado demais com apenas um homem de velocidade. Entretanto, o time ganharia mais força no meio campo. O Sheik poderia aparecer no segundo tempo, com os ingleses já cansados.

Corinthians 3
– o mesmo esquema, mas com pontas rápidos e Martinez
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“Em time que está ganhando não se mexe (muito)”.
Tite pode muito bem não mudar nada em seu 4-2-3-1, mas trocar as peças-chaves por jogadores mais habilidosos. Se Martinez entrasse na mesma posição que Douglas ocupou contra o Al Ahly, teríamos além da bola curta, o drible – característica que o camisa 10 do Corinthians não possui. Isso pode ajudar a desmontar a defesa azul. Na direita, para conseguir fazer o que deseja, Tite precisaria sacar, também, Danilo da equipe. “Mas um time sem armadores?”. Sim, mas com “operários” que desempenhem mais de uma função com maior facilidade. Romarinho ou Jorge Henrique, mais uma vez, fariam o mesmo papel que Emerson faz pela esquerda. Seria, basicamente, o que foi utilizado na Libertadores, onde não havia Guerrero fixo como pivô, mas havia o 11 corinthiano mais centralizado para a chegada de Paulinho.

E aí, quem arrisca um palpite?

Medo de perder ou confiança excessiva?

12 de dezembro de 2012

Então, o Corinthians venceu os egípcios do Al Ahly e está na final do Mundial de Clubes da FIFA. Apenas um gol, de cabeça, aos 29 minutos de jogo, do camisa 9, Paolo Guerrero – que eu jurava que não conseguiria jogar o campeonato. Mas foi só. Não houve mais nenhum grande momento de emoção para o torcedor corinthiano. A equipe se postou defensiva nos últimos 45 minutos de partida, rifando bolas da defesa para o ataque e sem qualquer tipo de jogada ofensiva de seus principais jogadores. O que isso indica? Tite e seus comandados tiveram medo de perder, ou confiaram – de forma excessiva – na experiência adquirida em jogos da Libertadores 2012 e Brasileirão de 2011?

Aposto na segunda alternativa. O jogo de hoje foi idêntico à primeira partida contra o Boca Juniors, nos primeiros 90 minutos da decisão continental. A bola que deu para empurrar para dentro das redes, foi empurrada. De resto, marcação, bolas espirradas e a cobertura dos laterais sendo feita pelos homens de frente. Não é um jogo bonito, muito menos arrojado, mas funciona. E já funcionou antes, diversas vezes. O problema é que, aliada à tensão e nervosismo de uma primeira etapa de Mundial, em jogo eliminatório, peças como Emerson, Danilo e Paulinho produziram pouco ou quase nada. E são parte da espinha dorsal do Corinthians.
Dá tempo de mudar tudo isso. Virá a bronca do pós-jogo, a resenha entre os atletas, os vídeos de jogadas erradas. Virá a definição do adversário final, Chelsea ou Monterrey. São mais 3 dias de descanso, análises e, principalmente, reformulação de postura. Se o Al Ahly tivesse marcado um gol, ainda mesmo que antes do Corinthians, teria a equipe – com o futebol apresentado hoje – capacidade para reverter?

É esperar para ver. Tite sabe onde errou, e os jogadores também. Já é mais do que meio caminho andado.

Timão embarca de pé, mas mancando

4 de dezembro de 2012

Hoje, às 1h25, o Corinthians embarcou para Dubai (Emirados Árabes), para a primeira “perna” de sua longa viagem ao Japão, onde irá desputar o Mundial de Clubes da Fifa. O clube busca o segundo título. Após a derrota para o São Paulo, a equipe de Tite vai à terra do sol nascente com uma certeza: pode, sim, dar errado. Para colocar isso na cabeça de uma vez por todas, nada melhor do que perder para um arquirrival, atuando com time reserva, dentro da “própria casa”. Consciente, o alvinegro subiu no avião de pé, mas mancando: a principal contratação para a disputa do Mundial e aposta de Tite para o ataque, Paolo Guerrero, dificilmente jogará do outro lado do mundo, com lesão de grau médio no joelho direito.

Assim, minha previsão para o ataque do Corinthians, feita aqui há pouco tempo, deve se confirmar: o gaúcho Tite tem grandes chances de colocar, lado a lado, Emerson e Romarinho no ataque corinthiano. Primeiro, pelo entrosamento dos dois. Segundo, pelas ótimas alternativas “diferenciadas” no banco, que substituem ambos jogadores, sem decréscimo de qualidade: Martinez e Jorge Henrique, consequentemente. No meio campo, não há mais dúvidas: Ralf, Paulinho, Danilo e Douglas. O maior temor deste que vos escreve, fica debaixo das traves. Ainda não sinto confiança suficiente em Cássio. Muito irregular para um posto tão importante. Mas isso fica na gaveta dos “talvez”, apenas.
O maior problema do Corinthians para o Mundial de Clubes é, sem dúvidas, o fato de ir ao Japão sem saber quem irá enfrentar. Pode ser um time australiano (Aukland City), que seria o mais fraco. Pode ser uma equipe do Egito (Al Ahli), que é a base da seleção de seu país. E, mais provavelmente, um time japonês, que além de campeão há pouco do campeonato local, conta com o apoio de sua torcida. Ok, ok… torcida por torcida, o Corinthians já poderia se sagrar vencedor, mas sabemos que a banda não toca assim. Tite terá que se desdobrar para, em questão de poucos dias, definir a estratégia que mais se adapte ao estilo de jogo de seu adversário. E, repito: creio que serão os japoneses do Hiroshima.

Posto, abaixo, o mesmo esquema de jogo de dias atrás, já com Emerson e Romarinho no ataque.
E que São Jorge vença os Samurais!

Corinthians Mundial

O Corinthians do Bi-Mundial

25 de outubro de 2012

Há pouco mais de 40 dias da estreia do Corinthians no Mundial de Clubes da FIFA, o técnico Tite divulgou uma lista com 35 nomes de atletas que estão em uma pré-lista do torneio, por exigência da entidade máxima do futebol. Evidentemente, o gaúcho que levou o clube ao inédito título da Libertadores, não possui 35 jogadores em seus planos. Por isso, incluiu jogadores que ainda não chegaram às categorias principais, para completar o número pedido. O chinês Zizao, que só jogou por 13 minutos, diante o Cruzeiro, possui muito carisma vindo dos torcedores, mas evidentemente não irá para o Japão. Tite já disse, mais de uma vez, que a equipe titular do Corinthians para o Mundial irá “se formar a medida que os jogos restantes do Campeonato Brasileiro de 2012 forem acontecendo. O desempenho de cada um dirá”. Ou seja, sabemos que tem poucas dúvidas em relação ao time ideal – sabemos que, com ele, não há uma equipe titular, absoluta.

Listo, abaixo, os 23 jogadores que, na minha opinião, farão parte da equipe que parte para o Japão em busca do segundo título mundial, reconhecido pela Fifa. Após isso, a montagem de um time “titular”, daqueles que começam a partida, mas que rotineiramente são alterados ao longo do jogo.

Goleiros:
Cássio
Júlio César
Matheus

Defensores:
Chicão
Paulo André
Anderson Polga
Wallace
Alessandro
Fábio Santos
Welder

Meio campistas:
Douglas
Danilo
Paulinho
Ralf
Guilherme
Edenílson
Ramírez

Atacantes:
Emerson
Romarinho
Martínez
Jorge Henrique
Guerrero
Adílson

Jorge Henrique perdeu espaço para Romarinho, que cumpre as mesmas funções, mas faz gols. Douglas se tornou indispensável, e consegue jogar com Danilo, sem maiores problemas. Ainda é cedo para escalar Guerrero e Martínez como titulares absolutos.

O jogo que não verei: Santos x Corinthians

25 de maio de 2012

Depois de mais uma partida bem abaixo da expectativa, o Corinthians conheceu seu adversário nas semifinais da Libertadores 2012: Santos, o “bicho papão” do momento. Será mesmo? Algumas coisas que li e ouvi nos últimos dias me fazem acreditar que o favorito nesse duelo não é a equipe de Neymar e companhia. Além do fato de os praianos jogarem sem Ganso (não, ele não jogará a segunda partida contra o Timão), outros detalhes fazem valer minha opinião.

1. Muricy conhece Tite há muito tempo. Desde os confrontos Internacional x Grêmio, no Rio Grande do Sul. Santos e Corinthians já se enfrentaram, com praticamente os mesmos jogadores, por mais de três vezes. O marrento técnico do alvinegro da Vila Belmiro leva pequena vantagem. Mas vai armar a equipe à sombra do Corinthians, no primeiro jogo, pois sabe que não pode levar gols em casa. Ou seja, não esperem ver Léo ou outro jogador fazendo a função de Ganso – essa parte do gramado será ocupada por outro volante. Provavelmente, o fraquíssimo Henrique. É aí que se situa a vantagem corinthiana. Paulinho e Danilo farão o inferno nesse setor do campo. Justamente os dois jogadores que vêm atuando melhor nas partidas da Libertadores 2012.

2. Liédson, provavelmente, volta à equipe titular do Corinthians. Motivo: o baixo rendimento da dupla Emerson e Jorge Henrique. Com este último no banco, além de se configurar o ataque com mais uma opção de jogada, transforma o banco de reservas de Tite em um verdadeiro arsenal: Willian, Jorge Henrique e Elton. Do lado santista, Borges deve voltar ao ataque, por ter mais experiência. Lembrando que, ofensivamente, Muricy tem menos peças de reposição.

3. O Corinthians vem jogando muito bem fora de casa. Só levou um gol fora do Pacaembu, de um total de dois na competição. Lembra-se do gol? Sem querer, de bola rebatida pela zaga, entre o atacante e o goleiro. Castán e Chicão voltaram, definitivamente, a ser uma opção segura de contenção. Evidente que Neymar é mais veloz e habilidoso do que os dois, mas apenas Ralf deve encará-lo no mano-a-mano, sem contar com o recuo de Emerson. A sobra, após o possível drible do atacante, fica com quem estiver mais perto. Foi assim que o Vélez Sársfield fez, e deu certo.

4. Em jogos fora de casa, o Corinthians costuma não apelar tanto para a bola aérea (como vimos contra o Vasco, na última quarta-feira). Como o ataque fica menos povoado, as chances de Danilo surgir na primeira trave e fazer o habitual desvio, diminui muito, pois o meia também marca. Como os atacantes, com exceção de Elton, são baixos. Pelo chão, usando tabelas e jogadas de fundo, o time de Tite tem boas chances de, até mesmo, vencer na Vila Belmiro, pois o Santos não é time de jogar na retranca, muito menos em seu estádio.

Eu não verei a partida de ida e, provavelmente, a de volta, também. Estarei no exterior, onde o hotel não possui televisão via satélite. Como sei que as chances de destroçar o computador é enorme, em caso de derrota/eliminação do Corinthians, a possibilidade de assistir ao jogo por algum site como o Justin.Tv é quase nula.

Que vença o melhor – e vai, Corinthians, é claro!

Os 10 centímetros da vitória corinthiana

24 de maio de 2012

Podia ser menos sofrido. Mas aí, não seria um jogo do Corinthians. Depois de 174 minutos, o zero saiu do placar, pelo lado alvinegro que mais fez por merecer. Sim, a equipe do novo Fiel Torcedor, Tite, foi mais aguerrida e eficiente, somando à premissa de “intensidade”, entrega total e consciência tática.

O jogo começou com a cara do Vasco. Os cariocas se aproveitavam das infantis faltas cometidas por Jorge Henrique, Danilo e Emerson, sempre próximas da área, para forçar as jogadas aéreas com Alecssandro e Rômulo. Juninho Pernambucano fazia a festa: batia falta da direita, da esquerda, da intermediária. Todas interceptadas pela zaga menos vazada da Libertadores 2012, com Chicão e Leandro Castán.

Truncada, gelada e excessivamente comedida, a partida caminhava para mais um empate, outro zero a zero, para os pênaltis. Na única boa chance da primeira etapa, Paulinho saltou livre, no meio da área e, de cabeça, exigiu os reflexos do bom Fernando Prass. No intervalo, a torcida corinthiana era um misto de apreensão, reclamação e esperança, tanto no Pacaembu, quanto em bares e sofás.

Segundo tempo. Um novo jogo. O Vasco, novamente, melhor. Retendo bola no ataque, mas sendo inibida pela ótima postura defensiva do adversário. Do lado do Corinthians, a principal mudança ocorreu aos 11 minutos. Após reclamar – educadamente, é verdade, mas com muita veemência – sobre falta que não existiu em Paulinho, na entrada da área, Tite foi expulso. Na cabeça do corinthiano, flashes de 91, 96, 99, 2000, 2006…

Para o teatro dos horrores se tornar realidade, faltava o elemento principal: o culpado. Em todas as eliminações do Corinthians na Libertadores, ao menos nos últimos 21 anos, sempre um jogador foi a bola da vez: Ronaldo (goleiro), Zé Elias, Marcelinho (duas vezes), Coelho. Ontem, um capitão teve a chance de figurar nessa sombria galeria. Após rebatida do goleiro vascaíno, a bola sobrou, livre, para Alessandro, próximo do meio campo. O jogador dominou, olhou, tentou o lançamento… e Diego Souza interceptou. Correu, livre, em direção à meta. Era o fim.

Atrás dele, Alessandro e Paulinho apostavam uma corrida já perdida. Na frente, o ex-palmeirense teve tempo de tocar duas vezes na bola. Teve tempo de pensar, de calcular o que faria. No gol corinthiano, Cássio, ex-terceiro goleiro da equipe, recém titular. Dez centímetros mais alto que seu antecessor. No toque colocado, no canto esquerdo do goleiro destro, Diego Souza jogou um balde de água fria na torcida cruz-maltina. O camisa 24 do Timão, com seus 10 centímetros a mais de envergadura, tocou com a ponta da unha na bola. No chão, rápido, preciso, com calma. O fato de não ter saído desesperado no pé do atacante – lance lógico até para quem enfrenta um lance desse no vídeo game – ajudou a evitar o drible. Salvou a equipe do Corinthians. No lance seguinte, cabeçada do Vasco no travessão. Um beliscão após um tiro no peito.

O troco, de Emerson, também foi parar na trave. Alex não conseguia bater um escanteio sequer no local certo. Nem o próprio Sheik. Nem ninguém. Chicão arriscava bolas altas, da intermediária, resultando em nada. O Vasco também era sólido, mesmo sem o “craque” Dedé. O corinthiano não tinha mais aquelas unhas que Cássio usara, minutos antes, para evitar o pânico generalizado. Faltava uma bola. Uma só. Tite, no alambrado do Pacaembu, tentava se concentrar na partida, mesmo com torcedores em seu ouvido, sugerindo alterações. Vieram duas: Willian no lugar de Jorge Henrique, Liédson no lugar de Emerson. E o gol? Viria de quem?

Já se passavam 41 minutos de sofrimento, em um segundo tempo amargo, doloroso, sofrível, cardíaco. Corinthiano. Alex acertou uma bola no jogo. Paulinho, a segunda. Novamente, sozinho no meio da área, com uma linda cabeçada, aproveitou o escanteio vindo da esquerda e marcou o gol da redenção. Loucura no Pacaembu. Tite, em meio a torcedores e diretores, vibrava como se tivesse ele mesmo feito o gol. Em casa, este que vos escreve gritava, com medo, pois um único gol do Vasco tiraria, instântaneamente, a classificação do Corinthians.

Lance seguinte, escanteio para o Vasco. Cássio, até então herói e intransponível, falha. A bola passa rente à sua mão e encontra a cabeça de Rômulo. Livre, vindo do fundo da área, com tempo para escolher o canto, a altura, o estilo. A bola passa a menos de 10 centímetros da trave. Do gol. Da eliminação.

Um jogo de 180 minutos, decidido por 10 centímetros.

O Corinthians, da lama ao caos

17 de maio de 2012

Jogo feio, morno, apático. Salvo o peixinho de Jorge Henrique, na metade do segundo tempo, milagrosamente defendido por Fernando Prass, a partida entre Vasco x Corinthians teve pouca emoção. Pode-se chamar de “momento quente” o gol anulado da equipe de São Januário, mas o recurso eletrônico da televisão deixou claro que, também milagrosamente, o assistente acertou em marcar impedimento na cabeçada de Alecssandro. Em um campo recheado de imperfeições e lama, os dois times batalharam para arrancar com a bola nos pés, arriscar passes rasteiros e manter os uniformes minimamente limpos.

Com o 0x0, o Corinthians vai da lama ao caos. No jogo da volta, próxima quarta-feira, no Pacaembu, mais uma vez o time não pode empatar com gols, e tem a vitória como a única alternativa para a classificação (mais um empate sem gols leva a decisão para as semi-finais para os pênaltis). O problema é que, agora, o sapato aperta: o adversário não é mais o frágil Emelec. O Vasco mostrou, mesmo que pouco, que é uma equipe “certinha”. Mesmo sem a zaga titular, conseguiu anular praticamente todas as jogadas pelo meio do rival. No ataque, pouco brilhou, mas em raros lances, Diego Souza e Éder Luis se mostraram perigosos. Sorte do Corinthians ter a melhor defesa da Libertadores 2012, com apenas 2 gols sofridos em 9 jogos.

Os mais de 30 mil torcedores que irão fazer barulho e pressão no Pacaembu, pode se tornar um paredão de inconformismo, caso Tite insista na tática do “esperar para definir”. Eu, particularmente, não vejo nada de mal nisso, mas os mais fervorosos detestam. Funciona, é trabalhoso, mas ao mesmo tempo, digno de desconfiança. O caos, propriamente dito, acontece se o Vasco marcar um gol, forçando o Corinthians a fazer dois. Sabe-se que a equipe de Tite não é especialista em colocar a bola no fundo das redes, ao menos não com a continuidade esperada de um time que ataca sempre – mesmo que em doses homeopáticas. O que resta, mais uma vez, é torcer pelo bom desempenho de Danilo e Alex, que ontem, sumiram na partida.

Que o bonde da colina descarrilhe e desbarranque na lama da eliminação.
Vamos aguardar.

Como deve(ria) jogar o Corinthians, hoje, contra o Vasco

16 de maio de 2012

Já se sabe que jogar sem um camisa 9 não é o maior dos problemas do Corinthians. Também se sabe que dos 16 gols marcados pela equipe até aqui tiveram, nada menos, do que 10 autores. Logo, a maior preocupação continua sendo o nervosismo do time dentro de campo, que provavelmente será controlado pelo árbitro Sandro Meira Ricci com mais advertências verbais do que cartões. Voltando ao miolo de ataque, Tite optou por Jorge Henrique no lugar de Willian. Mas… será mesmo? Vejamos:

Jorge Henrique, notavelmente, não tem cacoete, físico ou talento para ser centro avante. Emerson só joga pelos lados do campo, quando agudo, pois usa sua principal arma, a velocidade. No caso de necessidade de um pivô frente à defesa vascaína, podem apostar – esse homem será Alex. No Campeonato Brasileiro de 2011, já no segundo turno, as duas equipes se enfrentaram no mesmo estádio de São Januário. Na época, também sem camisa 9, o Corinthians não venceu por detalhes de finalização por duas vezes, com Paulinho e Danilo. Alex sobrou em campo. Fez jogadas pelo meio e pelas pontas, e alternava com Danilo e Paulinho o posicionamento como “homem surpresa”. Danilo e Paulinho recebiam as bolas aéreas, enquanto Alex era o encarregado pelos arremates de dentro e fora da área, assim como ser o pivô para a chegada de laterais e volantes. Deu certo. Tite não deve fugir muito disso.

O maior perigo é Éder Luís. Razoável, porém bem veloz, o atacante costuma fazer o lado esquerdo das defesas adversárias levar canseira. Fábio Santos precisa de cobertura de Ralf, e atenção total de Leandro Castán. Do lado direito, o lateral Fágner tem as mesmas características, mas não costuma cortar para o meio com tanta frequência quanto Éder. Os experientes Juninho (bola parada e chutes de fora da área) e Felipe (cadência e precisão em lançamentos) fecham o quarteto que ameaça o Corinthians na noite de hoje.

O jogo que você não viu, as coisas que você não sabia

10 de maio de 2012

O Corinthians venceu – e convenceu – o Emelec, ontem, por 3×0. Jogo sob controle durante os 90 minutos, com boas atuações de todos os jogadores do Timão, sendo ótimas as de Emerson, Fábio Santos, Paulinho, Ralf, Chicão, Leandro Castán, Alex, Danilo e Cássio. Ou seja, só Willian e Edenílson fizeram “o básico”. Mas alguns detalhes devem ser lembrados:

1. Tite perdeu Edenílson para o primeiro jogo contra o Vasco. Não apenas pela sua contusão, ao final do primeiro tempo, mas pelo retorno de Alessandro. Se este estiver a 100%, e o camisa 21 a 90%, o antigo capitão volta à equipe.

2. Liédson ainda manca. Pouco, mais ainda corre mancando. Ontem, em apenas 14 minutos atuação, pouco fez, mas teve chance de gol aos 45 da etapa final.

3. Paulinho é um jogador que vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

4. O árbitro da partida, o uruguaio Dario Ubriaco, fez exatamente o que não devia, mas fez: inverteu algumas faltas, fez vistas grossas para outras, evitou atritos com os jogadores corinthianos. Ou seja, prejudicou o Emelec em alguns momentos. Pouco, mas prejudicou.

5. Júlio César é um jogador que não vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

6. Alex dificilmente sai do time em jogos no Pacaembu. Jorge Henrique funciona melhor fora de casa, onde o Corinthians precisa mais de um jogador que se apresente mais constantemente para as jogadas, principalmente, nas laterais do campo. Em casa, Alex é mais incisivo, e está em boa fase – finalmente!

7. Douglas é um jogador que não vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

8. O Corinthians tem a melhor defesa entre todas as equipes brasileiras que já participaram da Libertadores, desde 1960. São apenas 2 gols sofridos em 8 partidas, ou 0,25 por jogo. Por sinal, o Timão é o único invicto nessa competição em 2012.

9. Leandro Castán é um jogador que vai deixar saudades. Sim. Isso mesmo. Pois é… uma pena!

10. Milhares de São Paulinos e Santistas acordaram com mais sono do que o habitual, hoje. Os Palmeirenses também foram para a cama tarde, mas por causa da goleada sobre o Paraná, pela Copa do Brasil. O clima, por lá, é ótimo. Felipão disse que a torcida não pode reclamar por ele só ter recebido “essas merdas” de jogadores como contratações, ao fim do jogo. Ainda bem que foi o gaúcho quem deu conselhos ao Emelec sobre como vencer o Corinthians.


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