Posts Tagged ‘Trabalho’

Segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

3 de fevereiro de 2015

Voltar de um fim de semana para a mesa do trabalho nunca é fácil. A sexta, sábado e domingo podem ser divertidos, recheado de amigos e histórias engraçadas, festas, encontros, momentos mágicos, mas a segunda-feira estará sempre lá, nos colocando nos trilhos da realidade. Ontem não foi diferente. O fim de semana tinha sido pesado: Danilo está, mais uma vez, com um “dente chato” nascendo. Não houve febre como em algumas outras vezes, mas o bom humor do pequeno se foi. Nem a festinha de aniversário da Lara, filha da Jadiny, tinha o convencido que seria um final de semana divertido. Choro, manha, cara fechada e hiperatividade. O dia dele parecia ter 48h. O nosso, 72h.

Coloca no carrinho e passeia. Cansa. Tira do carrinho, coloca no chão. Escala a escada. Tira da escada, coloca no cadeirão para alimentar. Cospe tudo, berra, chora. Coloca o DVD da Galinha Pintadinha: alguns poucos minutos de alívio – para todos. Isso foi sábado e domingo. O coitado cansou, eu cansei, a Marcia cansou. Até a Ramona deu uma caída, visto que não quis brincar de bola com o tubarão de 14 meses. O domingo terminou e veio aquela sensação: “Ufa! Ainda bem que amanhã é segunda-feira”.

Trabalhei normalmente. A chuva logo pela manhã, o trem lento, o guarda-chuva furado, a internet lenta. A melhor parte do “dia útil” foi almoçar a feijoada que fiz no domingo – sim, ficou muito boa, obrigado. Na volta, veio a dúvida que não saiu da minha cabeça ao longo do dia inteiro, mas que eu evitava trazer à tona: “será que vai estar tudo igual?” Não, não estava. Ainda bem.

Chego em casa, brinco rapidamente com a Ramona e dou um beijo na Marcia. “E ele, como é que está?”. Ele já estava sorrindo. Feliz em me ver (isso é MUITO gostoso). Lavo as mãos, pego ele no colo e saio passeando pela casa. “E aí, como foi seu dia no berçário? Aprendeu coisa nova? Brincou bastante?”. A resposta é quase sempre a mesma: “- papapapapa” e aponta para alguma coisa que ele quer. Mamadeira, tv, folhas na árvore, carro e por aí vai. Toca o celular. É do trabalho. “Puta que pariu!”.

Trabalho “urgente”. Vou usar o notebook da Marcia, pois estou com preguiça demais de ir até os fundos da casa e usar o PC. Danilo fica no chão brincando com alguma coisa que nem me lembro mais, e a mãe por perto. De repente, ele me vê trabalhando e diz: “Papaiê!”. Não paro de trabalhar – idiota. A mãe já chorando, eu rindo e respondendo ao maldito e-mail recheado de erros de português. “Enviar”. Tchau, segunda-feira. Tchau sábado trabalhoso, tchau domingo chato. Levanto, beijo o pequeno, pego no colo e voltamos a brincar. Não repetiu mais a palavra mágica, mesmo comigo insistindo.

Não tô nem aí.
Ontem, “mêsversário” dele, quem ganhou o presente fomos nós.
Essa segunda-feira podia não ter fim.

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Eu, Shaka e o buraco

11 de fevereiro de 2014

Acho que foi no fim de 2010 que assumi uma postura, digamos, diferente no trabalho: entro mudo, saio calado. Claro, não absolutamente calado. Apenas, falo pouco. Respondo ao que sou perguntado, pergunto algo quando necessário, comento uma ou duas coisas sobre o trabalho em si ou não, e está bem. Minha passagem por uma empresa de recrutamento, onde era responsável pelas redes sociais (sic) e me obrigava a compartilhar a sala com uma pessoa, digamos, com a qual não dá vontade de se comunicar, sucumbiu a isso.

Nem mesmo almoçar acompanhado eu gosto. Não é nenhum trauma, não chega a ser tão dramático. Apenas gosto de me sentar à mesa, saborear minha comida e ouvir algum programa no rádio, ou assistir a algo na televisão. Pelo horário, normalmente, programas esportivos. Não me apetece a ideia de sentar para almoçar com um punhado de gente que fala sobre o trabalho, ou sobre a empresa, ou sobre a profissão: eu estou em um horário que me permite, por lei, a não pensar ou falar sobre nada disso. E a comida desce mais gostosa, é claro.

Porém, em alguns momentos, saio dos fones de ouvidos e acabo por conversar ou comentar sobre amenidades com os colegas de trabalho. Seja sobre o trabalho ou não – varia de acordo com o clima que paira no ar da agência naquele momento. O problema é que, como passo muito tempo sem falar, saio disparando sem pensar muito. Saem palpites, opiniões e piadas sem muito freio. Algumas são bem-vindas, outras passam despercebidas e, outras, bem… viram aquelas “histórias do cara que trabalha/trabalhou comigo”. Me vejo, de uma forma babaca (isso e bem simples, por sinal), com o personagem Shaka, de Cavaleiros do Zodíaco. O poderoso guerreiro permanecia, o tempo inteiro, de olhos fechados. Isso canalizava e armazenava suas energias. Quando os abria, era um rebuceteio de sangue. É…

"Tô de boas, me deixa de boas"

“Tô de boas, me deixa de boas”

 

 

 

 

 

 

 

 

 
No fim do ano, a agência fez uma grande festa de confraternização, unindo os mais de 200 funcionários existentes, além de outros 100, de outra agência, que se fundiu há poucos meses. A ideia era promover interatividade entre todos, celebrar os bons resultados do ano que estava por terminar e, claro, encher a cara às contas do chefe – assumam, boca-livre é algo que não se costuma negar. Mesmo com o Danilo ainda beirando poucas semanas de vida, fui para o interior de São Paulo, em um belo resort, curtir o que deveria ser padrão na vida de peão: curtir um pouco.

Menos de 2 horas no local, e criei um monstro. Nada pensado ou planejado. Estávamos, eu e mais 3 colegas, tomando cervejas em um pequeno bangalô, às margens de uma bela (sic) lagoa, tentando se esquivar de um sol de mais de 30°C às 11 da manhã. Conversávamos sobre qualquer coisa, se é que me lembro. Não estava alcoolizado, chapado ou qualquer coisa do gênero – estava, apenas, relaxado. Curtindo.

Eis que aparece um dos diretores da agência. Amigável e prestativo, apareceu no bangalô para perguntar se estávamos todos bem, se faltava algo. Claro que minha mínima capacidade de socializar com meus companheiros de trabalho fizeram com que eu ainda não o conhecesse. “E aí, pessoal?! Que vida boa, né? Só na cervejinha? Tá tudo bem, tá faltando alguma coisa?”. Todas as pessoas normais, acenavam com a cabeça que sim, que aquele era o momento de suas vidas, de prazer, de interação gostosa, de relaxamento. Já eu, disse que estava tudo ótimo, faltando, apenas, “um buraco para podermos cagar e vomitar para não termos que sair daqui”.

Hoje, quando passo pelos corredores da agência, sou visto como “o cara do buraco para cagar e vomitar”. Para minha sorte, o diretor levou na brincadeira, até por ter presenciado 5 minutos intermináveis de comentários e piadas sobre o que eu disse.

Portanto, amigos, muito cuidado.
Vocês podem estar armazenando energias demais.
Libere-as enquanto é tempo – e muito mais cuidado para saber identificar “quando” é tempo.

Namastê.

Rumo ao bege

24 de setembro de 2012

Há uma coisa que serve de pesadelo para qualquer redator, jornalista, blogueiro, escritor ou coisa que o valha: não te sobre o que escrever. É lógico que  “nada” não existe para quem vive de texto. Se for por profissão, cria-se a partir da tela em branco do computador, da ventania do Metrô, da insônia, da falta de entusiasmo ou, simplesmente, da falta de assunto. Existem vantagens em não ter sobre o que escrever, já que qualquer rascunho vira nota, e todo parágrafo vira dissertação. Estou em uma fase parecida, mas com suas peculiaridades.

O blog é puramente um hobby, mas meu trabalho ainda é escrever. Seja fazendo um freela para alguma revista ou site, remunerado ou não (sim, ainda sou cretino o bastante para aceitar algumas responsabilidades gratuitamente), escrevendo alguma música para a banda nova – que possivelmente nunca será tocada ou gravada), acabo me deparando com a mesma situação: estou escrevendo para quê? Para quem? Alguém se importa? Confesso que se a resposta para essa última questão fosse um simples “não”, minha atitude não mudaria. Hora ou outra, acabaria escrevendo, mais uma vez. Escrevo para mim em 80% dos casos, e os outros 20%, escrevo para aquela pessoa que se arrisca em perder 5, 6 minutos do dia com o que acho/entendo/concordo ou discordo sobre qualquer coisa.

Atualmente, dádivas da minha carreira, não tenho sobre o que escrever. Na empresa onde estou, a criação de textos corresponde a 5, talvez 10% das minhas obrigações. De resto, copio textos de clientes sobre referências em catálogos e os libero para que a parte gráfica complemente. Quando o trabalho volta, já devidamente diagramado, apenas reviso o que foi feito, confiro se os textos foram aplicados corretamente, se as imagens estão locadas da forma adequada e voilà!, teje pronto. É bossal, digno ao trabalho de macacos em uma esteira fordiana, mas não ligo. Não muito, ao menos.

Eu poderia me esforçar mais e partir para algo mais desafiador. Uma função menos passiva, mais compensadora idelogicamente. Mas isso levaria à mudanças que, talvez, hoje não me interessem mais. Virar noites em uma redação; perder – rotineiramente – finais de semana, feriados, festas, happy hours, viagens; assumir a possibilidade de, quem sabe, chefiar uma área; um curso de reciclagem, um novo aprendizado, uma especialização, novos horizontes… É tudo tão bacana para alguém de 29 anos, que me vejo aos 92: trabalhando para alcançar algum prazer naquilo que só me rende dinheiro e algum status, mas sendo obrigado a encontrá-los em tudo que faço. Ou seja, meu amigo, não mudaria nada.

Penso que o que faço, hoje ou amanhã, tende a ser muito parecido com o que planejei, alguns anos atrás: servir para algo, servir bem, para servir sempre. Esse “algo” já me basta, mesmo não rendendo tanto financeiramente quanto alguém possa imaginar o real valor que isso possui, agrega ou diferencia. Em suma, está tudo bem, caminhando para aquele bege, insosso e já predeterminado.

E, no fim das contas, nem ligo.
O bege ainda é aceito por muitos, por aí.

Winning, La Petit Mort

3 de abril de 2012

Pare e pense: há quanto tempo você teve a sensação de estar fazendo algo realmente incrível? Qualquer coisa que tenha realizado e atiçado aquela vontade de sair contando para todos ou, simplesmente, fazer questão de não se esquecer nunca mais. Caso tenha parado por mais de 30 segundos para se decidir, tenha certeza que você anda vivendo da forma errada – se não, ao menos, inadequada.

Aquilo que ouvimos desde a criação de nossos primeiros ideais, “a vida é curta”, é uma dos mais notáveis alertas que recebemos e ignoramos. Desprendemo-nos de prazeres que são, na mesma medida, banais e essenciais, para nos ater a conceitos coerentes ao que os outros esperam de nós – exatamente o inverso de outra patética, porém válida frase: “o Homem nasceu para ser feliz”.

Winning (vencendo) é um conceito que o ator Charlie Sheen criou para designar o que é aproveitar, ao máximo, todos os momentos da vida, não importando as consequências ou os meios necessários para alcançá-los. Não é preciso dizer, mas digo: não fossem o pragmatismo moral e as condições sociais que nos são impostas, faríamos o mesmo. Agora, onde estivéssemos, pelo tempo e na medida que bem entendessemos ser agradável a nós mesmos.

Charlie Sheen é rico, muito rico. Possui status, representatividade perante seus fãs e a mídia em geral. É poderoso, por assim dizer. Se dá ao luxo de poder entreter a si e seus convidados de nababescas festas com muito álcool, drogas e sexo, sem passar pelo crivo da aprovação de ninguém, além da própria. Evidentemente é um caso isolado e que talvez não sirva como o melhor exemplo possível para o que descorro a seguir, mas serve, ao menos, de contraponto.

Atenção: daqui em diante, o texto fica chato e bem mais pessoal.

Acordo, de segunda à sexta-feira, às 5h30. Levanto, vou ao banheiro, lavo o rosto e me troco. Tomo um bom banho antes de dormir, para não perder preciosos 15 minutos de sono matinal. Depois, se ainda não estiver colado no sofá, preparo algo para não sair de casa com o estômago vazio – o que costuma ser um copo de achocolatado, por ser mais prático. Fumo um cigarro se ainda me restarem 5 minutos e parto. São 6 horas.

Caminho cerca de 200 metros em 4 minutos, contados no relógio. Chego ao ponto de ônibus e, dependendo daquele que passar menos cheio, decido meu caminho, mesmo que em 95% das vezes a opção seja pegar um trem da CPTM, nas estações Santo Amaro ou Socorro. Do ponto de descida até o trem, são mais 4 minutos. Na plataforma de embarque, entre 5 e 10, dependendo das condições desumanas do transporte público paulistano. Normalmente de pé, passo 20 minutos sobre os trilhos, até Pinheiros. De lá, a moderna e mal planejada Linha Amarela do Metrô me leva em 15 minutos até a centenária Estação da Luz, antes luxuosa, hoje um refúgio para prostitutas viciadas em crack, mendigos e traficantes.

Mais uma vez, caminho: 4 minutos até outro ponto de ônibus – ando rápido demais para minhas necessidades, mas gosto de poder me deliciar por ter 2, 3 minutinhos a mais para qualquer outra coisa que não envolva responsabilidades. Do ônibus até a avenida mais próxima do trabalho, são 15 minutos. Tempo que uso para ler meus e-mails e fuçar um pouco o Facebook. Desço, caminho por 8 minutos até um boteco ao lado da empresa. Tomo um café preto, sem muito açúcar, enquanto saboreio dois cigarros, um após o outro.

Trabalha, trabalha, enrola, enrola, enrola, trabalha, almoça, trabalha, trabalha, trabalha, enrola, fuma um cigarro, trabalha.

Preciso chegar em casa a qualquer custo. Esse é meu Winning: chegar em casa hoje, mais rápido do que ontem, utilizando o mesmo itinerário: caminhada até o ponto de ônibus / pegar o ônibus / voltar para a Luz / seguir novamente até Pinheiros / embarcar em outro trem da CPTM/ chegar à estação Socorro / caminhar até outro ônibus / caminhar / chegar em casa. Um prazer absurdamente ridículo. Lá se foram 15 horas do meu dia.

As 9 horas restantes são como um pós-orgamo, bem diferentes daqueles que Charlie Sheen se permite ter. Estou cansado, preguiçoso demais para qualquer atividade que exija o mínimo de atenção e já pensando no dia seguinte, o mesmo dia de sempre. É hora do banho bem tomado, de preparar o jantar, comer, conversar com a mulher, fingir que a televisão é minha amiga, ir para a cama e dormir. Foram mais 4 horas, até que as últimas 5 se passem e meu celular desperte-me com Danny Says, dos Ramones.

Cada um tem o Winning que lhe convém, lhe cabe, merece ou, apenas, lhe foi concedido.
O meu, bem diferente dos de Charlie Sheen, é parecido com o que chamam a sensação pós-orgasmo, na França: La Petit Mort (a pequena morte).


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